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sexta-feira, 6 de março de 2026

1 em cada 5 mulheres brasileiras já encontraram aplicativos de monitoramento em seu celular, aponta Kaspersky

Stalkerware e monitoramento sem consentimento ampliam o controle em relações abusivas

 

Dados da Kaspersky mostram que 22% das mulheres entrevistadas no Brasil já descobriram que um aplicativo de monitoramento foi instalado em seus telefones. O país está em terceiro lugar no ranking do maior número de detecções desse tipo de ferramenta na América Latina, atrás de México (28%) e Peru (24%) apenas. Nesse Dia Internacional da Mulher, o alerta vai para a violência digital, que segue crescendo e se tornando uma extensão silenciosa de relações abusivas.

A perseguição digital raramente acontece de forma isolada. No Brasil, 42% das mulheres entrevistadas já sofreram algum tipo de agressão doméstica, incluindo psicológico, financeiro, físico, sexual, fotografia ou filmagem sem consentimento, entre outros. Mesmo com 44% das mulheres acreditando que não é aceitável que um parceiro íntimo a monitore suas atividades online, 32% das mulheres brasileiras já se sentiram espionadas por meio de tecnologias como celular e laptop, acesso à webcam, dispositivos de rastreamento, através de dispositivos domésticos inteligentes, dispositivos de monitoramento de saúde, entre outros.

A desconfiança no comportamento do parceiro pode começar com pedidos insistentes por senhas, o que preocupa 19% das mulheres. Além disso, 15% temem a exigência de compartilhamento de localização; 26% se preocupam com “checagens” constantes no celular e com o monitoramento das atividades nas redes sociais; enquanto 22% temem o monitoramento de mensagens de texto. Estes são alguns sinais que podem evoluir para espionagem ativa e controle total da rotina da vítima.

O cenário se agrava porque muitas mulheres não percebem imediatamente que estão sendo monitoradas. Comentários do parceiro sobre conversas privadas, aparições “coincidentes” em locais frequentados ou conhecimento de informações compartilhadas apenas com amigos podem ser sinais de alerta. Em muitos casos, o aplicativo espião é instalado sem consentimento, inclusive em celulares dados como presente, e opera de forma oculta no sistema.

Especialistas da Kaspersky alertam que o stalkerware amplia o controle emocional e pode anteceder violência psicológica ou física. Desde 2021, a perseguição é crime no Brasil, prevista na Lei 14.132/21, mas a conscientização ainda é fundamental para que as vítimas reconheçam os sinais e busquem ajuda. A orientação, em caso de suspeita, é não confrontar imediatamente o agressor, pois isso pode gerar escalada de violência ou destruição de provas. O mais seguro é procurar uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e registrar formalmente a situação.

Os dados mostram que a violência digital tem se consolidado como uma extensão das relações abusivas. Aplicativos de monitoramento, quando usados sem consentimento, transformam o celular em uma ferramenta de vigilância constante. Reconhecer os sinais e falar sobre o tema é fundamental para que mais mulheres consigam identificar esse tipo de agressão e buscar ajuda", alerta Greyce Flores, gerente de Marketing B2C da Kaspersky Brasil.

Recomendações de cibersegurança da Kaspersky para as mulheres se protegerem sua privacidade digital:

  • Mantenha o bloqueio de tela ativo e seguro: Use um PIN, senha ou padrão forte para bloquear seu celular. Muitos stalkerware são instalados com acesso físico breve ao dispositivo.
  • Revise permissões de acesso e compartilhamento: especialmente quando se trata de aplicativos que pedem acesso à localização, microfone, câmera, mensagens ou contatos. Verifique se as permissões concedidas são realmente necessárias para o funcionamento do app.
  • Criptografe seus arquivos importantes: nem tudo que você armazena na nuvem precisa de criptografia, mas informações sensíveis como arquivos médicos ou dados financeiros exigem essa camada extra de proteção.
  • Fique atento a e-mails ou mensagens que solicitam credenciais de acesso à sua plataforma: mesmo que pareçam enviados pelo provedor de nuvem, eles podem ser tentativas de invasão, já que o acesso à conta ainda é uma das principais portas para violação de dados.
  • Monitore o comportamento do seu celular: observe se a bateria está descarregando mais rápido que o normal, se o aparelho superaquece sem motivo aparente, ou se há um consumo excessivo de dados. Estes podem ser sinais de que um software malicioso está operando em segundo plano.
  • Mantenha seu sistema operacional e aplicativos atualizados: as atualizações de software frequentemente corrigem vulnerabilidades de segurança que poderiam ser exploradas por stalkerware.
  • Evite o compartilhamento irrestrito de credenciais: nunca compartilhe seu PIN, senhas de desbloqueio ou credenciais de acesso a contas com ninguém, mesmo pessoas próximas, a menos que seja estritamente necessário e por sua própria decisão.
  • Tenha cautela com dispositivos "presenteados": ao receber um celular ou tablet como presente, faça uma verificação completa das configurações de segurança, aplicativos pré-instalados e permissões antes de começar a usá-lo.
  • Use senhas fortes e habilite a autenticação em dois fatores (2FA): crie senhas únicas e fortes para cada serviço, combinando letras, números e caracteres especiais, e evite reutilizá-las em outras plataformas. Sempre que possível, ative a autenticação em dois fatores para adicionar uma camada extra de segurança caso suas credenciais sejam comprometidas.
  • Proteja sua vida digital com uma solução de segurança: instale um software de segurança confiável, como o Kaspersky Premium, em todos os dispositivos. Essas soluções ajudam a detectar e bloquear ameaças como malware, phishing ou acessos não autorizados que podem colocar suas informações em risco.

*A pesquisa sobre as ameaças de stalkerware foi realizada pela Kaspersky em 2024. 



Kaspersky
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