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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Novo estudo: gordura no abdômen e no fígado pode causar danos às artérias

Duas pessoas podem estar sob riscos cardiovasculares muito diferentes, apesar de terem o mesmo peso, dependendo apenas de onde a gordura está concentrada



Um dos maiores fatores de preocupação quando se fala de gordura corporal é aquela que se acumula no abdômen e no fígado, justamente aquela que não aparece no espelho e não abala a vaidade estética. Um novo estudo, da Universidade McMaster, no Canadá, apontou que o acúmulo de gordura nessas regiões está diretamente associado a danos silenciosos nas artérias e pode elevar o risco de derrame e infarto. Isso ocorreria porque a gordura nas áreas levaria ao espessamento e à obstrução das artérias carótidas, por exemplo, responsáveis por levar sangue ao cérebro.

Os resultados do estudo, realizado a partir de exames de ressonância magnética e dados clínicos de mais de trinta mil adultos no Reino Unido e Canadá e publicado na revista científica Communications Medicine, questionam o uso exclusivo do índice de massa corporal (IMC) como medida de saúde metabólica e sugere uma mudança na forma como médicos avaliam a obesidade e o risco cardiovascular.De acordo com os pesquisadores, as alterações nas artérias são marcadores importantes de risco para doenças cardíacas e Acidente Vascular Cerebral (AVC). O dano permaneceu mesmo depois de ajuste em fatores clássicos como colesterol, pressão arterial e estilo de vida.O que a nova pesquisa canadense vem atestar é que duas pessoas podem estar sob riscos cardiovasculares muito diferentes, apesar de terem o mesmo peso, dependendo apenas de onde a gordura está concentrada. Por isso, os estudiosos sugerem que a gordura oculta seja considerada fator de risco independente.

Para a equipe da universidade canadense, a mensagem é bastante óbvia: estar no peso ideal não é suficiente, pelo simples fato de que o número do peso não considera outros fatores de saúde. A gordura que se acumula em locais invisíveis pode ser mais danosa que o excesso de peso visível — e quem sofre por essa negligência é o coração.

Outro ponto fortemente reforçado por eles é a adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, controle do sedentarismo e exames de imagem quando indicados. Isso vem de encontro ao que sempre defendemos junto aos nossos clientes, bem como, gerenciamento do estresse e do bem-estar, sono reparador e distância do uso de substâncias, como tabaco ou álcool. Assim é possível se criar um estilo de vida saudável rumo à longevidade. Saúde é prevenção!


Gilberto Ururahy – Diretor-médico especializado em medicina preventiva na Med-Rio Check-up, membro honorário da Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação, condecorado com a Medalha da Academia Nacional de Medicina da França e Conselheiro Estratégico da ABRH – Brasil. Coautor de livros: Como tornar-se um bom estressado (editora Salamandra), O cérebro emocional (Rocco), Emoções e saúde (Rocco) e Saúde é prevenção (Rocco, com o médico Galileu Assis).



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