Inadimplência
atinge maior patamar desde março de 2024, enquanto endividamento chega perto de
3 milhões de lares na cidade; cartão de crédito segue como protagonista do
consumo
Apesar do mercado
de trabalho aquecido e da inflação em ritmo mais lento, os juros altos
deterioraram os orçamentos das famílias da Região Metropolitana de São Paulo
(RMSP) em agosto, demonstra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do
Consumidor (PEIC) da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do
Estado de São Paulo (FecomercioSP).
O volume de lares inadimplentes cresceu 0.6 ponto porcentual (p.p.), saindo de 22,1% de casas nessa situação em julho para 22,7% em agosto [gráfico 2]. É o patamar mais alto desde março de 2024. Cresceu também o número de famílias endividadas [gráfico 1]: passou de 70,9% no último mês para 71,5% agora – também a maior taxa desde maio de 2024. Por consequência, tem mais gente sem condições de pagar as dívidas vencidas: 9,3% das unidades ouvidas no estudo [gráfico 3].
Em absoluto, São
Paulo tem
2,92 milhões de famílias endividadas hoje e, delas, 929 mil estão
inadimplentes.
[GRÁFICO
1]
Famílias
endividadas na cidade de São Paulo (2023–2025)
Fonte: FecomercioSP
[GRÁFICO
2]
Famílias
inadimplentes na cidade de São Paulo (2023–2025)
Fonte:
FecomercioSP
[GRÁFICO
3]
Famílias
sem condições de pagar as dívidas na cidade de São Paulo (2023–2025)
Fonte:
FecomercioSP
O padrão de endividamento, marcado pelo protagonismo da modalidade do cartão de crédito (80% dos endividados o citam diretamente), expressa como o sistema financeiro sustenta o consumo na principal cidade do País e, por onde, conforma uma dinâmica da própria economia. O resultado disso é uma porção cada vez maior do orçamento das famílias para pagamento de juros, como a FecomercioSP mostrou recentemente.
Para a Entidade,
os dados da PEIC mostram como, apesar do crédito ter essa centralidade nos
gastos familiares, o emprego em alta, que eleva os rendimentos mensais, aumenta
a segurança em comprar no médio prazo. Nesse sentido, a elevação do
endividamento não é necessariamente negativa.
Menos tempo de
dívida, menos renda comprometida
Se os números da pesquisa apresentam deterioração da conjuntura doméstica em São Paulo, há outros indicadores positivos. Um deles é que o tempo médio de duração das dívidas está caindo. Em agosto, ele foi de 7 meses (era de 7,2 em junho), o que revela maior presença de comprometimentos a curto prazo. No caso de quem tem uma despesa atrasada, o prazo médio de quitação é de 63,3 dias [tabela 1].
Entre as famílias
endividadas, 31% têm dívidas que terminam em até três meses. A maior parte
(36%), por outro lado, cita contas com mais de um ano de prazo.
[TABELA
1]
Tempo do
atraso da dívida (entre famílias com contas atrasadas)
Agosto de
2025
Fonte: FecomercioSP
[TABELA
2]
Tempo de
comprometimento com uma dívida (entre famílias endividadas)
Agosto de
2025
Fonte: FecomercioSP
Da mesma forma, a parcela da renda
mensal dedicada a pagamentos das dívidas retraiu em agosto: 26,5% dos recursos
vão para esse fim – a menor taxa desde fevereiro de 2015. A maior parte
das famílias (44%) diz que tem entre 11% e 50% dos rendimentos comprometida com
esse tipo de conta.
A leitura da FecomercioSP é de fragilidade: como o dinheiro acaba antes do fim do mês, muitas famílias têm no cartão de crédito a possibilidade de seguir consumindo ou mesmo arcando com os custos fixos, e não apenas com compras de médio e longo prazo.
O quadro geral não
é ruim, mas a deterioração é nítida. Com os juros altos (a Selic permanece em
15%, puxando taxas de financiamento), fica mais difícil não apenas tomar
crédito como, principalmente, pagá-las depois do vencimento. A boa notícia é
que a inflação em ritmo mais lento pode ajudar a equilibrar as coisas, já que,
com o desemprego em baixa histórica, existe a chance da massa de renda permitir
fôlego nas contas.
FecomercioSP





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