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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Glitter no Carnaval ameaça o meio ambiente e reforça debate sobre alternativas biodegradáveis

Partículas microscópicas do glitter convencional se transformam em microplásticos, contaminam rios e oceanos e representam riscos à fauna; especialista defende o uso de versões biodegradáveis durante a folia

 

O brilho que toma conta do Carnaval brasileiro esconde um problema ambiental pouco visível a olho nu. Presente em maquiagens, fantasias e adereços, o glitter tradicional é composto majoritariamente por microplásticos que, após a folia, acabam nos sistemas de drenagem urbana e seguem para rios, lagoas e oceanos. O resultado é um impacto direto e duradouro sobre o meio ambiente, especialmente sobre a vida aquática. 

De acordo com especialistas, por serem extremamente pequenas, essas partículas não são filtradas nas estações de tratamento de esgoto, acumulando-se nos ecossistemas e entrando na cadeia alimentar. A alternativa para reduzir esse dano passa pela adoção do glitter biodegradável, produzido com materiais de origem vegetal e que se decompõem naturalmente em menos tempo. 

“O glitter convencional é um dos exemplos mais problemáticos de poluição invisível. Ele não desaparece após o Carnaval e pode permanecer no ambiente por décadas, fragmentando-se ainda mais e afetando organismos aquáticos”, afirma Carlos Eduardo Canejo, professor do Mestrado Profissional em Ciências do Meio Ambiente da Universidade Veiga de Almeida (UVA). 

Segundo o professor, a ingestão desses microplásticos por peixes e outros animais marinhos pode provocar alterações fisiológicas e, indiretamente, atingir os seres humanos. “Quando falamos de microplásticos, falamos de um problema sistêmico. O que vai para o ralo hoje pode voltar amanhã na forma de alimento”, alerta. 

“O glitter biodegradável é uma alternativa viável e responsável. Ele mantém o aspecto estético desejado pelo folião, mas reduz significativamente o impacto ambiental. Pequenas escolhas individuais, quando adotadas em larga escala, fazem muita diferença”, completa o professor. 

Com o avanço da conscientização ambiental, blocos, marcas de cosméticos e foliões começam a repensar hábitos. Em um Carnaval cada vez mais atento à sustentabilidade, trocar o glitter tradicional por versões biodegradáveis é um passo simples para garantir que o brilho da festa não deixe um legado de poluição para o futuro.


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