No varejo, o tempo é um ativo estratégico. Quem espera o calendário virar para começar a planejar já está atrasado. Quando falamos em controle de perdas e eficiência operacional, o momento ideal para estabelecer metas, desenhar ações e estruturar um planejamento estratégico para 2026 é agora — ainda com 2025 em curso.
Pode parecer antecipado, mas não é. Pelo contrário: é justamente essa antecedência que diferencia operações reativas de empresas realmente preparadas para sustentar resultados.
Um dos erros mais comuns no varejo é tratar o planejamento estratégico como um ritual anual, restrito a apresentações de PowerPoint e metas financeiras genéricas. O combate às perdas e a busca por eficiência exigem algo diferente: diagnóstico profundo, metas realistas, indicadores claros e execução consistente.
Perdas não surgem do dia para a noite — e tampouco são resolvidas rapidamente. Elas são consequência de processos falhos, cultura organizacional permissiva, uso inadequado de tecnologia e falta de governança. Por isso, quanto antes o varejista começa a olhar para 2026, mais tempo ele tem para corrigir rotas ainda em 2025.
Historicamente, o segundo semestre é o período em que as perdas se intensificam: maior fluxo de clientes, aumento de estoques, contratações temporárias e operações sob pressão. É justamente aí que surgem os dados mais valiosos para o planejamento do ano seguinte.
Empresas inteligentes usam esse período como laboratório estratégico: analisam onde estão perdendo, quais processos falham sob estresse, como as equipes reagem e onde a tecnologia não acompanha a operação. Esses aprendizados são fundamentais para estabelecer metas consistentes para 2026 — que não sejam apenas financeiras, mas também operacionais.
Definir metas de perdas não é apenas estipular
percentuais. É entender quais perdas podem ser evitadas, outras que precisam
ser mitigadas e ainda há aquelas que fazem parte do risco do negócio. Sem essa
clareza, o planejamento vira uma carta de intenções.
Metas bem construídas conectam prevenção de perdas, logística, operações, tecnologia e pessoas. Elas deixam de ser responsabilidade de uma área isolada e passam a fazer parte da estratégia corporativa. É assim que o controle de perdas deixa de ser reativo e se transforma em alavanca de eficiência operacional.
Outro equívoco recorrente no varejo é confundir eficiência com redução indiscriminada de despesas. Eficiência operacional vem da eliminação de desperdícios, da padronização de processos e do uso inteligente de dados. E isso só é possível com planejamento.
Ao olhar para 2026 desde já, o varejista consegue priorizar investimentos: onde tecnologia realmente traz retorno, onde treinamento reduz riscos, onde ajustes de processo evitam perdas recorrentes. Planejar cedo permite fazer escolhas melhores — e não apenas urgentes.
O varejo que vai se destacar em 2026 não será o que reagir mais rápido, mas o que se preparar melhor. Governança, controle de perdas e eficiência operacional não se constroem sob pressão. Exigem visão de longo prazo, disciplina e liderança.
Anderson Ozawa - CEO da AOzawa Consultoria, especialista em Prevenção de Perdas e Governança, consultor com mais de 40 programas de prevenção de perdas implantados com sucesso, palestrante, professor da FIA Business School e autor do livro “Pentágono de Perdas: Transformando Perdas em Lucros”
AOZAWA CONSULTORIA
www.aozawaconsultoria.com.br
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