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sábado, 22 de agosto de 2026

5 hábitos inocentes do dia a dia que estão detonando seus lábios (e como resolver)


Entenda os erros comuns na rotina e as atitudes simples que devolvem a maciez e a proteção à pele.

 

Lábios ressecados, descamando, ou com pequenas rachaduras costumam ser associados às baixas temperaturas, mas nem sempre o clima é o único responsável. Pequenos hábitos do dia a dia, muitas vezes repetidos de forma automática, podem comprometer a hidratação da região e deixar os lábios mais sensíveis e ressecados ao longo do tempo. 

 

Por ser uma das áreas mais delicadas do rosto, os lábios precisam de cuidados específicos para manter a barreira de proteção íntegra e a aparência saudável. A boa notícia é que algumas mudanças simples na rotina fazem toda a diferença. Confira cinco hábitos que podem estar prejudicar a saúde dos lábios e como revertê-los.

 

1. Passar a língua nos lábios para umedecê-los

Quando os lábios parecem secos, a reação instintiva é passar a língua para aliviar a sensação. No entanto, a saliva contém enzimas digestivas feitas para quebrar alimentos, o que agride a barreira cutânea. Além disso, ao evaporar, a saliva retira ainda mais a umidade natural da região, criando um ciclo vicioso de ressecamento.

 

Como resolver: Substitua o hábito de molhar os lábios pela aplicação contínua de um hidratante labial, enriquecido com Panthenol e Vitaminas específico para a região.

 

2. Arrancar as "pelinhas" da boca

Remover as peles soltas com os dentes ou com os dedos danifica as camadas saudáveis da pele, gerando feridas, sangramentos e até inflamações. O gesto impede a regeneração natural do tecido e pode deixar a região vulnerável a infecções.

 

Como resolver: Evite puxar as peles a qualquer custo. Evite puxar as pelinhas. Em vez disso, aposte em fórmulas de reparação profunda que promovem a renovação suave, deixando a área macia, lisinha e visivelmente saudável.

 

3. Usar batons matte sem hidratação prévia

O acabamento opaco do batom matte exige fórmulas mais secas que absorvem a umidade da pele. Usá-los com frequência sobre lábios desidratados acentua as linhas finas, provoca vincos profundos e piora o ressecamento ao longo do dia.

 

Como resolver: Aplique uma camada fina de regenerador labial minutos antes da maquiagem e remova o excesso antes de passar o batom.

 

4. Esfregar ou esfoliar os lábios com frequência

Usar receitas caseiras abrasivas (como açúcar) ou esfoliar a região repetidamente remove a camada protetora natural dos lábios. Esse atrito constante causa microagressões, deixando a pele cada vez mais fina, sensível e vulnerável ao ressecamento.

 

Como resolver: Lábios delicados não precisam de atrito físico. Substitua a esfoliação mecânica pelo uso de fórmulas altamente hidratantes que promovem uma renovação suave e mantêm a superfície macia e uniforme.

 

5. Esquecer de beber água

Lábios ressecados costumam ser um dos primeiros sinais do corpo para indicar desidratação. Embora os hidratantes labiais sejam importantes para proteger e fortalecer a barreira da região, a hidratação começa de dentro para fora e depende, principalmente, da ingestão adequada de água.

 

Como resolver: Aumente o consumo diário de água para garantir que a hidratação completa. 


O aliado ideal:

Para recuperar a barreira cutânea já fragilizada e prevenir futuros danos, o cuidado diário exige ativos dermatológicos eficazes. O Eucerin Aquaphor Reparador Labial, que entrou para o portfólio oficial e permanente da marca no Brasil, foi desenvolvido especialmente para reparar, proteger e acalmar lábios secos e severamente rachados. 

Sua tecnologia avançada garante uma sensação de alívio imediato em apenas 60 segundos, criando uma barreira protetora que retém a umidade natural e acelera a regeneração da pele ressecada. Enriquecido com Panthenol, Vitamina C e Vitamina E, o produto é livre de fragrâncias e conservantes, minimizando riscos de irritação.

O Aquaphor Reparador Labial está disponível nas principais farmácias e drogarias do país, além dos ecommerces.


Eucerin
www.eucerin.com.br@eucerinbrasil


Balayage ou Free Hands? Entenda a diferença entre as duas técnicas de mechas

 Hairstylist da Casa 94, Marcos Antoni explica que usar ou não papel no processo é o que define a intensidade do clareamento e o quanto o resultado fica natural

 

Balayage ou Free Hands? Se você já se deparou com os dois nomes na hora de iluminar os cabelos, provavelmente ficou na dúvida sobre qual escolher. E, ao contrário do que muita gente pensa, não se trata de dois nomes para a mesma coisa: há uma diferença real entre elas. 

A Balayage é o serviço de mechas. Nele a técnica pode seguir dois caminhos. “A diferença principal está no uso, ou não, do papel para clarear. É isso que define o quanto o cabelo vai iluminar e o tipo de resultado que a gente entrega”, explica Marcos Antoni, hairstylist da Casa 94.

No Free Hands, o clareamento é feito à mão livre, sem papel. O resultado é mais suave e natural, com uma iluminação que se mistura ao cabelo e acompanha o movimento dos fios. Uma proposta que conversa especialmente com a estética carioca, mais leve e despretensiosa.

Já a técnica com papel permite um clareamento maior e em maior quantidade. É o caminho para quem busca uma mudança mais evidente, com mais presença de cor e um contraste mais marcante.


Como escolher entre as duas?

Não existe técnica melhor ou pior, existe a mais adequada para cada objetivo. “A gente parte sempre do resultado que a cliente quer alcançar. Se a ideia é algo natural e discreto, o Free Hands entrega isso muito bem. Se a vontade é iluminar mais, o papel dá esse alcance”, explica Marcos.

Na Casa 94, em Ipanema, as mechas estão entre os trabalhos de destaque do salão, justamente pela leitura personalizada de cada cabelo: o desenho respeita o caimento dos fios e é pensado para valorizar o estilo de quem está usando.


A conversa é sobre o efeito, não sobre o nome

Mais do que escolher entre dois termos que parecem sinônimos, portanto, a decisão passa pelo tipo de resultado desejado. Natural e sutil ou iluminado e marcante — o caminho até ele começa numa boa conversa com o profissional, que vai indicar a técnica certa para cada objetivo.


Geração Z e a mãe que dá conta: o desafio de educar sem repetir os traumas do passado

Conscientes demais do próprio histórico e sobrecarregadas de teorias, mães e pais na casa dos vinte tentam construir uma criação consciente, mas esbarram na culpa e na ansiedade


A Geração Z chegou à maternidade e à paternidade carregando um repertório único: hiperconectados, abertos a discutir saúde mental e determinados a quebrar ciclos de traumas da infância. Essa busca por uma criação consciente faz com que os novos pais questionem métodos ultrapassados, como a disciplina punitiva, e priorizem o diálogo e a validação emocional desde os primeiros anos de vida dos filhos. No entanto, o desejo de não repetir os erros dos próprios pais acabou abrindo espaço para um novo tipo de pressão interna.

O excesso de informação e a busca por uma perfeição teórica viraram armadilhas diárias. Ao tentar acolher cada frustração da criança com respostas ideais retiradas das redes sociais, mães e pais jovens frequentemente anulam as próprias necessidades e limites. A tentativa incansável de ser o porto seguro perfeito gera uma vigilância constante, onde qualquer deslize ou perda de paciência é interpretado como um fracasso pessoal e um potencial "trauma" gerado na criança.

Essa cobrança excessiva reflete diretamente na rotina familiar, transformando o ato de educar em um campo minado de ansiedade e culpa. Querendo evitar o autoritarismo do passado, muitos caem no extremo oposto da permissividade ou da exaustão mental por não conseguirem sustentar a calma o tempo todo. A linha entre oferecer uma escuta empática e viver em função de antecipar todas as dores do filho tornou-se cada vez mais tênue para a Gen Z.

Para encontrar o equilíbrio, o caminho passa por entender que a inteligência emocional não exige uma maternidade sem falhas, mas sim a capacidade de se autorregular. "A Geração Z trouxe um ganho imenso ao nomear suas dores, mas é preciso cuidado para não transformar a empatia em uma vigília exaustiva", explica Núria Santos, especialista em inteligência emocional. "Criar filhos de forma saudável não é evitar que eles sintam frustração, mas mostrar como atravessar os momentos difíceis, e isso começa quando os pais também se dão o direito de errar e pedir desculpas."

Superar os traumas da infância não significa garantir uma criação imune a tropeços, mas construir uma relação baseada na honestidade e no afeto real. Ao desapegar do roteiro idealizado pela internet e aceitar a humanidade da própria rotina, essa geração pode finalmente exercer a parentalidade com mais leveza. O maior presente para os filhos do presente não é uma infância blindada de problemas, mas a convivência com pais emocionalmente presentes, reais e em constante aprendizado.


Como é perversa a juventude do meu coração: o desespero dos jovens e possíveis caminhos da esperança

Talvez ninguém tenha retratado tão bem o desespero da juventude como Belchior. Já em seu primeiro álbum, na canção “A palo seco”, ele cita nominalmente o desespero de um jovem de 25 anos de sonho, de sangue e de América do Sul. Em “Na hora do almoço”, ele entrega um retrato privilegiado da opressão que a convivência familiar pode representar.  

Já no segundo e terceiro álbum, ele dobra a aposta. “Apenas um rapaz latino-americano”, “Como nossos pais”, “Alucinação” e “Paralelas” talvez dispensem a apresentação. “A vida realmente é diferente. Quer dizer, ao vivo é muito pior”. “Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos, nós ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. “E a solidão das pessoas dessas capitais. Violência da noite”. “Quanto mais eu multiplico diminui o meu amor”. Bastante sofrimento na juventude (mas também esperança, a qual logo retomarei). 

Se no final dos anos 70, a juventude sofria no Brasil (e por motivos outros), as perspectivas não parecem muito melhores. Dos anos 80 pra cá, a taxa de suicídio no Brasil nunca esteve tão alta, de acordo com pesquisa publicada pelo Our World In Data em 2026. 

Além disso, o suicídio é a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde de 2025. No Brasil, em uma década, de 2010 a 2019, a taxa de suicídio aumentou 43%. Esse número é ainda mais marcante entre jovens e adolescentes, porque o aumento foi de 81%, conforme levantamento da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, do Ministério da Saúde. 

Parece existir uma crise na saúde mental dos jovens. O que está acontecendo com eles? 

Muitas hipóteses são possíveis. Por exemplo, a depressão acomete mais mulheres que homens (para cada 3 casos de depressão, cerca de 2 são em mulheres), segundo a OMS, mas a taxa de suicídio no Brasil é bem maior em homens do que em mulheres (para cada 10 pessoas que tiram a própria a vida, quase 8 são homens), de acordo com a SVSA. 

Alguém poderia argumentar algum fator cultural, como o machismo e a maneira que os homens são ensinados a lidar com as próprias emoções (e que isso afetou os jovens de uma maneira diferente mais recentemente). Alguém poderia comentar que fatores econômicos, como a dificuldade de um jovem ter um carro e uma casa, poderiam ser um fator (avanço da inflação e de políticas neoliberais). Alguém poderia argumentar que o advento das redes sociais de algum modo aumentou o sofrimento dos jovens (talvez através do aumento da insatisfação com a imagem corporal, por exemplo). 

Em algum nível, todas essas hipóteses parecem promissoras. Possivelmente, de caso a caso, uma razão tenha mais influência que outras.  

Mas como manter então os caminhos da esperança? Mudanças estruturais possivelmente vão transformar a vida de muita gente (alguém poderia falar de políticas públicas como psicoeducação nas escolas, diminuição das taxas de juros, mais acesso e permanência à educação, etc.). 

Numa dimensão mais subjetiva e individual (mas não só), Belchior talvez nos dê pistas. “Viver é melhor do que sonhar e eu sei que o amor é uma coisa boa”. “Amar e mudar as coisas me interessa muito mais”. “Sonho e escrevo em letras grandes de novo”. 

Por um lado, dar um jeito de viver uma vida significativa, com amor e mudança do que pode ser mudado. Sonhar, ter esperança, mas não deixar de viver. E o que vai ser esse significado? O que vai ser essa mudança? Essa é a pergunta de uma vida, e talvez não exista receita de bolo.   



Igor Almeida Bastos - que assina como Igor Maneiro, é psicólogo, mestre em Psicologia e autor de “Sobre amendoins, solidão e o outro eu”, ficção que atravessa temas como felicidade, identidade, relacionamentos amorosos e conflitos familiares


Estudo revela como o racismo se manifesta entre crianças de 5 anos já na educação infantil

No Dia Nacional da Educação Infantil, trabalho da pesquisadora Lavínia Moraes destaca o papel da escola na luta antirracista e na construção da identidade negra

 

“Zaraha disse que terminou de me desenhar. Olho para o desenho e observo que ela não pintou minha pele: ‘Gostei do seu desenho! A roupa parece muito com a minha, mas você não pintou a minha pele’. Ela dá um sorriso e bate na testa: ‘Verdade (risos), vou pegar o lápis cor de pele’. Ela para, pensa, procura um dos lápis, enquanto eu observo. Então pega o lápis salmão, afirmando que aquele era a cor de pele.

Eu questiono: ‘Não, a minha pele não é dessa cor! Minha pele é diferente, olha aqui’. Pego o lápis salmão e coloco ao lado do meu braço, comparando as cores. Zaraha me observa e então olha para a mesa, para os outros lápis dispostos e pega o lápis marrom.

‘É dessa cor aqui! (levanta o lápis) Marrom! Você vai querer mesmo que eu pinte dessa cor? Marrom? Vai ficar feio!’, ela me indaga em um tom firme. Eu aceno que sim com a cabeça: ‘Eu sou negra, essa cor parece mais com a minha pele e eu gosto dela, eu acho linda. Pode pintar de marrom mesmo’.”


O diálogo acima está presente na pesquisa “‘Vai querer que eu pinte de marrom? Vai ficar feio!’: Relações raciais na educação infantil”, de Lavínia Brasilino de Moraes, mestra em Educação pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). A pesquisa investigou como o racismo se manifesta nas interações entre crianças de 5 anos na Educação Infantil do Campo (modalidade que atende crianças em creches e pré-escolas de áreas rurais) em Ilhéus, no sul da Bahia, e identificou como essa estrutura molda as percepções sobre cor, cabelo e pertencimento.

“A importância deste estudo se dá pelo fato de vivermos em uma sociedade em que o racismo ainda perdura e infelizmente perpassa todos os ambientes sociais, inclusive o escolar, havendo, assim, a necessidade não só de discutir essa realidade como também de buscar formas de enfrentamento a essa estrutura”, explica Lavínia.

Diferentes pesquisas evidenciam que o racismo estrutural prejudica o aprendizado de crianças e jovens negros ao limitar o acesso a escolas de qualidade, gerar estresse emocional contínuo e impor um currículo escolar que apaga a história e a cultura afro-brasileira. A pesquisa
Panorama da Primeira Infância, realizada pelo Datafolha e a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, mostra que 1 em cada 6 crianças na primeira infância, fase que vai até os 6 anos, já sofreu discriminação racial no Brasil. Esse impacto afeta a saúde emocional, a autoestima e a construção da identidade infantil em creches, escolas e espaços públicos.

Dados do
Estudo Internacional das Aprendizagens e do Bem-estar na Primeira Infância (IELS, sigla em inglês), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostram que as desigualdades educacionais em crianças de 5 anos são fortemente influenciadas por cor/raça e nível socioeconômico antes mesmo do ingresso no ensino fundamental.

Os resultados indicam que crianças pretas apresentam, em média, níveis mais baixos em aprendizagens de linguagem (cerca de 17 pontos a menos) e matemática (40 pontos a menos) do que crianças brancas. Esse padrão é consistente com a literatura nacional, que documenta desigualdades educacionais persistentes de desempenho associadas à cor/raça em avaliações realizadas no ensino fundamental e no ensino médio.

Para o Dia Nacional da Educação Infantil, celebrado em 25 de agosto, destacamos estes dados para discutir o papel da escola no enfrentamento ao racismo e importância de promover debates sobre as relações raciais desde a primeira infância. Assista ao vídeo abaixo:

“Como resultado, apareceu principalmente a não aceitação das crianças negras em relação ao seu tom de pele, ao cabelo e dificuldades na interação com brinquedos que trouxessem diversidade racial. As crianças acabavam reproduzindo o racismo no brincar, principalmente segregando bonecas negras que estavam na sala”, conta Lavinia.

A análise de campo, realizada a partir de diálogos com crianças pretas, pardas e brancas, demonstra que o racismo se manifesta de forma sutil e cotidiana no ambiente escolar, afetando diretamente a construção da identidade das crianças negras desde muito cedo. Ao mesmo tempo, os resultados evidenciam que é possível construir ações pedagógicas por meio de oficinas que as façam confrontar suas histórias e seu pertencimento racial.

“A partir desse diálogo com as crianças, foram pensadas oficinas brincantes com o intuito de criar uma educação infantil antirracista e decolonial, que realmente valorize e preserve as infâncias negras. Foi possível dialogar com as crianças sobre suas histórias e seus saberes acerca da cultura africana e afro-brasileira, contribuindo para a construção positiva de suas identidades e para o enfrentamento da estrutura racista”, explica a pesquisadora.

O estudo também resultou na produção de um material de apoio pedagógico intitulado Cadê o lápis “cor de pele?”: um livro de narrativas e orientações para o trabalho com as relações étnico-raciais. A pesquisa conclui, portanto, que práticas antirracistas com protagonismo infantil e formação docente contínua são cruciais para promover a equidade racial.
 



Lavínia Moraes - uma mulher negra, pedagoga pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), pós-graduada em sociologia da infância e educação infantil e mestra em Educação pela mesma instituição. Integrante do grupo de pesquisa Gestão Educacional e Políticas Públicas (PPeGE-UESC). Estuda racismo na infância, relações raciais, crianças e infâncias negras e políticas públicas educacionais.

O trabalho foi um dos vencedores da 3ª edição do Prêmio Ciência pela Primeira Infância, promovido pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI). A íntegra da pesquisa está disponível aqui.

Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI) 

 

Terapia Ocupacional ajuda no desenvolvimento e na autonomia infantil

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Embora cada criança tenha seu próprio ritmo, alguns sinais precisam de atenção

 

Os primeiros anos de vida são fundamentais para os desenvolvimentos cognitivo, motor, emocional e social da criança. Nesse período, acompanhar marcos como sustentar a cabeça, sentar, engatinhar, desenvolver a linguagem e interagir com outras pessoas ajuda pais e responsáveis a identificarem possíveis dificuldades. Embora cada pequeno tenha seu próprio ritmo, alguns sinais podem indicar a necessidade de uma avaliação profissional. 

Segundo a coordenadora do curso de Terapia Ocupacional da UNINASSAU Rio de Janeiro, Emanuely Javarrotti, existem alguns marcos que são os principais na primeira infância. “Sustentar a cabeça por volta dos 2 a 3 meses, rolar aos 4 meses e engatinhar até os 8 meses; contato visual percebido nas primeiras semanas com a amamentação; sorriso social e interesse pelo outro por volta dos 4 meses; e desenvolvimento da linguagem, como balbucio, primeiras palavras e ampliação do vocabulário entre 6 meses e 10 meses”, explica. 

Ainda que o desenvolvimento infantil aconteça em ritmos diferentes, alguns sinais podem indicar a necessidade de uma avaliação profissional. “É importante observar atrasos persistentes, perda de habilidades já adquiridas, pouca interação social, dificuldade importante na comunicação ou na realização de atividades motoras. Nesses casos, os pais devem buscar avaliação profissional o quanto antes, pois a intervenção precoce faz muita diferença nos desfechos”, destaca. 

Nesse contexto, a Terapia Ocupacional pode contribuir para o desenvolvimento infantil ao trabalhar habilidades que fazem parte da rotina da criança e estimular sua autonomia. A atuação costuma envolver aspectos motores, cognitivos, sensoriais e sociais, de acordo com as necessidades da faixa etária de cada paciente. Além disso, auxilia diretamente para o desenvolvimento de habilidades necessárias à realização das atividades de vida diária. “Treinar o uso de talheres, o vestir-se, a higiene pessoal, a organização de materiais escolares e a participação em brincadeiras são alguns exemplos”, ressalta Emanuely Javarrotti. 

A atuação do profissional também se estende ao ambiente escolar. Nessa fase, o terapeuta ocupacional pode contribuir para a inclusão da criança nas atividades escolares e auxiliar no desenvolvimento das habilidades necessárias para que ela tenha mais autonomia e confiança, respeitando seu ritmo e suas necessidades. 

Não existe uma idade ideal para buscar acompanhamento. “É importante que, quando observado atraso ou alguma atipicidade relacionada ao desenvolvimento e às habilidades esperadas, o profissional seja procurado. Quanto mais cedo a criança receber estímulos adequados, maior a probabilidade de sucesso do tratamento”, explica a coordenadora. 

Para o acompanhamento ser eficaz, a presença dos pais ou responsáveis também é fundamental. “Sem participação dos pais, o tratamento tende a demorar para dar resultados ou até mesmo ser ineficaz. É necessário que eles compreendam a importância da participação durante todo o processo, de forma engajada e seguindo as orientações dos profissionais”, conclui. 


A sala escura e o ritual da presença: por que a infância precisa do cinema como destino

Existe algo profundamente transformador no ato deliberado de sair de casa para ver um filme. Não se trata apenas de apertar um botão no controle remoto no intervalo entre uma tarefa e outra, mas de um movimento intencional. Escolher a sessão, fazer o trajeto, atravessar a cidade e atravessar, também, o portal daquela sala. Em um tempo em que quase tudo é entregue de forma imediata e passiva no vidro frio das pequenas telas, ir ao cinema exige o esforço bonito do deslocamento. E é justamente nesse gesto de sair do lugar que o valor verdadeiro da experiência se consolida. 

Sair de casa para ir ao cinema ensina a infância sobre intenção e presença. O trajeto até lá cria um compasso de espera que prepara o olhar, uma transição necessária entre a rotina e o encanto. Ao cruzar o limiar da sala escura, a criança desacelera por completo. Ela deixa do lado de fora as distrações do ambiente doméstico, os estímulos simultâneos e o consumo fragmentado de vídeos rápidos.  A penumbra da sala e o silêncio compartilhado antes da projeção não são meras convenções sociais, mas sim uma moldura poética que dignifica a imagem. Ali, a narrativa deixa de ser um ruído de fundo no sofá e ganha corpo de acontecimento, pedindo atenção inteira. 

Para além do impacto individual, o cinema físico proporciona uma das primeiras e mais bonitas experiências de comunidade na vida de uma criança. Sentar na escuridão ao lado de dezenas de estranhos e sentir o mesmo baque no peito, rir da mesma piada ou prender a respiração no mesmo segundo ensina uma lição silenciosa e potente: a de que nossos afetos, medos e descobertas não acontecem no isolamento. O cinema de rua ou de shopping tira a arte da bolha individual e a devolve para o território vivo do encontro, onde a emoção se multiplica ao ser compartilhada com o outro. 

A grande tela também opera como um catálogo de alteridade. Ao habitar histórias que ultrapassam o seu horizonte geográfico e cultural imediato, a criança aprende a enxergar através de olhos que não são os seus. Esse exercício constante de imaginação expande os limites do mundo interno dos pequenos, ensinando que a vida pode ser contada e vivida de infinitas formas. O cinema ensina que todo conflito traz consigo a possibilidade de uma narrativa, oferecendo contornos visíveis para sentimentos abstratos que as crianças muitas vezes ainda não sabem nomear. 

Cultivar o afeto pela arte desde os primeiros anos de vida não é sobre acumular repertório acadêmico ou técnico, mas sobre ensinar a criança a se encantar com o mundo. O hábito de se mover até a grande tela forma olhares mais atentos, sensíveis e capazes de sustentar o tempo da contemplação. Ensinar uma criança a amar o cinema é, em última análise, lembrá-la de que as coisas mais bonitas da existência exigem movimento, presença e a coragem de sentar no escuro para ver o mundo acender de novo. 

 

Poliana Maluf - produtora audiovisual, estrategista criativa brasileira radicada em Los Angeles e autora de “Poppy e a Tela Gigante”, livro infantil que une sua experiência no universo cinematográfico à vontade de criar histórias que despertem a imaginação das crianças.


Depressão pós-parto paterna: saiba como identificar os sinais

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Risco de depressão pode aumentar nos primeiros meses após o nascimento do bebê, mas a condição ainda é pouco reconhecida entre os homens

 

A chegada de um filho costuma ser cercada por expectativas, mas também representa uma das maiores mudanças na vida de uma família, podendo ocorrer sentimentos ambivalentes, com momentos de alegria e outros de preocupações. Enquanto a saúde mental materna recebe cada vez mais atenção, um problema ainda pouco conhecido pode afetar os homens nesse período: a depressão pós-parto paterna. 

Pesquisas recentes mostram que o nascimento de um bebê também pode desencadear sofrimento emocional nos pais. Um estudo publicado em 2026 por pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, identificou que o risco de desenvolver transtornos depressivos aumenta ao longo do primeiro ano após o nascimento da criança, especialmente entre os três e seis primeiros meses de vida do bebê. Os pesquisadores defendem que os serviços de saúde ampliem o acompanhamento da saúde mental dos pais durante o pré-natal e o puerpério, assim como já ocorre com as mães. 

O percentual de pais que desenvolve a condição nessa fase pode ser ainda maior quando a mãe também apresenta depressão pós-parto ou quando existem fatores como privação de sono, dificuldades financeiras e ausência de rede de apoio. Segundo Ana Carolina Lange, professora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, o desconhecimento sobre o tema faz com que muitos homens convivam com os sintomas sem perceber que precisam de ajuda. "A sociedade costuma enxergar o pai como aquele que deve oferecer apoio emocional e estabilidade para a família. Isso faz com que muitos homens escondam o sofrimento por acreditarem que precisam demonstrar força o tempo todo. O problema é que a depressão não desaparece quando é ignorada", alerta.

 

O que é a depressão pós-parto paterna?

A depressão pós-parto paterna é um transtorno mental que pode surgir durante a gestação da parceira ou nos meses seguintes ao nascimento do bebê. “Diferentemente das mães, a condição não está relacionada às alterações hormonais típicas do pós-parto, mas às intensas mudanças emocionais, familiares e sociais vividas nesse período”, destaca Ana Carolina. 

Entre os principais fatores de risco estão: privação constante de sono, aumento das responsabilidades familiares, pressão financeira, histórico de ansiedade ou depressão, conflitos conjugais e depressão pós-parto materna. 

Em vez do choro frequente, homens costumam apresentar irritabilidade, impaciência, isolamento e mudanças de comportamento. A especialista esclarece que os principais sinais incluem:

  • irritabilidade constante;
  • explosões de raiva;
  • sensação de vazio ou desesperança;
  • perda de interesse por atividades antes prazerosas;
  • dificuldade para criar vínculo com o bebê;
  • excesso de trabalho como forma de evitar o ambiente familiar;
  • alterações no sono e no apetite;
  • dificuldade de concentração;
  • consumo aumentado de álcool ou outras substâncias;
  • doenças psicossomáticas
  • sensação de incapacidade como pai. 

Além de afetar a qualidade de vida do pai, a depressão pós-parto pode comprometer a dinâmica familiar e o desenvolvimento infantil. A depressão reduz energia, motivação e capacidade de interação. Quando tratada precocemente, é possível fortalecer o vínculo familiar e evitar impactos que podem se prolongar por toda a infância.

 

Quando procurar ajuda?

A especialista aponta que sentir medo, insegurança ou ansiedade diante da chegada de um filho é esperado. “O sinal de alerta surge quando esses sentimentos persistem por semanas, tornam-se intensos ou começam a interferir na rotina, no relacionamento com a família e no cuidado com o bebê. 

Uma das formas de prevenção ao adoecimento emocional dos pais antes mesmo do nascimento do bebê é participar de programas de preparação emocional para a maternidade e paternidade, como o pré-natal psicológico que é um novo conceito em atendimento perinatal voltado para maior humanização do processo gestacional e do parto e da parentalidade. 

Caso já apresente os sintomas de depressão pós-parto o tratamento pode envolver psicoterapia, fortalecimento da rede de apoio, reorganização da rotina e, quando necessário, acompanhamento psiquiátrico.

 

O voto é secreto, o emprego não é

Pressão política dentro das empresas pode transformar o período eleitoral em meses de medo e insegurança


Na época de campanha eleitoral, as discussões políticas naturalmente chegam aos grupos de WhatsApp, às famílias, às redes sociais e também ao ambiente profissional. O problema começa quando a opinião deixa de ser apenas uma manifestação individual e passa a carregar o peso da hierarquia, do salário e do medo de perder o emprego. É o chamado assédio eleitoral no trabalho: situações em que empregadores, gestores ou pessoas em posição de poder tentam constranger, pressionar ou influenciar a escolha política de trabalhadores utilizando, direta ou indiretamente, a relação profissional. 

Para o psiquiatra Dr. Daniel Sócrates, especialista em saúde mental no ambiente corporativo, há uma dimensão do problema que merece atenção especial neste período eleitoral: o impacto psicológico de trabalhar sob a sensação de que o emprego pode depender da escolha feita na urna. 

“Quando a pessoa percebe que sua estabilidade profissional pode estar ligada a uma posição política, mesmo que a ameaça não seja explícita, o cérebro entra em estado de alerta. Ela começa a medir o que fala, o que publica, com quem conversa e até quais opiniões pode demonstrar. É uma forma de insegurança que pode acompanhar o trabalhador durante semanas ou meses”, explica Dr. Daniel Sócrates.

 

Quando opinião política vira pressão

Ter preferência política e manifestar opiniões faz parte da liberdade individual. O ponto de atenção dentro das organizações está na assimetria de poder.

Uma conversa política entre colegas em condição semelhante não produz necessariamente o mesmo efeito psicológico que uma manifestação feita por alguém que decide promoções, escalas, salários ou demissões.

“Não podemos analisar apenas a frase dita, mas o contexto em que ela foi dita. Uma mensagem aparentemente indireta pode ser percebida como ameaça quando parte de alguém que tem poder sobre a vida profissional daquela pessoa. O trabalhador pode pensar: ‘Se eu discordar, isso vai afetar meu emprego?’. A partir daí, já existe um componente importante de medo”, afirma o psiquiatra.

Para as Eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral reforçou expressamente essa proteção. A Resolução nº 23.755, de março deste ano, determina que é vedada propaganda ou assédio eleitoral em ambiente de trabalho público ou privado, com responsabilização de quem der causa ou permitir a ocorrência.

 

A ameaça nem sempre precisa ser explícita

As situações de pressão dentro do ambiente profissional nem sempre chegam aos canais formais de denúncia. Quem acabou de entrar na empresa, sustenta sozinho a família, possui poucas alternativas de emprego ou vive em uma cidade na qual determinada companhia concentra grande parte das oportunidades profissionais pode se sentir especialmente vulnerável.

Nesses casos, segundo o psiquiatra, o trabalhador pode optar pelo silêncio enquanto continua convivendo diariamente com o fator que lhe causa insegurança.

“É diferente de uma discussão desagradável que termina naquele momento. A pessoa volta ao mesmo ambiente no dia seguinte, encontra o mesmo gestor e continua dependendo daquele salário. Quando a sensação de ameaça permanece, o organismo pode continuar funcionando como se precisasse estar preparado para algum perigo”, explica.

Entre os possíveis sinais estão ansiedade, irritabilidade, alterações do sono, dificuldade de concentração, ruminação, palpitações, tensão muscular, queda de produtividade e sensação permanente de alerta.

 

Dentro da cabine, empregado e empregador têm exatamente o mesmo poder

Para o psiquiatra, proteger o trabalhador contra a pressão eleitoral também significa preservar um espaço de autonomia em um momento no qual diferenças de poder econômico e profissional deixam de existir.

“O voto secreto tem uma função psicológica e democrática muito importante: naquele momento, ninguém precisa agradar chefe, empresa, família ou grupo social. Dentro da cabine, empregado e empregador têm exatamente o mesmo poder. Preservar essa liberdade também é uma forma de proteger a saúde mental do trabalhador”, finaliza Dr. Daniel. 

O TSE reforça que o voto deve ser livre e secreto e que práticas de coação, indução ou constrangimento de trabalhadores precisam ser combatidas. 



Dr. Daniel Sócrates - Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida.
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Ela deixou o agressor, mas a violência ficou

Em 2025, 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar; para muitas mulheres, o fim da relação abre outra batalha, a de recuperar limites, confiança e a própria identidade

 

Ela foi embora. Bloqueou o número. Terminou o casamento, o namoro ou a convivência. Para quem olha de fora, acabou. Para quem passou meses ou anos sendo ameaçada, humilhada, vigiada ou controlada, nem sempre.

A violência contra a mulher pode continuar produzindo efeitos quando o agressor já não está mais dentro de casa. Medo de contrariar, culpa, desconfiança das próprias decisões e dificuldade de impor limites podem sobreviver ao fim da relação. É uma parte menos visível de um problema que atingiu milhões de brasileiras no último ano. 

Em 2025, 3,7 milhões de mulheres sofreram violência doméstica ou familiar no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência. Quase seis em cada dez vítimas disseram enfrentar as agressões havia menos de seis meses. Outras 21% afirmaram conviver com episódios havia mais de um ano. 

O dado brasileiro encontra eco numa estatística mundial difícil de ignorar. A Organização Mundial da Saúde estimou que 316 milhões de mulheres com 15 anos ou mais sofreram violência física ou sexual de um parceiro íntimo em um período de 12 meses. É o equivalente a 11% das mulheres nessa faixa etária. Ao longo da vida, cerca de 840 milhões já sofreram violência praticada por parceiro ou violência sexual.

 

Mas nem toda violência começa com um tapa. 

Antes da agressão que deixa marca no corpo, pode haver o celular fiscalizado, a roupa questionada, o dinheiro controlado, o amigo que precisa ser afastado, a relação sexual aceita para evitar uma discussão. Com o tempo, comportamentos que seriam vistos como invasivos podem passar a fazer parte da rotina. 

É justamente aí que o controle ganha importância na discussão sobre relações abusivas. Um estudo publicado em 2025 no periódico científico Personality and Mental Health encontrou associação entre narcisismo patológico e controle coercitivo. A pesquisa não encontrou, porém, associação geral entre narcisismo patológico e abuso, uma diferença necessária numa época em que chamar o ex de “narcisista” virou expressão corrente nas redes sociais. 

Controle coercitivo é outra coisa. Trata-se de um padrão de comportamentos usados para restringir a liberdade e a autonomia do outro. Pode existir com vigilância, isolamento, intimidação, controle financeiro, ameaças ou interferência constante nas escolhas da parceira.

O problema é que a porta de saída de uma relação assim nem sempre devolve imediatamente aquilo que foi perdido dentro dela. 

Ao escrever sobre o período posterior a relacionamentos marcados por controle e manipulação, o psicólogo e sexólogo Wantuir Rock diz em seu livro Pós-Narcisismo: “chega a hora de recuperar confiança, limites, identidade, desejo e a capacidade de se relacionar de novo com alguém”.

Limite também é uma palavra central quando a violência invade a sexualidade. Em A caminho do prazer, a sexóloga Laura Müller escreve: “na cama só se deve ir até onde aquela prática não nos fere física nem emocionalmente”. 

A frase parece simples. Na prática, toca num território em que muitas mulheres ainda encontram dificuldade para reconhecer a violência: o consentimento obtido sob medo, pressão, insistência ou ameaça não pode ser tratado como uma escolha livre. 

Os próprios dados mostram que reconhecer a agressão não encerra o problema. Na pesquisa do DataSenado, 79% das entrevistadas disseram acreditar que a violência contra a mulher aumentou no país. Entre aquelas que procuraram ajuda, 58% recorreram à família, 53% buscaram apoio em espaços religiosos e 28% foram a uma Delegacia da Mulher. 

Há ainda um dado particularmente incômodo: entre mulheres que solicitaram medida protetiva, quase metade relatou que a determinação foi descumprida.

Para essas mulheres, portanto, sair pode ser o primeiro rompimento. Depois dele vem outro, menos visível: deixar de pedir licença para existir, voltar a confiar no que sente e reaprender que medo não é uma condição normal de um relacionamento.

 

6 sinais de que a criança realmente aprendeu o que estudou

Especialista explica como identificar quando a criança compreendeu um conteúdo e não apenas memorizou informações para uma prova


Uma boa nota nem sempre significa que a criança realmente compreendeu um conteúdo. Em alguns casos, ela consegue memorizar informações para uma avaliação, mas tem dificuldade para explicar o assunto com as próprias palavras ou aplicar aquele conhecimento em uma situação diferente.

Segundo Raquel Nazário, diretora da Maple Bear Brasília, a aprendizagem pode ser percebida em comportamentos que vão além do desempenho em provas e atividades. “Aprender de verdade é quando a criança consegue levar aquilo que descobriu para outros contextos. Ela não apenas lembra uma informação, mas consegue explicar, questionar, fazer relações e encontrar caminhos para utilizar aquele conhecimento”, afirma.


Confira seis sinais de que a criança realmente aprendeu:

1. Consegue explicar o conteúdo com as próprias palavras

Quando a criança compreende um assunto, consegue explicá-lo sem depender da definição apresentada pelo professor ou reproduzir exatamente o que está escrito no material didático.

2. Faz conexões entre diferentes assuntos

Relacionar um conteúdo novo com conhecimentos anteriores mostra que a criança está construindo uma compreensão mais ampla. Uma informação deixa de ser isolada e passa a fazer parte de um repertório.

3. Consegue aplicar o conhecimento em situações diferentes

Saber uma regra ou fórmula não significa necessariamente compreender como ela funciona. Quando a criança consegue utilizar o que aprendeu para resolver um problema diferente daquele apresentado em sala, demonstra que assimilou o conceito.

4. Faz perguntas que aprofundam o assunto

Questionamentos sobre causas, consequências e possibilidades mostram que a criança não está apenas recebendo informações, mas tentando compreender o conteúdo de maneira mais ampla.

5. Identifica e corrige os próprios erros

Perceber que uma resposta não funcionou, revisar o raciocínio e tentar outro caminho são habilidades importantes para a aprendizagem. O erro passa a ser parte do processo de descoberta, e não apenas algo a ser evitado.

6. Consegue ensinar o que aprendeu

Explicar um conteúdo para outra pessoa exige que a criança organize as informações, selecione o que considera importante e encontre uma maneira de tornar o assunto compreensível. Por isso, ensinar também pode ser uma forma de consolidar o conhecimento.

Para Raquel Nazário, o papel dos adultos é observar o processo de aprendizagem e não apenas o resultado final. “Nem sempre a aprendizagem aparece em uma nota. Às vezes, ela está em uma pergunta diferente, em uma tentativa de resolver um problema por outro caminho ou na capacidade de explicar algo que antes parecia difícil. Esses pequenos avanços mostram como a criança está construindo o próprio conhecimento”, explica.

 

Síndrome do ‘domingo à noite’, psiquiatra explica

 Domingo à noite virou o pior momento da semana? Quando a angústia pela segunda-feira começa ainda no fim de semana, é preciso observar tanto a relação individual com o trabalho quanto o ambiente profissional

 

Pode ainda ser domingo, mas, para muitos trabalhadores, o fim de semana parece já ter terminado. A cabeça começa a antecipar a reunião da manhã seguinte, os e-mails acumulados, as metas da semana, as pendências deixadas na sexta-feira e aquela conversa difícil com o chefe. Aos poucos, o descanso dá lugar à preocupação — e, em alguns casos, à irritabilidade, à angústia e até à insônia. 

O fenômeno ficou popularmente conhecido como “ansiedade de domingo” ou Sunday Scaries. Não se trata de um diagnóstico psiquiátrico específico, mas de uma expressão utilizada para descrever sentimentos negativos que surgem quando o fim de semana se aproxima do fim e uma nova semana de trabalho está prestes a começar. 

Segundo o psiquiatra corporativo Daniel Sócrates, doutor pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e especialista em saúde mental relacionada ao trabalho, o problema merece atenção principalmente quando deixa de representar apenas aquela resistência comum ao fim do descanso e começa a provocar sofrimento recorrente.

“Há uma diferença importante entre pensar ‘eu gostaria que o domingo durasse mais’ e passar todas as semanas com ansiedade, insônia, irritabilidade ou medo diante da perspectiva de voltar ao trabalho. Quando isso começa a se repetir e comprometer o período de descanso, precisamos entender o que está acontecendo”, explica o médico.

 

O corpo está em casa, mas a cabeça já voltou ao trabalho

O cérebro humano possui a capacidade de antecipar situações futuras, mecanismo importante para planejamento, organização e sobrevivência. O problema aparece quando essa antecipação mantém o organismo em estado de alerta diante de acontecimentos que ainda nem ocorreram.

A pessoa está fisicamente em casa, mas mentalmente já voltou ao escritório. Surgem pensamentos como: “E se meu chefe reclamar?”, “E se eu não conseguir entregar?”, “E se aquela reunião der errado?” ou “Como vou conseguir dar conta de tudo?”.

Em ambientes profissionais marcados por pressão excessiva, imprevisibilidade, conflitos, cobranças constantes ou pouca segurança psicológica, essa antecipação pode se tornar ainda mais intensa.

“O descanso não depende apenas de estar fisicamente longe do trabalho. Se a pessoa passa o sábado e o domingo pensando nas demandas profissionais, antecipando problemas e acompanhando mensagens, existe uma dificuldade real de recuperação entre uma jornada e outra”, afirma Dr. Daniel.

Curiosamente, a ansiedade do domingo pode começar ainda na sexta-feira. Pendências desorganizadas, excesso de tarefas, falta de clareza sobre prioridades e a sensação de que “sempre ficou alguma coisa para trás” fazem com que o trabalhador leve mentalmente o escritório para casa.

 

Celular tornou a fronteira entre trabalho e descanso ainda menor

Se antes deixar fisicamente a empresa estabelecia uma separação relativamente clara entre trabalho e vida pessoal, hoje o escritório acompanha o trabalhador no bolso.

Uma mensagem no grupo da equipe no domingo à tarde ou um e-mail visualizado no sábado podem ser suficientes para colocar novamente o cérebro em “modo de trabalho”.

Mesmo quando ninguém diz explicitamente que o funcionário precisa responder naquele momento, algumas culturas organizacionais estabelecem uma expectativa silenciosa de disponibilidade permanente.

“O simples fato de saber que uma mensagem pode chegar ou de sentir que precisa verificar o celular já pode dificultar a desconexão. A pessoa nunca sabe exatamente quando terminou de trabalhar”, explica o psiquiatra.

 

Ansiedade de domingo não significa necessariamente burnout

Sentir tristeza porque o fim de semana terminou ou uma certa resistência em voltar à rotina não significa automaticamente que uma pessoa esteja enfrentando burnout, depressão ou um transtorno de ansiedade.

 

O sinal de alerta está principalmente na frequência, intensidade e impacto dos sintomas 

Insônia recorrente aos domingos, irritabilidade intensa, crises de choro, palpitações, tensão muscular, alterações gastrointestinais, medo intenso e pensamentos persistentes sobre abandonar o emprego são manifestações que merecem atenção, especialmente quando começam a comprometer outras áreas da vida.

Outro sinal importante é quando o sofrimento começa cada vez mais cedo.

“Primeiro a angústia aparece no domingo à noite. Depois começa após o almoço. Mais adiante, a pessoa percebe que já está pensando na segunda-feira no sábado. Nesse momento, psicologicamente, o trabalho começou a ocupar também o espaço que deveria ser destinado à recuperação”, observa Dr. Daniel.

 

Quando o problema pode estar no ambiente de trabalho

Diante da ansiedade recorrente, é comum buscar apenas soluções individuais: meditação, atividade física, organização da agenda, menos celular ou técnicas de relaxamento. Essas estratégias podem ser úteis, mas não substituem uma análise das condições de trabalho.

É preciso observar se existe sobrecarga constante, se as metas são possíveis, se há autonomia, clareza sobre responsabilidades e segurança para fazer perguntas ou admitir erros. Também importa avaliar se a liderança utiliza medo, ameaça ou humilhação como ferramentas de gestão e se existe uma cultura de mensagens e cobranças fora do expediente.

“Saúde mental corporativa não pode significar simplesmente ensinar o trabalhador a tolerar melhor um ambiente que sistematicamente produz sofrimento. Quando a origem do problema está nas condições de trabalho, a responsabilidade pela solução não pode ser colocada exclusivamente sobre o indivíduo”, afirma o especialista.

 

A relação individual com o trabalho também precisa ser observada

Por outro lado, nem toda ansiedade antecipatória tem origem exclusivamente na empresa. Perfeccionismo, medo de errar, dificuldade de estabelecer limites, necessidade excessiva de aprovação, insegurança profissional e dificuldade de delegar também podem contribuir para o problema.

Há profissionais que continuam mentalmente trabalhando mesmo quando ninguém está exigindo isso: verificam e-mails durante o jantar, revisam apresentações repetidamente, antecipam problemas que talvez nunca aconteçam ou sentem culpa quando não estão produzindo.

“Nesses casos, é importante compreender a própria relação com desempenho, cobrança e descanso. Descansar não deveria ser interpretado como falta de comprometimento profissional”, explica Dr. Daniel.

 

É possível recuperar o domingo?

Algumas mudanças podem ajudar a reduzir a ansiedade antecipatória. Uma delas começa ainda na sexta-feira: reservar alguns minutos antes de encerrar o expediente para organizar pendências, definir prioridades da semana seguinte e registrar o que precisa ser feito pode diminuir a necessidade de manter todas essas informações mentalmente ativas durante o fim de semana.

Também é importante estabelecer limites para mensagens profissionais fora do horário de trabalho, sempre que a natureza da função permitir.

No domingo, preparar o necessário para a manhã seguinte e conferir brevemente a agenda pode ajudar a reduzir a sensação de imprevisibilidade. Depois disso, porém, a recomendação é retornar deliberadamente às atividades pessoais, evitando transformar o restante do dia em uma extensão da segunda-feira.

Mas, segundo o psiquiatra, existe um limite para essas estratégias.

“Não devemos usar técnicas de organização ou relaxamento apenas para tornar uma situação insustentável um pouco mais suportável. Se o sofrimento é persistente ou começa a prejudicar sono, relacionamentos, lazer, alimentação, concentração e qualidade de vida, é importante buscar avaliação profissional”, finaliza.

 


Dr. Daniel Sócrates - Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida.
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