Otorrinolaringologistas da ABORL-CCF
orientam sobre os riscos do som alto e dão dicas para proteger os ouvidos durante
a folia
O Carnaval é sinônimo de alegria, música alta e grandes
aglomerações. No entanto, a exposição prolongada a sons intensos, comuns em
trios elétricos e blocos de rua, pode representar um sério risco à saúde
auditiva. Otorrinolaringologistas da Associação Brasileira de
Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) alertam que o
excesso de ruído durante a folia pode provocar lesões auditivas temporárias e
até permanentes.
“O ouvido não avisa quando está sendo lesionado. Muitas vezes,
quando o zumbido aparece, o dano já pode ter ocorrido e ser permanente”,
explica o Dr. Ricardo Dourado.
Ele alerta que o sistema auditivo pode sofrer lesões quando
exposto, por períodos prolongados, a ruídos acima de 80 decibéis (dB). Para
efeito de comparação, o volume médio dos trios elétricos pode atingir 130
decibéis, muito acima do limite considerado seguro.
“Estamos falando de um volume extremamente elevado, capaz de
causar lesões irreversíveis mesmo em pessoas jovens e sem histórico de problemas
auditivos”, ressalta o especialista.
Sons acima de 85 dB já oferecem risco quando a exposição é
prolongada. Quanto maior a intensidade sonora, menor deve ser o tempo de
permanência no ambiente.
“O zumbido é o primeiro sinal de alerta. Muitas
pessoas o encaram como algo passageiro, mas ele indica que o ouvido está sendo
sobrecarregado”, reforça o otorrino.
Em casos mais graves, como em explosões, o barulho intenso pode
causar lesões agudas, como perfuração timpânica e outros danos às estruturas, o
que pode eventualmente necessitar de cirurgia e outros tratamentos
medicamentosos.
“Se a cóclea for atingida, a perda pode se tornar definitiva,
desta forma na menor suspeita, é imprescindível uma rápida avaliação com um
otorrinolaringologista para um correto diagnóstico e tratamento adequado, pois
quanto antes iniciar o tratamento, maiores as chances de recuperação
auditiva.”, explica Dourado.
Ele alerta ainda que os danos auditivos são cumulativos. “Mesmo
pequenas exposições diárias a sons muito altos durante o Carnaval podem gerar
prejuízos permanentes. O folião nem sempre percebe os sinais porque a
empolgação da festa mascara os sintomas.”
Entre os principais sinais de alerta, segundo o
especialista, estão:
- Zumbido nos ouvidos após a exposição
- Sensação de ouvido entupido ou abafado
- Dificuldade para compreender conversas
- Percepção de distorção dos sons.
“Esses sintomas indicam que as células ciliadas do ouvido interno
estão sobrecarregadas. Sem descanso, o dano pode se tornar permanente”, diz o
médico.
Além disso, o consumo de álcool, energéticos e a desidratação
podem agravar os efeitos do som alto. “O álcool faz com que o folião ignore os
sinais do próprio corpo, aumentando o risco de lesões auditivas”, alerta o
especialista.
Recomendações
para proteger a audição durante o Carnaval
- “Faça pausas a cada 1 ou 2 horas de exposição ao som alto.
Procure um local silencioso por 10 a 20 minutos.” Se durante estas pausas,
perceber zumbido, avalie interromper a folia pelo resto do dia ou pelo
menos aumente o tempo de descanso, a hidratação e tente se manter mais
afastado das caixas sonoras.
- “Evite ficar próximo às caixas de som e aos trios elétricos,
onde o volume é mais intenso.”
- “Alterne dias de folia com períodos mais tranquilos para dar
descanso aos ouvidos.”
- “Redobre a atenção com crianças, que são mais vulneráveis aos
efeitos do som intenso.”
- Pode-se utilizar protetores auditivos para diminuir o risco,
mas mesmo com eles, as recomendações anteriores são fundamentais.
“Se notar zumbido, abafamento ou dificuldade para ouvir após a
folia, procure imediatamente um otorrinolaringologista. Quanto antes a
avaliação, maiores as chances de evitar danos permanentes”, finaliza Dr.
Ricardo.
A ABORL-CCF reforça que curtir o Carnaval com responsabilidade é a
melhor forma de garantir que a festa termine apenas em boas lembranças e não em
prejuízos à saúde auditiva.
Nenhum comentário:
Postar um comentário