O governador de São Paulo busca
formalizar pedido junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para
abertura de processo de caducidade do contrato da concessionária
IMAGEM: Rovena Rosa/Agência Brasil
O governador de São Paulo, Tarcísio
de Freitas, voltou a criticar a Enel nesta quinta-feira, 18/12, em meio à crise
no fornecimento de energia que atinge a capital paulista e a região
metropolitana e que foi agravada no último dia 10, quando ventos de quase 100
km/h, causados por um ciclone extratropical que atingiu o Centro-Sul do país,
deixaram 2,2 milhões de residências sem energia na Grande São Paulo.
Na manhã desta quinta-feira, um
novo balanço da Enel apontou 18,8 mil endereços sem o fornecimento de
eletricidade em toda a área de concessão. Na capital paulista, são 14 mil
imóveis com o serviço interrompido. É a primeira vez em oito dias que a região
metropolitana de São Paulo tem menos de 20 mil imóveis sem energia elétrica.
Durante um evento público, Tarcísio afirmou que a concessionária "não tem mais
condições" de atuar no estado e sugeriu que a empresa deixe
voluntariamente a operação. Nos últimos dias, o número de imóveis sem energia
oscilou, mas sempre acima dos 45 mil. “É uma empresa (Enel) que já mostrou que não
tem condição de estar aqui. Não tem vontade de estar aqui. Se não tem vontade,
vai embora.”
O governador destacou que as
falhas se tornaram sistêmicas, citando eventos similares ao ocorrido no último
dia 10 em 2023 e 2024.
Para Tarcísio, a demora no restabelecimento
da energia - que em alguns casos superou cinco dias - configura uma violação de
direitos básicos, causando prejuízos financeiros a comerciantes e insegurança à população.
Na última terça-feira (16), o
governador de São Paulo reuniu-se com o ministro de Minas e Energia, Alexandre
Silveira, e com o prefeito da capital, Ricardo Nunes, para formalizar um pedido
junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pela abertura do processo
de caducidade (extinção) do contrato da Enel.
O governo paulista alega que,
embora a empresa possua capacidade financeira, há uma clara deficiência técnica
e falta de investimentos em modernização e equipes de campo. "O cidadão
está refém de uma prestação de serviço essencial e não pode ficar assim. A
empresa sequer se preocupa com a situação dos hospitais e com o fornecimento de
água", reforçou o governador.
Por outro lado, em notas
recentes, a Enel informou que "tem mobilizado equipes de emergência para
lidar com os danos causados por eventos climáticos extremos e que mantém seu
plano de investimentos para a rede elétrica de São Paulo". A empresa, no
entanto, enfrenta forte pressão regulatória e política, com multas acumuladas
que superam os R$ 260 milhões, muitas delas questionadas judicialmente pela
concessionária.
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/tarcisio-sobre-a-enel-nao-tem-mais-condicoes
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