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sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Inicia-se o julgamento do Decreto Tajani na Corte Constitucional italiana

Foi formalmente iniciado o julgamento da constitucionalidade do chamado “Decreto Tajani” (Decreto-Lei n. 36/2025, convertido na Lei n. 74/2025), que inseriu o art. 3-bis na Lei n. 91/1992, introduzindo limitações inéditas ao reconhecimento da cidadania italiana por descendência (iure sanguinis). 

A publicação, em 17 de setembro de 2025, da ordinanza do Tribunal de Torino na Gazzetta Ufficiale marcou a remessa oficial da questão à Corte Constitucional. A partir dessa data, abriu-se o prazo de 20 dias para a apresentação das memórias escritas pelas partes, e a audiência pública deve ser agendada entre janeiro e março de 2026.
 

O que está em discussão 

O Tribunal de Torino questionou a compatibilidade do novo art. 3-bis com os princípios constitucionais italianos, em especial diante da tentativa de impor um limite temporal para o exercício do direito à cidadania por descendência. A norma estabeleceu que apenas aqueles que já haviam requerido a cidadania até 27 de março de 2025, às 23h59, preservariam o direito de ver seu pedido processado. 

Com isso, milhões de descendentes de italianos, que historicamente eram titulares de um direito originário ao status civitatis, teriam visto essa possibilidade ser bloqueada por uma barreira temporal artificial.
 

A posição já firmada pela Corte 

É importante destacar que a Corte Constitucional já se manifestou recentemente sobre a natureza da cidadania italiana por descendência. Na Sentenza n. 142/2025, publicada em 31 de julho de 2025, a Corte reafirmou de maneira categórica que:

  • a cidadania italiana se transmite a título originário aos filhos, desde o nascimento, em razão do vínculo de sangue com o ascendente italiano;
  • esse status civitatis é imprescritível e irrevogável, não podendo ser suprimido por normas restritivas de caráter retroativo;
  • cabe ao legislador disciplinar procedimentos de reconhecimento, mas jamais restringir ou anular a substância do direito.

Essa decisão deixou claro que a cidadania iure sanguinis não se constitui por concessão administrativa ou judicial, mas decorre automaticamente da filiação a um cidadão italiano, constituindo um direito que antecede e independe de qualquer requerimento.
 

Expectativas para o julgamento do Decreto Tajani 

À luz desse precedente vinculante, o julgamento do Decreto Tajani adquire contornos previsíveis: a Corte Constitucional deve reafirmar a sua jurisprudência e declarar inconstitucionais as restrições introduzidas pelo art. 3-bis da Lei n. 91/1992. 

Espera-se, portanto, que a Corte reforce a continuidade do modelo histórico de cidadania italiana por descendência, garantindo segurança jurídica e estabilidade institucional a milhões de ítalo-descendentes em todo o mundo, inclusive no Brasil. 

O julgamento que se inicia agora não representa apenas a análise de uma reforma legislativa controversa. Trata-se da consolidação definitiva de um entendimento já firmado: a cidadania italiana é um direito originário, transmitido pelo sangue, que não pode ser limitado por prazos artificiais ou por exigências incompatíveis com a Constituição. 

O processo é histórico e reforça o papel da Corte Constitucional como guardiã do equilíbrio entre o legislador e os direitos fundamentais, assegurando a preservação da identidade jurídica da nação italiana e de sua diáspora. 

Na condição de advogada e especialista em direito internacional, a autora afirma que a Corte Constitucional não tem espaço para outra resposta senão a reafirmação da cidadania italiana como direito originário e imprescritível. A decisão de 31 de julho de 2025 (Sentenza n. 142/2025) já fixou os parâmetros: a cidadania se transmite no nascimento e integra a essência da condição jurídica de cada descendente de italiano. O julgamento do Decreto Tajani, portanto, não inaugura uma dúvida, mas apenas confirma uma verdade já declarada.

 

Dra. Mariane Baroni - Head do Departamento Jurídico da Master Cidadania


Boletos falsos e DANFE exposta: brecha logística impulsiona golpe que se espalha pelo Brasil


Fraudes com boletos bancários não são novidade no Brasil. Mas um novo modus operandi vem preocupando empresas que operam com Nota Fiscal Eletrônica (NF-e): criminosos estão se aproveitando da exposição da DANFE (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica), anexada às embalagens, para criar boletos falsos extremamente convincentes. 

“Mesmo em operações com alto grau de segurança digital, práticas logísticas inofensivas à primeira vista podem acabar abrindo portas para estelionatários agirem com precisão assustadora”, alerta Willian Guarnieri Pontes, especialista em segurança da informação e profissional da Witec IT Solution.
 

A porta de entrada: a chave de acesso exposta

Toda mercadoria enviada precisa, por força da legislação, ser acompanhada da DANFE. O documento simplificado da NF-e exibe publicamente uma chave de acesso com 44 dígitos. Com ela, qualquer pessoa pode consultar o conteúdo da nota diretamente no portal da Secretaria da Fazenda (Sefaz), sem deixar rastro digital, já que não há autenticação exigida. 

Segundo Pontes, isso é suficiente para alimentar os criminosos. “A chave dá acesso ao nome e CNPJ do emitente, ao CPF ou CNPJ do destinatário, valor total da nota, número, descrição dos produtos, data de emissão e, em alguns casos, até e-mail. Com esses dados em mãos, os golpistas replicam a estrutura da NF-e em sistemas próprios e criam documentos falsos com aparência oficial”, explica. 

O boleto fraudado, então, é enviado ao cliente — geralmente antes da cobrança oficial — acompanhado de justificativas verossímeis, como “erro de cálculo de alíquotas”, “atualização fiscal” ou “desconto por antecipação de pagamento”. 

“Essa combinação de documento fiscal idêntico ou falsificado, dados reais da compra, justificativa tributária plausível e urgência no pagamento torna o golpe extremamente eficaz”, ressalta Pontes.
 

Um problema difícil de conter

Mesmo com ambientes internos protegidos, autenticação multifator (MFA) e processos financeiros auditados, a brecha está na exigência legal de que a DANFE acompanhe a mercadoria. O problema aumenta porque transportadoras e departamentos logísticos, em busca de agilidade, muitas vezes colam etiquetas com dados resumidos — inclusive a chave de acesso da NF-e — diretamente nas embalagens.

“Essa prática facilita o rastreamento e conferências rápidas, mas amplia o risco de exposição de dados sensíveis ao longo da cadeia logística”, afirma o especialista da Witec IT Solution.

A forma mais segura, segundo ele, continua sendo o uso de envelope opaco colado na parte externa da embalagem, contendo a DANFE completa. “Assim, cumpre-se a exigência legal sem deixar a chave de acesso visível para qualquer um.”


O que diz a legislação

A obrigatoriedade da DANFE junto à mercadoria está prevista em normativas como o Ajuste SINIEF 07/2005, que instituiu a NF-e. A cláusula nona desse ajuste determina que a DANFE deve acompanhar o transporte e conter a chave de acesso, mas não exige que ela esteja exposta.

“O uso de envelope opaco cumpre a lei e agrega segurança. Não há nenhuma norma que obrigue a exibição pública da chave de acesso”, destaca Pontes.
 

Como se proteger

O especialista lista medidas preventivas que podem reduzir o risco de fraudes:

  • Proteção física da DANFE: impressão dentro de envelope opaco, evitando chaves de acesso visíveis.
  • Comunicação preventiva: avisos constantes a clientes sobre golpes, canais oficiais de cobrança e incentivo à validação de boletos.
  • Reforço de processos internos: emissão centralizada de boletos, restrição de acesso a documentos fiscais e automação no envio de faturas.


Cultura de segurança

Pontes reforça que o problema não está apenas na tecnologia, mas em todo o ecossistema operacional. “Em muitos casos, os criminosos não invadiram sistemas nem sequestraram dados — eles apenas exploraram informações públicas disponíveis por brechas processuais”, observa. 

Para ele, segurança da informação é uma responsabilidade coletiva. “Sem o engajamento e a conscientização de todos os envolvidos, não é possível garantir um ambiente realmente seguro. Promover uma cultura organizacional voltada à segurança da informação é indispensável para mitigar riscos e fortalecer a confiança interna e externa.”

Revisar constantemente os fluxos fiscais, logísticos e financeiros, conclui o especialista da Witec IT Solution, pode ser a diferença entre manter a operação blindada ou se tornar a próxima vítima do golpe dos boletos falsos.


Mensagens de WhatsApp fora do expediente podem gerar processo trabalhista? Advogada responde

 

Suéllen Paulino listou quais medidas devem ser tomadas caso o funcionário esteja recebendo mensagens corporativa

 

O avanço da tecnologia trouxe novos desafios para as relações de trabalho. Com aplicativos como o WhatsApp, tornou-se comum que chefes e gestores enviem mensagens aos funcionários a qualquer hora do dia, inclusive à noite, finais de semana e feriados. Mas afinal: essas mensagens podem gerar direitos trabalhistas ou até um processo? 

"A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) garante que o tempo em que o empregado permanece à disposição do empregador pode ser considerado jornada, ainda que fora do expediente. Além disso, a Constituição Federal assegura o direito ao descanso, lazer e convívio social, valores que não podem ser invadidos pelo trabalho", esclarece Suéllen Paulino, que atua no Direito Trabalhista. 

Suéllen afirma que o funcionário deve receber verbas trabalhistas por se dedicar fora do horário de trabalho. "Na prática, isso significa que se o trabalhador é constantemente acionado por superiores fora do horário, esse tempo pode ser entendido como hora extra, com direito a pagamento adicional e reflexos em férias, 13º salário e FGTS". 

Uma dúvida comum é se mensagens enviadas em grupos corporativos têm o mesmo peso que mensagens diretas de superiores.Ela listou quais os requisitos para configurar hora extra: 

-Mensagens diretas do chefe: quando exigem resposta imediata ou tarefas, configuram tempo de trabalho. 

-Mensagens em grupos corporativos: também podem gerar obrigações se o funcionário precisar acompanhar discussões, tomar decisões ou agir a partir do conteúdo. Mesmo que não haja ordem expressa, a pressão psicológica de “ter de estar disponível” já vem sendo considerada pela Justiça. 

"A Justiça do Trabalho tem reconhecido o direito de empregados a horas extras quando há prova de que o uso do WhatsApp fora do expediente era rotineiro e exigido pela empresa. Um exemplo ocorreu em Limeira (SP), onde uma funcionária comprovou que precisava responder constantemente ao aplicativo fora do horário. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) também já condenou empresas por cobrança de metas via WhatsApp, entendendo que isso extrapola os limites do poder empregatício". 

Segundo Suéllen Paulino, é recomendado que o trabalhador adote algumas medidas caso esteja recebendo mensagens corporativas fora do expediente: 

-Guardar provas: salvar conversas, prints ou exportar o histórico de mensagens que demonstram horários e conteúdos relacionados ao trabalho.

-Anotar a rotina: registrar os horários em que foi acionado e o tempo gasto com a demanda.

-Comunicar formalmente: informar ao RH ou ao superior que as mensagens fora do expediente estão comprometendo o descanso.

-Verificar regras internas: analisar contrato, regulamento da empresa ou convenção coletiva que trate de teletrabalho, banco de horas ou plantões.

-Buscar orientação jurídica: em caso de persistência, procurar advogado trabalhista ou sindicato da categoria para avaliar medidas judiciais. 

De acordo com a advogada, empresas que não controlam esse tipo de prática podem ser condenadas ao pagamento de horas extras, além de indenizações por dano moral ou dano existencial, quando a invasão de tempo afeta a vida pessoal do trabalhador. "Para reduzir o risco, o ideal é que empregadores adotem políticas claras sobre o uso de aplicativos fora do expediente, respeitando o chamado direito à desconexão", recomenda.

Suéllen Paulino esclarece que mensagens de WhatsApp enviadas por superiores fora do horário de trabalho podem gerar processo, seja por cobrança de horas extras ou por violação ao direito ao descanso. "Cabe ao empregado guardar provas e agir de forma preventiva, e às empresas, estabelecer limites para evitar passivos trabalhistas", conclui.


Posição incorreta do banco aumenta riscos em acidentes de trânsito, alertam especialistas

Freepik
Postura inadequada ao volante pode reduzir tempo de reação, comprometer sistemas de segurança e agravar lesões em colisões, afirma SBTO

 

Dirigir com o banco fora da posição correta não é apenas uma questão de conforto, mas de segurança. A forma como o motorista se posiciona ao volante influencia diretamente no tempo de reação, na eficácia dos sistemas de segurança do veículo e na gravidade das lesões em caso de acidente. 

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil está entre os países com maiores índices de acidentes de trânsito no mundo. Apenas em 2023, de acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados mais de 33 mil óbitos no trânsito brasileiro e cerca de 190 mil pessoas ficaram feridas. Muitos desses acidentes têm sua gravidade potencializada por falhas simples, como a má regulagem do banco.

O Dr. Caio Zamboni, diretor da Sociedade Brasileira do Trauma Ortopédico (SBTO), destaca que a postura ao dirigir é determinante para reduzir riscos:

“Um banco muito afastado faz com que o motorista tenha de esticar os braços e pernas, diminuindo o controle do veículo e aumentando o tempo de resposta em emergências.”
 

Além da perda de reflexo, a posição inadequada também pode comprometer o funcionamento de itens de segurança, como o cinto de três pontos e os airbags. 

“Quando o banco está muito próximo do volante, o risco de lesões no tórax e nos membros superiores em caso de colisão frontal aumenta significativamente, pois o corpo não tem espaço para absorver o impacto corretamente.” 

Para reduzir esses riscos, especialistas recomendam alguns ajustes básicos: manter os joelhos levemente flexionados, braços dobrados em aproximadamente 120 graus e encosto da cabeça alinhado ao centro da cabeça. 

“A prevenção começa antes mesmo de ligar o carro. Regular corretamente banco, encosto e cinto de segurança é um gesto simples, mas que pode salvar vidas e evitar sequelas graves em acidentes”, reforçou. 

Os especialistas reforçam que a conscientização sobre postura correta ao dirigir deve ser parte da educação no trânsito, assim como o uso do cinto de segurança e o respeito às leis de velocidade.

 

Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico - SBTO


O empresário brasileiro ainda comunica mal o seu negócio

O empreendedor se preocupa com o layout, a forma, mas frequentemente deixa de lado o passo anterior e mais importante: o texto 

 

O pequeno e médio empresário investe em Marketing por alguns motivos pontuais, mas, no fim das contas, o objetivo final sempre é vender mais. O problema é que a cabeça do empresário está condicionada a pensar em algo físico: “Preciso de uma apresentação institucional. Logo, preciso de belos slides”. “Preciso de um vídeo institucional. Logo, preciso de belas imagens e uma edição competente”. Quando pensa com esse mindset, o empreendedor pula uma etapa essencial: o roteiro, o texto profissional. A forma de passar a mensagem é crucial para o sucesso de qualquer peça de divulgação.     

A apresentação sem roteiro está fadada a falhar na hora de comunicar algo. É comum vermos apresentações de empresas que seguem um padrão engessado e frio, que começam pelo slide “nossos clientes”, ou “missão e valores”, ou “quem somos”. Em quê isso interessa ao possível cliente? Não seria melhor começar dizendo a que veio, mencionando que problema o cliente tem que a empresa resolve?   

Há também os empresários que delegam a produção dos seus textos ao ChatGPT. A Inteligência Artificial já está revolucionando diversos mercados de trabalho e essa revolução é bem-vinda. Lutar contra o novo é dar murro em ponta de faca. A IA é uma ferramenta sensacional. Porém... Ela é falha. E não é humana. Por mais que simule o comportamento humano, o ChatGPT não tem a sagacidade humana, o diferencial que o texto corporativo precisa ter para se diferenciar no mar de ofertas em que navegamos hoje. A IA te dá um texto correto gramaticalmente, adequado ao que você solicitou, mas dificilmente vai conseguir pensar fora da caixa. E isso porque ela está dentro da caixa. Dentro de uma caixa cheia de coisas que já foram pensadas anteriormente. 

A escrita criativa, com objetivo e estratégia, usando as ferramentas certas, aumenta o faturamento de uma empresa. Isso porque o copywriting bem feito manipula as emoções e ações do interlocutor da mensagem. É algo, inclusive, que precisa ser usado com ética, já que há o potencial de usar essa técnica com más intenções. Ao escrever com maestria um texto corporativo, você consegue: fazer a pessoa agir, se mexer, se emocionar, entender que precisa daquilo que você oferece, entender ou aprender algo de forma efetiva. E tudo isso de maneira orgânica. A pessoa fica entretida com algo criativo e atrativo, enquanto recebe a mensagem que você quer passar.  

Com uma mensagem forte, um texto estruturado e criativo, e uma comunicação planejada, você já tem mais da metade do que precisa para ser bem sucedido. Só então procure um excelente designer ou produtora de vídeo para executar esses roteiros com qualidade. Afinal, uma bela viola precisa de uma bela partitura para fazer bela música.  

 

Rafael Monteiro de Castro - publicitário, copywriter e roteirista. É formado em Comunicação Social pela ESPM. Tem uma MBA de Gestão de Mercados também pela ESPM. É Business Partner na empresa AutoconheCINEMA, empresa especializada em Comunicação Corporativa na parte de texto.

 

Dia Internacional do Café: cinco motivos para não abrir mão da sua xícara diária

Divulgação Kapeh
Profissional compartilha benefícios e aponta razões para celebrar a data 

 

Para muita gente, o dia só começa de verdade quando o cheiro do café invade a cozinha. Esse ritual vai muito além do sabor: é aconchego, pausa e até inspiração. Não à toa, a bebida é considerada parte da identidade do brasileiro e um aliado da qualidade de vida, o Dia Internacional do Café, celebrado em 1º de outubro, reforça essa relação especial. Segundo a pesquisa Evolução dos Hábitos e Preferências dos Consumidores de Café no Brasil (2019–2023), realizada pelo Instituto Agronômico de Campinas, em parceria com a Unicamp e o Instituto Axxus para a ABIC, 97% dos brasileiros afirmam beber café ao acordar e, para 61%, a bebida melhora o humor e a disposição.

Para a fundadora da Kapeh Cosméticos e Cafés Especiais, Vanessa Vilela, farmacêutica e bioquímica, o segredo está na qualidade do grão. “Os cafés especiais concentram compostos que elevam não só a energia, mas também o prazer e a sensação de equilíbrio. Considerados acima de 80 pontos na escala de qualidade, eles oferecem uma experiência diferente das marcas comuns que encontramos no mercado”, explica.

Confira 5 vantagens que mostram como o café pode ser um verdadeiro aliado do seu bem-estar:

  1. Mais vigor para o dia
    A cafeína é um dos estimulantes naturais mais conhecidos. Ela age diretamente no sistema nervoso central, ajudando a reduzir a fadiga e a aumentar o estado de alerta. “Isso significa que o café pode melhorar a concentração, a produtividade e até a motivação para começar a jornada, mantendo o foco em atividades cotidianas, desde reuniões de trabalho até momentos de estudo”, comenta Vanessa.
  1. Melhora do desempenho físico
    Muitos atletas e praticantes de atividade física utilizam o espresso como pré-treino natural. Ele contribui para aumentar a resistência, diminuir a percepção de esforço e potencializar a performance. “Antes dos treinos, uma xícara pode ser uma aliada para dar mais força, retardar a fadiga e melhorar o rendimento, sem a necessidade de suplementos artificiais”, destaca a especialista.
  1. Estímulo ao bom humor
    O café não mexe apenas com o corpo, mas também com a mente. Ele estimula a liberação de neurotransmissores ligados ao prazer, como dopamina e serotonina. “Essa ação pode ajudar a melhorar o humor, reduzir a sensação de cansaço mental e aumentar a vitalidade ao longo do dia, impactando diretamente na forma como enfrentamos as tarefas do cotidiano”, explica a bioquímica.
  1. Redução do estresse
    Tomar uma xícara pode ser mais do que uma questão fisiológica: é um momento de pausa. “Essa experiência sensorial, que combina aroma com sabor e o calor da bebida, ajuda a criar um ritual de relaxamento, funcionando quase como um respiro em meio à correria”, afirma Vanessa.
  1. Conexão social
    O café também tem um papel cultural importante: ele aproxima pessoas. “Seja no intervalo do trabalho, numa cafeteria ou em casa, a bebida estimula conversas e cria vínculos, reforçando a importância das interações para o bem-estar”, relata. Apesar de todas essas vantagens, Vanessa reforça que o segredo está no equilíbrio. “Nada em excesso é ideal. A bebida traz mais benefícios quando consumida de forma moderada, dentro de uma rotina equilibrada”, conclui.

 

Kapeh Cosméticos e Cafés Especiais


quinta-feira, 18 de setembro de 2025

18 de setembro - Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastom


Retinoblastoma: diagnóstico precoce é fundamental para tratar tumor raro nos olhos que atinge crianças entre 0 e 5 anos  

Segundo o Ministério da Saúde, doença afeta cerca de 400 crianças por ano no Brasil e corresponde a 3% dos cânceres infantis

 

Um tipo raro de câncer nos olhos, que em 90% dos casos afeta crianças entre 0 e 5 anos de idade, e que pode levar à cegueira se não for diagnosticado precocemente e tratado de forma adequada. Assim é o Retinoblastoma, tumor maligno que se desenvolve na retina devido a uma mutação em um gene no cromossomo 13. Em alguns casos pode ser hereditário e afetar os dois olhos ou apenas um. Segundo dados do Ministério da Saúde, a doença atinge cerca de 400 crianças por ano no Brasil e corresponde a 3% dos casos de cânceres infantis. 18 de setembro é o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico precoce do Retinoblastoma.
 

Entre 60% e 75% dos casos da doença são esporádicos, ou seja, quando uma célula sofre mutação e passa a se multiplicar descontroladamente. Essa forma de retinoblastoma geralmente aparece em crianças com mais de 1 ano de idade. Os demais casos são hereditários e a criança tem uma mutação em um gene supressor de tumor que está presente em todas as células de seu corpo. 

Um dos principais sintomas da doença é a leucocoria: reflexo branco na pupila, conhecido como “sinal do olho de gato”. Essa mancha esbranquiçada indica que uma fonte luminosa está incidindo sobre a superfície do tumor e impede a passagem de luz, fazendo com que as vias óticas não se desenvolvem e atrofiem. A leucocoria é notada, muitas vezes, em fotos com flash sobre os olhos ou através da dilatação da pupila com luz artificial. Outros sintomas que podem aparecer são estrabismo, vermelhidão, deformação do globo ocular, baixa visão, conjuntivite, inflamações, dor ocular. 

“Quando o leucocoria é perceptível é sinal que a doença está em estágio avançado, diminuindo as chances de cura naquele olho. Por isso, o acompanhamento oftalmológico em crianças é imprescindível. Alguns sintomas como sensibilidade à luz (fotofobia) ou estrabismo, por exemplo, podem indicar que a criança tem a doença”, explica o chefe da oftalmologia do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM), Dr. Leon Grupenmacher.

 

Tipos de retinoblastoma 

Unilateral: afeta um olho e representa entre 60% e 75% dos casos. Destes, 85% são da forma esporádica da doença, e os demais são casos hereditários; 

Bilateral: afeta os dois olhos, quase sempre é hereditário e costuma ser diagnosticado bem mais cedo que o unilateral; 

PNET (tumor neuroectodérmico primitivo) ou retinoblastoma trilateral: ocorre quando um tumor associado se forma nas células nervosas primitivas do cérebro. Esse tipo só atinge crianças com retinoblastoma hereditário bilateral.

 

Tratamento 

Na maioria dos casos, o Retinoblastoma tem cura. Os tumores pequenos podem ser tratados com métodos especiais, como laserterapia e crioterapia, que permitem que a criança continue a enxergar normalmente. Naqueles mais avançados, pode haver a necessidade de retirada do olho (enucleação) e a criança pode precisar de quimioterapia e/ou radioterapia. 

“O diagnóstico precoce é importantíssimo, pois possibilita o tratamento adequado e aumenta as possibilidades de preservar a visão e a vida da criança que tenha a doença. Muitos cuidados são essenciais com os olhos das crianças como o Teste do Olho Vermelho na maternidade e as consultas periódicas com o oftalmologista”, afirma Dr. Leon.


Vacina contra herpes zoster pode ser incorporada ao SUS 1

 População pode opinar sobre a inclusão da vacina por meio da Consulta Pública da Conitec 1 


A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) abriu a Consulta Pública nº 78 para avaliar a incorporação da vacina contra o herpes zoster ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) para adultos acima de 80 anos e imunocomprometidos acima de 18.1 A medida representa um passo relevante para a população dar sua opinião sobre acesso ao imunizante, que é recomendado para pessoas com mais de 50 anos ou maiores de 18 anos com imunossupressão.2,3
 

O aumento progressivo das internações causadas por herpes zoster nos últimos anos reforça a importância da prevenção. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) revelam que, enquanto em 2022 foram registradas 2.037 internações pela doença, esse número subiu para 2.284 em 2023 e 2.654 em 2024.4 

“A incorporação da vacina contra o herpes zoster ao SUS representa um avanço significativo na promoção da saúde preventiva no Brasil, além de proteger as populações mais vulneráveis como idosos e adultos imunocomprometidos. A participação e engajamento da sociedade em Consultas Públicas é um passo essencial no processo de ampliação a recursos de saúde na rede pública. Sua opinião pode fazer a diferença”, afirma o infectologista Jessé Reis Alves (CRM 71991/SP), gerente médico de vacinas da GSK.

 

Por que participar da Consulta Pública? 

A Consulta Pública é um mecanismo democrático que permite que cidadãos, profissionais de saúde, pacientes e interessados contribuam com a avaliação de novas tecnologias em saúde no SUS. A manifestação da sociedade pode influenciar diretamente na decisão da inclusão da vacina contra herpes zoster no sistema público. 5,6

 

Como participar? 

Para participar, basta acessar o site da Conitec e localizar a Consulta Pública nº 78. Escolha o formulário correspondente e envie seu comentário, seja como paciente, familiar, cuidador, profissional de saúde ou cidadão interessado. Preencha as questões do campo “Registre a sua opinião” e finalize clicando no botão “Enviar opinião” no rodapé da página. As contribuições serão avaliadas pela comissão técnica, que tomará a decisão final sobre a incorporação da vacina. A consulta está aberta até o dia 6 de outubro.

 

O que é o herpes zoster? 

Conhecido popularmente como “cobreiro”, o herpes zoster é causado pela reativação do vírus varicela zoster, o mesmo que causa catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece latente no organismo e pode se manifestar anos depois, principalmente em pessoas com o sistema imunológico comprometido.6,7 

Estima-se que mais de 90% da população adulta brasileira já esteja infectada com o vírus.8,9 A reativação está mais associada à idade avançada ou com o sistema imunológico comprometido, por conta de uma condição conhecida como imunossenescência, que é o enfraquecimento natural do sistema imunológico.6,7,10 

A doença se manifesta principalmente por meio de lesões cutâneas dolorosas que seguem os trajetos dos nervos, geralmente no tórax, no pescoço ou na face, acompanhadas de sintomas como queimação, dormência, ardor, coceira e, em alguns casos, febre, dor de cabeça e mal-estar geral.6,7 

Uma das complicações mais frequentes é a neuralgia pós-herpética, que afeta até 30% dos pacientes. A condição é caracterizada por que persistem por mais de 90 dias após a cicatrização das lesões cutâneas e pode durar meses ou até anos, impactando significativamente a qualidade de vida.5,11,12 

“O herpes zoster é uma doença frequentemente subestimada, mas que pode causar dor intensa, complicações graves e impacto duradouro na qualidade de vida. Muitas pessoas não sabem que o vírus da catapora pode permanecer dormente no corpo por décadas e ser reativado em momentos de fragilidade imunológica, principalmente após os 50 anos. Por isso, é fundamental ampliar a conscientização sobre a doença e a importância da prevenção”, finaliza Dr. Jessé.

 

Material dirigido ao público geral. Por favor, consulte o seu médico.

 

GSK.


Referências:

  1. GOV.BR. Diário Oficial da União. CONSULTA PÚBLICA SECTICS/MS Nº 78, DE 15 DE SETEMBRO DE 2025. Disponível em: <Link>. Acesso em SETEMBRO/2025;
  2. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Shingles vaccines recommendations. Disponível em: <link>. Acesso em: JULHO/2025;
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA. Geriatria: guia de vacinação. Disponível em: <link>. Acesso em: JULHO/2025;
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Pesquisa realizada na base de dados DATASUS, utilizando os limites "ANO DE ATENDIMENTO" para Linha, "NÃO ATIVA" para Coluna, "INTERNAÇÕES" para Conteúdo, para Períodos disponíveis de Janeiro de 2022 a Março de 2025. Seleções disponíveis "VARICELA E HERPES ZOSTER" para Lista Morb CID-10 e "50 A 59 ANOS, 60 A 69 ANOS, 70 A 79 ANOS E 80 ANOS E MAIS" para Faixa Etária 1. Disponível em: <link> Acesso em: JULHO/2025;
  5. KAWAI, K.; GEBREMESKEL, B. G.; ACOSTA, C. J. Systematic review of incidence and complications of herpes zoster: Towards a global perspective. BMJ Open, v. 4, n. 6, 2014;
  6. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Prevention of herpes zoster: recommendations of the Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP). MMWR, v. 57, RR-5, p. 1-30, 2008;
  7. BRASIL. Ministério da Saúde. Herpes (Cobreiro). Disponível em: <link> Acesso em: JULHO/2025;
  8. CLEMENS, S. Et al. Soroepidemiologia da varicela no Brasil – resultados de um estudo prospectivo transversal. Jornal da Pediatria, v. 75, n. 433-441, 1999;
  9. REIS, ALEXANDRA DIAS, CLAUDIO SÉRGIO PANNUTI, and VANDA AKICO UEDA FICK DE SOUZA. "Prevalência de anticorpos para o vírus da varicela-zoster em adultos jovens de diferentes regiões climáticas brasileiras." Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 36 (2003): 317-320;
  10. CAKALA-JAKIMOWICZ, M.; KOLODZIEJ-WOJNAR, P.; PUZIANOWSKA-KUZNICKA, M. Aging-Related Cellular, Structural and Functional Changes in the Lymph Nodes: A Significant Component of Immunosenescence? An Overview. Cells, v. 10, n. 11, p. 3148, 12 nov. 2021.
  11. KATZ, J.; MELZACK, R. Pain control in the perioperative period, measurement of pain. Surgical Clinics of North America, v. 79, n. 2, p. 231-252, 1999;
  12. LUKAS, K. et al. The impact of herpes zoster and post-herpetic neuralgia on quality of life: patient-reported outcomes in six European countries. J Public Health, 20:441-451, 2012.

 

Saúde íntima da mulher x saúde mental: como as duas podem se relacionar

Infecções, dor na relação e falta de autoconhecimento podem afetar o bem-estar psicológico; cuidado integral é essencial

 

A saúde íntima feminina ainda é um tema cercado de tabus, mas cada vez mais estudos mostram que ela está diretamente ligada ao bem-estar emocional e psicológico das mulheres. Infecções recorrentes, desconforto durante as relações sexuais, queda da libido ou até a falta de conhecimento sobre o próprio corpo podem gerar impactos significativos na autoestima, nos relacionamentos e, consequentemente, na saúde mental.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde sexual não se limita à ausência de doenças, mas envolve um estado de bem-estar físico, emocional, mental e social. Nesse contexto, cuidar da saúde íntima é também cuidar da mente.

“Quando uma mulher enfrenta problemas como dor na relação, ressecamento vaginal ou mesmo a insegurança em relação ao próprio corpo, isso pode afetar sua autoconfiança e até gerar quadros de ansiedade ou depressão. Da mesma forma, fatores emocionais como estresse e baixa autoestima podem contribuir para dificuldades no prazer sexual e no cuidado com a saúde íntima”, explica Dra. Mariane Nadai, médica ginecologista parceira da DKT South America, empresa de planejamento familiar.

Outro ponto importante é o autoconhecimento. Muitas mulheres ainda não têm informações suficientes sobre sua anatomia, ciclo menstrual ou métodos contraceptivos, o que pode gerar medo, culpa e até vergonha em situações relacionadas ao sexo. A educação sexual e o acesso a informações de qualidade são fundamentais para quebrar esse ciclo e promover uma vida sexual mais saudável e satisfatória.

Além disso, questões como sobrecarga mental, jornada dupla e falta de diálogo em relacionamentos também influenciam diretamente na vida sexual e reprodutiva. Investir em autocuidado, comunicação aberta e acesso a profissionais de saúde pode ser decisivo para restaurar a harmonia entre corpo e mente.

“Cuidar da saúde íntima vai muito além da prevenção de infecções ou da escolha de um método contraceptivo. É também sobre prazer, autonomia e qualidade de vida. E tudo isso tem reflexo direto na saúde mental da mulher”, reforça a médica.


DKT South America
Para saber mais, acesse o site
DKT Salú, DKT Academy e Use Prudence.

 

Nova descoberta brasileira pode contribuir para compreensão de como o câncer de mama escapa do tratamento

Pesquisa revela diversidade inédita da proteína HER2 em câncer de mama e levanta hipóteses sobre sua influência na eficácia das terapias atuais.

 

Pesquisadores do Hospital Sírio-Libanês identificaram 90 diferentes formas da proteína HER2 em tumores de mama, revelando uma complexidade muito maior do que se conhecia até então. A descoberta, publicada como capa da edição de setembro da revista científica Genome Research, amplia o entendimento sobre o papel dessa proteína no câncer de mama e abre novas possibilidades para a compreensão de mecanismos de resistência a terapias voltadas a essa proteína. 

Antes, vale entender o que é HER2: trata-se de uma proteína natural do organismo, presente em algumas células. Quando aparece em excesso em certos tumores, como o câncer de mama, a HER2 age como um “acelerador” do crescimento das células cancerígenas. Por isso, tornou-se alvo de tratamentos específicos que buscam bloquear sua ação. Considerando que cerca de 20% dos casos de câncer de mama no Brasil são do tipo HER2-positivo e que 60% são HER2-low, ambos grupos com terapias anti-HER2 efetivas, trata-se de um grupo de pacientes numeroso e de grande relevância clínica. Vale lembrar que, em 2025, estima-se que quase 70 mil mulheres no país receberão esse diagnóstico, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). 

Agora, voltando ao estudo: o gene HER2 funciona como um manual de instruções para produzir a proteína HER2. O que os pesquisadores mostraram é que o próprio organismo, usando um processo natural chamado splicing alternativo, pode “reorganizar” essas instruções para produzir diferentes versões (isoformas) da proteína HER2. Em pessoas saudáveis, essa “flexibilidade molecular” do gene faz parte do funcionamento normal das células. “No entanto, no câncer, essa produção de isoformas acaba sendo distorcida e funcionando como uma forma de camuflagem para as células cancerígenas: muitas dessas versões diferentes não possuem a estrutura onde o tratamento se encaixa, permitindo, como nossos achados indicam, que as células tumorais escapem dessas terapias-alvo”, explica Pedro A. F. Galante, Ph.D., autor responsável pelo estudo e coordenador do Grupo de Bioinformática do Hospital Sírio-Libanês. 

Ao analisar amostras de mais de 500 pacientes com câncer de mama e modelos celulares resistentes às terapias, os pesquisadores perceberam que justamente as versões sem o ponto de ligação do medicamento são mais expressas em células resistentes, apontando um possível novo mecanismo adaptativo do tumor. 

Para o oncologista Carlos dos Anjos, coautor do estudo, entender os mecanismos de resistência às terapias é fundamental para o avanço da oncologia. “Apesar dos avanços no tratamento do câncer com terapias anti-HER2, ainda vemos pacientes que não respondem ou que deixam de responder ao longo do tratamento. Nosso estudo propõe um possível novo mecanismo de resistência, relacionado à diversidade de isoformas da proteína HER2. Ao trazer essa hipótese à luz, esperamos contribuir para futuras pesquisas que possam validar esses achados e, quem sabe, no futuro, transformá-los em aplicações clínicas concretas”, afirma. 

Pedro Galante complementa: “Mapear essa diversidade de isoformas ajuda a entender como o câncer se adapta às terapias e pode direcionar o desenvolvimento de medicamentos mais precisos — sejam terapias que ataquem especificamente essas variantes que escapam dos remédios ou tratamentos combinados para bloquear várias isoformas ao mesmo tempo.” 

Uma das contribuições relevantes do estudo é a observação de que pacientes classificados como HER2-low ou HER2-zero, pela metodologia tradicional de imuno-histoquímica, podem apresentar perfis distintos de expressão das isoformas da proteína HER2. “Essa variabilidade ainda pouco explorada pode, em hipótese, contribuir para diferenças na resposta às terapias anti-HER2, especialmente aos anticorpos conjugados a drogas (ADCs)”, explica Gabriela Guardia, coautora do estudo. “Nosso trabalho ajuda a levantar essa possibilidade, que poderá ser investigada e validada em estudos futuros.” 

O estudo contribui para aprofundar a compreensão da biologia do câncer de mama ao revelar uma nova camada de complexidade na expressão da proteína HER2 — presente de forma variável em tumores classificados como HER2-positivo, HER2-low ou até HER2-zero. “Nosso objetivo é lançar luz sobre mecanismos ainda pouco explorados, que futuramente poderão orientar o desenvolvimento de terapias mais personalizadas ou a melhor seleção de pacientes para tratamentos já existentes”, conclui Carlos dos Anjos.


Biópsia líquida, o novo ‘exame de sangue’, promete revolucionar o diagnóstico do câncer, mas especialista alerta: 'ainda não substitui o método tradicional'

Dr. José Carlos Sadalla explica como a técnica inovadora detecta o DNA do tumor no sangue e pode antecipar o diagnóstico em anos, mas ressalta que a tecnologia ainda está em validação e seu uso exige cautela.

 

 Uma simples coleta de sangue com o potencial de detectar o câncer anos antes dos primeiros sintomas. Essa é a promessa da biópsia líquida, uma técnica inovadora que está na vanguarda da oncologia e representa um dos mais promissores avanços no diagnóstico precoce da doença. Contudo, apesar do otimismo, a aplicação em larga escala ainda depende de mais estudos e validação clínica.
 

O Prof. Dr. José Carlos Sadalla, especialista em Mastologia e Oncoginecologia, explica o funcionamento, as vantagens e os desafios dessa nova fronteira da medicina.
 

O que é e como funciona a biópsia líquida?  

Diferente da biópsia tradicional, que remove um fragmento de tecido do tumor, a biópsia líquida é um exame não invasivo que analisa uma amostra de sangue (ou outros fluidos corporais) em busca de "rastros" do câncer. A tecnologia procura por frações do DNA do tumor que circulam na corrente sanguínea, o chamado ctDNA. 

"A grande revolução da biópsia líquida é a capacidade de nos dar um retrato molecular do tumor de uma forma muito menos agressiva para o paciente", explica o Dr. Sadalla. "Ao encontrar e analisar esse DNA tumoral, conseguimos identificar características genéticas do câncer, monitorar a resposta ao tratamento e até detectar uma possível volta da doença muito antes de ela aparecer em exames de imagem. É uma janela para o futuro do tratamento oncológico." 

A tecnologia utiliza inteligência artificial e machine learning para processar os dados encontrados no sangue e identificar padrões que indiquem a presença e, em alguns casos, até a origem do câncer. Pesquisas recentes no Reino Unido, por exemplo, identificaram mais de 100 proteínas no sangue associadas ao surgimento de câncer até sete anos antes do diagnóstico convencional.
 

O futuro: testes de detecção precoce de múltiplos cânceres (MCEDs)  

A biópsia líquida é a base para o desenvolvimento dos testes MCED (multi-cancer early detection), que buscam rastrear diversos tipos de câncer de uma só vez. Grandes estudos estão em andamento, como o do teste Galleri®, com mais de 140 mil pessoas no Reino Unido, cujos resultados são aguardados para 2026. A ideia é que esses testes possam complementar métodos de rastreamento já estabelecidos, como a mamografia, ou servir para tumores que hoje não possuem um método de triagem eficaz, como os de pâncreas e ovário.
 

Cenário atual: promessas e limitações  

Apesar de promissora, o Dr. Sadalla ressalta que a tecnologia ainda tem um caminho a percorrer antes de ser usada em larga escala.

  • Vantagens: É menos invasiva, permite o monitoramento contínuo da doença e ajuda a personalizar o tratamento.
  • Desvantagens: O alto custo (de R$ 6 mil a R$ 15 mil), a sensibilidade ainda limitada para tumores muito iniciais e o risco de resultados falso-positivos são os principais desafios.

"Hoje, no Brasil, a biópsia líquida já é uma realidade na rede privada para indicações muito específicas, como monitorar a progressão de uma doença avançada ou avaliar a necessidade de tratamento complementar após uma cirurgia. Contudo, ela ainda não está disponível no SUS ou na maioria dos planos de saúde e não substitui a biópsia de tecido para o diagnóstico inicial", afirma o médico.
 

O perigo dos marcadores tumorais tradicionais  

O Dr. Sadalla também faz um alerta importante sobre a interpretação de exames mais antigos, como os marcadores tumorais (CA 125, CEA, etc.), que podem gerar confusão e ansiedade.

"É fundamental que os pacientes entendam: marcadores tumorais não servem para diagnóstico de câncer. Eles podem estar alterados por uma infinidade de condições benignas", explica. "O exemplo clássico é o marcador CA 125, que pode subir em casos de endometriose, cistos no ovário ou até hepatite, sem ter nenhuma relação com câncer. Usá-los de forma isolada para rastreamento pode levar a pânico e procedimentos invasivos desnecessários. A medicina de precisão, como a biópsia líquida, busca justamente superar essa falta de especificidade."
 

Clínica Andrade & Sadalla


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