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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Apostas online expõem adolescentes a riscos de saúde mental e exigem ação imediata das famílias

 Especialista da Fundação José Luiz Setúbal alerta para impacto das bets no comportamento de jovens e orienta pais sobre prevenção e diálogo
 

A rápida expansão das apostas esportivas online tem ampliado de forma significativa a exposição de crianças e adolescentes ao jogo de azar, antes claramente delimitado como uma prática exclusiva de adultos. Plataformas digitais, conhecidas como bets, passaram a integrar o cotidiano de jovens por meio de publicidade constante em redes sociais, transmissões esportivas e ambientes digitais voltados ao entretenimento. 

Para o médico pediatra José Luiz Setúbal, presidente da Fundação José Luiz Setúbal, o mais completo polo de saúde infantil do Brasil que tem o propósito de pensar, cuidar e defender a infância saudável, esse novo cenário representa um risco concreto à saúde mental de adolescentes. “O jogo online rompeu a barreira que protegia crianças e jovens de um comportamento claramente adulto. Hoje, eles são impactados de forma contínua por mensagens que normalizam apostas como diversão e promessa de ganho fácil”, alerta. 

Em janeiro de 2026, um grupo bipartidário de senadores dos Estados Unidos solicitou mais pesquisas sobre os efeitos do crescimento das apostas esportivas em crianças e adolescentes — um sinal de alerta que também deveria mobilizar o debate no Brasil, segundo Setúbal. 

Amanda Gregorio, analista de Projetos do Infinis, frente de Filantropia e Advocacy da Fundação José Luiz Setúbal, reflete sobre os impactos para toda a sociedade. "As apostas online já não podem ser tratadas como entretenimento ou escolha individual, estamos diante de um problema de saúde pública. Estudos internacionais recentes demonstram associação direta entre o transtorno gerado pela experiência do jogo e agravamento de quadros de ansiedade, depressão e risco de suicídio, com consequências que recaem de forma desproporcional sobre jovens e populações vulneráveis. A conta desse agravamento acaba sendo paga pela sociedade e os sistemas de saúde, enquanto a destinação de recursos para estratégias de prevenção e cuidado efetivos ainda é mínima".
 

Publicidade agressiva e acesso facilitado

Eventos esportivos e conteúdos digitais frequentemente incluem anúncios e patrocínios de empresas de apostas, criando uma associação direta entre esporte, lazer e jogo de azar. Nas redes sociais, adolescentes que seguem times, atletas ou campeonatos passam a receber publicidade direcionada dessas plataformas, reforçando essa conexão. 

“O problema é que essas mensagens enfatizam grandes vitórias e silenciam completamente os riscos. Para um cérebro em desenvolvimento, essa lógica é especialmente sedutora”, afirma o presidente da Fundação. 

Apesar de o jogo ser proibido para menores de idade no Brasil, o acesso é facilitado por plataformas ilegais que não exigem mecanismos eficazes de verificação, expondo adolescentes a perdas financeiras e riscos emocionais.
 

Riscos das plataformas ilegais

Apostar em sites não regulamentados amplia ainda mais a vulnerabilidade dos jovens. Entre os principais riscos estão golpes e fraudes, bloqueio de saques, perda do dinheiro depositado, publicidade enganosa e ausência total de proteção ao consumidor. 

“Nessas plataformas, não há transparência, não se sabe quem opera o sistema, se os jogos são justos ou se os pagamentos serão feitos. Em muitos casos, o site simplesmente sai do ar e o dinheiro desaparece”, explica o médico.
 

O que os pais podem fazer

Segundo a Fundação José Luiz Setúbal, a prevenção começa dentro de casa, com diálogo aberto e postura ativa dos responsáveis. A orientação é tratar o adolescente com respeito, evitando tanto o tom punitivo quanto a omissão.

Entre as principais recomendações estão:

  • conversar sobre o que o adolescente já sabe a respeito de apostas e jogos online;
  • usar anúncios e transmissões esportivas como ponto de partida para estimular senso crítico;
  • discutir o impacto real da perda de dinheiro e os riscos do jogo compulsivo;
  • explicar que algumas pessoas têm maior predisposição à dependência, de forma semelhante ao álcool e às drogas;
  • estabelecer limites claros e combinados familiares sobre quando o jogo se torna perigoso;
  • monitorar contas digitais e utilizar ferramentas de controle parental;
  • criar um ambiente seguro para que o adolescente possa pedir ajuda sem medo de julgamento.

“Mais do que vigiar, os pais precisam acompanhar. A adolescência é uma fase de maior impulsividade e menor percepção de risco. A presença ativa da família é um fator de proteção”, reforça Setúbal.


Tema de saúde pública

Para a Fundação José Luiz Setúbal, o avanço das apostas online entre jovens extrapola o comportamento individual e se consolida como um desafio de saúde pública. A combinação entre publicidade agressiva, facilidade de acesso e vulnerabilidade emocional da adolescência exige resposta articulada de famílias, educadores, profissionais de saúde e formuladores de políticas públicas.

“Esses anúncios destacam grandes vitórias e silenciam os riscos. Para um cérebro ainda em desenvolvimento, essa combinação é extremamente sedutora”, explica o presidente da Fundação.

 

Fundação José Luiz Setúbal (FJLS)

Fontes:

Conselho de Comunicação e Mídia da Academia Americana de Pediatria

Por que o jogo responsável é importante?

IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde), 2025. Dossiê: A saúde dos brasileiros em jogo. Link 

Etxaburu et al, 2025. The Mediating Role of Mental Health in the Relationship Between Gambling Severity and Suicidal Ideation: A Study with Clinical and General Population - International Journal of Mental and Addiction. Link


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