Dados do INCA apontam quase 11 mil
novos casos por ano no país; mundialmente, projeções indicam que a doença pode
quase dobrar até 2050
A tecnologia, como a cirurgia robótica de pâncreas, trouxe mais precisão
e chances de cura. Mas nada substitui um diagnóstico precoce.
(Crédito: Eduardo Ramos)
A morte recente de três personalidades públicas brasileiras - o jornalista André Micelli, o ex-ministro Raul Jungmann e a atriz Titina Medeiros - trouxe novamente ao centro do debate um dos tumores mais letais da atualidade: o câncer de pâncreas. Silenciosa, agressiva e de difícil diagnóstico, a doença ainda é, na maioria dos casos, descoberta em estágios avançados, o que ajuda a explicar seus altos índices de mortalidade.
No Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), foram estimados cerca de 10.980 novos casos de câncer de pâncreas por ano no triênio 2023–2025. O órgão ainda não divulgou projeções oficiais para os próximos anos, mas os números atuais já colocam a doença entre os grandes desafios da oncologia nacional. Embora represente cerca de 2% de todos os diagnósticos de câncer, o tumor pancreático responde por aproximadamente 4% das mortes por câncer no país, evidenciando sua gravidade.
O cenário brasileiro acompanha uma tendência mundial. Dados internacionais indicam que o câncer de pâncreas é atualmente o 12º tipo de câncer mais comum no mundo, com mais de 510 mil novos casos diagnosticados globalmente por ano. E os estudos epidemiológicos internacionais apontam que a incidência da doença pode quase dobrar até 2050.
Mas o
diagnóstico não significa uma sentença definitiva. Pois também há um percentual
relevante de detecção precoce do tumor e altas chances de tratamento e cura,
como aconteceu com o jornalista e apresentador Edu Guedes e o músico Tony
Belotto.
Diagnóstico
precoce pode mudar o prognóstico
Segundo
o cirurgião de pâncreas Dr. Eduardo Ramos (foto abaixo), referência
internacional na área, a baixa sobrevida está diretamente relacionada ao
momento em que o câncer é descoberto. “O grande problema do câncer de pâncreas
não é a falta de tratamento, mas o diagnóstico tardio. Quando identificamos a
doença em fase inicial, as chances de controle e até de cura aumentam
significativamente”, explica.
O especialista alerta que exames de imagem convencionais, como ultrassonografia e tomografia, nem sempre conseguem identificar tumores pequenos no pâncreas, devido à localização profunda do órgão.
“É um exame altamente dependente da experiência do profissional que interpreta a imagem. Por isso, pacientes com sintomas persistentes ou fatores de risco precisam de acompanhamento especializado. Mas independente da destreza do radiologista que conduz o exame, ainda assim é importante realizar ultrassonografias abdominais frequentes. O paciente pode pedir isso ao especialista que o atende sempre, seja o cardiologista, o ginecologista, etc. Ou então, consultar com um gastroenterologista / hepatologista objetivamente com esse fim. Prevenção e check up regular nunca devem sair do planejamento regular”, ressalta.
Entre
os principais fatores de risco para o câncer de pâncreas estão idade avançada,
histórico familiar, tabagismo, obesidade, má alimentação, diabetes e
pancreatite crônica. Na fase inicial, os sintomas costumam ser inespecíficos,
como dor abdominal vaga, perda de peso, fadiga e alterações digestivas, sinais
que muitas vezes retardam a investigação.
Tratamento
exige centros especializados
O tratamento do câncer de pâncreas, reforça o Dr. Eduardo Ramos, deve ser realizado em centros altamente especializados, com atuação de equipes multidisciplinares. Hoje, a abordagem mais comum envolve a combinação de cirurgia, quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia, com a sequência definida de acordo com o estágio da doença e o perfil do paciente.
“Nem sempre a cirurgia vem antes da quimioterapia. Pode ser indicado reduzir esse tumor com a quimioterapia antes da cirurgia, o que facilita o procedimento e aumentar as chances de cura do paciente”, analisa o cirurgião.
Avanços tecnológicos, como a cirurgia robótica e outras técnicas avançadas, vêm ampliando as possibilidades terapêuticas e melhorando a recuperação e a qualidade de vida dos pacientes. A equipe do Dr. Eduardo Ramos, inclusive, foi um das primeiras a realizar a técnica da ablação de um tumor pancreático, uma técnica minimamente invasiva e com um índice de recuperação muito mais rápido dos pacientes.
Ainda
assim, o especialista reforça: “Nenhuma tecnologia substitui o diagnóstico
precoce. Ele continua sendo o fator mais determinante para mudar as
estatísticas da doença”.
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