Stalkerware e monitoramento sem consentimento ampliam o controle em relações abusivas
Dados da Kaspersky
mostram que 22% das mulheres entrevistadas no Brasil já descobriram que um
aplicativo de monitoramento foi instalado em seus telefones. O país está em
terceiro lugar no ranking do maior número de detecções desse tipo de ferramenta
na América Latina, atrás de México (28%) e Peru (24%) apenas. Nesse Dia
Internacional da Mulher, o alerta vai para a violência digital, que segue
crescendo e se tornando uma extensão silenciosa de relações abusivas.
A perseguição digital raramente
acontece de forma isolada. No Brasil, 42% das mulheres entrevistadas já
sofreram algum tipo de agressão doméstica, incluindo psicológico, financeiro,
físico, sexual, fotografia ou filmagem sem consentimento, entre outros. Mesmo
com 44% das mulheres acreditando que não é aceitável que um parceiro íntimo a
monitore suas atividades online, 32% das mulheres brasileiras já se sentiram
espionadas por meio de tecnologias como celular e laptop, acesso à webcam,
dispositivos de rastreamento, através de dispositivos domésticos inteligentes,
dispositivos de monitoramento de saúde, entre outros.
A desconfiança no comportamento do
parceiro pode começar com pedidos insistentes por senhas, o que preocupa 19%
das mulheres. Além disso, 15% temem a exigência de compartilhamento de
localização; 26% se preocupam com “checagens” constantes no celular e com o
monitoramento das atividades nas redes sociais; enquanto 22% temem o
monitoramento de mensagens de texto. Estes são alguns sinais que podem evoluir
para espionagem ativa e controle total da rotina da vítima.
O cenário se agrava porque muitas
mulheres não percebem imediatamente que estão sendo monitoradas. Comentários do
parceiro sobre conversas privadas, aparições “coincidentes” em locais
frequentados ou conhecimento de informações compartilhadas apenas com amigos
podem ser sinais de alerta. Em muitos casos, o aplicativo espião é instalado
sem consentimento, inclusive em celulares dados como presente, e opera de forma
oculta no sistema.
Especialistas da Kaspersky alertam que
o stalkerware amplia o controle emocional e pode anteceder violência
psicológica ou física. Desde 2021, a perseguição é crime no Brasil, prevista na
Lei 14.132/21, mas a conscientização ainda é fundamental para que as vítimas
reconheçam os sinais e busquem ajuda. A orientação, em caso de suspeita, é não
confrontar imediatamente o agressor, pois isso pode gerar escalada de violência
ou destruição de provas. O mais seguro é procurar uma Delegacia Especializada
de Atendimento à Mulher e registrar formalmente a situação.
“Os dados mostram que a violência
digital tem se consolidado como uma extensão das relações abusivas. Aplicativos
de monitoramento, quando usados sem consentimento, transformam o celular em uma
ferramenta de vigilância constante. Reconhecer os sinais e falar sobre o tema é
fundamental para que mais mulheres consigam identificar esse tipo de agressão e
buscar ajuda", alerta Greyce Flores, gerente de
Marketing B2C da Kaspersky Brasil.
Recomendações de cibersegurança da
Kaspersky para as mulheres se protegerem sua privacidade digital:
- Mantenha o bloqueio de tela ativo e seguro: Use um PIN, senha ou padrão forte para bloquear seu celular.
Muitos stalkerware são instalados com acesso físico breve ao dispositivo.
- Revise permissões de acesso e compartilhamento: especialmente quando se trata de aplicativos que pedem acesso
à localização, microfone, câmera, mensagens ou contatos. Verifique se as
permissões concedidas são realmente necessárias para o funcionamento do
app.
- Criptografe seus arquivos importantes: nem tudo que você armazena na nuvem precisa de criptografia,
mas informações sensíveis como arquivos médicos ou dados financeiros
exigem essa camada extra de proteção.
- Fique atento a e-mails ou mensagens que solicitam credenciais
de acesso à sua plataforma: mesmo que
pareçam enviados pelo provedor de nuvem, eles podem ser tentativas de
invasão, já que o acesso à conta ainda é uma das principais portas para
violação de dados.
- Monitore o comportamento do seu celular: observe se a bateria está descarregando mais rápido que o
normal, se o aparelho superaquece sem motivo aparente, ou se há um consumo
excessivo de dados. Estes podem ser sinais de que um software malicioso
está operando em segundo plano.
- Mantenha seu sistema operacional e aplicativos atualizados: as atualizações de software frequentemente corrigem
vulnerabilidades de segurança que poderiam ser exploradas por stalkerware.
- Evite o compartilhamento irrestrito de credenciais: nunca compartilhe seu PIN, senhas de desbloqueio ou
credenciais de acesso a contas com ninguém, mesmo pessoas próximas, a
menos que seja estritamente necessário e por sua própria decisão.
- Tenha cautela com dispositivos "presenteados": ao receber um celular ou tablet como presente, faça uma
verificação completa das configurações de segurança, aplicativos
pré-instalados e permissões antes de começar a usá-lo.
- Use senhas fortes e habilite a autenticação em dois fatores
(2FA): crie senhas únicas e fortes para
cada serviço, combinando letras, números e caracteres especiais, e evite
reutilizá-las em outras plataformas. Sempre que possível, ative a
autenticação em dois fatores para adicionar uma camada extra de segurança
caso suas credenciais sejam comprometidas.
- Proteja sua vida digital com uma solução de segurança: instale um software de segurança confiável, como o Kaspersky
Premium, em todos os dispositivos.
Essas soluções ajudam a detectar e bloquear ameaças como malware, phishing
ou acessos não autorizados que podem colocar suas informações em risco.
*A pesquisa sobre as ameaças de stalkerware foi realizada pela Kaspersky em 2024.
Kaspersky
Mais informações no site.
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