Métodos como o uso de canetas emagrecedoras podem
gerar reações indesejadas se utilizadas sem o devido acompanhamento
profissional
Com
a virada do ano, milhões de brasileiros renovam expectativas e estabelecem as
chamadas promessas de Ano Novo, metas pessoais que simbolizam recomeço, mudança
de hábitos e busca por uma vida melhor. Emagrecer, cuidar mais da saúde,
organizar as finanças, encontrar um novo amor e investir no desenvolvimento
pessoal são algumas das mais comuns.
Embora a intenção por trás dessas promessas seja positiva, especialistas alertam que, quando o objetivo envolve a saúde física e emocional, é fundamental que essas metas sejam colocadas em prática de forma consciente, segura e com orientação adequada. Essa máxima vale para o emagrecimento, que dispensa receitas milagrosas e precisa ser encarado com cautela, planejamento e acompanhamento médico.
De acordo com o Dr. Alexandre Abla, médico cardiologista do Hcor, o início do
ano costuma registrar um aumento significativo na procura por dietas rápidas,
treinos intensos sem preparo e uso indiscriminado de medicamentos ou
suplementos para perda de peso. “A intenção de emagrecer é absolutamente válida
e deve ser incentivada, mas o caminho escolhido faz toda a diferença para os
resultados e, principalmente, para a saúde do paciente”, afirma Abla.
Canetas emagrecedoras: tendência que exige cuidado e acompanhamento
Nos últimos anos, o uso das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos originalmente indicados para o tratamento do diabetes e que passaram a ser utilizados também para perda de peso, ganhou popularidade no Brasil, especialmente no último ano, impulsionado por redes sociais e relatos de resultados rápidos.
Apesar de eficazes em casos específicos, esses medicamentos não são indicados
para todos os pacientes e devem ser utilizados exclusivamente com prescrição e
acompanhamento médico. “As canetas podem ser importantes aliadas no tratamento
da obesidade e do sobrepeso, mas não são uma solução mágica. Elas têm
indicações claras, contraindicações e possíveis efeitos colaterais”, alerta o
especialista.
Atenção redobrada para mulheres
Segundo o especialista, emagrecer sem avaliação médica pode levar a deficiências nutricionais, alterações hormonais, perda de massa muscular, efeito sanfona e até agravamento de doenças preexistentes. Sintomas como a deficiência nutricional podem levar à alopecia (queda de cabelo), condição que costuma gerar forte impacto negativo para a autoestima feminina.
Também segundo Abla, ainda faltam estudos específicos sobre o uso dessa
medicação durante o período de gestação: “a recomendação é suspender o uso das
canetas até três meses antes da paciente tentar engravidar”, explica. Para quem
já está em tratamento, a orientação é utilizar, de forma complementar, métodos
contraceptivos para evitar coincidir com a gestação.
Alerta para o reganho de peso
Um
estudo divulgado neste mês de janeiro pela revista científica britânica British
Medical Journal indica que pessoas com sobrepeso recuperam, em média, 0,8 kg
por mês ao final do tratamento. Em termos práticos, isso significa retornar ao
peso anterior ao tratamento em um período de cerca de um ano e meio.
Segundo
o médico, o uso das canetas, em especial após o fim do tratamento, deve vir
acompanhado de mudanças no estilo de vida que ajudem a manter o peso ideal e a
qualidade de vida dos pacientes. “Esses medicamentos não substituem alimentação
equilibrada, atividade física e acompanhamento contínuo. Todos esses fatores
são chave para que o tratamento seja bem-sucedido e para que o paciente possa
conviver com os resultados do uso das canetas por um longo período”, finaliza.
Hcor
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