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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Quando tratar apenas o visível piora o resultado

É comum que pacientes procurem tratamentos rápidos, muitas vezes após avaliações superficiais, inclusive em ambientes não médicos, onde os microvasos são abordados apenas como algo a ser “apagado”.

O problema é que aplicações isoladas, como escleroterapia simples sem avaliação vascular adequada, podem piorar o aspecto estético da perna, além de gerar frustração. 

“Quando não tratamos a microvariz que alimenta o vasinho, ele tende a voltar, ou outros surgem no lugar. Em alguns casos, o aspecto da perna pode até piorar após o procedimento”, alerta a especialista.

É por isso que a avaliação correta não é um detalhe: é parte essencial do tratamento.

 

Microvasos podem indicar problemas maiores

Outro dado pouco conhecido chama atenção: até 20% das pessoas que apresentam apenas microvasos visíveis podem ter comprometimento de veias mais profundas, como a veia safena. 

A safena doente é uma causa frequente de sintomas como:

  • Dor nas pernas
  • Sensação de peso
  • Cansaço ao final do dia
  • Inchaço

Ignorar essa possibilidade significa deixar de tratar a origem de sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida.

“Qualquer vasinho precisa ser encarado como parte de um sistema. Ele pode ser o primeiro sinal de algo maior”, explica a Dra. Dafne.

 

Genética e hormônios: o terreno da doença venosa

 

A maior incidência de microvasos em mulheres não é coincidência. Hormônios femininos influenciam o tônus das veias, facilitando sua dilatação, especialmente em pessoas com predisposição genética.

Gravidez, uso de anticoncepcionais, terapia hormonal e histórico familiar contribuem para a progressão da doença venosa, mesmo em mulheres ativas e com hábitos saudáveis.

A medicina vascular moderna entende que genética e hormônios preparam o terreno, enquanto fatores externos apenas aceleram o processo.

 

Laser: ferramenta moderna e segura quando bem indicada 

O laser vascular representa um avanço importante no tratamento dos microvasos, justamente por permitir precisão e seletividade, atingindo o vaso sem danificar a pele ao redor.

No entanto, o sucesso do laser depende de um princípio básico: ele deve ser usado dentro de uma estratégia médica, e não como solução isolada.

“O laser é extremamente eficaz quando faz parte de um plano de tratamento bem indicado, após uma avaliação completa da circulação”, reforça a especialista.

 

Tratar como doença muda tudo

A grande virada no tratamento dos microvasos está na forma como eles são interpretados. Quando encarados como parte de uma doença vascular e não como um incômodo estético, os resultados se tornam mais duradouros, seguros e satisfatórios. 

Avaliação adequada, identificação das veias nutridoras e escolha correta da técnica são o que diferenciam tratamentos pontuais de tratamentos eficazes. 

“Microvasos precisam ser avaliados e tratados por um especialista. Informação correta evita erros, frustração e retrabalho”, conclui a Dra. Dafne Leiderman.

Hoje, tratar microvasos é unir estética, ciência e responsabilidade médica, um reflexo da evolução da cirurgia vascular. 

 

Dra. Dafne Leiderman - Médica e cirurgiã vascular formada pela USP, com doutorado pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Diretora da SBACV regional São Paulo, é referência na capital paulista em tratamentos modernos de varizes sem internação, laser para microvasos e manejo clínico do lipedema sem cirurgia.


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