Estratégias simples e eficazes podem transformar a forma como estudantes de todas as idades aprendem, com mais foco, autonomia e retenção do conteúdo
Conciliar estudos com uma rotina cada vez mais acelerada é um desafio comum
para estudantes de diferentes perfis e idades. Seja na escola, na universidade
ou em processos de aprendizagem contínua ao longo da vida, muitas pessoas ainda
associam estudar a longas horas de leitura passiva e repetição mecânica,
práticas que nem sempre garantem compreensão real ou memória duradoura.
Segundo
especialistas em educação, a chave para um aprendizado mais eficiente está
menos no tempo dedicado aos estudos e mais na forma como esse tempo é
utilizado. “Quando o estudante adota métodos ativos, ele deixa de ser um
receptor de informações e passa a participar do próprio processo de
aprendizagem. Isso muda completamente o nível de engajamento e de retenção do
conteúdo”, explica Carlos Augusto Lima, orientador educacional do Brazilian
International School – BIS, de São
Paulo (SP).
A
seguir, conheça quatro métodos de estudo que podem ser aplicados em diferentes
disciplinas e contextos, com exemplos práticos de uso no dia a dia.
1. Método SQ3R
Muito
utilizado por quem precisa lidar com textos longos e densos, o método SQ3R
propõe uma leitura estruturada em cinco etapas: explorar o texto, formular
perguntas, ler ativamente, recitar o que foi aprendido e revisar.
Na
prática, isso significa que, antes de mergulhar em um capítulo de livro ou
artigo, o estudante observa títulos, subtítulos e gráficos, cria perguntas a
partir desses elementos e lê com um objetivo claro: encontrar respostas. Ao
final, faz um resumo com suas próprias palavras e revisita o conteúdo em outro
momento.
“Ler
sem questionar é um dos erros mais comuns nos estudos”, destaca Lima. “O SQ3R
ensina o cérebro a buscar sentido, não apenas informação, o que faz toda a
diferença para a compreensão.”
2. Flashcards
Os
flashcards são fichas de estudo que ajudam a memorizar conceitos, fórmulas ou
definições. De um lado, fica a pergunta ou palavra-chave; do outro, a
explicação. Embora simples, a técnica é poderosa quando usada com planejamento
e revisão espaçada.
Um
exemplo prático é utilizar flashcards para revisar conceitos-chave após uma aula
ou leitura, dedicando poucos minutos por dia à atividade. Eles podem ser usados
individualmente ou em grupo, como em dinâmicas de perguntas e respostas.
“O
flashcard não serve apenas para decorar”, ressalta o orientador educacional.
“Quando o aluno cria seus próprios cartões, ele precisa compreender o conteúdo
antes de registrá-lo, o que fortalece o aprendizado.” O uso de cores,
organização visual e revisões regulares ajuda a tornar a técnica ainda mais
eficiente.
3. Estudo intercalado
Diferente
de estudar uma única disciplina por horas seguidas, o estudo intercalado propõe
alternar conteúdos ou tipos de atividade ao longo da sessão de estudo. Por
exemplo, resolver exercícios de Matemática, depois ler um texto de História e,
em seguida, revisar conceitos de Ciências.
Essa
alternância evita a fadiga mental e mantém o cérebro ativo. “O estudo
intercalado funciona como um treino cognitivo”, explica o educador. “Ao mudar o
foco, o estudante preserva a atenção e cria conexões mais sólidas entre diferentes
áreas do conhecimento.”
O
principal cuidado é não confundir alternância com dispersão. A troca de
conteúdos deve ser planejada, com tempo definido para cada bloco, garantindo
equilíbrio entre variedade e aprofundamento.
4. Técnica de Feynman
A
técnica de Feynman baseia-se em um princípio simples: se você consegue explicar
um conteúdo de forma clara, é porque realmente o compreendeu. Após estudar um
tema, o estudante tenta explicá-lo em voz alta ou por escrito, como se
estivesse ensinando alguém.
Durante
esse processo, lacunas de compreensão ficam evidentes, permitindo ajustes e
revisões mais direcionadas. “A autoexplicação é uma ferramenta poderosa, porque
obriga o estudante a organizar o raciocínio e simplificar ideias complexas”,
afirma o orientador do BIS.
A técnica pode ser potencializada com o uso de flashcards como apoio, servindo de roteiro para a explicação e garantindo que os pontos principais não sejam esquecidos.
Carlos Augusto Lima - Doutor em Educação Matemática e mestre em Psicologia da Educação pela PUC-SP, pós-graduado em Psicopedagogia. Avaliador do PNLD, autor de livros, artigos, capítulos e organizador de livros. Atua desde 1989 na área da educação. Coordenador de curso desde 2011 em escolas da rede privada. É orientador educacional do Brazilian International School – BIS, de São Paulo, capital.
International Schools Partnership - ISP

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