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A partir deste mês, passa a estar disponível pelo SUS, para todos os bebês prematuros,
um medicamento preventivo que protege contra o Vírus Sincicial Respiratório
(VSR), uma das principais causas de infecções respiratórias graves em crianças
de até dois anos. A medida representa um avanço significativo na redução de internações,
complicações e mortes evitáveis entre recém-nascidos.
A
incorporação do nirsevimabe se soma à recente inclusão da vacina contra o VSR
para gestantes. Enquanto a imunização materna contribui para a
proteção do recém-nascido por meio da transferência de anticorpos, o
nirsevimabe amplia essa estratégia ao oferecer proteção direta aos bebês
prematuros e às crianças com comorbidades, independentemente de a mãe ter sido
vacinada ou não durante a gestação.
Trata-se,
portanto, de uma abordagem integrada e mais abrangente de prevenção, essencial
para reduzir hospitalizações e óbitos por VSR. Altamente contagioso, o
VSR pode causar infecção grave e potencialmente fatal especialmente em
recém-nascidos prematuros e crianças com comorbidades. A infecção pelo VSR pode
levar à hospitalização e internação em unidade de terapia intensiva (UTI), além
de estar associada a complicações respiratórias de longo prazo, o que reforça a
importância das estratégias de prevenção e proteção desde os primeiros meses de
vida.
Dados
evidenciam que os desafios enfrentados pelos bebês prematuros,
significativamente mais vulneráveis, geram não apenas impactos clínicos, mas
também um elevado custo ao sistema de saúde. Segundo levantamento da Planisa¹,
consultoria especializada em custos hospitalares, foram gastos cerca de R$
13,5 bilhões em 2024 com internações de recém-nascidos prematuros em UTI
neonatal. A análise envolveu uma amostra de 18 mil altas de prematuros que
permaneceram internados, em média, por 14 dias.
Os cálculos foram feitos com base em dados do Sistema de Informações
sobre Nascidos Vivos (SINASC)², do Ministério da Saúde, e no custo mediano da
diária de UTI neonatal em 60 hospitais do país - R$ 2.652 por dia, com
permanência média de 14 dias por recém-nascido. Porém, uma pesquisa da Associação Brasileira de
Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros (ONG
Prematuridade.com), realizada com 2.900 famílias entre outubro de 2016 e junho
de 2019, revelou uma realidade mais grave: a média de internação em UTI neonatal
de bebês prematuros após o parto chegou a 51 dias. Aplicando esse dado aos
custos hospitalares, o gasto estimado salta para impressionantes R$ 32 bilhões
por ano.
A
ONG Prematuridade.com atuou ativamente durante todo o processo de discussões
para a inclusão da imunização no SUS. Juntamente com organizações parceiras, a
organização defendeu que o acesso ao imunizante reduziria significativamente a
sobrecarga do sistema de saúde, evitando internações e melhorando a qualidade
de vida de milhares de crianças brasileiras. “A incorporação desse medicamento
é um divisor de águas para a imunização dos prematuros. O fato de estar
disponível durante todo o ano também é um diferencial importante e, com
certeza, reduzirá drasticamente o número de agravamentos e hospitalizações e
salvará vidas. A prematuridade causa um enorme impacto financeiro para o
Estado, mas o que mais nos preocupa são as consequências de longo prazo para
essas crianças, suas famílias e para a sociedade”, explica a diretora da ONG Prematuridade.com,
Denise Suguitani.
Ela ainda reforça que muitos bebês prematuros enfrentam internações prolongadas e estão mais suscetíveis a complicações graves, como doenças respiratórias recorrentes, infecções, dificuldades de alimentação e atrasos no desenvolvimento, o que impacta diretamente a qualidade de vida das crianças e de suas famílias. “Diante disso, é fundamental que as famílias de prematuros nascidos a partir de agosto de 2025 procurem o quanto antes a unidade de saúde mais próxima, munidos de todos os documentos necessários, incluindo a requisição do nirsevimabe e a comprovação da prematuridade ou da condição clínica que garante o acesso, para assegurar a proteção oportuna dessas crianças”, salienta.
A disponibilização da proteção contra o VSR ao longo de todo o ano é considerada estratégica, já que o vírus circula com intensidade variável e pode causar quadros graves mesmo fora dos períodos sazonais tradicionais. “Para as famílias de prematuros, a medida representa não apenas prevenção, mas também segurança, informação e garantia de direitos”, conclui.
Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros – ONG Prematuridade.com
Fontes:
Planisa¹ - Com 37 anos de atuação, a Planisa é líder em soluções para gestão de custos na saúde na América Latina e detém a maior base de dados de custos de hospitais do Brasil.
SINASC²:https://dados.gov.br/dados/conjuntos-dados/sistema-de-informacao-sobre-nascidos-vivos-sinasc-1996-a-20201

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