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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Cirurgião do aparelho digestivo reforça que medicamentos para obesidade não são isentos de efeitos adversos

O grande boom das “canetas emagrecedoras” só cresce mas, apesar dos benefícios quando corretamente indicados e acompanhados, esses medicamentos não são isentos de riscos. Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Rodrigo Barbosa, é fundamental que a população entenda que se trata de medicamentos de uso controlado, que exigem avaliação clínica criteriosa e acompanhamento contínuo.

“Essas medicações podem trazer benefícios importantes para pacientes com obesidade, mas não são produtos estéticos ou inofensivos. Como qualquer tratamento farmacológico, têm indicações específicas, possíveis efeitos colaterais e precisam de supervisão médica”, explica.
 

Pancreatite aguda pelo uso de canetas emagrecedoras

“O recente alerta de autoridades sanitárias do Reino Unido destaca que medicamentos injetáveis podem estar associados a um risco raro, porém potencialmente grave, de pancreatite aguda severa — uma inflamação intensa do pâncreas que em alguns casos evoluiu para complicações fatais. Dados de vigilância reunidos por agências reguladoras mostram que, ao longo dos últimos anos, centenas de relatos de pancreatite foram notificados e, apesar de o risco absoluto ser baixo, a ocorrência desse efeito adverso chama atenção para a necessidade de acompanhamento clínico rigoroso, alerta aos sinais precoces (como dor abdominal intensa, náuseas ou vômitos persistentes) e orientação médica contínua durante o uso dessas medicações.”

Dr. Rodrigo lembra que os principais sinais de alerta incluem:

  • Dor abdominal intensa e persistente
  • Náuseas e vômitos que não melhoram
  • Dor que irradia para as costas
  • Sensação de mal-estar importante

“Qualquer dor abdominal forte, contínua ou acompanhada de vômitos persistentes não deve ser interpretada como um simples efeito da medicação ou parte do processo de emagrecimento. Isso precisa ser avaliado imediatamente”, reforça o cirurgião.
 

Efeitos gastrointestinais das canetas emagrecedoras

Entre outras reações adversas mais frequentes do uso das canetas estão sintomas gastrointestinais, especialmente nas primeiras semanas de uso ou durante o ajuste de dose. Náuseas, diarreia, sensação de estômago cheio e dor abdominal leve estão entre os relatos mais comuns.

“Esses sintomas geralmente são transitórios e podem ser manejados com ajuste de dose e orientação alimentar. O problema é quando o paciente usa sem acompanhamento ou ignora sinais que fogem do padrão esperado”, alerta o especialista.
 

Obesidade não se trata só com canetas emagrecedoras

Além dos riscos imediatos, o cirurgião destaca outro ponto pouco discutido: medicamentos isoladamente não resolvem a obesidade de forma duradoura se não houver mudanças estruturais no estilo de vida.

O tratamento eficaz envolve uma abordagem multifatorial, que inclui, reeducação nutricional, prática regular de atividade física, suporte psicológico ou comportamental e monitoramento clínico contínuo.

“Perder peso com medicamentos sem lidar com as causas subjacentes — metabolismo, comportamento alimentar e hábitos de vida — muitas vezes não resulta em ganho de saúde sustentável. A obesidade é uma doença crônica e precisa ser tratada como tal”, afirma.

O especialista reforça que qualquer tratamento para perda de peso deve ser conduzido por equipe de saúde habilitada. Sintomas intensos, persistentes ou diferentes do esperado durante o uso das medicações devem sempre ser avaliados por um profissional.

“A informação correta protege. Medicamento não é atalho: é ferramenta terapêutica, que só deve ser usada com indicação, acompanhamento e responsabilidade.”
 

Dr Rodrigo Barbosa - cirurgião digestivo sub-especializado em cirurgia bariátrica e coloproctologia do corpo clínico dos hospitais Sírio Libanês e Nove de Julho. CEO do Instituto Medicina em Foco


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