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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Maquiagem na escola: por que instituições de ensino estão criando regras para frear a vaidade precoce

Influência das redes sociais estimula fascínio por produtos de beleza cada vez mais cedo e leva escolas a adotarem limites para proteger o desenvolvimento infantil 

 

Batom na mochila, máscara de cílios no estojo e tutoriais de maquiagem no celular. O interesse por produtos de beleza, que antes surgia só na adolescência, tem aparecido cada vez mais cedo entre crianças em idade escolar — e isso tem acendido um alerta entre famílias e educadores.

Impulsionado principalmente pelas redes sociais, esse fascínio pela estética vai além da curiosidade infantil. “As crianças estão expostas a conteúdos que associam beleza à aceitação, sucesso e reconhecimento. Quando isso acontece muito cedo, pode afetar diretamente a forma como elas constroem sua autoestima”, explica Andréa Piloto, diretora pedagógica da Escola Vereda.

Segundo a educadora, o tema está ligado a um processo conhecido como adultização precoce, quando a criança passa a se preocupar com questões que não fazem parte do seu tempo de desenvolvimento. “A infância é uma fase de descobertas, brincadeiras e experimentações. Quando a aparência vira uma prioridade, existe o risco de pular etapas importantes desse processo”, afirma.

Além dos impactos emocionais, o uso frequente de maquiagem também pode trazer consequências físicas. A pele infantil é mais sensível e ainda está em formação, o que aumenta o risco de alergias, irritações e outros problemas dermatológicos.

No ambiente escolar, os reflexos aparecem no dia a dia: comparações entre colegas, disputas silenciosas por aparência e até perda de foco nas atividades. “A maquiagem acaba funcionando como um marcador de diferença. Em vez de a criança se expressar pelo que aprende ou cria, passa a se medir pela imagem”, observa Andréa.

Por isso, muitas escolas têm adotado regras mais claras sobre o uso de maquiagem no cotidiano escolar. A proposta, segundo especialistas, não é proibir por proibir, mas proteger o desenvolvimento emocional e social das crianças. “A escola deve ser um espaço de convivência, igualdade e aprendizado. Quando a aparência ocupa um lugar central, algo se perde nesse processo”, pontua.

Para lidar com o tema de forma equilibrada, o diálogo entre família e escola é fundamental. A educadora destaca algumas orientações importantes:

  • estabelecer limites claros de acordo com a idade da criança;
  • tratar a maquiagem como brincadeira ou atividade pontual, e não como necessidade diária;
  • conversar sobre os padrões irreais propagados nas redes sociais;
  • estimular outras formas de expressão, como esportes, artes e hobbies;
  • manter uma comunicação constante entre responsáveis e educadores.

“O mais importante é ajudar a criança a entender que ela não precisa de maquiagem para ser aceita, bonita ou valorizada. Quando fortalecemos a autoestima desde cedo, estamos cuidando da saúde emocional delas no presente e no futuro”, conclui Andréa Piloto.

 

Escola Vereda
https://escolavereda.com.br/

 

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