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O Carnaval, uma das maiores expressões culturais do Brasil, é marcado pelo ritmo contagiante, blocos de rua e desfiles de escolas de samba. Para percussionistas e músicos que sustentam a cadência da festa, porém, a temporada também traz um desafio físico importante: são horas de ensaios e apresentações com movimentos repetitivos, muitas vezes em alta intensidade, que podem sobrecarregar o corpo e desencadear dores e inflamações. Ombros e cotovelos costumam ser as articulações mais exigidas, já que o peso de instrumentos como surdo, repique e caixa impõe carga contínua ao membro superior.
“O percussionista trabalha por longos períodos levantando, apoiando e movimentando instrumentos pesados, mantendo ritmo e velocidade constantes. Essa combinação de carga e repetição aumenta o risco de lesões por sobrecarga em ombro e cotovelo, principalmente quando não há pausas e preparo adequado”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC), Dr. Eduardo Malavolta.
Entre os problemas mais frequentes estão as tendinites (inflamações nos tendões) e bursites (inflamação das bursas, bolsas que ajudam no deslizamento das estruturas), além da síndrome do impacto no ombro, quando os tendões ficam comprimidos em movimentos repetidos acima da linha do ombro. Em casos mais avançados, podem ocorrer lesões do manguito rotador, conjunto de tendões responsável pela estabilidade e força da articulação. No cotovelo, a sobrecarga pode levar a epicondilite lateral ou medial, inflamação dos tendões relacionada aos movimentos repetitivos de flexão e extensão do braço e do punho.
“Quadros desse tipo podem provocar dor, perda de desempenho e limitação de movimentos e, dependendo da gravidade e do tempo de evolução, exigir tratamento mais prolongado e, em alguns casos, até intervenção cirúrgica”, ressalta o ortopedista. O médico lembra que o dano costuma ser acumulativo: “Movimentos repetitivos e esforço prolongado sem descanso adequado favorecem inflamação crônica e desgaste dos tendões, comprometendo a capacidade do músico de tocar”.
A prevenção começa antes da folia. O aquecimento da musculatura do ombro e do braço, pausas regulares durante ensaios longos, fortalecimento da musculatura estabilizadora (especialmente da escápula e do manguito rotador) e atenção à postura ao tocar ajudam a reduzir a sobrecarga. Ajustar corretamente alças e suportes, quando disponíveis, para distribuir melhor o peso do instrumento também contribui para diminuir o estresse articular.
Passado o Carnaval, a recuperação é parte essencial do cuidado. “Após a sequência de apresentações, recomenda-se alongamentos leves de ombros e braços para reduzir tensão muscular; repouso relativo por alguns dias, evitando esforços intensos nas articulações dolorosas; além de hidratação e alimentação equilibrada, que ajudam na regeneração muscular”, orienta Malavolta. Em casos de dor persistente, a fisioterapia pode auxiliar no controle da inflamação, na correção de padrões de movimento e no retorno gradual às atividades.
Sinais como dor que não melhora, inchaço, perda de força, dormência ou dificuldade para elevar o braço e tocar não devem ser ignorados. “O tratamento precoce aumenta a chance de recuperação e permite que os músicos continuem exercendo sua profissão e levando alegria ao público ao longo do ano, sem comprometer a saúde a longo prazo”, conclui o presidente da SBCOC.
Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo - SBCOC

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