Música alta, multidões, pouco sono, excesso de estímulos e emoções à flor da pele. O Carnaval é uma das festas mais intensas do mundo — e toda essa intensidade não fica só na memória: ela passa direto pelo cérebro. Segundo a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry, o período de festas provoca uma verdadeira montanha-russa neuroquímica.
“O
Carnaval ativa sistemas cerebrais ligados à recompensa, excitação e conexão
social. A dopamina sobe, a adrenalina entra em cena e o cérebro funciona em
estado de alerta prolongado. O problema é que, depois de alguns dias, essa
estimulação contínua cobra um preço do sistema nervoso”, explica.
O que o Carnaval faz com o cérebro
Durante
a folia, três fatores principais impactam diretamente o funcionamento cerebral:
1-Privação
de sono: Dormir pouco desregula neurotransmissores ligados ao humor e à clareza
mental.
Isso pode causar irritabilidade, dificuldade de concentração e sensação de
“mente lenta” no pós-Carnaval. “O cérebro usa o sono para se reorganizar. Sem
esse tempo de recuperação, a exaustão mental aparece com força”, destaca
Daiana.
2-Sobrecarga
sensorial: Som alto, luzes, calor, contato físico e multidões mantêm o sistema
nervoso em estado de alerta contínuo. Isso aumenta os níveis de cortisol, o
hormônio do estresse, e pode levar a ansiedade, sensação de esgotamento
emocional e queda de energia após a festa.
3-
Emoções intensas: O Carnaval também ativa áreas cerebrais ligadas ao prazer,
socialização e pertencimento. Essa euforia é positiva — mas, quando acaba de
forma abrupta, o cérebro pode sentir um “vazio químico”, semelhante a um
cansaço emocional.
Aromaterapia como aliada no Carnaval
A
boa notícia é que o cérebro responde bem a estímulos que sinalizam segurança e
relaxamento. E é aí que entra o olfato — o único sentido ligado diretamente às
áreas cerebrais das emoções e da memória. “Aromas podem ajudar o sistema
nervoso a sair do estado de alerta e voltar ao equilíbrio”, explica Daiana.
Para
melhorar o sono: Óleos essenciais com efeito calmante ajudam a sinalizar ao
cérebro que é hora de desacelerar. Os mais usados são Lavanda
e Manjerona que podem ser utilizados em difusor ambiental ou 1 gota diluída em
óleo vegetal para massagem nos pés antes de dormir.
Para
reduzir ansiedade e tensão: Após dias de hiperestimulação, o sistema nervoso
pode permanecer acelerado. Os óleos indicados para esse fim são Bergamota e
Laranja doce que ajudam a modular o humor e trazer sensação de acolhimento
emocional.
Para
recuperar foco e clareza mental: Quando o cérebro está cansado, aromas
estimulantes suaves ajudam na retomada da concentração. Boas opções são Limão
Taiti e Hortelã-pimenta (em baixa concentração).
Os
aromas funcionam rapidamente já que o olfato é o único sentido que chega
diretamente ao sistema límbico, região do cérebro ligada às emoções, memória e
respostas ao estresse. “Enquanto a visão e a audição passam por áreas
racionais, o cheiro vai direto para o centro emocional do cérebro. Por isso, um
aroma pode mudar o estado emocional em poucos minutos”, explica Daiana.
O
Carnaval pode ser uma experiência incrível para o cérebro — desde que haja
espaço para recuperação depois. “Festa e prazer são importantes para a saúde
mental. O segredo é ajudar o sistema nervoso a voltar ao equilíbrio, e o uso
consciente de aromas pode ser um recurso simples e natural nesse processo”,
finaliza a especialista.
Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
@daianagpetry
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