“A imparcialidade e a análise baseada em evidências são indispensáveis”
A
perícia médica tem se consolidado como um instrumento essencial na avaliação
técnica do dano corporal em processos judiciais, especialmente em casos que
envolvem invalidez ou sequelas permanentes. Saiba como essa atuação pode
auxiliar o Judiciário na análise objetiva e fundamentada sobre a condição
clínica do indivíduo, a fim de garantir segurança jurídica na tomada de
decisões.
A
médica Caroline Daitx, especialista em Medicina Legal e Perícia Médica,
explica como a perícia pode contribuir para que a decisão do juiz seja baseada
em provas e laudos bem elaborados e fundamentados. “O perito realiza exames
físicos e funcionais, revisa prontuários e exames complementares, além de
analisar o histórico terapêutico e os impactos psicossociais do dano alegado.
Todas essas informações são organizadas em um laudo pericial, documento técnico
que busca estabelecer com precisão a extensão do dano, o nexo causal e o grau
de comprometimento funcional.”
Para
padronizar a quantificação das sequelas, os peritos utilizam a Tabela
Brasileira para Apuração do Dano Corporal (Baremas), elaborada pela Associação
Brasileira de Medicina Legal e Perícia Médica, ou outras referências
internacionais. “Essa metodologia assegura critérios técnico-legais na
avaliação, evitando subjetividade”, afirma.
“A
elaboração do laudo pericial exige critérios bem definidos, como a descrição
detalhada do tipo de lesão, sua localização e abrangência, a distinção entre
incapacidades temporárias e permanentes, a análise do impacto funcional nas
atividades diárias e profissionais e o prognóstico quanto à estabilização ou
progressão das limitações. Além disso, o perito deve seguir as normas do Código
de Ética Médica, garantindo clareza, fundamentação científica e
imparcialidade”, ressalta Daitx.
Segundo a perita, os desafios mais comuns surgem quando há divergência entre as partes sobre o dano alegado. “A subjetividade de sintomas como dor, falhas na documentação médica e até tentativas de simulação são obstáculos frequentes. Nessas situações, a atuação do perito deve ser guiada pelo rigor técnico e pelo respeito aos princípios éticos. Outro ponto crítico é o tempo decorrido entre o evento danoso e a perícia, que pode dificultar a reconstituição dos fatos e do nexo causal. Por isso, a imparcialidade e a análise baseada em evidências são indispensáveis, enfatiza a médica.
De
acordo com a especialista, a perícia médica não se limita à quantificação das
lesões, ela contribui para decisões judiciais justas, fundamentadas em ciência
e ética, preservando a dignidade humana. “O perito deve manter conduta isenta,
preservar o sigilo das informações e evitar conflitos de interesse. É um
trabalho que exige responsabilidade e compromisso com a verdade”, conclui.
Nenhum comentário:
Postar um comentário