Consumo moderado e escolhas de
qualidade fazem do chocolate um aliado da saúde e do bem-estar
A Páscoa traz lembranças afetivas de tradições em
família, especialmente a troca de ovos de chocolate. Ao contrário do que muitos
imaginam, esse alimento pode ser um aliado da saúde, desde que consumido de
forma equilibrada e com produtos de qualidade. Especialistas da Rede Total Care
e das Linhas de Cuidado da Amil, no Rio de Janeiro, trazem orientações para
transformar esse momento em uma experiência prazerosa, saudável e sem culpa.
Para uma experiência mais saudável, é importante
focar na qualidade nutricional e na lista de ingredientes, priorizando
chocolates menos processados. Um indicador de qualidade é o percentual de
cacau, que deve ser preferencialmente de, no mínimo, 70%, por conter nutrientes
benéficos à saúde.
“Os estudos mostram que o consumo moderado de chocolate amargo
está associado à redução da pressão arterial e à melhora do perfil lipídico,
desde que inserido em um plano alimentar equilibrado. O benefício com maior
evidência científica está relacionado à saúde cardiovascular, devido aos
flavonoides. Além disso, por seu sabor doce, também atua na modulação do humor
e na sensação de bem-estar”, aponta a nutricionista das Linhas de Cuidado da
Amil, Camila Magalhães.
A nutróloga do Hospital Mário Lioni, Mônica Guedes, explica que mesmo
o chocolate amargo não deve ser consumido livremente. A quantidade diária
recomendada é de 20 a 30 gramas, o equivalente a dois quadradinhos de uma barra.
“Existem estratégias práticas para equilibrar o consumo de
chocolate na Páscoa sem gerar excessos ou culpa alimentar. Evite consumir
chocolate com fome ou como substituto de refeições. Prefira uma pequena porção
após uma refeição completa, como sobremesa. Em vez de mastigar, deixe o
chocolate derreter na boca e aproveite a experiência. Outra dica é fracionar o
chocolate e armazená-lo no congelador”, orienta.
Melhores escolhas de chocolate
O rótulo é o melhor aliado na hora de fazer escolhas mais
saudáveis. A legislação brasileira determina que a lista de ingredientes seja
apresentada em ordem decrescente, do item presente em maior quantidade para o
de menor quantidade.
No caso do chocolate, o primeiro ingrediente deve ser cacau ou
massa de cacau. Se açúcar ou gordura vegetal aparecem primeiro, trata-se de um
produto de menor qualidade nutricional.
“A melhor ferramenta do consumidor é o conhecimento sobre rótulos.
A lista de ingredientes é a principal aliada para diferenciar chocolates de boa
qualidade, com maior teor de cacau e menor quantidade de açúcares e gorduras,
daqueles com menor valor nutricional”, reforça Camila Magalhães.
Benefícios do chocolate para a saúde
O chocolate amargo, além de saboroso, tem benefícios já estudados
pela ciência. Confira algumas vantagens do consumo equilibrado desse alimento:
Retarda o envelhecimento
Em um estudo publicado em dezembro de 2025 na revista
científica Aging, pesquisadores do King’s College London mediram os níveis de
teobromina, um composto vegetal encontrado naturalmente no cacau, e os
compararam com marcadores biológicos de envelhecimento no sangue.
Eles descobriram que pessoas com níveis mais elevados de
teobromina tendiam a ter uma idade biológica menor do que a idade cronológica,
em comparação com aquelas com níveis mais baixos. Isso significa que a idade
cronológica corresponde ao número de anos vividos, enquanto a idade biológica
indica como o corpo está envelhecendo fisicamente, com base em diferentes
marcadores do organismo.
Protege o coração
O chocolate é rico em flavonóis, compostos naturais com ação
antioxidante que ajudam a proteger o coração. Estudos mostram uma associação entre maior consumo
desses compostos e menor incidência de doenças cardiovasculares, como acidente vascular
cerebral (AVC) e infarto.
Os flavonóis do cacau também ajudam a reduzir a pressão arterial e
contribuem para a saúde dos vasos sanguíneos, melhorando a circulação,
reduzindo inflamações e auxiliando na dilatação dos vasos.
Estimula e protege o cérebro
Estudos mostram que o cacau em pó e o
chocolate contêm diversas substâncias benéficas, especialmente antioxidantes
como os flavonoides, com destaque para a epicatequina.
Esses compostos atuam no cérebro, estimulando áreas relacionadas à
aprendizagem e à memória. A epicatequina, por exemplo, pode melhorar funções
cognitivas, como atenção e raciocínio.
O chocolate também pode contribuir para o bem-estar emocional e
costuma ser consumido em momentos de estresse. Além disso, esses compostos
estão associados à preservação das funções cognitivas com o envelhecimento.
Alivia a TPM
Evidências
recentes sugerem que o chocolate amargo, rico em flavonoides, polifenóis
(compostos antioxidantes), magnésio e teobromina, pode ter efeitos
anti-inflamatórios, podendo contribuir para melhora de sintomas como dor,
irritabilidade e fadiga durante o período pré-menstrual.
Alivia o fígado
Alguns estudos em andamento, apontam o chocolate
amargo como um possível aliado da saúde do fígado. Os achados indicam que ele
pode ajudar na melhora da doença hepática gordurosa (acúmulo de gordura no
fígado) e reduzir o aumento da pressão nos vasos do abdome, condição que pode
ocorrer em pessoas com cirrose e levar a complicações.
Protege a pele
O chocolate amargo, com 70% de cacau ou mais, pode ajudar a proteger a pele contra danos causados pelo sol devido à alta concentração
de flavonóis, antioxidantes que combatem os radicais livres.
Esses compostos também contribuem para melhorar a hidratação e a
circulação da pele, aumentando sua resistência aos raios ultravioleta (UV) e
reduzindo a vermelhidão. No entanto, é importante lembrar que o consumo não
substitui o uso de protetor solar.
Amil

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