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sábado, 22 de agosto de 2026

SOS unhas: como agir após a quebra e evitar infecções

Especialista traz dicas práticas para tratar a unha danificada e acelerar a recuperação com segurança

 

No dia a dia, um movimento simples, como abrir uma lata ou esbarrar a mão na quina de um móvel, pode resultar em uma unha quebrada, e, com ela, dor imediata e um risco silencioso de infecção. A ruptura expõe a região, fragiliza a lâmina ungueal e cria um ambiente propício para a proliferação de micro-organismos. Sem os cuidados certos, o que começa como um pequeno acidente pode evoluir para inflamações e até complicações mais sérias. 

De acordo com Marina Groke, diretora da Unhas Cariocas, maior rede de esmalterias do mundo, a primeira atitude faz toda a diferença no processo de recuperação. “É essencial higienizar a área com cuidado, evitar arrancar o restante da unha e proteger a região para impedir a entrada de bactérias”, orienta. A especialista destaca que improvisos, como colas inadequadas ou tentativas de “remendo”, comprometem ainda mais a estrutura e aumentam o risco de infecção. Ao invés disso, o foco deve estar em manter a área limpa, seca e protegida. 

Segundo a profissional, a quebra costuma estar ligada a uma combinação de fatores: ressecamento, deficiência de nutrientes, uso frequente de produtos químicos e até hábitos cotidianos, como usar as unhas como ferramenta. “Quando a unha está enfraquecida, qualquer impacto pode causar danos maiores. Por isso, o cuidado precisa ser contínuo, não apenas após a quebra”, explica Marina. Ela também chama atenção para o corte inadequado e a retirada excessiva de cutículas, que deixam a região mais vulnerável. 

Para recuperar a saúde, o processo passa da hidratação ao reforço nutricional, contando com ativos específicos que ajudam na regeneração. No processo, cada etapa contribui para restaurar a resistência e prevenir novos episódios. A seguir, confira sugestões da especialista que ajudam a reconstruir as unhas de forma segura.

 

Nutrição interna

Unhas resistentes começam com um organismo equilibrado. Nutrientes como biotina, vitaminas do complexo B, zinco e colágeno desempenham papel central na formação da queratina, proteína que dá estrutura às unhas. Quando há deficiência desses nutrientes, a tendência é o surgimento de unhas quebradiças, descamando com facilidade. 

Nesse contexto, suplementos que combinam esses ativos atuam como aliados no fortalecimento contínuo. A biotina estimula o crescimento saudável, enquanto vitaminas antioxidantes como C e E ajudam a combater os danos causados pelos radicais livres. O zinco contribui para a regeneração celular, e o colágeno reforça a elasticidade e resistência. Marina aponta que o cuidado externo precisa caminhar junto com a nutrição interna, já que a saúde das unhas reflete diretamente o estado do organismo.

 

Hidratação das cutículas

Cutículas ressecadas e unhas opacas são sinais claros de falta de hidratação. A aplicação regular de produtos ricos em óleos nutritivos e vitamina E ajuda a restaurar a barreira natural da pele e proteger a matriz ungueal. Ingredientes como óleo de girassol têm ação emoliente e devolvem maciez imediata, sem interferir no acabamento do esmalte. 

A hidratação constante reduz a probabilidade de fissuras e quebras, mantendo a flexibilidade da unha. “Quando a cutícula está saudável, ela funciona como uma proteção natural contra agentes externos”, comenta Marina.

 

Proteção contra infecções

Após uma quebra, a atenção deve se voltar à prevenção de infecções. Ativos com propriedades antissépticas e antibacterianas, como o óleo de melaleuca, ajudam a manter a região protegida contra fungos e bactérias. Sua ação purificante cria uma camada de defesa importante, especialmente quando a unha está exposta ou sensibilizada. Esse tipo de cuidado se torna ainda mais importante em ambientes úmidos ou em contato frequente com água.

 

Base para fortalecimento

Recuperar a unha após a quebra é apenas parte do processo. Manter sua resistência ao longo do tempo exige o uso de fórmulas fortalecedoras que estimulem o crescimento saudável e aumentem a durabilidade. Bases com complexos de tratamento atuam diretamente na estrutura, promovendo maior aderência do esmalte e reduzindo a descamação. 

Com o uso regular, a unha ganha espessura e resistência, tornando-se menos suscetível a danos. “O fortalecimento é construído ao longo do tempo, com consistência. Pequenos cuidados diários fazem uma grande diferença no resultado”, conclui a especialista.

  

 Unhas Cariocas


"Efeito Ozempic": perda de peso rápida acende alerta para flacidez e aumenta busca por cirurgiões plásticos no Brasil

A velocidade do emagrecimento, e não o medicamento em si, é a principal responsável pela pele solta; entenda quando vale buscar ajuda profissional

 

Nos últimos anos, medicamentos como Ozempic e Mounjaro se popularizaram como aliados no tratamento de obesidade e no controle de peso. Com a alta procura, cresceu também um efeito colateral pouco discutido: a flacidez da pele. Braços, abdômen, coxas e até o rosto podem perder firmeza depois de uma perda de peso rápida, gerando dúvidas em quem está passando por esse processo.

Diferente do que muitos pensam, a flacidez não é causada pelo remédio. Ela acontece porque a pele não tem tempo de se adaptar à nova forma do corpo. Quando o emagrecimento é rápido, a pele, que foi esticada por meses ou anos de excesso de peso, não consegue retrair no mesmo ritmo, resultando no aspecto de "pele sobrando".

O movimento já aparece nos números do setor. Levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) contabilizou 38 milhões de procedimentos estéticos no mundo em 2024, com o Brasil na primeira posição em cirurgias, com quase 2,4 milhões de intervenções. Entre os procedimentos associados à perda de peso rápida, o levantamento aponta aumento nas cirurgias de glúteos e coxas (3%), braços (2%) e abdominoplastias (1%).

Fatores como idade, genética, tempo de exposição ao peso anterior e elasticidade natural da pele também interferem no resultado final. Por isso, duas pessoas podem perder a mesma quantidade de peso e ter reações completamente diferentes.

Diante desse cenário, cresce a busca por informação qualificada antes de qualquer decisão. Com isso a PinkMed, plataforma desenvolvida para conectar pacientes a profissionais de saúde com registro ativo em seus conselhos, têm registrado aumento na procura por dermatologistas e cirurgiões plásticos que expliquem esse processo com clareza, e ajudem a separar o que é mito do que é, de fato, indicação médica.

"É um efeito natural do corpo, não um problema com o tratamento. A pele reage à velocidade da mudança, e cada organismo responde de um jeito", explica Dra. Vanessa Gaissler, médica cirurgiã plástica CRM/RS 29880 | RQE 25448 e parceira da PinkMed. "O mais importante é o paciente entender que existe um tempo certo para avaliar se será necessária alguma intervenção, e que essa decisão deve vir sempre de uma consulta com um profissional qualificado."

Um dos pontos mais reforçados por quem acompanha esses casos é a paciência. Antes de considerar qualquer procedimento, recomenda-se aguardar a estabilização do peso, geralmente entre quatro a seis meses, já que o corpo ainda pode se ajustar sozinho nesse período. Buscar soluções antes desse prazo pode levar a decisões precipitadas.

"Muita gente pesquisa mais quando tem acesso fácil a informação confiável", complementa Dra. Vanessa Gaissler.  "Isso muda a forma como o paciente chega ao consultório: mais informado, com perguntas melhores e expectativas mais realistas."

Quando a intervenção é realmente necessária, existem diferentes caminhos, que vão desde tratamentos não cirúrgicos, como bioestimuladores de colágeno, até cirurgias como abdominoplastia e braquioplastia, indicadas para os casos de maior excesso de pele. A escolha depende do grau de flacidez, da área do corpo e do histórico de saúde de cada paciente.

Mais do que uma questão estética, lidar com a flacidez faz parte do cuidado integral de quem emagreceu, física e emocionalmente. Entender o processo, sem alarmismo, é o primeiro passo para tomar decisões mais seguras.


Após mortes em procedimentos estéticos, pioneiro da lipoaspiração faz alerta sobre segurança em cirurgias plásticas

Dr. Luiz Haroldo Pereira chama atenção para escolha do cirurgião, estrutura hospitalar, tempo de cirurgia e acompanhamento no pós-operatório

 

A morte da empresária Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, no último sábado (8), em Belém, voltou a acender o alerta sobre a segurança em cirurgias plásticas. A jovem morreu um dia após passar por procedimentos que incluíram cirurgia nos seios, abdominoplastia, lipoaspiração e enxertia. Familiares questionam a assistência recebida no pós-operatório e o caso é investigado pela Polícia Civil do Pará e pelo Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA). 

 

O episódio acontece em meio a outros casos recentes envolvendo procedimentos estéticos. No Rio de Janeiro, a Polícia Civil informou, no início de agosto, que investigava pelo menos sete relatos de complicações relacionados a uma rede de clínicas, em uma apuração que ganhou repercussão após a morte de uma paciente e prisões.

 

Para o cirurgião plástico Luiz Haroldo Pereira, pioneiro da lipoaspiração no Brasil, complicações podem existir mesmo quando todos os protocolos são seguidos. O que precisa ser investigado, segundo ele, é se houve negligência, imprudência ou imperícia.

 

"Em relação aos recentes acontecimentos de falecimento de paciente após cirurgia plástica, a posição que nós temos é a seguinte: alguma complicação pode acontecer, mas o que o médico nunca pode ter é errar por negligência, imprudência ou imperícia. Se ele é um cirurgião que cuidou muito bem do seu paciente, tem todo o treinamento e não foi negligente, realmente não deve ter nenhuma culpa quanto a isso."


 

Tempo de cirurgia também importa

 

Ainda sobre o caso de Belém, o médico alerta sobre o tempo de cirurgia. Segundo o cirurgião, procedimentos combinados podem ser realizados, mas exigem planejamento, estrutura e uma equipe experiente.

 

"A gente pode fazer tranquilamente uma cirurgia de mama e abdômen ou uma lipo, desde que seja uma equipe treinada, um cirurgião experiente com assistentes experientes e que faça num tempo de 4 horas a 4 horas e meia no máximo de cirurgia. Mas muitas vezes têm cirurgião que demora 8, 10 horas fazendo uma lipoaspiração. Aí, realmente, podem acontecer riscos por um tempo muito longo de anestesia."


 

Embolia é uma das possíveis complicações

 

Entre as complicações que podem ocorrer em procedimentos como a lipoaspiração, o especialista cita a embolia pulmonar, que pode ter diferentes origens.

 

"Pode ter uma embolia, e essa embolia pode ser embolia pulmonar por um trombo que soltou do membro inferior, ou uma embolia gordurosa por um acidente na colocação de uma gordura dentro do músculo ou qualquer outra parecida colocada dentro de um vaso sanguíneo, de uma veia."

 

Outra possibilidade, embora considerada rara, é a ocorrência de perfuração durante a lipoaspiração. Luiz Haroldo ressalta, entretanto, que nenhuma dessas hipóteses pode ser atribuída a um caso específico sem acesso aos exames, prontuários e resultados da necropsia.


 

Cirurgia acaba, assistência não

 

Um dos pontos levantados pela família de Giovanna é justamente o acompanhamento após os procedimentos. Segundo os familiares, a jovem teria relatado dores intensas durante o pós-operatório. Para Luiz Haroldo, independentemente do caso específico, o acompanhamento médico após uma cirurgia é parte fundamental do procedimento.

 

O especialista ressalta que sinais fora do esperado precisam ser avaliados e que a estrutura disponível para responder rapidamente a uma eventual intercorrência deve fazer parte da escolha do paciente antes mesmo da cirurgia.


 

Preço não deve definir escolha

 

Para Luiz Haroldo, pesquisar o profissional, conhecer sua formação e avaliar a estrutura onde a cirurgia será realizada são cuidados tão importantes quanto decidir qual procedimento fazer. "O mais importante é que você faça sempre uma boa escolha do seu cirurgião. Não vá pelo que é mais barato, fazendo em um hospital sem a mínima condição, achando que com isso vai ser suficiente. Saúde não tem preço"

 

O cirurgião reforça ainda que hospitais e clínicas precisam estar preparados não apenas para realizar a operação, mas também para lidar com possíveis complicações. "Escolha uma boa equipe, um bom cirurgião, veja a reputação do cirurgião, opere em um hospital ou clínica que tenha todo o recurso pós-operatório, como CTI e uma recuperação pós-anestésica. A segurança é o mais importante, tanto para o cirurgião quanto para o paciente." 



Dr. Luiz Haroldo Pereira - referência nacional em cirurgia corporal e facial e um dos pioneiros da lipoaspiração no Brasil. Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional Rio de Janeiro (SBCP-RJ), integrou durante 12 anos a banca de exames para obtenção do título de especialista e, desde 2006, faz parte da comissão responsável pela avaliação de médicos que buscam o título de membro titular da SBCP. Com décadas de atuação dedicadas à cirurgia de contorno corporal, é presença constante em congressos nacionais e internacionais, onde ministra aulas e compartilha sua experiência em lipoaspiração, lipoescultura e lipoenxertia.
www.drluizharoldo.com.br/
www.instagram.com/luizharoldopereira

 

5 hábitos inocentes do dia a dia que estão detonando seus lábios (e como resolver)


Entenda os erros comuns na rotina e as atitudes simples que devolvem a maciez e a proteção à pele.

 

Lábios ressecados, descamando, ou com pequenas rachaduras costumam ser associados às baixas temperaturas, mas nem sempre o clima é o único responsável. Pequenos hábitos do dia a dia, muitas vezes repetidos de forma automática, podem comprometer a hidratação da região e deixar os lábios mais sensíveis e ressecados ao longo do tempo. 

 

Por ser uma das áreas mais delicadas do rosto, os lábios precisam de cuidados específicos para manter a barreira de proteção íntegra e a aparência saudável. A boa notícia é que algumas mudanças simples na rotina fazem toda a diferença. Confira cinco hábitos que podem estar prejudicar a saúde dos lábios e como revertê-los.

 

1. Passar a língua nos lábios para umedecê-los

Quando os lábios parecem secos, a reação instintiva é passar a língua para aliviar a sensação. No entanto, a saliva contém enzimas digestivas feitas para quebrar alimentos, o que agride a barreira cutânea. Além disso, ao evaporar, a saliva retira ainda mais a umidade natural da região, criando um ciclo vicioso de ressecamento.

 

Como resolver: Substitua o hábito de molhar os lábios pela aplicação contínua de um hidratante labial, enriquecido com Panthenol e Vitaminas específico para a região.

 

2. Arrancar as "pelinhas" da boca

Remover as peles soltas com os dentes ou com os dedos danifica as camadas saudáveis da pele, gerando feridas, sangramentos e até inflamações. O gesto impede a regeneração natural do tecido e pode deixar a região vulnerável a infecções.

 

Como resolver: Evite puxar as peles a qualquer custo. Evite puxar as pelinhas. Em vez disso, aposte em fórmulas de reparação profunda que promovem a renovação suave, deixando a área macia, lisinha e visivelmente saudável.

 

3. Usar batons matte sem hidratação prévia

O acabamento opaco do batom matte exige fórmulas mais secas que absorvem a umidade da pele. Usá-los com frequência sobre lábios desidratados acentua as linhas finas, provoca vincos profundos e piora o ressecamento ao longo do dia.

 

Como resolver: Aplique uma camada fina de regenerador labial minutos antes da maquiagem e remova o excesso antes de passar o batom.

 

4. Esfregar ou esfoliar os lábios com frequência

Usar receitas caseiras abrasivas (como açúcar) ou esfoliar a região repetidamente remove a camada protetora natural dos lábios. Esse atrito constante causa microagressões, deixando a pele cada vez mais fina, sensível e vulnerável ao ressecamento.

 

Como resolver: Lábios delicados não precisam de atrito físico. Substitua a esfoliação mecânica pelo uso de fórmulas altamente hidratantes que promovem uma renovação suave e mantêm a superfície macia e uniforme.

 

5. Esquecer de beber água

Lábios ressecados costumam ser um dos primeiros sinais do corpo para indicar desidratação. Embora os hidratantes labiais sejam importantes para proteger e fortalecer a barreira da região, a hidratação começa de dentro para fora e depende, principalmente, da ingestão adequada de água.

 

Como resolver: Aumente o consumo diário de água para garantir que a hidratação completa. 


O aliado ideal:

Para recuperar a barreira cutânea já fragilizada e prevenir futuros danos, o cuidado diário exige ativos dermatológicos eficazes. O Eucerin Aquaphor Reparador Labial, que entrou para o portfólio oficial e permanente da marca no Brasil, foi desenvolvido especialmente para reparar, proteger e acalmar lábios secos e severamente rachados. 

Sua tecnologia avançada garante uma sensação de alívio imediato em apenas 60 segundos, criando uma barreira protetora que retém a umidade natural e acelera a regeneração da pele ressecada. Enriquecido com Panthenol, Vitamina C e Vitamina E, o produto é livre de fragrâncias e conservantes, minimizando riscos de irritação.

O Aquaphor Reparador Labial está disponível nas principais farmácias e drogarias do país, além dos ecommerces.


Eucerin
www.eucerin.com.br@eucerinbrasil


Balayage ou Free Hands? Entenda a diferença entre as duas técnicas de mechas

 Hairstylist da Casa 94, Marcos Antoni explica que usar ou não papel no processo é o que define a intensidade do clareamento e o quanto o resultado fica natural

 

Balayage ou Free Hands? Se você já se deparou com os dois nomes na hora de iluminar os cabelos, provavelmente ficou na dúvida sobre qual escolher. E, ao contrário do que muita gente pensa, não se trata de dois nomes para a mesma coisa: há uma diferença real entre elas. 

A Balayage é o serviço de mechas. Nele a técnica pode seguir dois caminhos. “A diferença principal está no uso, ou não, do papel para clarear. É isso que define o quanto o cabelo vai iluminar e o tipo de resultado que a gente entrega”, explica Marcos Antoni, hairstylist da Casa 94.

No Free Hands, o clareamento é feito à mão livre, sem papel. O resultado é mais suave e natural, com uma iluminação que se mistura ao cabelo e acompanha o movimento dos fios. Uma proposta que conversa especialmente com a estética carioca, mais leve e despretensiosa.

Já a técnica com papel permite um clareamento maior e em maior quantidade. É o caminho para quem busca uma mudança mais evidente, com mais presença de cor e um contraste mais marcante.


Como escolher entre as duas?

Não existe técnica melhor ou pior, existe a mais adequada para cada objetivo. “A gente parte sempre do resultado que a cliente quer alcançar. Se a ideia é algo natural e discreto, o Free Hands entrega isso muito bem. Se a vontade é iluminar mais, o papel dá esse alcance”, explica Marcos.

Na Casa 94, em Ipanema, as mechas estão entre os trabalhos de destaque do salão, justamente pela leitura personalizada de cada cabelo: o desenho respeita o caimento dos fios e é pensado para valorizar o estilo de quem está usando.


A conversa é sobre o efeito, não sobre o nome

Mais do que escolher entre dois termos que parecem sinônimos, portanto, a decisão passa pelo tipo de resultado desejado. Natural e sutil ou iluminado e marcante — o caminho até ele começa numa boa conversa com o profissional, que vai indicar a técnica certa para cada objetivo.


Geração Z e a mãe que dá conta: o desafio de educar sem repetir os traumas do passado

Conscientes demais do próprio histórico e sobrecarregadas de teorias, mães e pais na casa dos vinte tentam construir uma criação consciente, mas esbarram na culpa e na ansiedade


A Geração Z chegou à maternidade e à paternidade carregando um repertório único: hiperconectados, abertos a discutir saúde mental e determinados a quebrar ciclos de traumas da infância. Essa busca por uma criação consciente faz com que os novos pais questionem métodos ultrapassados, como a disciplina punitiva, e priorizem o diálogo e a validação emocional desde os primeiros anos de vida dos filhos. No entanto, o desejo de não repetir os erros dos próprios pais acabou abrindo espaço para um novo tipo de pressão interna.

O excesso de informação e a busca por uma perfeição teórica viraram armadilhas diárias. Ao tentar acolher cada frustração da criança com respostas ideais retiradas das redes sociais, mães e pais jovens frequentemente anulam as próprias necessidades e limites. A tentativa incansável de ser o porto seguro perfeito gera uma vigilância constante, onde qualquer deslize ou perda de paciência é interpretado como um fracasso pessoal e um potencial "trauma" gerado na criança.

Essa cobrança excessiva reflete diretamente na rotina familiar, transformando o ato de educar em um campo minado de ansiedade e culpa. Querendo evitar o autoritarismo do passado, muitos caem no extremo oposto da permissividade ou da exaustão mental por não conseguirem sustentar a calma o tempo todo. A linha entre oferecer uma escuta empática e viver em função de antecipar todas as dores do filho tornou-se cada vez mais tênue para a Gen Z.

Para encontrar o equilíbrio, o caminho passa por entender que a inteligência emocional não exige uma maternidade sem falhas, mas sim a capacidade de se autorregular. "A Geração Z trouxe um ganho imenso ao nomear suas dores, mas é preciso cuidado para não transformar a empatia em uma vigília exaustiva", explica Núria Santos, especialista em inteligência emocional. "Criar filhos de forma saudável não é evitar que eles sintam frustração, mas mostrar como atravessar os momentos difíceis, e isso começa quando os pais também se dão o direito de errar e pedir desculpas."

Superar os traumas da infância não significa garantir uma criação imune a tropeços, mas construir uma relação baseada na honestidade e no afeto real. Ao desapegar do roteiro idealizado pela internet e aceitar a humanidade da própria rotina, essa geração pode finalmente exercer a parentalidade com mais leveza. O maior presente para os filhos do presente não é uma infância blindada de problemas, mas a convivência com pais emocionalmente presentes, reais e em constante aprendizado.


Como é perversa a juventude do meu coração: o desespero dos jovens e possíveis caminhos da esperança

Talvez ninguém tenha retratado tão bem o desespero da juventude como Belchior. Já em seu primeiro álbum, na canção “A palo seco”, ele cita nominalmente o desespero de um jovem de 25 anos de sonho, de sangue e de América do Sul. Em “Na hora do almoço”, ele entrega um retrato privilegiado da opressão que a convivência familiar pode representar.  

Já no segundo e terceiro álbum, ele dobra a aposta. “Apenas um rapaz latino-americano”, “Como nossos pais”, “Alucinação” e “Paralelas” talvez dispensem a apresentação. “A vida realmente é diferente. Quer dizer, ao vivo é muito pior”. “Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos, nós ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. “E a solidão das pessoas dessas capitais. Violência da noite”. “Quanto mais eu multiplico diminui o meu amor”. Bastante sofrimento na juventude (mas também esperança, a qual logo retomarei). 

Se no final dos anos 70, a juventude sofria no Brasil (e por motivos outros), as perspectivas não parecem muito melhores. Dos anos 80 pra cá, a taxa de suicídio no Brasil nunca esteve tão alta, de acordo com pesquisa publicada pelo Our World In Data em 2026. 

Além disso, o suicídio é a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde de 2025. No Brasil, em uma década, de 2010 a 2019, a taxa de suicídio aumentou 43%. Esse número é ainda mais marcante entre jovens e adolescentes, porque o aumento foi de 81%, conforme levantamento da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, do Ministério da Saúde. 

Parece existir uma crise na saúde mental dos jovens. O que está acontecendo com eles? 

Muitas hipóteses são possíveis. Por exemplo, a depressão acomete mais mulheres que homens (para cada 3 casos de depressão, cerca de 2 são em mulheres), segundo a OMS, mas a taxa de suicídio no Brasil é bem maior em homens do que em mulheres (para cada 10 pessoas que tiram a própria a vida, quase 8 são homens), de acordo com a SVSA. 

Alguém poderia argumentar algum fator cultural, como o machismo e a maneira que os homens são ensinados a lidar com as próprias emoções (e que isso afetou os jovens de uma maneira diferente mais recentemente). Alguém poderia comentar que fatores econômicos, como a dificuldade de um jovem ter um carro e uma casa, poderiam ser um fator (avanço da inflação e de políticas neoliberais). Alguém poderia argumentar que o advento das redes sociais de algum modo aumentou o sofrimento dos jovens (talvez através do aumento da insatisfação com a imagem corporal, por exemplo). 

Em algum nível, todas essas hipóteses parecem promissoras. Possivelmente, de caso a caso, uma razão tenha mais influência que outras.  

Mas como manter então os caminhos da esperança? Mudanças estruturais possivelmente vão transformar a vida de muita gente (alguém poderia falar de políticas públicas como psicoeducação nas escolas, diminuição das taxas de juros, mais acesso e permanência à educação, etc.). 

Numa dimensão mais subjetiva e individual (mas não só), Belchior talvez nos dê pistas. “Viver é melhor do que sonhar e eu sei que o amor é uma coisa boa”. “Amar e mudar as coisas me interessa muito mais”. “Sonho e escrevo em letras grandes de novo”. 

Por um lado, dar um jeito de viver uma vida significativa, com amor e mudança do que pode ser mudado. Sonhar, ter esperança, mas não deixar de viver. E o que vai ser esse significado? O que vai ser essa mudança? Essa é a pergunta de uma vida, e talvez não exista receita de bolo.   



Igor Almeida Bastos - que assina como Igor Maneiro, é psicólogo, mestre em Psicologia e autor de “Sobre amendoins, solidão e o outro eu”, ficção que atravessa temas como felicidade, identidade, relacionamentos amorosos e conflitos familiares


Estudo revela como o racismo se manifesta entre crianças de 5 anos já na educação infantil

No Dia Nacional da Educação Infantil, trabalho da pesquisadora Lavínia Moraes destaca o papel da escola na luta antirracista e na construção da identidade negra

 

“Zaraha disse que terminou de me desenhar. Olho para o desenho e observo que ela não pintou minha pele: ‘Gostei do seu desenho! A roupa parece muito com a minha, mas você não pintou a minha pele’. Ela dá um sorriso e bate na testa: ‘Verdade (risos), vou pegar o lápis cor de pele’. Ela para, pensa, procura um dos lápis, enquanto eu observo. Então pega o lápis salmão, afirmando que aquele era a cor de pele.

Eu questiono: ‘Não, a minha pele não é dessa cor! Minha pele é diferente, olha aqui’. Pego o lápis salmão e coloco ao lado do meu braço, comparando as cores. Zaraha me observa e então olha para a mesa, para os outros lápis dispostos e pega o lápis marrom.

‘É dessa cor aqui! (levanta o lápis) Marrom! Você vai querer mesmo que eu pinte dessa cor? Marrom? Vai ficar feio!’, ela me indaga em um tom firme. Eu aceno que sim com a cabeça: ‘Eu sou negra, essa cor parece mais com a minha pele e eu gosto dela, eu acho linda. Pode pintar de marrom mesmo’.”


O diálogo acima está presente na pesquisa “‘Vai querer que eu pinte de marrom? Vai ficar feio!’: Relações raciais na educação infantil”, de Lavínia Brasilino de Moraes, mestra em Educação pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). A pesquisa investigou como o racismo se manifesta nas interações entre crianças de 5 anos na Educação Infantil do Campo (modalidade que atende crianças em creches e pré-escolas de áreas rurais) em Ilhéus, no sul da Bahia, e identificou como essa estrutura molda as percepções sobre cor, cabelo e pertencimento.

“A importância deste estudo se dá pelo fato de vivermos em uma sociedade em que o racismo ainda perdura e infelizmente perpassa todos os ambientes sociais, inclusive o escolar, havendo, assim, a necessidade não só de discutir essa realidade como também de buscar formas de enfrentamento a essa estrutura”, explica Lavínia.

Diferentes pesquisas evidenciam que o racismo estrutural prejudica o aprendizado de crianças e jovens negros ao limitar o acesso a escolas de qualidade, gerar estresse emocional contínuo e impor um currículo escolar que apaga a história e a cultura afro-brasileira. A pesquisa
Panorama da Primeira Infância, realizada pelo Datafolha e a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, mostra que 1 em cada 6 crianças na primeira infância, fase que vai até os 6 anos, já sofreu discriminação racial no Brasil. Esse impacto afeta a saúde emocional, a autoestima e a construção da identidade infantil em creches, escolas e espaços públicos.

Dados do
Estudo Internacional das Aprendizagens e do Bem-estar na Primeira Infância (IELS, sigla em inglês), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostram que as desigualdades educacionais em crianças de 5 anos são fortemente influenciadas por cor/raça e nível socioeconômico antes mesmo do ingresso no ensino fundamental.

Os resultados indicam que crianças pretas apresentam, em média, níveis mais baixos em aprendizagens de linguagem (cerca de 17 pontos a menos) e matemática (40 pontos a menos) do que crianças brancas. Esse padrão é consistente com a literatura nacional, que documenta desigualdades educacionais persistentes de desempenho associadas à cor/raça em avaliações realizadas no ensino fundamental e no ensino médio.

Para o Dia Nacional da Educação Infantil, celebrado em 25 de agosto, destacamos estes dados para discutir o papel da escola no enfrentamento ao racismo e importância de promover debates sobre as relações raciais desde a primeira infância. Assista ao vídeo abaixo:

“Como resultado, apareceu principalmente a não aceitação das crianças negras em relação ao seu tom de pele, ao cabelo e dificuldades na interação com brinquedos que trouxessem diversidade racial. As crianças acabavam reproduzindo o racismo no brincar, principalmente segregando bonecas negras que estavam na sala”, conta Lavinia.

A análise de campo, realizada a partir de diálogos com crianças pretas, pardas e brancas, demonstra que o racismo se manifesta de forma sutil e cotidiana no ambiente escolar, afetando diretamente a construção da identidade das crianças negras desde muito cedo. Ao mesmo tempo, os resultados evidenciam que é possível construir ações pedagógicas por meio de oficinas que as façam confrontar suas histórias e seu pertencimento racial.

“A partir desse diálogo com as crianças, foram pensadas oficinas brincantes com o intuito de criar uma educação infantil antirracista e decolonial, que realmente valorize e preserve as infâncias negras. Foi possível dialogar com as crianças sobre suas histórias e seus saberes acerca da cultura africana e afro-brasileira, contribuindo para a construção positiva de suas identidades e para o enfrentamento da estrutura racista”, explica a pesquisadora.

O estudo também resultou na produção de um material de apoio pedagógico intitulado Cadê o lápis “cor de pele?”: um livro de narrativas e orientações para o trabalho com as relações étnico-raciais. A pesquisa conclui, portanto, que práticas antirracistas com protagonismo infantil e formação docente contínua são cruciais para promover a equidade racial.
 



Lavínia Moraes - uma mulher negra, pedagoga pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), pós-graduada em sociologia da infância e educação infantil e mestra em Educação pela mesma instituição. Integrante do grupo de pesquisa Gestão Educacional e Políticas Públicas (PPeGE-UESC). Estuda racismo na infância, relações raciais, crianças e infâncias negras e políticas públicas educacionais.

O trabalho foi um dos vencedores da 3ª edição do Prêmio Ciência pela Primeira Infância, promovido pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI). A íntegra da pesquisa está disponível aqui.

Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI) 

 

Terapia Ocupacional ajuda no desenvolvimento e na autonomia infantil

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Embora cada criança tenha seu próprio ritmo, alguns sinais precisam de atenção

 

Os primeiros anos de vida são fundamentais para os desenvolvimentos cognitivo, motor, emocional e social da criança. Nesse período, acompanhar marcos como sustentar a cabeça, sentar, engatinhar, desenvolver a linguagem e interagir com outras pessoas ajuda pais e responsáveis a identificarem possíveis dificuldades. Embora cada pequeno tenha seu próprio ritmo, alguns sinais podem indicar a necessidade de uma avaliação profissional. 

Segundo a coordenadora do curso de Terapia Ocupacional da UNINASSAU Rio de Janeiro, Emanuely Javarrotti, existem alguns marcos que são os principais na primeira infância. “Sustentar a cabeça por volta dos 2 a 3 meses, rolar aos 4 meses e engatinhar até os 8 meses; contato visual percebido nas primeiras semanas com a amamentação; sorriso social e interesse pelo outro por volta dos 4 meses; e desenvolvimento da linguagem, como balbucio, primeiras palavras e ampliação do vocabulário entre 6 meses e 10 meses”, explica. 

Ainda que o desenvolvimento infantil aconteça em ritmos diferentes, alguns sinais podem indicar a necessidade de uma avaliação profissional. “É importante observar atrasos persistentes, perda de habilidades já adquiridas, pouca interação social, dificuldade importante na comunicação ou na realização de atividades motoras. Nesses casos, os pais devem buscar avaliação profissional o quanto antes, pois a intervenção precoce faz muita diferença nos desfechos”, destaca. 

Nesse contexto, a Terapia Ocupacional pode contribuir para o desenvolvimento infantil ao trabalhar habilidades que fazem parte da rotina da criança e estimular sua autonomia. A atuação costuma envolver aspectos motores, cognitivos, sensoriais e sociais, de acordo com as necessidades da faixa etária de cada paciente. Além disso, auxilia diretamente para o desenvolvimento de habilidades necessárias à realização das atividades de vida diária. “Treinar o uso de talheres, o vestir-se, a higiene pessoal, a organização de materiais escolares e a participação em brincadeiras são alguns exemplos”, ressalta Emanuely Javarrotti. 

A atuação do profissional também se estende ao ambiente escolar. Nessa fase, o terapeuta ocupacional pode contribuir para a inclusão da criança nas atividades escolares e auxiliar no desenvolvimento das habilidades necessárias para que ela tenha mais autonomia e confiança, respeitando seu ritmo e suas necessidades. 

Não existe uma idade ideal para buscar acompanhamento. “É importante que, quando observado atraso ou alguma atipicidade relacionada ao desenvolvimento e às habilidades esperadas, o profissional seja procurado. Quanto mais cedo a criança receber estímulos adequados, maior a probabilidade de sucesso do tratamento”, explica a coordenadora. 

Para o acompanhamento ser eficaz, a presença dos pais ou responsáveis também é fundamental. “Sem participação dos pais, o tratamento tende a demorar para dar resultados ou até mesmo ser ineficaz. É necessário que eles compreendam a importância da participação durante todo o processo, de forma engajada e seguindo as orientações dos profissionais”, conclui. 


A sala escura e o ritual da presença: por que a infância precisa do cinema como destino

Existe algo profundamente transformador no ato deliberado de sair de casa para ver um filme. Não se trata apenas de apertar um botão no controle remoto no intervalo entre uma tarefa e outra, mas de um movimento intencional. Escolher a sessão, fazer o trajeto, atravessar a cidade e atravessar, também, o portal daquela sala. Em um tempo em que quase tudo é entregue de forma imediata e passiva no vidro frio das pequenas telas, ir ao cinema exige o esforço bonito do deslocamento. E é justamente nesse gesto de sair do lugar que o valor verdadeiro da experiência se consolida. 

Sair de casa para ir ao cinema ensina a infância sobre intenção e presença. O trajeto até lá cria um compasso de espera que prepara o olhar, uma transição necessária entre a rotina e o encanto. Ao cruzar o limiar da sala escura, a criança desacelera por completo. Ela deixa do lado de fora as distrações do ambiente doméstico, os estímulos simultâneos e o consumo fragmentado de vídeos rápidos.  A penumbra da sala e o silêncio compartilhado antes da projeção não são meras convenções sociais, mas sim uma moldura poética que dignifica a imagem. Ali, a narrativa deixa de ser um ruído de fundo no sofá e ganha corpo de acontecimento, pedindo atenção inteira. 

Para além do impacto individual, o cinema físico proporciona uma das primeiras e mais bonitas experiências de comunidade na vida de uma criança. Sentar na escuridão ao lado de dezenas de estranhos e sentir o mesmo baque no peito, rir da mesma piada ou prender a respiração no mesmo segundo ensina uma lição silenciosa e potente: a de que nossos afetos, medos e descobertas não acontecem no isolamento. O cinema de rua ou de shopping tira a arte da bolha individual e a devolve para o território vivo do encontro, onde a emoção se multiplica ao ser compartilhada com o outro. 

A grande tela também opera como um catálogo de alteridade. Ao habitar histórias que ultrapassam o seu horizonte geográfico e cultural imediato, a criança aprende a enxergar através de olhos que não são os seus. Esse exercício constante de imaginação expande os limites do mundo interno dos pequenos, ensinando que a vida pode ser contada e vivida de infinitas formas. O cinema ensina que todo conflito traz consigo a possibilidade de uma narrativa, oferecendo contornos visíveis para sentimentos abstratos que as crianças muitas vezes ainda não sabem nomear. 

Cultivar o afeto pela arte desde os primeiros anos de vida não é sobre acumular repertório acadêmico ou técnico, mas sobre ensinar a criança a se encantar com o mundo. O hábito de se mover até a grande tela forma olhares mais atentos, sensíveis e capazes de sustentar o tempo da contemplação. Ensinar uma criança a amar o cinema é, em última análise, lembrá-la de que as coisas mais bonitas da existência exigem movimento, presença e a coragem de sentar no escuro para ver o mundo acender de novo. 

 

Poliana Maluf - produtora audiovisual, estrategista criativa brasileira radicada em Los Angeles e autora de “Poppy e a Tela Gigante”, livro infantil que une sua experiência no universo cinematográfico à vontade de criar histórias que despertem a imaginação das crianças.


Depressão pós-parto paterna: saiba como identificar os sinais

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Risco de depressão pode aumentar nos primeiros meses após o nascimento do bebê, mas a condição ainda é pouco reconhecida entre os homens

 

A chegada de um filho costuma ser cercada por expectativas, mas também representa uma das maiores mudanças na vida de uma família, podendo ocorrer sentimentos ambivalentes, com momentos de alegria e outros de preocupações. Enquanto a saúde mental materna recebe cada vez mais atenção, um problema ainda pouco conhecido pode afetar os homens nesse período: a depressão pós-parto paterna. 

Pesquisas recentes mostram que o nascimento de um bebê também pode desencadear sofrimento emocional nos pais. Um estudo publicado em 2026 por pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, identificou que o risco de desenvolver transtornos depressivos aumenta ao longo do primeiro ano após o nascimento da criança, especialmente entre os três e seis primeiros meses de vida do bebê. Os pesquisadores defendem que os serviços de saúde ampliem o acompanhamento da saúde mental dos pais durante o pré-natal e o puerpério, assim como já ocorre com as mães. 

O percentual de pais que desenvolve a condição nessa fase pode ser ainda maior quando a mãe também apresenta depressão pós-parto ou quando existem fatores como privação de sono, dificuldades financeiras e ausência de rede de apoio. Segundo Ana Carolina Lange, professora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, o desconhecimento sobre o tema faz com que muitos homens convivam com os sintomas sem perceber que precisam de ajuda. "A sociedade costuma enxergar o pai como aquele que deve oferecer apoio emocional e estabilidade para a família. Isso faz com que muitos homens escondam o sofrimento por acreditarem que precisam demonstrar força o tempo todo. O problema é que a depressão não desaparece quando é ignorada", alerta.

 

O que é a depressão pós-parto paterna?

A depressão pós-parto paterna é um transtorno mental que pode surgir durante a gestação da parceira ou nos meses seguintes ao nascimento do bebê. “Diferentemente das mães, a condição não está relacionada às alterações hormonais típicas do pós-parto, mas às intensas mudanças emocionais, familiares e sociais vividas nesse período”, destaca Ana Carolina. 

Entre os principais fatores de risco estão: privação constante de sono, aumento das responsabilidades familiares, pressão financeira, histórico de ansiedade ou depressão, conflitos conjugais e depressão pós-parto materna. 

Em vez do choro frequente, homens costumam apresentar irritabilidade, impaciência, isolamento e mudanças de comportamento. A especialista esclarece que os principais sinais incluem:

  • irritabilidade constante;
  • explosões de raiva;
  • sensação de vazio ou desesperança;
  • perda de interesse por atividades antes prazerosas;
  • dificuldade para criar vínculo com o bebê;
  • excesso de trabalho como forma de evitar o ambiente familiar;
  • alterações no sono e no apetite;
  • dificuldade de concentração;
  • consumo aumentado de álcool ou outras substâncias;
  • doenças psicossomáticas
  • sensação de incapacidade como pai. 

Além de afetar a qualidade de vida do pai, a depressão pós-parto pode comprometer a dinâmica familiar e o desenvolvimento infantil. A depressão reduz energia, motivação e capacidade de interação. Quando tratada precocemente, é possível fortalecer o vínculo familiar e evitar impactos que podem se prolongar por toda a infância.

 

Quando procurar ajuda?

A especialista aponta que sentir medo, insegurança ou ansiedade diante da chegada de um filho é esperado. “O sinal de alerta surge quando esses sentimentos persistem por semanas, tornam-se intensos ou começam a interferir na rotina, no relacionamento com a família e no cuidado com o bebê. 

Uma das formas de prevenção ao adoecimento emocional dos pais antes mesmo do nascimento do bebê é participar de programas de preparação emocional para a maternidade e paternidade, como o pré-natal psicológico que é um novo conceito em atendimento perinatal voltado para maior humanização do processo gestacional e do parto e da parentalidade. 

Caso já apresente os sintomas de depressão pós-parto o tratamento pode envolver psicoterapia, fortalecimento da rede de apoio, reorganização da rotina e, quando necessário, acompanhamento psiquiátrico.

 

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