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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Volta às aulas pode aumentar ansiedade infantil: psicóloga explica como ajudar crianças e adolescentes no início do novo ano letivo

Especialista da Unicamp destaca estratégias simples para reduzir o impacto emocional do retorno à rotina; escolas também podem ajudar com medidas simples e que não envolvem grandes recursos 

 

A volta às aulas costuma ser um momento de expectativa, que pode desencadear ansiedade em crianças e adolescentes. A retomada da rotina escolar, a adaptação a novos professores, colegas e regras, além das exigências acadêmicas, contribuem para o aumento do estresse emocional nesse período. 

A psicóloga Camila Canguçu, especialista em desenvolvimento infantil e supervisora do Programa de Atenção ao Transtorno do Espectro do Autismo (PRATEA) da Faculdade de Medicina da Unicamp, explica que o retorno às aulas representa uma mudança significativa no dia a dia. “Assim como as férias, a volta à rotina também gera dúvidas. Muda professor, muda auxiliar, muda a sala-de-aula, mudam os coleguinhas. Às vezes, muda até a própria escola. Estratégias simples ajudam a entender que a pessoa de referência pode ter mudado, mas a rede de apoio continuará a existir”. 

O mais importante é mostrar como será essa nova rotina com informações bem diretas como, por exemplo, explicar quais serão as novas disciplinas e quem serão os novos professores. “Além das famílias, as escolas também podem ajudar nesse processo com medidas simples e que não exigem grandes recursos. Hoje, com a tecnologia, é fácil para a instituição de ensino montar um material digital com fotos dos professores de cada turma e enviar para a família mostrar à criança.” 

Para crianças pequenas, uma das principais estratégias é antecipar o que vai acontecer. Camila Canguçu orienta que pais e cuidadores expliquem como serão os dias de aula, quem levará a criança, o que ela fará na escola e como será o momento da volta para casa. “Criar pequenas histórias usando o nome da criança e descrevendo a rotina escolar ajuda a construir previsibilidade e segurança”, afirma. 

Com crianças maiores, o uso do calendário pode ser um aliado importante. “Marcar o primeiro dia de aula, mostrar como será a rotina da semana e contar os dias até reencontrar amigos ajuda a organizar expectativas. Também é importante validar sentimentos ambíguos e explicar que dá para sentir animação e medo ao mesmo tempo”. 

A psicóloga reforça que nem sempre crianças e adolescentes conseguem expressar verbalmente o que sentem. Nesses casos, o desconforto pode aparecer na forma de sintomas como alterações no sono, irritabilidade, queixas físicas, como dor de barriga ou dor de cabeça, e resistência para ir à escola. “Esses comportamentos não devem ser vistos como birras, mas como manifestações emocionais que precisam ser acolhidas”.
 

Como reduzir a ansiedade na volta às aulas

Veja um resumo das estratégias indicadas pela psicóloga Camila Canguçu:
 

Para crianças pequenas
Antecipar a rotina escolar por meio de conversas ou histórias personalizadas.

Explicar de forma concreta como será o dia com informações sobre horários, atividades e quem estará presente.

Utilizar recursos visuais para aumentar a previsibilidade.

 

Para crianças maiores

Marcar no calendário o início das aulas e eventos importantes.

Conversar sobre expectativas e possíveis receios em relação à escola. 

Normalizar sentimentos como insegurança ou ansiedade.

 

Para adolescentes

Manter diálogo aberto sobre escola, amizades e desempenho acadêmico. 

Observar mudanças de comportamento, sono ou apetite. 

Incentivar a expressão emocional em palavras como forma de aliviar tensões.

 

Camila Canguçu - doutora em Psicologia pela Medaille College, nos Estados Unidos, e supervisora do Programa de Atenção ao Transtorno do Espectro do Autismo (PRATEA) da Faculdade de Medicina da Unicamp. É especialista em Análise do Comportamento Aplicada (ABA), abordagem reconhecida como uma das mais eficazes no tratamento do autismo. Graduada pela PUC-Campinas e mestre pela Universidade São Francisco (USF), alia experiência acadêmica e clínica à vivência pessoal como mãe de um menino autista, o que aprofundou seu interesse e especialização no desenvolvimento infantil.



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