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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Carnaval mexe com o cérebro no sono, no estresse e nas emoções

Música alta, multidões, pouco sono, excesso de estímulos e emoções à flor da pele. O Carnaval é uma das festas mais intensas do mundo — e toda essa intensidade não fica só na memória: ela passa direto pelo cérebro. Segundo a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry, o período de festas provoca uma verdadeira montanha-russa neuroquímica.

“O Carnaval ativa sistemas cerebrais ligados à recompensa, excitação e conexão social. A dopamina sobe, a adrenalina entra em cena e o cérebro funciona em estado de alerta prolongado. O problema é que, depois de alguns dias, essa estimulação contínua cobra um preço do sistema nervoso”, explica.
 

O que o Carnaval faz com o cérebro

Durante a folia, três fatores principais impactam diretamente o funcionamento cerebral:

1-Privação de sono: Dormir pouco desregula neurotransmissores ligados ao humor e à clareza mental.
Isso pode causar irritabilidade, dificuldade de concentração e sensação de “mente lenta” no pós-Carnaval. “O cérebro usa o sono para se reorganizar. Sem esse tempo de recuperação, a exaustão mental aparece com força”, destaca Daiana.

2-Sobrecarga sensorial: Som alto, luzes, calor, contato físico e multidões mantêm o sistema nervoso em estado de alerta contínuo. Isso aumenta os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e pode levar a ansiedade, sensação de esgotamento emocional e queda de energia após a festa.

3- Emoções intensas: O Carnaval também ativa áreas cerebrais ligadas ao prazer, socialização e pertencimento. Essa euforia é positiva — mas, quando acaba de forma abrupta, o cérebro pode sentir um “vazio químico”, semelhante a um cansaço emocional.
 

Aromaterapia como aliada no Carnaval

A boa notícia é que o cérebro responde bem a estímulos que sinalizam segurança e relaxamento. E é aí que entra o olfato — o único sentido ligado diretamente às áreas cerebrais das emoções e da memória. “Aromas podem ajudar o sistema nervoso a sair do estado de alerta e voltar ao equilíbrio”, explica Daiana.

Para melhorar o sono: Óleos essenciais com efeito calmante ajudam a sinalizar ao cérebro que é hora de desacelerar. Os mais usados são Lavanda
e Manjerona que podem ser utilizados em difusor ambiental ou 1 gota diluída em óleo vegetal para massagem nos pés antes de dormir.

Para reduzir ansiedade e tensão: Após dias de hiperestimulação, o sistema nervoso pode permanecer acelerado. Os óleos indicados para esse fim são Bergamota e Laranja doce que ajudam a modular o humor e trazer sensação de acolhimento emocional.

Para recuperar foco e clareza mental: Quando o cérebro está cansado, aromas estimulantes suaves ajudam na retomada da concentração. Boas opções são Limão Taiti e Hortelã-pimenta (em baixa concentração).

Os aromas funcionam rapidamente já que o olfato é o único sentido que chega diretamente ao sistema límbico, região do cérebro ligada às emoções, memória e respostas ao estresse. “Enquanto a visão e a audição passam por áreas racionais, o cheiro vai direto para o centro emocional do cérebro. Por isso, um aroma pode mudar o estado emocional em poucos minutos”, explica Daiana.

O Carnaval pode ser uma experiência incrível para o cérebro — desde que haja espaço para recuperação depois. “Festa e prazer são importantes para a saúde mental. O segredo é ajudar o sistema nervoso a voltar ao equilíbrio, e o uso consciente de aromas pode ser um recurso simples e natural nesse processo”, finaliza a especialista. 



Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia.  Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
@daianagpetry
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