Especialista da Unicamp destaca estratégias simples para reduzir o impacto emocional do retorno à rotina; escolas também podem ajudar com medidas simples e que não envolvem grandes recursos
A volta
às aulas costuma ser um momento de expectativa, que pode desencadear ansiedade
em crianças e adolescentes. A retomada da rotina escolar, a adaptação a novos
professores, colegas e regras, além das exigências acadêmicas, contribuem para
o aumento do estresse emocional nesse período.
A
psicóloga Camila Canguçu, especialista em desenvolvimento infantil e
supervisora do Programa de Atenção ao Transtorno do Espectro do Autismo
(PRATEA) da Faculdade de Medicina da Unicamp, explica que o retorno às aulas representa
uma mudança significativa no dia a dia. “Assim como as férias, a volta à rotina
também gera dúvidas. Muda professor, muda auxiliar, muda a sala-de-aula, mudam
os coleguinhas. Às vezes, muda até a própria escola. Estratégias simples ajudam
a entender que a pessoa de referência pode ter mudado, mas a rede de apoio
continuará a existir”.
O mais
importante é mostrar como será essa nova rotina com informações bem diretas
como, por exemplo, explicar quais serão as novas disciplinas e quem serão os novos
professores. “Além das famílias, as escolas também podem ajudar nesse processo
com medidas simples e que não exigem grandes recursos. Hoje, com a tecnologia,
é fácil para a instituição de ensino montar um material digital com fotos dos
professores de cada turma e enviar para a família mostrar à criança.”
Para
crianças pequenas, uma das principais estratégias é antecipar o que vai
acontecer. Camila Canguçu orienta que pais e cuidadores expliquem como serão os
dias de aula, quem levará a criança, o que ela fará na escola e como será o
momento da volta para casa. “Criar pequenas histórias usando o nome da criança
e descrevendo a rotina escolar ajuda a construir previsibilidade e segurança”,
afirma.
Com
crianças maiores, o uso do calendário pode ser um aliado importante. “Marcar o
primeiro dia de aula, mostrar como será a rotina da semana e contar os dias até
reencontrar amigos ajuda a organizar expectativas. Também é importante validar
sentimentos ambíguos e explicar que dá para sentir animação e medo ao mesmo
tempo”.
A
psicóloga reforça que nem sempre crianças e adolescentes conseguem expressar
verbalmente o que sentem. Nesses casos, o desconforto pode aparecer na forma de
sintomas como alterações no sono, irritabilidade, queixas físicas, como dor de barriga
ou dor de cabeça, e resistência para ir à escola. “Esses comportamentos não
devem ser vistos como birras, mas como manifestações emocionais que precisam
ser acolhidas”.
Como
reduzir a ansiedade na volta às aulas
Veja
um resumo das estratégias indicadas pela psicóloga Camila Canguçu:
Para
crianças pequenas
Antecipar a rotina escolar por meio de conversas ou
histórias personalizadas.
Explicar de forma concreta como será o dia com
informações sobre horários, atividades e quem estará presente.
Utilizar recursos visuais para aumentar a
previsibilidade.
Para
crianças maiores
Marcar
no calendário o início das aulas e eventos importantes.
Conversar sobre expectativas e possíveis receios em
relação à escola.
Normalizar
sentimentos como insegurança ou ansiedade.
Para
adolescentes
Manter
diálogo aberto sobre escola, amizades e desempenho acadêmico.
Observar
mudanças de comportamento, sono ou apetite.
Incentivar
a expressão emocional em palavras como forma de aliviar tensões.
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