O grande boom das “canetas emagrecedoras” só cresce mas, apesar dos benefícios quando corretamente indicados e acompanhados, esses medicamentos não são isentos de riscos. Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Rodrigo Barbosa, é fundamental que a população entenda que se trata de medicamentos de uso controlado, que exigem avaliação clínica criteriosa e acompanhamento contínuo.
“Essas
medicações podem trazer benefícios importantes para pacientes com obesidade,
mas não são produtos estéticos ou inofensivos. Como qualquer tratamento
farmacológico, têm indicações específicas, possíveis efeitos colaterais e
precisam de supervisão médica”, explica.
Pancreatite aguda pelo uso de canetas emagrecedoras
“O
recente alerta de autoridades sanitárias do Reino Unido destaca que
medicamentos injetáveis podem estar associados a um risco raro, porém
potencialmente grave, de pancreatite aguda severa — uma inflamação intensa do
pâncreas que em alguns casos evoluiu para complicações fatais. Dados de
vigilância reunidos por agências reguladoras mostram que, ao longo dos últimos
anos, centenas de relatos de pancreatite foram notificados e, apesar de o risco
absoluto ser baixo, a ocorrência desse efeito adverso chama atenção para a
necessidade de acompanhamento clínico rigoroso, alerta aos sinais precoces
(como dor abdominal intensa, náuseas ou vômitos persistentes) e orientação
médica contínua durante o uso dessas medicações.”
Dr.
Rodrigo lembra que os principais sinais de alerta incluem:
- Dor abdominal intensa e persistente
- Náuseas e vômitos que não melhoram
- Dor que irradia para as costas
- Sensação de mal-estar importante
“Qualquer
dor abdominal forte, contínua ou acompanhada de vômitos persistentes não deve
ser interpretada como um simples efeito da medicação ou parte do processo de
emagrecimento. Isso precisa ser avaliado imediatamente”, reforça o cirurgião.
Efeitos gastrointestinais das canetas emagrecedoras
Entre
outras reações adversas mais frequentes do uso das canetas estão sintomas
gastrointestinais, especialmente nas primeiras semanas de uso ou durante o
ajuste de dose. Náuseas, diarreia, sensação de estômago cheio e dor abdominal
leve estão entre os relatos mais comuns.
“Esses
sintomas geralmente são transitórios e podem ser manejados com ajuste de dose e
orientação alimentar. O problema é quando o paciente usa sem acompanhamento ou
ignora sinais que fogem do padrão esperado”, alerta o especialista.
Obesidade não se trata só com canetas emagrecedoras
Além
dos riscos imediatos, o cirurgião destaca outro ponto pouco discutido:
medicamentos isoladamente não resolvem a obesidade de forma duradoura se não
houver mudanças estruturais no estilo de vida.
O
tratamento eficaz envolve uma abordagem multifatorial, que inclui, reeducação
nutricional, prática regular de atividade física, suporte psicológico ou
comportamental e monitoramento clínico contínuo.
“Perder
peso com medicamentos sem lidar com as causas subjacentes — metabolismo,
comportamento alimentar e hábitos de vida — muitas vezes não resulta em ganho
de saúde sustentável. A obesidade é uma doença crônica e precisa ser tratada
como tal”, afirma.
O
especialista reforça que qualquer tratamento para perda de peso deve ser
conduzido por equipe de saúde habilitada. Sintomas intensos, persistentes ou
diferentes do esperado durante o uso das medicações devem sempre ser avaliados
por um profissional.
“A
informação correta protege. Medicamento não é atalho: é ferramenta terapêutica,
que só deve ser usada com indicação, acompanhamento e responsabilidade.”
Dr
Rodrigo Barbosa - cirurgião digestivo sub-especializado em
cirurgia bariátrica e coloproctologia do corpo clínico dos hospitais Sírio
Libanês e Nove de Julho. CEO do Instituto
Medicina em Foco
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