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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Promessas de Ano Novo: emagrecimento exige acompanhamento médico para evitar problemas de saúde

Métodos como o uso de canetas emagrecedoras podem gerar reações indesejadas se utilizadas sem o devido acompanhamento profissional
 

Com a virada do ano, milhões de brasileiros renovam expectativas e estabelecem as chamadas promessas de Ano Novo, metas pessoais que simbolizam recomeço, mudança de hábitos e busca por uma vida melhor. Emagrecer, cuidar mais da saúde, organizar as finanças, encontrar um novo amor e investir no desenvolvimento pessoal são algumas das mais comuns. 

Embora a intenção por trás dessas promessas seja positiva, especialistas alertam que, quando o objetivo envolve a saúde física e emocional, é fundamental que essas metas sejam colocadas em prática de forma consciente, segura e com orientação adequada. Essa máxima vale para o emagrecimento, que dispensa receitas milagrosas e precisa ser encarado com cautela, planejamento e acompanhamento médico.

De acordo com o Dr. Alexandre Abla, médico cardiologista do Hcor, o início do ano costuma registrar um aumento significativo na procura por dietas rápidas, treinos intensos sem preparo e uso indiscriminado de medicamentos ou suplementos para perda de peso. “A intenção de emagrecer é absolutamente válida e deve ser incentivada, mas o caminho escolhido faz toda a diferença para os resultados e, principalmente, para a saúde do paciente”, afirma Abla.


Canetas emagrecedoras: tendência que exige cuidado e acompanhamento

Nos últimos anos, o uso das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos originalmente indicados para o tratamento do diabetes e que passaram a ser utilizados também para perda de peso, ganhou popularidade no Brasil, especialmente no último ano, impulsionado por redes sociais e relatos de resultados rápidos.

Apesar de eficazes em casos específicos, esses medicamentos não são indicados para todos os pacientes e devem ser utilizados exclusivamente com prescrição e acompanhamento médico. “As canetas podem ser importantes aliadas no tratamento da obesidade e do sobrepeso, mas não são uma solução mágica. Elas têm indicações claras, contraindicações e possíveis efeitos colaterais”, alerta o especialista.
 

Atenção redobrada para mulheres

Segundo o especialista, emagrecer sem avaliação médica pode levar a deficiências nutricionais, alterações hormonais, perda de massa muscular, efeito sanfona e até agravamento de doenças preexistentes. Sintomas como a deficiência nutricional podem levar à alopecia (queda de cabelo), condição que costuma gerar forte impacto negativo para a autoestima feminina.

Também segundo Abla, ainda faltam estudos específicos sobre o uso dessa medicação durante o período de gestação: “a recomendação é suspender o uso das canetas até três meses antes da paciente tentar engravidar”, explica. Para quem já está em tratamento, a orientação é utilizar, de forma complementar, métodos contraceptivos para evitar coincidir com a gestação.


Alerta para o reganho de peso

Um estudo divulgado neste mês de janeiro pela revista científica britânica British Medical Journal indica que pessoas com sobrepeso recuperam, em média, 0,8 kg por mês ao final do tratamento. Em termos práticos, isso significa retornar ao peso anterior ao tratamento em um período de cerca de um ano e meio. 

Segundo o médico, o uso das canetas, em especial após o fim do tratamento, deve vir acompanhado de mudanças no estilo de vida que ajudem a manter o peso ideal e a qualidade de vida dos pacientes. “Esses medicamentos não substituem alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento contínuo. Todos esses fatores são chave para que o tratamento seja bem-sucedido e para que o paciente possa conviver com os resultados do uso das canetas por um longo período”, finaliza.

 

Hcor

 

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