Veterinária da WeVets alerta para riscos físicos e emocionais
em um dos períodos mais críticos do ano para os pets
A chegada do Réveillon costuma ser sinônimo de celebração, mas,
também, de um dos períodos mais críticos do ano para a saúde e o bem-estar dos
cães e gatos. O barulho intenso e imprevisível dos fogos de artifício pode
desencadear crises de ansiedade, pânico, fugas, acidentes e até quadros
clínicos mais graves, como taquicardia, convulsões e lesões traumáticas.
De acordo com a WeVets, maior grupo de saúde veterinária do Brasil, os atendimentos de urgência relacionados ao estresse causado por fogos aumentam na virada do ano, especialmente entre cães idosos, filhotes e animais que já apresentam sensibilidade a ruídos. "O impacto, além de emocional, pode ser físico, pois em situações de pânico, o cão pode se ferir tentando fugir, atravessando janelas, rompendo cercas ou manifestando alterações respiratórias ou cardíacas, principalmente se já houver doença pré existente", explica Renata Tolezano, médica-veterinária e coordenadora clínica da WeVets.
Os cães e gatos possuem audição muito mais sensível do que os
humanos, o que faz com que os estampidos sejam percebidos como ameaças reais.
Tremores, vocalização excessiva, salivação, respiração ofegante, inquietação,
tentativas de se esconder, perda de controle urinário e comportamento agressivo
são alguns dos sinais mais comuns de estresse agudo.
Para reduzir os riscos, a recomendação é que os tutores adotem
medidas preventivas antes da noite da virada. Manter o pet em um ambiente
seguro, fechado e silencioso, com portas e janelas protegidas, ajuda a evitar
fugas e acidentes. Sons contínuos, como televisão ou música em volume moderado,
podem ajudar a abafar os ruídos externos. Itens familiares, como camas,
cobertores e brinquedos, também contribuem para transmitir sensação de
segurança.
Outra orientação importante é não deixar os pets sozinhos durante
a queima de fogos, sempre que possível. A presença do tutor pode reduzir o
nível de ansiedade, desde que sem reforçar o medo com comportamentos
excessivamente protetores. “Abraçar ou tentar acalmar de forma ansiosa pode
reforçar a percepção de perigo. O ideal é agir com naturalidade e manter a
rotina o mais estável possível”, orienta a profissional.
O uso de medicamentos para reduzir ansiedade e calmantes podem ser
considerados, mas devem ser utilizados sob prescrição médico veterinária de
acordo com as individualidades de cada pet. A automedicação é perigosa e pode
causar intoxicações graves. Em alguns casos específicos, o médico-veterinário
pode indicar estratégias comportamentais ou suporte clínico adequado,
especialmente para cães que já apresentam histórico de pânico severo.
Além dos cuidados imediatos, a WeVets reforça a importância da
identificação dos pets. Coleiras com plaquinhas e dados atualizados aumentam as
chances de reencontro caso o animal fuja assustado.
“A virada do ano deve ser um momento de celebração também para os
pets. Com planejamento, informação e acompanhamento profissional, é possível
reduzir riscos e garantir que cães e tutores atravessem o Réveillon com mais
tranquilidade e segurança”, reforça a médica-veterinária.
Estudos e levantamentos recentes reforçam que o impacto dos fogos
de artifício sobre os cães é amplo.. Segundo o The MIT Press Reader, até 50%
dos cães apresentam medo dos fogos, com sinais que vão de ansiedade intensa a
comportamentos de fuga e pânico. No Brasil, dados indicam que mais de 60% dos
animais domésticos demonstram reações de estresse, como tentar se esconder,
vocalizar excessivamente ou perder o controle corporal durante os estampidos.
Em quadros mais severos, esse estresse pode evoluir para
taquicardia, convulsões e até danos auditivos, além de aumentar o risco de
acidentes graves quando o animal tenta escapar do ambiente em pânico.
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