![]() |
| O foco principal do movimento é a relação entre o uso intensivo de smartphones e o bem-estar psicológico Envato |
Especialista defende pausas digitais
como caminho para mais foco, presença e equilíbrio emocional
Em fevereiro de 2026, a campanha global Fevereiro Sem
Celular (conhecida internacionalmente como Phone Free February) retorna
incentivando pessoas ao redor do mundo a repensarem sua relação com o
smartphone e a tecnologia em geral. A iniciativa propõe que participantes
reduzam drasticamente ou, na modalidade mais radical, suspendam o uso de seus
aparelhos durante todo o mês com o objetivo de promover um verdadeiro detox
digital e resgatar o controle sobre o tempo, a atenção e o bem-estar.
A campanha é organizada pela Global Solidarity Foundation, que
destaca que os smartphones foram projetados para manter os usuários
constantemente engajados, algoritmos e designs podem levar a checagens
repetidas e automáticas dos aparelhos. Segundo dados divulgados pelos organizadores,
um usuário médio checa seu celular cerca de 221 vezes ao dia, o que reforça o
argumento de que muitos desses comportamentos acontecem de forma automática e
pouco consciente.
Inspirada em iniciativas de mudanças de hábito como o “Janeiro Seco”,
que convida à redução do consumo de álcool por um mês, a proposta busca
estimular uma reflexão profunda sobre como, quando e por que usamos nossos
dispositivos na vida cotidiana. A campanha também reconhece que a desconexão
total pode não ser viável para todos, especialmente para quem depende do
smartphone para trabalho ou estudos e, por isso, sugere abordagens graduais
como reduzir o uso de redes sociais e limitar notificações fora de horários
essenciais.
O foco principal do movimento é a relação entre o uso intensivo de
smartphones e o bem-estar psicológico. Especialistas em saúde mental têm
apontado que o uso excessivo de dispositivos pode estar associado a maiores
taxas de ansiedade, distúrbios do sono, sensação de isolamento social e outros
sintomas semelhantes à dependência comportamental, dados que reforçam a
importância de refletir sobre esses padrões.
Para a psicóloga Luciane Rabello, CEO da TalentSphere People Solutions, a campanha representa uma
oportunidade relevante em um momento em que muitos se sentem sobrecarregados
pela hiperconectividade. “O Fevereiro Sem Celular não deve ser encarado apenas
como um desafio radical de desconexão, mas como uma oportunidade para conscientemente
analisar como utilizamos nossos dispositivos, quais necessidades eles atendem e
quais acabam se sobrepondo às nossas experiências humanas essenciais”, afirma
Luciane Rabello.
Ela complementa que pausas digitais intencionais podem fortalecer
a saúde mental: “Ao criar espaços deliberados de pausa digital, podemos
trabalhar aspectos como foco, presença e equilíbrio emocional, o que é
especialmente importante em um contexto em que muitos relatam sensação de
ansiedade e distração constante associadas ao uso de telas.”
Luciane ainda ressalta que a tecnologia em si não é o problema,
mas sim a forma como muitas vezes ela domina comportamentos automáticos: “A
ideia não é demonizar a tecnologia, mas fortalecer a nossa capacidade de
escolha: quando, como e por quanto tempo interagimos com nossos celulares de
forma que não comprometa nossa saúde mental e nossas relações pessoais.”
Participar do Fevereiro Sem Celular não significa necessariamente
abandonar o aparelho por completo, mas pode envolver estratégias práticas de
uso mais consciente. Entre elas estão limitar notificações que não sejam
urgentes, estabelecer períodos intencionais sem tecnologia (como antes de
dormir), reduzir o tempo de tela em momentos de lazer e definir metas diárias
de uso, táticas que podem ajudar a reduzir a resposta automática ao celular e
fomentar maior atenção ao momento presente.
Movimentos como esse ganham ainda mais relevância diante de dados
que apontam para um fenômeno conhecido como nomofobia, o medo irracional de ficar
sem o celular, que atinge grande parte da população em diferentes países e está
associado a comportamentos de ansiedade e dependência tecnológica.
No fim das contas, a proposta do Fevereiro Sem Celular é menos
sobre abandonar a tecnologia e mais sobre reavaliar nossa interação com ela,
buscando hábitos mais equilibrados, conscientes e alinhados ao bem-estar
humano. Ao convidar indivíduos a observarem seus padrões de uso e explorarem
novas formas de conexão, com eles mesmos e com os outros, a campanha reforça a
importância de cultivar um equilíbrio saudável entre o digital e o real.

Nenhum comentário:
Postar um comentário