Março marca o Mês da Conscientização da Obesidade, período que reforça a necessidade de olhar para a condição como ela realmente é: uma doença crônica complexa, influenciada por fatores biológicos, psicológicos, ambientais e sociais, e não apenas o resultado de escolhas individuais.
Apesar dos avanços
terapêuticos dos últimos anos, o tratamento da obesidade ainda enfrenta um
desafio estrutural: a descontinuidade. Dados do Ministério da Saúde, divulgados
no início deste ano, revelam um cenário alarmante, com 62,6% da população
adulta das capitais brasileiras acima do peso, sendo 25,7% destes com
obesidade, índice que mais do que dobrou nas últimas duas décadas.
Este cenário
revela uma lacuna importante entre a percepção da imagem e a necessidade de
cuidado clínico. Muitas vezes, o tratamento falha porque é conduzido de forma
isolada ou fragmentada, focando apenas na perda de peso imediata e ignorando
que, por ser uma doença crônica, o suporte precisa ser contínuo.
“A obesidade é uma
doença crônica e, como tal, exige constância no cuidado. Não se trata de uma
intervenção pontual, mas de uma jornada estruturada, com acompanhamento médico,
orientação nutricional e suporte contínuo ao longo do tempo”, afirma a Dra. Karla Bandeira, endocrinologista e
consultora científica da Voy,
empresa de gestão de saúde que oferece uma jornada de emagrecimento prática,
segura e personalizada.
Além do impacto
direto na qualidade de vida, a obesidade está associada a outras condições,
como diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares. Ainda assim, o
modelo tradicional de consultas presenciais espaçadas e acompanhamento
fragmentado pode dificultar a adesão, especialmente para quem possui uma rotina
sobrecarregada ou já vivenciou experiências de estigmatização.
“O maior desafio
não é apenas iniciar o tratamento, mas garantir a continuidade com segurança.
Quando a pessoa enfrenta a jornada sozinha, as chances de abandono aumentam
significativamente”, reforça a
médica. “É preciso integrar cuidado clínico e suporte próximo para que o
tratamento seja, de fato, sustentável.”
Neste
Mês da Conscientização da Obesidade, a discussão vai além do número na balança.
Reconhecer a complexidade da doença é o passo fundamental para transformar o
cuidado em algo efetivo. Mais do que a perda de peso, trata-se de promover
saúde com acolhimento e respaldo científico.
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