Influência das
redes sociais estimula fascínio por produtos de beleza cada vez mais cedo e
leva escolas a adotarem limites para proteger o desenvolvimento infantil
Batom na mochila, máscara de cílios no estojo e
tutoriais de maquiagem no celular. O interesse por produtos de beleza, que
antes surgia só na adolescência, tem aparecido cada vez mais cedo entre
crianças em idade escolar — e isso tem acendido um alerta entre famílias e
educadores.
Impulsionado principalmente pelas redes sociais,
esse fascínio pela estética vai além da curiosidade infantil. “As crianças
estão expostas a conteúdos que associam beleza à aceitação, sucesso e
reconhecimento. Quando isso acontece muito cedo, pode afetar diretamente a
forma como elas constroem sua autoestima”, explica Andréa Piloto, diretora
pedagógica da Escola Vereda.
Segundo a educadora, o tema está ligado a um
processo conhecido como adultização precoce, quando a criança passa a se
preocupar com questões que não fazem parte do seu tempo de desenvolvimento. “A
infância é uma fase de descobertas, brincadeiras e experimentações. Quando a
aparência vira uma prioridade, existe o risco de pular etapas importantes desse
processo”, afirma.
Além dos impactos emocionais, o uso frequente de
maquiagem também pode trazer consequências físicas. A pele infantil é mais
sensível e ainda está em formação, o que aumenta o risco de alergias,
irritações e outros problemas dermatológicos.
No ambiente escolar, os reflexos aparecem no dia a
dia: comparações entre colegas, disputas silenciosas por aparência e até perda
de foco nas atividades. “A maquiagem acaba funcionando como um marcador de
diferença. Em vez de a criança se expressar pelo que aprende ou cria, passa a
se medir pela imagem”, observa Andréa.
Por isso, muitas escolas têm adotado regras mais
claras sobre o uso de maquiagem no cotidiano escolar. A proposta, segundo
especialistas, não é proibir por proibir, mas proteger o desenvolvimento
emocional e social das crianças. “A escola deve ser um espaço de convivência,
igualdade e aprendizado. Quando a aparência ocupa um lugar central, algo se
perde nesse processo”, pontua.
Para lidar com o tema de forma equilibrada, o
diálogo entre família e escola é fundamental. A educadora destaca algumas
orientações importantes:
- estabelecer
limites claros de acordo com a idade da criança;
- tratar
a maquiagem como brincadeira ou atividade pontual, e não como necessidade
diária;
- conversar
sobre os padrões irreais propagados nas redes sociais;
- estimular
outras formas de expressão, como esportes, artes e hobbies;
- manter
uma comunicação constante entre responsáveis e educadores.
“O mais importante é ajudar a criança a entender
que ela não precisa de maquiagem para ser aceita, bonita ou valorizada. Quando
fortalecemos a autoestima desde cedo, estamos cuidando da saúde emocional delas
no presente e no futuro”, conclui Andréa Piloto.
https://escolavereda.com.br/
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