É comum que pacientes procurem tratamentos rápidos, muitas vezes após avaliações superficiais, inclusive em ambientes não médicos, onde os microvasos são abordados apenas como algo a ser “apagado”.
O problema é que aplicações isoladas, como escleroterapia simples sem avaliação vascular adequada, podem piorar o aspecto estético da perna, além de gerar frustração.
“Quando não tratamos a microvariz que alimenta o vasinho,
ele tende a voltar, ou outros surgem no lugar. Em alguns casos, o aspecto da
perna pode até piorar após o procedimento”, alerta a especialista.
É por isso que a avaliação correta não é um detalhe: é parte essencial do tratamento.
Microvasos podem
indicar problemas maiores
Outro dado pouco conhecido chama atenção: até 20% das pessoas que apresentam apenas microvasos visíveis podem ter comprometimento de veias mais profundas, como a veia safena.
A safena doente é uma causa frequente de sintomas como:
- Dor
nas pernas
- Sensação
de peso
- Cansaço
ao final do dia
- Inchaço
Ignorar essa possibilidade significa deixar de tratar a
origem de sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida.
“Qualquer vasinho precisa ser encarado como parte de um
sistema. Ele pode ser o primeiro sinal de algo maior”, explica a Dra. Dafne.
Genética e hormônios:
o terreno da doença venosa
A maior incidência de microvasos em mulheres não é coincidência. Hormônios femininos influenciam o tônus das veias, facilitando sua dilatação, especialmente em pessoas com predisposição genética.
Gravidez, uso de anticoncepcionais, terapia hormonal e
histórico familiar contribuem para a progressão da doença venosa, mesmo em
mulheres ativas e com hábitos saudáveis.
A medicina vascular moderna entende que genética e hormônios
preparam o terreno, enquanto fatores externos apenas aceleram o processo.
Laser: ferramenta moderna e segura quando bem indicada
O laser vascular representa um avanço importante no
tratamento dos microvasos, justamente por permitir precisão e seletividade,
atingindo o vaso sem danificar a pele ao redor.
No entanto, o sucesso do laser depende de um princípio
básico: ele deve ser usado dentro de uma estratégia médica, e não como solução
isolada.
“O laser é extremamente eficaz quando faz parte de um plano
de tratamento bem indicado, após uma avaliação completa da circulação”, reforça
a especialista.
Tratar como doença
muda tudo
A grande virada no tratamento dos microvasos está na forma como eles são interpretados. Quando encarados como parte de uma doença vascular e não como um incômodo estético, os resultados se tornam mais duradouros, seguros e satisfatórios.
Avaliação adequada, identificação das veias nutridoras e escolha correta da técnica são o que diferenciam tratamentos pontuais de tratamentos eficazes.
“Microvasos precisam ser avaliados e tratados por um
especialista. Informação correta evita erros, frustração e retrabalho”, conclui
a Dra. Dafne Leiderman.
Hoje, tratar microvasos é unir estética, ciência e responsabilidade médica, um reflexo da evolução da cirurgia vascular.
Dra. Dafne Leiderman - Médica e cirurgiã vascular formada
pela USP, com doutorado pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Diretora da
SBACV regional São Paulo, é referência na capital paulista em tratamentos
modernos de varizes sem internação, laser para microvasos e manejo clínico do
lipedema sem cirurgia.


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