O diagnóstico e o tratamento das doenças peritoneais ainda representam um grande desafio na medicina, especialmente quando não há encaminhamento precoce para equipes especializadas. Um exemplo é o pseudomixoma peritoneal, uma doença rara, caracterizada pelo acúmulo progressivo de mucina na cavidade abdominal, que não responde à quimioterapia convencional.
A abordagem, nestes casos, deve ser cirúrgica, como explica o Dr. Arnaldo Ruiz, ao lado de sua paciente Helena.
Helena foi diagnosticada com pseudomixoma peritoneal de baixo grau e submetida a cinco sessões de quimioterapia ao longo de três meses, em Florianópolis. O tratamento, além de ineficaz, permitiu a progressão da doença. “Minha barriga cresceu muito, parecia que eu estava grávida de nove meses”, relata a paciente.
A mudança no rumo do tratamento aconteceu quando Helena foi encaminhada ao Dr. Arnaldo Urbano Ruiz, cirurgião geral e oncológico, especializado em doenças peritoneais. Ela foi submetida a uma cirurgia citorredutora associada à quimioterapia intraperitoneal hipertérmica (HIPEC). A cirurgia foi classificada como CC0, ou seja, com remoção completa da doença visível.
Hoje, passados 30 dias do procedimento, Helena
apresenta ótima recuperação e resultados de biópsia favoráveis. Segundo o
cirurgião, esse tipo de desfecho só é possível quando o tratamento adequado é
indicado. “O pseudomixoma peritoneal não responde à quimioterapia sistêmica. O
tratamento correto é cirúrgico, realizado por equipes treinadas”, explica.
Encaminhamento correto pode mudar o prognóstico
O Dr. Arnaldo alerta que ainda são poucos
os cirurgiões especializados em doenças peritoneais no Brasil. Diante da
ausência de opções cirúrgicas, muitos pacientes acabam sendo encaminhados
exclusivamente para a quimioterapia, o que, em doenças como o pseudomixoma,
pode permitir o avanço da mucina e agravar o quadro clínico.
Atenção redobrada ao laudo da biópsia
Outro ponto crucial destacado pelo especialista é a importância absoluta de buscar e revisar o laudo anatomopatológico após qualquer cirurgia, mesmo quando o procedimento aparenta ser simples ou relacionado a uma condição benigna.
“Todo paciente que passa por uma cirurgia precisa, obrigatoriamente, ter acesso ao resultado da biópsia”, reforça o médico. Ele cita o caso de um paciente que retirou o apêndice acreditando tratar-se de uma apendicite comum. Sem buscar o resultado da biópsia, só descobriu quatro anos depois que se tratava de um câncer de apêndice, que poderia ter sido tratado precocemente.
Segundo o cirurgião, a responsabilidade de
acompanhar esse resultado é também do paciente. “Não se deve confiar apenas na
impressão inicial ou na suposição de que ‘não era nada’. A biópsia é quem confirma
o diagnóstico.”
Informação e especialização salvam vidas
Casos como o de Helena reforçam que, diante de doenças raras e
complexas, informação, encaminhamento correto e tratamento especializado fazem
toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida. Buscar centros de
referência e compreender cada etapa do diagnóstico, incluindo o resultado da
biópsia, pode salvar vidas.
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