Problema comum na infância pode
prejudicar o sono, o crescimento e o desenvolvimento se não for tratado
corretamente, explica otorrinolaringologista
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Após compartilhar com seus seguidores que as filhas precisarão
passar por cirurgia para correção da adenoide e retirada das amígdalas, a
influenciadora Virginia Fonseca trouxe à tona um tema que merece atenção
redobrada dos pais: os impactos das alterações respiratórias na saúde infantil.
Segundo a influenciadora, a indicação médica ocorreu após a observação de
sinais que mostravam interferência direta na qualidade do sono das crianças —
um alerta importante para muitas famílias.
A adenoide e as amígdalas são estruturas do sistema linfático
localizadas, respectivamente, atrás do nariz e na garganta, e fazem parte do
mecanismo de defesa do organismo. No entanto, quando aumentam de tamanho, podem
causar obstrução das vias aéreas e dificultar a respiração adequada. “Esses
tecidos, quando hipertrofiados, passam a bloquear a passagem do ar, levando a
criança a respirar pela boca, principalmente durante o sono. Isso não é normal
e precisa ser avaliado”, explica a Dra. Kátia Virginia, otorrinolaringologista
do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco.
Um dos principais sinais de alerta está relacionado ao sono.
Roncos frequentes, pausas respiratórias, agitação noturna e despertares
constantes são indícios comuns. “O sono é um momento fundamental para o
desenvolvimento infantil. Quando existe obstrução causada pela adenoide ou
pelas amígdalas, a criança não consegue atingir fases profundas do descanso, o
que compromete a recuperação física e neurológica”, destaca a especialista do
HOPE.
Além do cansaço noturno, as consequências aparecem durante o dia.
“É comum observar irritabilidade, dificuldade de concentração, queda no
rendimento escolar e até alterações de comportamento. Diferente do adulto, que
costuma apresentar sonolência, a criança pode ficar mais agitada, inquieta ou
agressiva”, pontua a Dra. Kátia.
Outro ponto de atenção é o impacto no crescimento. A médica
explica que a liberação do hormônio do crescimento ocorre principalmente
durante o sono profundo. “Quando há interrupções respiratórias frequentes, esse
processo fica prejudicado. A longo prazo, isso pode interferir tanto no ganho
de estatura quanto no desenvolvimento físico global”, alerta.
Em muitos casos, o tratamento cirúrgico é indicado, como aconteceu
com as filhas da influenciadora. “A cirurgia para retirada das amígdalas e
correção da adenoide, chamada adenoamigdalectomia, é um procedimento seguro,
bastante realizado e com excelentes resultados quando bem indicado. Após a
intervenção, a melhora do padrão respiratório e do sono costuma ser
significativa”, esclarece a otorrinolaringologista.
O diagnóstico começa com uma avaliação clínica minuciosa. “Exames
como a nasolaringofibroscopia permitem visualizar diretamente as vias aéreas e
identificar o grau de obstrução. Dependendo do quadro, também podem ser
solicitados estudos do sono, exames de imagem ou avaliações complementares”,
comenta a Dra. Kátia Virginia.
Para a especialista, a principal mensagem deixada pelo caso é a
importância da observação familiar. “Pais e responsáveis conhecem a rotina da
criança. Perceber respiração oral constante, roncos intensos, sono agitado ou
dificuldades de aprendizagem é essencial para buscar ajuda precocemente”, orienta.
Por fim, a médica reforça que o acompanhamento adequado faz toda a
diferença. “Quando diagnosticado a tempo, o problema tem solução e a criança
pode voltar a dormir bem, respirar melhor e se desenvolver de forma saudável.
Informação e atenção são as maiores aliadas da saúde infantil”, finaliza a Dra.
Kátia Virginia, otorrinolaringologista do HOPE – Hospital de Olhos de
Pernambuco.
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