Altas temperaturas
aumentam o risco de desidratação e fadiga na musculação; ajustes no treino
ajudam a manter o rendimento
Com a chegada do verão, aumenta o número de pessoas
que mantêm ou intensificam a rotina de musculação. Férias, carnaval e metas
estéticas típicas da estação impulsionam a frequência nas academias. Ao mesmo
tempo, crescem os riscos associados ao treino em altas temperaturas, como
desidratação, queda de rendimento, tontura e mal-estar. O interesse pelo tema
aparece também nas buscas online: termos como “treinar no calor”, “hidratação
no treino” e “queda de pressão após exercício” costumam registrar alta entre
dezembro e março, segundo dados do Google Trends.
Do ponto de vista fisiológico, o calor interfere
diretamente na resposta do corpo ao exercício. Para manter a temperatura
corporal estável, o organismo aumenta o fluxo de sangue para a pele, o que
reduz a quantidade disponível para os músculos. Esse processo eleva a
frequência cardíaca, acelera a perda de líquidos pelo suor e diminui a
capacidade de sustentar cargas elevadas por longos períodos.
“O corpo precisa conciliar o resfriamento com
o fornecimento de oxigênio e nutrientes aos músculos. Isso aumenta o custo
fisiológico do exercício e antecipa a fadiga”, explica o treinador físico Lucas
Florêncio, da Smart Fit. Segundo ele, no calor, o uso dos estoques de
carboidrato ocorre de forma mais rápida, o que contribui para a queda de
rendimento durante o treino.
Diante desse cenário, adaptar a musculação no verão
não significa treinar menos, mas com estratégia. A ideia é ajustar o estímulo
para manter a segurança e a consistência sem comprometer os resultados. “A
mesma carga e o mesmo volume que funcionam em temperaturas amenas podem se
tornar excessivos no calor, porque a percepção de esforço aumenta”, afirma
Florêncio.
Entre os ajustes mais recomendados está a ampliação
dos intervalos de descanso. Pausas maiores entre as séries ajudam a reduzir a
frequência cardíaca e facilitam a dissipação do calor. Outra estratégia é
reduzir pontualmente o volume total do treino, com menos séries, mantendo a
carga sempre que possível. Dessa forma, é possível preservar a intensidade sem
sobrecarregar o sistema cardiovascular.
O aumento da sudorese também exige atenção. No
verão, a perda de líquidos e eletrólitos, como sódio e potássio, é maior, o que
pode favorecer câimbras, tontura e fadiga precoce. A hidratação deve começar
antes do treino, continuar durante a atividade e ser reforçada após o término.
Para sessões mais longas, a reposição de eletrólitos pode ser indicada,
especialmente em ambientes muito quentes.
Sinais como tontura, visão turva, dor de cabeça
intensa, calafrios ou confusão mental não devem ser ignorados. Esses sintomas
podem indicar queda de pressão ou exaustão térmica e são motivo para
interromper o treino imediatamente. “Treinar no calor exige mais atenção aos
sinais do corpo. Persistir apesar do mal-estar aumenta o risco de problemas
mais graves”, alerta o treinador.
Outro ponto importante é desmistificar a ideia de
que suar mais significa queimar mais gordura. O suor é apenas um mecanismo de
resfriamento do corpo. A redução de peso observada após treinos intensos no
calor está relacionada, principalmente, à perda de água e não à queima de
gordura. Estratégias para “suar mais”, como usar agasalhos ou treinar em locais
sem ventilação, aumentam o risco de desidratação e prejudicam a performance.
Diretrizes de entidades como o American College of
Sports Medicine reforçam que, em ambientes quentes, a adaptação do treino é
fundamental para reduzir riscos e manter a qualidade do estímulo. Ajustar
carga, volume e descanso, priorizar a técnica e investir em hidratação são
medidas importantes.
Grupo Smart Fit
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