No campo da ciência do Sentir, compreendemos que os sentimentos, como vivências internas, são vibrações e que, portanto, se propagam, contagiam e sincronizam. Sob essa perspectiva, o Carnaval revela-se como um fenômeno vibracional por excelência, ao serem milhares de pessoas que, vibrando, entram em ressonância com ritmos, sentimentos e estados internos que se amplificam mutuamente. Mais do que uma festa, o Carnaval é uma vibração coletiva, um estado expandido do sentir.
Brincar o Carnaval é viver o ápice dessa
sincronização, seja ao desfilar em uma escola de samba, quando o
coletivo pulsa como um único organismo, seja nos blocos, onde a
pulsação do tamborim, o grave do surdo e o arrasto do ritmo atravessam o corpo,
reverberando por dentro e por fora. E é nesse encontro entre o som e o
sentir que o Carnaval se instala. Talvez por isso até quem chega cansado,
tímido ou mesmo quem não gosta muito da festa acaba se
contagiando por uma força misteriosa, algo que ultrapassa a razão e vibra o
corpo inteiro, indo do coração à pele.
No Carnaval, o Eu se dilui em Nós quando
o sentir se expande em fantasias que ganham vida, pois a pessoa pode
ser o que quiser: rainha, super-herói, o personagem dos sonhos; o Eu
se dilui em Nós quando todos são unidos por um mesmo ideal, o de
viver a alegria experimentando os sentimentos de segurança, pertencimento e
aceitação.
O Carnaval transmite permissão ao
autorizar a pessoa a sentir mais, a ser mais, a existir à margem do
controle social e a escapar, ainda que por instantes, das
limitações impostas pelo cotidiano.
Aqui, o sentir ganha legitimidade ao
possibilitar o riso mais solto, o choro mais aceito e o abraço mais
fácil. De fato, o Carnaval somente confere uma única
regra, imposta pela própria pessoa e com o consentimento de
todos ao seu redor: “— Sinta. Aqui você pode.”
Como é bom o Carnaval! Sem dúvida, uma festa que
tem impacto profundo na saúde de qualquer pessoa, pois a
vibração coletiva funciona como um campo de “cura” temporária, não porque
resolve problemas, elimina as dores ou trata doenças, mas porque
alivia tensões e reconecta a pessoa com o prazer de existir.
Até porque, ao brincar o Carnaval, cada sorriso
encontra outro sorriso, cada passo encontra outro passo e o sentir coletivo
cria uma atmosfera onde a alegria se torna inevitável.
Enfim, a festa nos lembra que o ser
humano precisa viver a vibração compartilhada; que o corpo sabe dançar antes
mesmo de saber pensar; que a alegria é uma grande força que, quando vibrada no
coletivo, nos deixa felizes.
O Carnaval é uma experiência de
reencantamento, um encontro do Eu com o sentimento de Eu,
portanto, com a própria pessoa. É uma celebração
que nos expande em satisfação.
Beatriz Breves - psicóloga, psicanalista e escritora, autora do livro Eu Fractal – conheça-te a ti mesmo.

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