Pais e responsáveis podem apoiar a rotina escolar
das crianças e adolescentes de forma equilibrada, estimulando autonomia,
organização e bem-estar emocional
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A participação da família na rotina escolar é um dos fatores que mais impactam
o aprendizado das crianças ao longo do ano letivo. Contudo, entre o trabalho,
compromissos, cuidados com a casa e consigo próprios, acompanhar os estudos dos
filhos pode parecer um desafio constante para muitos pais e responsáveis. Mas
segundo especialistas, é muito importante este acompanhamento, tanto para os
responsáveis sempre estarem atualizados quanto a evolução do processo de
aprendizagem de seus filhos, como para os estudantes se sentirem apoiados por
seus pais.
Ao
longo do ano letivo, o envolvimento da família, aliado a expectativas realistas
e a um ambiente de apoio, contribui para formar estudantes mais confiantes,
organizados e preparados para os desafios acadêmicos e pessoais, seja dentro ou
fora da sala de aula.
Para
orientar pais e responsáveis, quatro educadores reuniram, a seguir, oito dicas
práticas que ajudam a fomentar nos alunos uma relação mais saudável com os
estudos, fortalecendo a autonomia, o interesse pelo aprendizado e o vínculo
entre família e escola.
1. Estabeleça rotinas claras
Defina
horários previsíveis para a criança e o adolescente estudar, se alimentar,
descansar, brincar e realizar seus hobbies. Isso ajuda o estudante a se
organizar e se sentir mais seguro “Rotina não é rigidez, é cuidado. Quando a
criança sabe o que esperar do dia, ela consegue se concentrar melhor e
administrar seu tempo com mais tranquilidade”, explica Marcelo Freitas,
orientador educacional do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP).
2. Ajude seu filho a se organizar e planejar os estudos
Apoiar
a criação de um cronograma, definindo metas alcançáveis e pensando em
estratégias para cada disciplina – desde aquelas que o estudante tem mais
facilidade, até as difíceis que requerem mais dedicação - contribui para o
desenvolvimento da autonomia. “O papel da família é ensinar a criança a
planejar, e não planejar por ela. Mostrar como dividir tarefas e estabelecer
prioridades é um aprendizado que vai além da escola e que fará diferença na
vida do adulto”, diz Freitas.
3. Ofereça um ambiente de estudos e diferentes formas de aprender
Um
espaço adequado - como um quarto, escritório ou cantinho apropriado –
organizado, iluminado, silencioso e sem distrações, favorece a concentração
durante os estudos. Além disso, o aprendizado não está obrigatoriamente apenas
nos livros. “Filmes, leituras, visitas a museus e até viagens ampliam o
repertório cultural e tornam o aprendizado mais significativo. A criança
aprende quando consegue relacionar o conteúdo com o mundo real”, afirma Maria
Eugênia D’Elia, orientadora educacional do colégio Progresso Bilíngue
Taquaral, de Campinas (SP).
4. Participe da rotina escolar e mantenha diálogo com a escola
Estar
presente em reuniões, acompanhar comunicados e manter um canal aberto com a equipe
pedagógica fortalece o processo educativo. “Família e escola precisam caminhar
juntas. Quando há troca, alinhamento e confiança, a criança percebe que existe
uma rede de apoio em torno dela”, explica acrescenta Maria Eugênia.
5. Evite estudar pelo aluno
Fazer
a lição de casa ou resolver atividades no lugar da criança pode parecer ajuda,
mas compromete o aprendizado. “Quando o adulto interfere demais no processo de
criação do conhecimento, tira da criança a chance de pensar, testar e aprender
com os próprios erros”, recomenda Isis Galindo, orientadora educacional da Escola
Bilíngue Aubrick, de São Paulo
(SP).
6. Não cobre perfeição nem sobrecarregue o estudante
O
excesso de cobranças pode gerar ansiedade e insegurança, causando no indivíduo
uma aversão ao conhecimento. “O aprendizado é um caminho, não uma corrida.
Respeitar o ritmo da criança é essencial para que ela desenvolva uma relação
positiva com os estudos. Colocar pressão tem um efeito negativo e nunca é
recomendado”, acrescenta Isis.
7. Ofereça suporte emocional
Mais
do que acompanhar as notas, é fundamental que as famílias ofereçam escuta ativa
e acolhimento às frustrações e validem sentimentos. “Quando o estudante se
sente emocionalmente seguro, ele aprende melhor. O apoio emocional, na escola e
em casa, é tão importante quanto qualquer conteúdo curricular. Acreditamos no
impacto positivo que o suporte emocional tem no processo de
ensino-aprendizagem”, opina a coordenadora pedagógica da Escola Internacional de Alphaville - EIA, de Barueri (SP), Juliana Nico.
8. Reconheça e celebre as conquistas
Valorizar
o esforço e as pequenas vitórias fortalece a autoestima e a motivação. “O
reconhecimento não precisa estar ligado apenas a resultados. Celebrar o empenho
e a evolução diária ajuda a criança a perceber que aprender vale a pena. Mas é
importante que esse reconhecimento esteja baseado em valores e não em
recompensas materiais”, conclui Juliana.
Isis Galindo - pedagoga formada pela Universidade de São
Paulo (USP), psicopedagoga e orientadora educacional da Escola Bilíngue
Aubrick, instituição na qual também atua como Líder de Salvaguarda. Possui
ampla trajetória na Educação Básica, com sólida experiência em orientação
educacional e orientação parental, tendo atuado do Ensino Fundamental Anos
Iniciais, Anos Finais e Ensino Médio. Sua prática profissional é fundamentada
na gestão educacional e é complementada por especializações em Neuropsicologia,
Competências Socioemocionais e Formação da Personalidade Ética.
Juliana Andreoni Nico - licenciada em Matemática,
Biologia e Pedagogia, com doutorado em Bioquímica e Biologia Molecular pela
Universidade de São Paulo (USP). Atuando na Educação há mais de 20 anos,
acumula experiências como docente em instituições bilíngues e internacionais.
Possui certificações em programas do IB (International Baccalaureate).
Atualmente atua como Coordenadora Pedagógica do Teens (EF2), Coordenadora
IB-MYP e Coordenadora dos programas ILOS (SCHILOS) na Escola Internacional de
Alphaville.
Marcelo Tucci de Freitas - psicólogo clínico TCC, com
especialização em adolescência; pedagogo; possui MBA em Gestão Educacional, e
atualmente é orientador educacional do Ensino Fundamental Anos Finais no
Brazilian International School - BIS. Com mais de 30 anos de experiência na
área educacional atuou em diversas instituições de ensino básico e superior, na
coordenação pedagógica e como docente de Psicologia e Ética.
ISP – International Schools Partnership
Para mais informações, acesse o site.
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