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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Entenda quais são os regimes de comunhão de bens e como isso pode impactar seu casamento

 

Cada regime define como os bens adquiridos antes e durante o casamento serão administrados 


Diversas são as polêmicas atuais envolvendo famosos e seus casamentos, em que o regime de comunhão de bens escolhido pelo casal impacta diretamente sua relação. Seja em um momento de divórcio, em que a comunhão parcial pode tornar possível um bloqueio dos bens. Ou em um casamento com separação total de bens, formato não tão comum no Brasil.

Na comunhão parcial de bens, todos os bens adquiridos após o casamento (a título oneroso) são comuns ao casal, independentemente de quem os adquiriu. Já os bens adquiridos antes do casamento permanecem de propriedade individual de cada cônjuge. “Esse é o regime padrão no Brasil, aplicado, inclusive, automaticamente quando os cônjuges não escolhem outro”, comenta Alexandre de Almeida, Mestre e Coordenador do Curso de Direito do Centro Universitário Anhanguera de Niterói.

Durante um divórcio sob o regime de comunhão parcial de bens, os bens adquiridos (a título oneroso) durante o casamento, como imóveis, veículos e investimentos, são considerados comuns ao casal e podem ser bloqueados por ordem judicial. Esse bloqueio impede que os cônjuges vendam, transfiram ou alterem a propriedade desses bens até que o tribunal decida sobre a divisão.

Exceções incluem heranças, doações e bens de uso pessoal, que permanecem de propriedade individual e não são bloqueados. “Quando se é solicitado o bloqueio por uma das partes, o objetivo mais comum é garantir que os bens sejam preservados e divididos de forma justa, evitando que um dos cônjuges se desfavoreça ou que os bens sejam dissipados antes da conclusão do processo de divórcio”, explica o advogado.

Outro caso recente problematizado, é o do casamento sob separação total de bens. Neste regime, cada cônjuge mantém a propriedade exclusiva de seus bens, tanto os adquiridos antes quanto os adquiridos após o casamento. Essa opção pode ser benéfica para casais que possuem patrimônio significativo antes do casamento, empreendedores e profissionais liberais que desejam proteger seus negócios”, acrescenta.

Além de casos de casais com filhos de relacionamentos anteriores que querem facilitar a gestão e herança dos bens. O docente explica ainda que, para um empresário, por exemplo, casar sob o regime de comunhão parcial ou total de bens pode complicar negociações e operações comerciais, pois o cônjuge tem direitos sobre os bens adquiridos durante o casamento e pode precisar estar envolvido em transações, atrasando processos e criando obstáculos burocráticos.

Alexandre explica todos os diferentes regimes de comunhão de bens, para auxiliar os futuros casais a escolherem a opção que melhor se adequa ao seu caso. “Esses regimes são definidos pelo Código Civil Brasileiro e podem ser escolhidos pelos cônjuges no momento do casamento, por meio de um pacto antenupcial”, salvo o Regime da Comunhão Parcial de Bens. É importante consultar um advogado especializado para entender qual regime é mais adequado para cada situação:

1. Comunhão Parcial de Bens

Este é o regime padrão no Brasil, aplicado automaticamente quando os cônjuges não escolhem outro regime.

Bens adquiridos antes do casamento: Permanecem de propriedade individual de cada cônjuge.

Bens adquiridos durante o casamento: São comuns ao casal, independentemente de quem os adquiriu.


2. Comunhão Universal de Bens

Neste regime, todos os bens dos cônjuges se tornam comuns, incluindo aqueles adquiridos antes do casamento.

Bens adquiridos antes do casamento: Tornam-se propriedade comum do casal.

Bens adquiridos durante o casamento: São propriedade comum do casal.


3. Separação Total de Bens

Neste regime, cada cônjuge mantém a propriedade exclusiva de seus bens, tanto os adquiridos antes quanto os adquiridos durante o casamento.

Bens adquiridos antes do casamento: Permanecem de propriedade individual de cada cônjuge.

Bens adquiridos durante o casamento: Permanecem de propriedade individual de cada cônjuge.


4. Participação Final nos Aquestos

Os bens adquiridos antes do casamento permanecem de propriedade individual de cada cônjuge.

Os bens adquiridos durante o casamento são administrados individualmente, mas, em caso de dissolução do casamento, cada cônjuge tem direito à metade dos bens adquiridos durante o casamento.

Bens adquiridos antes do casamento: Permanecem de propriedade individual de cada cônjuge.

Bens adquiridos durante o casamento: São administrados individualmente, mas divididos em caso de dissolução.


5. Regime de Separação Obrigatória de Bens

Este regime é imposto por lei em alguns casos específicos, como quando um dos cônjuges tem mais de 70 anos ou quando o casamento é realizado sem observância das causas suspensivas da celebração.

Bens adquiridos antes do casamento: Permanecem de propriedade individual de cada cônjuge.

Bens adquiridos durante o casamento: Permanecem de propriedade individual de cada cônjuge. 


Anhanguera
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Redução de perdas de água poderia abastecer 31 milhões de brasileiros em um ano

Esse valor corresponde 92% da quantidade de habitantes sem acesso ao abastecimento de água em 2023.

 

No Brasil, um volume de água potável equivalente a 21 milhões de caixas d 'água são desperdiçados todos os dias, conforme um estudo do Instituto Trata Brasil. Essas perdas podem ocorrer por vários motivos, como vazamentos, erros de medição e consumos não autorizados. Este desperdício resulta em impactos negativos ao meio ambiente, à receita e aos custos de produção das empresas, o que deixa mais caro o sistema como um todo, prejudicando, em última instância, todos os usuários. 

Reduzir as perdas significa ter mais disponibilidade de água potável sem a necessidade de aumentar o volume de água captado e de explorar novos mananciais. O estudo do Trata Brasil aponta que, ao se admitir uma redução dos atuais 40,31% aos 25% previstos pela Portaria 490/2021, o volume economizado seria da ordem de 1,9 bilhão de m3. 

Isso equivale ao consumo médio do recurso de aproximadamente 31 milhões de brasileiros em um ano, 92% da quantidade de habitantes sem acesso ao abastecimento de água em 2023.

 

Quadro 1 – Benefícios sociais da redução de perdas por estado em 2023


Com o cenário de mudanças climáticas, os desafios para a disponibilidade hídrica nos mananciais se tornam cada vez mais evidentes. As perdas reais afetam diretamente os custos de produção e a demanda por água. Sendo assim, a gestão eficiente em perdas é garantir segurança hídrica aos habitantes e o acesso á esse recurso fundamental para a vida. 

Até 2034, o Brasil tem como meta ter no máximo 25% em perdas na distribuição e 216 L/ligação/dia, conforme foi definido pela Portaria 490/2021, do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR).


2026 será marcado por baixo crescimento econômico e disputa por terras raras, diz Coface

 Em webinar, empresa analisa o desempenho das principais economias do mundo e do Brasil no próximo ano 

 

 

A Coface Brasil realizou na quinta-feira (27/11) o webinar “Forecast Econômico 2026”, traçando um cenário dos desafios e oportunidades para as principais economias mundiais e países latino-americanos, incluindo o Brasil, no próximo ano, ainda sob impacto da guerra tarifária norte-americana. Os especialistas da empresa projetam desaceleração do crescimento econômico global, com efeito sobre índices inflacionários e taxas de juros básicas nos países em análise, bem como um aumento da corrida pelo mercado de terras raras, insumo relevante para a produção de produtos modernos, como celulares, computadores e veículos elétricos.

 

Com a participação da economista para a América Latina, Patricia Krause, e do chefe de estudos macroeconômicos, Bruno Fernandes, o evento apresentou que a economia brasileira e latino-americana crescerá abaixo da média mundial. O Brasil deverá expandir 1,9% em 2026, ante previsão de 2,2% para este ano, enquanto o crescimento médio projetado para a América Latina é de 2,2% em 2026, semelhante aos 2,1% previstos para 2025. Conforme Krause, a desaceleração gradual do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil decorre, principalmente, das condições restritivas para investimentos diante da alta taxa de juros básicos.

 

“Em comparação a outros mercados, os juros no Brasil ainda são muito altos. A projeção é que as autoridades monetárias comecem a reduzir a Selic em janeiro de 2026, mas de forma gradual. Embora o mercado tenha revisado as projeções para o fim de 2026, a expectativa ainda é de 12%, um nível bastante elevado. Isso mantém os juros reais próximos de 8%, impactando fortemente não apenas a capacidade de investimento, mas também a capacidade de pagamento por parte das empresas e dos consumidores”, explicou Patrícia Krause.

 

A Coface estima crescimento de 2,5% para a economia global em 2026, o menor dessa década, mas bastante em linha com os 2,6% estimados para 2025. Estados Unidos devem crescer 1,7%, China, 4,4%, e Índia 6,3% no próximo ano. Para a Europa, é esperada expansão lenta em todos os países, exceto Espanha (2,1%), com Alemanha, França, Itália e Reino Unido não ultrapassando 1%, segundo Bruno Fernandes.

 

Boa parte do avanço da economia norte-americana, disse Fernandes, virá de investimentos previstos em Inteligência Artificial (IA), já que a política tarifária dos Estados Unidos não rendeu os resultados esperados diante das negociações com os países afetados. “Sem o incremento em IA, a expansão seria muito baixa nos Estados Unidos. Na China, a desaceleração será resultado, especialmente, do menor consumo das famílias e da retirada de estímulos do governo chinês a alguns setores. O crescimento chinês, então, dependerá mais das exportações”, afirmou Fernandes.

 

O Banco Central Europeu deverá manter as taxas de juros ao longo do próximo ano em razão da atividade mais lenta, controle da inflação, preços mais baixos do petróleo e valorização do Euro. Os juros nos Estados Unidos devem ser cortados aos menos três vezes até meados de 2026, estimou Fernandes.


 

Guerra tarifária, terras raras


Para o chefe de estudos macroeconômicos da Coface, 2026 será marcado ainda pelas incertezas sobre os resultados da guerra tarifária do governo de Donald Trump. “Os Estados Unidos foram os primeiros a sofrer, pois a inflação e os preços ao produtor já subiram, o que pode aumentar a insolvência. Os investimentos prometidos nas negociações para redução de tarifas também não se concretizaram e Trump pode ameaçar com novas taxas em 2026, o que gera muita incerteza no cenário global”, ressaltou Fernandes, observando que o acordo tarifário com a China vence no próximo ano.

 

Até o momento, segundo especialistas, a política tarifária dos Estados Unidos tem gerado, de forma geral, impactos administráveis para os países da América Latina, que foram em busca também de novos mercados. A China aumentou as vendas para todo o mundo, incluindo países europeus, asiáticos e latino-americanos. O Brasil, cuja tarifa média observada de importação nos Estados Unidos estava em torno de 11% em agosto de 2025, também conseguiu driblar boa parte da queda do comércio para o mercado norte-americano vendendo para outros países, observou Krause. 

 

“Claramente, o que temos agora é mais concorrência chinesa no mundo inteiro e a preços muito competitivos porque o consumo doméstico na China não recupera e eles têm grande capacidade produtiva”, explicou Fernandes, para quem o mercado de terras raras continuará ditando as regras do acordo tarifário entre China e Estados Unidos nos próximos anos. O país asiático domina 60% da mineração e 90% do refino desse insumo, fundamental na produção de equipamentos como celulares, computadores, mísseis e carros elétricos.

 

“Os acordos tendem a continuar, pois é muito difícil reduzir a dependência desse insumo até mesmo para os Estados Unidos, que estão tentando ganhar tempo, mas é um processo que precisa de muito investimento, tem custo de energia muito alto e causa muitos problemas ambientais. Assim, daqui a cinco ou dez anos, o mercado de terras raras ainda será muito dependente da China, que o controlará e poderá jogar com os preços, se assim o desejar.”, disse Fernandes.

 

Segundo Krause, há grandes oportunidades em terras raras e minerais críticos para América Latina, que tem reservas importantes. O Brasil, por exemplo, ocupa o terceiro lugar em reservas de terras raras, com 18% do total, atrás do Vietnã, com 19%, e da China, com 38%. “Há um grande potencial produtivo. Na América Latina, vários países estão no top 10 de minerais críticos (em termos de produção e/ou reservas), como grafite, níquel, lítio e cobre, com o Brasil também em posição relevante. Assim, esse setor será relevante nos próximos anos”, avaliou Krause.


 

Risco político, insolvência recorde


O risco político é um fator central para projeções econômicas em 2026. O aumento da polarização globalmente, tensões sociais e mudanças de governo podem gerar instabilidade e impactar investimentos, políticas fiscais e comerciais. Os especialistas alertam para a necessidade de monitoramento constante do ambiente político e de estratégias de mitigação por parte das empresas. Na América Latina o calendário eleitoral será intenso em 2026, com eleições presidenciais e legislativas em diversos países, incluindo o Brasil, com pleito presidencial em outubro.

 

O aumento das insolvências empresariais é uma tendência que tem sido observada globalmente, atingindo auge da década em 2025. “Não estamos vendo redução nessas pesquisas e estamos atentos para ver os impactos da política tarifária dos Estados Unidos nas empresas, que já estão operando com margens menores”, disse Fernandes. Na América Latina, segundo Krause, o acesso a dados de insolvência ainda é limitado em alguns países. Nos mercados onde essas informações estão disponíveis, como Brasil, Chile e Colômbia, os índices permanecem elevados em 2026. No Brasil, o volume de pedidos de recuperação judicial continua preocupante, afetando especialmente empresas de médio e pequeno porte. 

 

Coface
http://www.coface.com.br

 

1914: o espelho inquietante dos egos inflados na geopolítica atual

Mais de um século após o silêncio das trincheiras, a Primeira Guerra Mundial se revela uma lente indispensável para decifrar os conflitos contemporâneos. Longe de ser um capítulo distante, ela revela padrões e motivações que ecoam no presente, questionando o que, de fato, não aprendemos. Este ciclo de erros contínuos, infelizmente, empurra o mundo repetidamente à beira de abismos, expondo os impactos silenciosos dessas tragédias na vida de pessoas comuns.  

A política da era da Primeira Guerra foi moldada pelo “temor egóico” das potências – um medo da impotência que se transferiu a nações e líderes. Áustria-Hungria, França, Inglaterra e Alemanha, temerosas da Rússia, agiam por meio de receios profundos. O Kaiser Wilhelm II, em busca de reconhecimento e superioridade, adotou a “weltpolitik”. Essa estratégia, aliada à sua personalidade impaciente e ao complexo de inferioridade, desestabilizou a política externa alemã, ameaçando a hegemonia britânica e gerando crises.  

As corridas armamentistas, como a frenética construção dos "dreadnoughts" – que, em vez de funcionar como um "blefe" para negociações, selaram o isolamento alemão – e as crises do Marrocos, onde a Alemanha tentava fragmentar a Entente Cordiale, demonstram como a busca por poder obscurece o juízo. Mesmo o assassinato em Sarajevo, estopim do conflito, foi subestimado por líderes acostumados à diplomacia, que não previram a magnitude da catástrofe. A paz, tão almejada, foi trincada pelo medo humano e pelo desejo de ser aceito, reconhecido e, acima de tudo, superior – sentimentos que contaminam tanto líderes quanto suas nações.  

O que não parece ter sido aprendido é que a escalada de tensões, impulsionada por ambições nacionais e pelos egos fragilizados de líderes, raramente resulta em paz duradoura. A subestimação da guerra, a confiança excessiva no controle do conflito e a prioridade do orgulho nacional sobre a diplomacia e a empatia são legados que, lamentavelmente, se repetem. 

Esses erros desencadearam a Segunda Guerra Mundial, as guerras no Pacífico, na Coreia, no Vietnã, nas Malvinas, a invasão do Oriente sob a justificativa da "caça ao terror" e, recentemente, a guerra na Ucrânia. Essas falhas persistem e parecem fazer parte da estrutura do caráter humano, resultando em um ciclo vicioso de dor e destruição.  

A Grande Guerra é um sombrio lembrete de que medo, inseguranças e o voraz desejo de poder continuam a impulsionar nações ao abismo. Apesar das tragédias evitáveis e da subestimação de líderes, as lições permanecem ignoradas. É frustrante constatar a incapacidade humana de romper com a dinâmica do "ego desestruturado" na política global. Sem uma crítica profunda e ações decisivas por parte da diplomacia e reflexão, o passado não apenas se repetirá, mas se agravará, condenando-nos a um ciclo de destruição. 

 

Sergio P. Rossoni - escritor de romances histórico-policial e autor do livro “O Olho de Gibraltar”, que ficcionaliza os meses antecedentes à Primeira Guerra Mundial


Nova lei da prisão preventiva e o risco do automatismo penal

 Foi sancionada no último dia 27 de novembro a Lei 15.272/2025, que redefine os critérios para a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva. A medida marca mais um capítulo em um dos debates mais sensíveis do processo penal brasileiro: o difícil equilíbrio entre a proteção da sociedade e a preservação das garantias individuais que estruturam o Estado de Direito. 

De iniciativa do então senador e hoje ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, o texto busca conferir maior objetividade às decisões judiciais e reduzir controvérsias sobre a motivação das prisões cautelares. A lei altera os artigos 310, 310-A e 312 do Código de Processo Penal, estabelecendo circunstâncias que recomendam a decretação da preventiva, reforçando exigências de fundamentação e introduzindo a coleta obrigatória de material genético em determinados crimes. Trata-se de um movimento que responde a uma demanda histórica por parâmetros mais claros — mas que também impõe cuidados redobrados. 

A principal inovação está no novo §5º do art. 310, que lista seis circunstâncias indicativas da necessidade da preventiva, como prática reiterada de infrações, violência ou grave ameaça, risco de fuga, ameaça à coleta de provas ou reiteração delitiva durante investigação. Embora tais fundamentos já constassem de decisões judiciais há décadas, sua positivação pretende uniformizar entendimentos e reduzir a margem de discricionariedade. O risco, contudo, é que critérios “indicativos” se convertam, na prática, em presunções automáticas — especialmente em audiências de custódia já sobrecarregadas, onde a análise individualizada é precisamente o que se quer preservar. 

O novo §6º do mesmo artigo reforça que o juiz deve apresentar motivação concreta, examinando expressamente os elementos legais e os critérios de periculosidade fixados no art. 312. O dispositivo acolhe uma crítica recorrente dos tribunais superiores às decisões genéricas, baseadas unicamente na gravidade abstrata do delito. Agora, a exigência de fundamentação detalhada deixa de ser mera construção jurisprudencial e ganha status legal. 

Tal esforço de objetivação se aprofunda no art. 312. Seu novo §3º define parâmetros para a aferição da periculosidade, como modus operandi, participação em organização criminosa, variedade e quantidade de armas ou drogas apreendidas, além do fundado receio de reiteração delitiva — inclusive quando houver inquéritos ou ações penais em curso. Se, por um lado, tais critérios reduzem imprecisões; por outro, podem ampliar o uso de antecedentes não concluídos como justificativa para prisões, aproximando-se perigosamente de uma lógica de presunção antecipada de culpabilidade. Em um país cuja população carcerária tem mais de 30% de presos provisórios, é um alerta que não pode ser ignorado. 

Talvez o ponto mais controverso da lei seja a criação do art. 310-A, que prevê a coleta obrigatória de material biológico para obtenção de perfil genético em crimes violentos, delitos sexuais ou praticados por integrantes de organizações criminosas armadas. A ampliação do banco nacional de DNA segue tendência internacional e pode, de fato, fortalecer investigações. Mas a medida exige salvaguardas rigorosas de finalidade, sigilo, descarte e fiscalização. Além disso, ao vincular a coleta à audiência de custódia, aproxima-se de uma zona constitucionalmente sensível: o princípio de não autoincriminação. Trata-se de uma inovação que, apesar de relevante, pode enfrentar questionamentos robustos de constitucionalidade. 

A lei, em sua parte final, reafirma ainda outro princípio importante: o novo §4º do art. 312 proíbe expressamente a decretação de prisão preventiva fundada apenas na gravidade abstrata do crime. É uma vitória da racionalidade jurídica contra a tentação punitivista — e um alinhamento explícito ao entendimento do STF. 

No conjunto, a legislação aprovada representa uma inflexão significativa na política criminal brasileira, ao mesmo tempo em que aprofunda o controle judicial sobre a decisão de prender e amplia instrumentos investigativos. Mas sua eficácia dependerá menos do texto legal e mais da interpretação que dele se fará. Se os novos critérios forem usados como balizas objetivas, a lei poderá reduzir arbitrariedades e favorecer decisões mais técnicas e fundamentadas. Se, ao contrário, forem tratados como atalhos, a reforma corre o risco de alimentar o encarceramento preventivo automático — justamente o oposto do que se pretende. 

O desafio, como sempre, caberá ao Judiciário: fazer da lei um instrumento de justiça, não apenas mais um capítulo do simbolismo penal que tanto inflama o debate público e tão pouco contribui para a efetiva segurança da sociedade, mesmo porque, não se pode perder de vista, que a prisão cautelar é medida excepcional e como tal deve ser reconhecida e aplicada pelo judiciário brasileiro.

 

Marcelo Aith - advogado criminalista. Doutorando Estado de Derecho y Gobernanza Global pela Universidad de Salamanca - ESP. Mestre em Direito Penal pela PUC-SP. Latin Legum Magister (LL.M) em Direito Penal Econômico pelo Instituto Brasileiro de Ensino e Pesquisa – IDP. Especialista em Blanqueo de Capitales pela Universidad de Salamanca.



O silêncio que governa: o que as organizações não dizem, mas sentem e como isso define carreiras, culturas e pessoa


Existe uma forma de violência emocional silenciosa, sutil e altamente sofisticada que atravessa as organizações contemporâneas: a violência do não-dito. Não é o conflito explícito, a crise aberta ou a discussão acalorada é o desconforto que circula nas entrelinhas, é o tema que todos percebem, mas ninguém verbaliza.

 

Como diz Madalena Feliciano:

“Nas empresas, o silêncio nunca é neutro. Ele sempre comunica às vezes mais do que qualquer discurso de liderança.”

 

Essa economia do silêncio organiza culturas, molda comportamentos, define carreiras e, silenciosamente, determina quem prospera e quem se cala.

 

Quando todos sabem, mas ninguém diz

Quem já participou de uma reunião onde todos percebem que a decisão é equivocada, que o caminho é arriscado e que há problemas estruturais ignorados, mas mesmo assim ninguém ousa nomear o óbvio?

Isso não é timidez, falta de habilidade ou “problema de comunicação”. É sintoma de algo muito maior:

 

Uma cultura onde falar a verdade é mais arriscado do que conviver com o erro.

Madalena observa em seus atendimentos e consultorias que:

“O colaborador não se cala por falta de coragem. Ele se cala porque já aprendeu, por experiência, que falar custa caro.”



Esse custo pode ser rejeição, perda de espaço, punições veladas, isolamento ou a simples invalidação da própria percepção.

O silêncio como arquitetura de poder

Organizações não precisam escrever regras proibindo temas. O silenciamento acontece por micro sinais, expressões sutis, tons de voz, olhares desviados, mudanças de assunto e respostas impacientes que ensinam:

“Aqui, isso não deve ser dito.”

 

E Madalena reforça:


“Toda empresa ensina seus colaboradores a falar ou a calar mesmo sem dizer uma palavra.”


Esses ambientes criam uma pedagogia invisível que organiza quem pode opinar, quem será ouvido e quem jamais terá sua fala legitimada, mesmo quando tem razão.

 


Quando o silêncio vira cultura e vira hábito


Com o tempo, o silêncio deixa de ser uma escolha consciente. Ele se transforma em atmosfera. À medida que as pessoas se calam repetidamente, começam a acreditar que essa é a única forma de conviver naquele ambiente.

E é aí que Madalena identifica um ponto crucial:


“O silêncio repetido vira normalidade. As pessoas deixam de perceber que existem outras formas de trabalhar, liderar e existir no ambiente profissional.”

 

O resultado?


Equipes que se isolam emocionalmente, líderes que se cercam de discursos agradáveis e organizações que perdem a chance de evoluir porque ninguém ousa mostrar o que está errado.

 

Silêncio também é comportamento e comportamento é leitura


No modelo DISC, que Madalena aplica com frequência no desenvolvimento de equipes, o silêncio também serve como indicador:

  • Perfis influentes (I) se calam quando percebem punição emocional. 
  • Perfis dominantes (D) se calam quando percebem ameaça à própria autonomia. 
  • Perfis estáveis (S) se calam para evitar conflito. 
  • Perfis conformes (C) se calam quando não encontram espaço racional e estruturado para suas análises.

 

Ou seja, todo silêncio tem uma intenção emocional, comportamental e estratégica por trás.


 

O silêncio como sofrimento e como solidão relacional


Há ainda uma dimensão que Madalena destaca como extremamente preocupante:

“As pessoas não estão apenas se calando. Elas estão ficando sozinhas dentro das organizações.”

 

Dois profissionais podem trabalhar juntos por anos e, mesmo assim, viver uma espécie de isolamento invisível onde nada profundo é compartilhado e onde a convivência se resume a tarefas.

Esse tipo de solidão não é individual; é coletiva, produzida por ambientes onde o não-dito domina.


 

Liderança que pede sinceridade, mas pune a verdade


Muitos líderes dizem:


“Falem abertamente, quero ouvir todos.”


Mas, na prática, suas reações mostram o contrário.

Madalena é categórica:

 

“Quando a fala é incentivada no discurso e punida na prática, cria-se a pior forma de violência emocional: a violência da contradição.”


Isso desmoraliza equipes, destrói confiança e transforma qualquer tentativa de comunicação em um teatro previsível.

 

A verdadeira transformação não acontece com treinamento acontece com mudança de estrutura


É comum ver empresas tentando resolver o problema do silêncio com:

  • treinamentos de comunicação
  • workshops de assertividade
  • palestras motivacionais


Mas, segundo Madalena:


“Você não muda o silêncio pedindo que as pessoas falem. Você muda o silêncio mudando o que acontece quando elas falam.”

E isso envolve:

  • líderes preparados para ouvir críticas
  • decisões baseadas em transparência
  • respostas coerentes ao que é verbalizado

·         ambientes psicologicamente seguros 

O silêncio que protege e o silêncio que adoece

Nem todo silêncio é ruim. Há silêncios que são sabedoria: o silêncio que respeita, que observa, que protege, que amadurece.

Mas há silencios que são adoecimento: o silêncio que causa medo, que paralisa, que sufoca, que isola.

 

Madalena explica:


“Organizações maduras não eliminam o silêncio. Elas diferenciam o silêncio saudável do silêncio nocivo.”

Essa distinção é o que separa ambientes tóxicos de culturas sustentáveis e humanizadas.

 

A mudança começa onde ninguém quer olhar


No fim, o que determina se uma cultura é saudável não são os discursos motivacionais, os murais de valores ou as campanhas internas.

É aquilo que não é dito, mas sentido.

 

Como afirma Madalena Feliciano:


“Se você quer entender uma empresa, observe o silêncio. Ele revela mais do que qualquer manual de cultura.”

 

E ela completa:


“O maior ato de liderança não é falar. É criar um ambiente onde as pessoas possam falar e, acima de tudo, possam confiar no que acontecerá depois.”

 

Conclusão: o silêncio não é ausência é resultado


O silêncio organizacional não é falta de voz.


É produto de medo, poder, cultura e estrutura.


E transformar esse cenário exige coragem emocional, maturidade relacional e líderes dispostos a serem desafiados.

 

Madalena resume perfeitamente a essência do tema:

“Onde existe silêncio demais, existe sofrimento demais. Onde existe escuta verdadeira, existe evolução.”

 

Madalena Feliciano - CEO, Consultora de Carreira, Terapeuta, Master Coach, Master em PNL e especialista em Comportamento Humano


G4 Valley: seis tendências para acelerar os negócios em 2026


O atual ambiente de negócios exige mais do que boas ideias, demanda velocidade e disciplina. Esse senso de urgência corrobora o clima de "campo de batalha", reforçando o compromisso com a performance e a execução imediata para gerar crescimento. Nesse sentido, a tecnologia é, sem dúvidas, uma forte aliada para esse salto de desenvolvimento das organizações. Não à toa, segundo um levantamento conduzido pela TNS Research, empresas que investem nesse recurso crescem, aproximadamente, 60% a mais em comparação àquelas que descartam esse mindset.

Na prática, essas companhias se tornam mais inteligentes, enxutas e adaptáveis. Com base nisso, destaco seis tendências que foram destaques no G4 Valley, maior evento de negócios:

#1 Gestão orientada a dados e em tempo real: mais do que gerar a informação, é preciso tê-la na palma da mão. Esse tem sido um fator decisivo para as organizações que, a partir de uma gestão baseada em dados, conseguem migrar de uma posição reativa para uma postura ativa e preditiva, através de análises efetivas sobre o desempenho e o cenário atual da organização.

#2 IA e automação: a Inteligência Artificial continua despontando na lista de tendências. Só em 2024, segundo a McKinsey, 72% das empresas do mundo adotaram essa tecnologia. Contudo, muito além de um discurso sobre os ganhos e funcionalidades que esse recurso oferece, as empresas precisam investir na aplicação da IA junto à automação que, na prática, se torna o principal motor de eficiência operacional e escala.

#3 Cultura de accountability: os times são peça-chave para o sucesso. Em todo processo de transformação, as pessoas são o elo central de todo o movimento. Nesse sentido, investir em uma cultura baseada em acompanhar e delegar responsabilidades de acordo com as habilidades de cada um, ajuda os membros a assumirem metas com clareza, autonomia e responsabilidade, priorizando o resultado sobre a hierarquia.

#4 Customer Centricity radical: o cliente continuará sendo o centro de tudo. Nesse sentido, é crucial conhecê-lo, entender suas preferências e criar uma jornada sem interrupções. Embora esses pontos não sejam uma novidade em si, a tecnologia atua como uma aceleradora desse processo de entendimento, ajudando a tratar a experiência do usuário como o eixo central de sobrevivência, diferenciação e crescimento orgânico do negócio.

#5 Modelos de negócios OPEX-First: maximizar o desempenho das equipes e criar um ambiente de engajamento são pilares que a liderança deverá focar, visando combinar habilidades estratégicas e comportamentais. Entre as ações que devem ser tomadas pela alta gestão estão destinar o foco na cadência e criar processos de gestão e comunicação visual, a fim de manter toda a equipe alinhada e caminhando em prol do mesmo objetivo.

#6 Liderança de alta performance: maximizar o desempenho das equipes e criar um ambiente de engajamento. Esses são pilares que a liderança deverá se atentar, visando combinar habilidades estratégicas e comportamentais. Entre ações que devem ser tomadas pela alta gestão estão destinar o foco na cadência e criar processos de gestão e comunicação visual, a fim de manter toda a equipe alinhada e caminhando em prol do mesmo objetivo.

Essas tendências apontam para organizações mais inteligentes, enxutas e adaptáveis. Isso porque, aquelas que dominarão o mercado nos próximos anos serão as que estruturarem suas operações com base em um sistema de gestão robusto, e não apenas em táticas pontuais.

Para isso, algumas estratégias-chave se tornam essenciais. A primeira, sem dúvidas, é a utilização de indicadores claros, com ritmo e previsibilidade. No entanto, essa abordagem exige uma integração total entre processos, tecnologia e pessoas, garantindo que não existam silos de informação. Ou seja, o foco deve estar na eficiência operacional, eliminando desperdícios e burocracias internas antes de buscar acelerar os negócios.

Afinal, embora a velocidade na execução seja um diferencial, o ganho de competitividade é obtido através da estruturação de processos, tecnologia e liderança para crescer com consistência, garantindo que a inovação seja aplicada diretamente ao negócio, e não fique apenas no campo do discurso.

As empresas de alta performance operam nos bastidores com o desenvolvimento de uma cultura forte antes da estratégia, um sistema de gestão que agregue na previsibilidade e a excelência operacional, garantindo a escalabilidade com processos sólidos.

Em suma, as organizações que crescem mais rápido não são as maiores, mas as mais disciplinadas e rápidas em executar o essencial. A urgência, neste contexto, significa priorizar o que precisa ser feito, eliminar burocracias e manter a empresa inteira alinhada na mesma direção para o próximo ciclo de crescimento.

 

Tailan Oliveira - CRO da ALFA.

ALFA Consultoria – SAP Gold Partner


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