Partículas microscópicas do glitter convencional se
transformam em microplásticos, contaminam rios e oceanos e representam riscos à
fauna; especialista defende o uso de versões biodegradáveis durante a folia
O
brilho que toma conta do Carnaval brasileiro esconde um problema ambiental
pouco visível a olho nu. Presente em maquiagens, fantasias e adereços, o
glitter tradicional é composto majoritariamente por microplásticos que, após a
folia, acabam nos sistemas de drenagem urbana e seguem para rios, lagoas e
oceanos. O resultado é um impacto direto e duradouro sobre o meio ambiente,
especialmente sobre a vida aquática.
De
acordo com especialistas, por serem extremamente pequenas, essas partículas não
são filtradas nas estações de tratamento de esgoto, acumulando-se nos
ecossistemas e entrando na cadeia alimentar. A alternativa para reduzir esse
dano passa pela adoção do glitter biodegradável, produzido com materiais de
origem vegetal e que se decompõem naturalmente em menos tempo.
“O
glitter convencional é um dos exemplos mais problemáticos de poluição
invisível. Ele não desaparece após o Carnaval e pode permanecer no ambiente por
décadas, fragmentando-se ainda mais e afetando organismos aquáticos”, afirma
Carlos Eduardo Canejo, professor do Mestrado Profissional em Ciências do Meio
Ambiente da Universidade Veiga de Almeida (UVA).
Segundo
o professor, a ingestão desses microplásticos por peixes e outros animais
marinhos pode provocar alterações fisiológicas e, indiretamente, atingir os
seres humanos. “Quando falamos de microplásticos, falamos de um problema
sistêmico. O que vai para o ralo hoje pode voltar amanhã na forma de alimento”,
alerta.
“O
glitter biodegradável é uma alternativa viável e responsável. Ele mantém o
aspecto estético desejado pelo folião, mas reduz significativamente o impacto
ambiental. Pequenas escolhas individuais, quando adotadas em larga escala,
fazem muita diferença”, completa o professor.
Com
o avanço da conscientização ambiental, blocos, marcas de cosméticos e foliões
começam a repensar hábitos. Em um Carnaval cada vez mais atento à
sustentabilidade, trocar o glitter tradicional por versões biodegradáveis é um
passo simples para garantir que o brilho da festa não deixe um legado de
poluição para o futuro.
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