Pesquisar no Blog

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Doenças peritoneais: quimioterapia desnecessária pode agravar o quadro e dificultar o tratamento

 

O diagnóstico e o tratamento das doenças peritoneais ainda representam um grande desafio na medicina, especialmente quando não há encaminhamento precoce para equipes especializadas. Um exemplo é o pseudomixoma peritoneal, uma doença rara, caracterizada pelo acúmulo progressivo de mucina na cavidade abdominal, que não responde à quimioterapia convencional. 

A abordagem, nestes casos, deve ser cirúrgica, como explica o Dr. Arnaldo Ruiz, ao lado de sua paciente Helena. 

Helena foi diagnosticada com pseudomixoma peritoneal de baixo grau e submetida a cinco sessões de quimioterapia ao longo de três meses, em Florianópolis. O tratamento, além de ineficaz, permitiu a progressão da doença. “Minha barriga cresceu muito, parecia que eu estava grávida de nove meses”, relata a paciente. 

A mudança no rumo do tratamento aconteceu quando Helena foi encaminhada ao Dr. Arnaldo Urbano Ruiz, cirurgião geral e oncológico, especializado em doenças peritoneais. Ela foi submetida a uma cirurgia citorredutora associada à quimioterapia intraperitoneal hipertérmica (HIPEC). A cirurgia foi classificada como CC0, ou seja, com remoção completa da doença visível. 

Hoje, passados 30 dias do procedimento, Helena apresenta ótima recuperação e resultados de biópsia favoráveis. Segundo o cirurgião, esse tipo de desfecho só é possível quando o tratamento adequado é indicado. “O pseudomixoma peritoneal não responde à quimioterapia sistêmica. O tratamento correto é cirúrgico, realizado por equipes treinadas”, explica.

 

Encaminhamento correto pode mudar o prognóstico 

O Dr. Arnaldo alerta que ainda são poucos os cirurgiões especializados em doenças peritoneais no Brasil. Diante da ausência de opções cirúrgicas, muitos pacientes acabam sendo encaminhados exclusivamente para a quimioterapia, o que, em doenças como o pseudomixoma, pode permitir o avanço da mucina e agravar o quadro clínico.

 

Atenção redobrada ao laudo da biópsia 

Outro ponto crucial destacado pelo especialista é a importância absoluta de buscar e revisar o laudo anatomopatológico após qualquer cirurgia, mesmo quando o procedimento aparenta ser simples ou relacionado a uma condição benigna. 

“Todo paciente que passa por uma cirurgia precisa, obrigatoriamente, ter acesso ao resultado da biópsia”, reforça o médico. Ele cita o caso de um paciente que retirou o apêndice acreditando tratar-se de uma apendicite comum. Sem buscar o resultado da biópsia, só descobriu quatro anos depois que se tratava de um câncer de apêndice, que poderia ter sido tratado precocemente. 

Segundo o cirurgião, a responsabilidade de acompanhar esse resultado é também do paciente. “Não se deve confiar apenas na impressão inicial ou na suposição de que ‘não era nada’. A biópsia é quem confirma o diagnóstico.”

 

Informação e especialização salvam vidas 

Casos como o de Helena reforçam que, diante de doenças raras e complexas, informação, encaminhamento correto e tratamento especializado fazem toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida. Buscar centros de referência e compreender cada etapa do diagnóstico, incluindo o resultado da biópsia, pode salvar vidas. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados