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quarta-feira, 17 de julho de 2024

Quem pode receber material doado na Reprodução Assistida?

Dra. Isadora Matias de Barros Bueno, ginecologista e obstetra da AMCR, explica um pouco mais sobre o tratamento de reprodução assistida
 

Um casal sem nenhum fator limitante para engravidar tem cerca de 25% de chance de conceber a cada mês, segundo o portal Patrícia Varella. Entretanto, muitos casais não conseguem alcançar uma gestação e este número tem aumentado nos últimos anos. A Reprodução Assistida é um conjunto de técnicas utilizadas pela medicina para auxiliar esses pacientes a terem filhos. Nos tratamentos de Reprodução Assistida, a doação de óvulos, sêmen e embriões tornou-se cada vez mais comum.

Os óvulos doados para reprodução assistida normalmente beneficiam pacientes com baixa reserva ovariana, que entraram precocemente na menopausa, além de mulheres acima dos 40 anos, casais homoafetivos e pacientes que não possuem ovários devido a cirurgias. Hoje, vamos entender um pouco mais sobre os beneficiários de materiais doados para esse tratamento

O sêmen doado tem como objetivo ajudar casais com problemas graves de fertilidade masculina, casais homoafetivos femininos e mulheres que desejam a maternidade solo. Já os embriões doados são indicados para casais com problemas de fertilidade tanto femininos quanto masculinos, mulheres que optam pela maternidade solo e aquelas com idade avançada ou baixa reserva ovariana.

A Dra. Isadora Matias de Barro Bueno, ginecologista e obstetra do AMCR, comentou sobre a idade limite para esses procedimentos, e explicou como prosseguir caso esteja acima dessa faixa etária: "A última resolução do Conselho Federal de Medicina estabelece a idade limite de 50 anos para procedimentos de reprodução assistida. Pacientes acima dessa faixa etária requerem avaliação detalhada e autorização do médico obstetra."

Além das sorologias preconizadas pela Anvisa, os casais devem passar por alguns exames clínicos como Papanicolau, mamografia e ultrassom transvaginal. "Mulheres acima de 40 anos podem necessitar de exames adicionais, como histeroscopia, devido a possíveis alterações uterinas" , conclui a Dra Isadora.

O preparo para transferência de embriões pode ser feito com hormônios para ajustar o útero, seja artificialmente em pacientes na menopausa ou seguindo o ciclo natural da mulher em tratamento. Além disso, podem ser transferidos, no máximo, dois embriões, levando em consideração a idade do óvulo e não da paciente em gestação.

O procedimento tem riscos inerentes a própria gestação, sendo o risco de aborto igual da população geral abaixo dos 37, uma vez que esta é a idade limite para a doação de ovulos.

"A reprodução assistida ajuda muitos pacientes que têm dificuldades com gestação a realizarem o sonho de serem pais. É gratificante poder ver a ciência e os estudos auxiliando na reprodução de formas que antigamente não víamos" conclui a Dra. Isadora. 



AMCR – Associação Mulher Ciência e Reprodução Humana do Brasil
Para saber mais informações, acesse o site.


Envelheci e estou com medo de cair, o que fazer?

A queda é o principal problema para pessoas com mais de 60 anos. Os principais motivos são a fragilidade, que vem da fraqueza muscular, e o medo de cair. Obstáculos como tapetes, degraus ou objetos esquecidos no chão podem também provocar quedas.

Cair é um problema sério, um em cada quatro brasileiros com mais de 50 anos caem, segundo último Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros. Esse número quase dobra quando a idade é superior aos 80 anos. Além da queda em si, o medo de cair atinge 31% dessas pessoas. O fato de ter medo faz com que festas, encontros sociais e passeios sejam evitados, os custos financeiros do tratamento são muito altos, mas nada se compara à enorme redução da qualidade de vida. É comum o abandono do convívio com outras pessoas.

A boa notícia é que evitar as quedas é uma das preocupações dos profissionais da área da saúde. Várias estratégias vêm sendo adotadas em todo o mundo, inclusive no Brasil. O Guia de Atividades Físicas para População Brasileira, disponível gratuitamente, é uma delas. Usando uma linguagem fácil, ele inclui diversas maneiras de se exercitar com segurança e eficiência. 

Para evitar as quedas, é essencial aumentar a força dos músculos. Isso não significa músculos exageradamente grandes e exercícios que usem muitos pesos. Práticas com o uso do próprio peso do corpo já são capazes de desenvolver músculos mais fortes e evitar quedas. É importante contar com ajuda de um profissional capacitado, seja numa academia ou em algum dos programas comunitários gratuitos disponíveis, como o Programa Academia da Saúde (PAS).

Exercitar-se é fundamental, não só para evitar as quedas físicas, que já são muito graves, mas também para evitar a queda da qualidade de vida com o afastamento do convívio com as pessoas amadas e a falta das atividades mais prazerosas. Dance, pratique esportes, aproveite as festas da família, viaje. Faça exercícios regularmente e perca o medo das quedas.

 

Marco Machado - um dos principais cientistas sobre creatina do mundo, é profissional da Educação Física, professor universitário, pesquisador sobre bem-estar na terceira idade, autor do livro "Creatina e Envelhecimento

 

 

Psicose puerperal: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

Pexels
Cerca de 1 a 2 mulheres a cada mil partos são afetadas pela psicose pós-parto, um transtorno psiquiátrico grave que muitas vezes é pouco discutido e compreendido. Segundo o Postpartum Support International, mulheres com psicose perinatal apresentam uma taxa de suicídio de 5% e de infanticídio de 4%, devido à intensidade dos delírios e alucinações que acreditam serem reais. Rafaela Schiavo, psicóloga perinatal, esclarece as causas, sintomas e formas de assistência desta condição que pode ter sérias consequências para a mãe e o bebê.


O que é psicose pós-parto?

A psicose pós-parto é caracterizada pela perda de contato com a realidade, incluindo sintomas como delírios, alucinações, agitação severa e comportamento impulsivo. Esta condição requer cuidado médico imediato e apoio contínuo, devido aos riscos significativos tanto para a mãe quanto para o bebê. Os principais fatores de risco incluem histórico pessoal ou familiar de transtorno bipolar ou episódios psicóticos anteriores.


Sintomas

No pós-parto, muitas mulheres podem apresentar ansiedade, estresse e depressão. A depressão atinge 25% das mulheres, enquanto a psicose puerperal é mais rara, ocorrendo em uma a duas mulheres a cada mil partos. A depressão pós-parto envolve sentimentos de tristeza e culpa, mas a consciência da realidade é mantida. Na psicose, há uma ruptura com a realidade, com alucinações, vozes, confusão mental e despersonalização.


Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da psicose pós-parto é feito por um profissional da saúde mental especializado, que avalia os sintomas apresentados pela paciente. É importante que familiares e amigos estejam atentos aos sinais e incentivem a busca por ajuda médica. Exames complementares podem ser solicitados para descartar outras condições médicas que possam estar causando os sintomas.


Hormônios e psicose pós-parto

Embora os hormônios da gestação possam contribuir para o desenvolvimento da psicose pós-parto, não são a única causa. A queda hormonal após o parto pode causar transtornos, mas é fundamental avaliar o histórico de vida e os fatores de risco anteriores à gravidez. Até o momento, não há estudos conclusivos sobre uma causa específica; condições como esquizofrenia, transtorno bipolar e borderline podem influenciar. Em geral, a psicose ocorre na primeira gestação, mas mulheres com histórico de psicose precisam de acompanhamento psiquiátrico e psicológico em gestações subsequentes.


Apoio e assistência

Familiares, amigos e profissionais devem estar atentos a mudanças de comportamento e oferecer suporte. A romantização da maternidade contrasta com a realidade vivida por muitas mulheres. Mais de 50% das gestações no Brasil não são planejadas, o que pode gerar sentimentos negativos e prejudicar a saúde mental.

“O preconceito e a repressão desses sentimentos agravam a situação. A gravidez é um período de grande vulnerabilidade para a mulher, por isso o suporte contínuo é essencial. A conscientização e o pré-natal psicológico podem reduzir estereótipos e encorajar as mulheres a procurarem ajuda sem medo de julgamentos. Falar abertamente sobre os sinais de alerta e a importância do tratamento adequado pode salvar vidas e promover uma maternidade mais saudável”, explica Rafaela Schiavo.


O Pronto Atendimento e o desafio do acolhimento na saúde

 

O trabalho dentro de um hospital é complexo devido a diversas camadas de atendimento que são necessárias para abranger as necessidades de todos os pacientes. É preciso gerenciar altas complexidades, como cirurgias de emergência e a necessidade de utilização de UTI, bem como demandas eletivas para procedimentos pré-agendados e consultas marcadas com especialistas. No entanto, é o fluxo do Pronto Atendimento (PA) que escancara o maior desafio da rotina hospitalar.

O Pronto Atendimento é o local que concentra queixas distintas de pacientes que buscam atendimento com graus de complexidade diferenciados. Em uma mesma porta de entrada, encontram-se pessoas com dor de cabeça, dor de garganta, diarreia, até pacientes com crises renais graves, dores agudas no peito e suspeita de infarto, confusão mental e a possibilidade de Acidente Vascular Cerebral, hemorragias. Por essas peculiaridades é que o Pronto Socorro (PS) é um setor altamente delicado de atendimento em saúde.

Ninguém procura o hospital se está bem. Todos possuem queixas legítimas, estão sensibilizados e precisam ser bem atendidos. No entanto, um paciente que está apenas com cefaleia simples, sem outros sinais de complicação, não terá prioridade frente a casos de pacientes com dor no peito, por exemplo. 

Uma das explicações para a grande demanda e complexidade de atendimento no PS é a falta de estrutura de qualidade nas Unidades Básicas de Saúde. Muitos dos pacientes que procuram o setor de emergência hospitalar têm queixas que deveriam ser atendidas em consultas da especialidade de família ou clínica médica. São atendimentos que deveriam ser realizados pela atenção básica em saúde. 

Há diversas campanhas governamentais, iniciativas municipais, principalmente, para alertar cidadãos sobre a busca mais efetiva de atendimento de saúde. Instituições particulares e beneficentes também têm se engajado, mas não é apenas a informação que precisa ser repassada de forma precisa. De nada adianta o cidadão saber aonde deve ir, se o atendimento não ocorre. São muitos os cenários em que o paciente busca atendimento no setor primário, mas não consegue uma consulta ou mesmo tem seu agendamento marcado para dali alguns meses, o que também dificulta o acompanhamento eficaz.

A própria relação dos brasileiros com a saúde também impacta nesse fluxo. Muitos pacientes não possuem mais um médico de referência, que conhece seu histórico de saúde e seria um ponto de contato nesses momentos e de distribuição da carga de atendimento. Assim, quando há alguma queixa ou algo que chama a atenção na saúde, é nos prontos atendimentos que eles buscarão apoio.

Para além de apontar dificuldades, é preciso buscar soluções. Investir em ferramentas de gestão do PA parece o melhor caminho. Uma triagem eficaz é ponto crucial para que isso ocorra. Os profissionais que estão à frente desta tarefa precisam ser muito bem treinados tecnicamente, mas também possuir habilidades comportamentais como paciência, empatia e boa tomada de decisões quando o cenário fica mais complexo.

Grande parte das instituições de saúde trabalha com o Protocolo de Manchester, que é um método de classificação para determinar quais são os atendimentos prioritários na emergência. Com ele, quem chega ao PA é identificado por cores, dependendo da urgência de atendimento. Pacientes com a cor vermelha devem ser atendidos imediatamente. Aqueles com a cor laranja exigem atenção, e devem ser atendidos com prazo de 10 minutos, aproximadamente. A cor amarela indica casos não imediatos, em que a espera pode chegar a 1 hora. A identificação verde é para pacientes menos graves, com espera estimada em 2 horas. E a cor azul é para quadros simples de saúde, com espera de até 4 horas. 

Esse protocolo foi inventado no início da década de 1990 e começou a ser implantado em hospitais do Reino Unido. O método é eficaz, mas, ao longo dos anos, vem dividindo experiências com outros formatos de classificação e atendimento. Um deles é o chamado Fast Track, conceito que abrange a necessidade de acelerar processos médicos e garantir celeridade no atendimento ao paciente. Para funcionar, é essencial que a avaliação no Pronto Atendimento seja criteriosa. 

Na prática, o Fast Track alivia a demanda no PS ao prever um espaço separado em que pacientes com menor complexidade são encaminhados. Nesse local, todos são atendidos com mais rapidez, já que as queixas são simples e preveem também protocolos mais fáceis de administrar. É como se houvesse a possibilidade de acelerar o atendimento a partir da identificação de que o problema de saúde não necessita de internação ou de intervenções invasivas. A ideia é trazer a eficiência como ponto central para o paciente, sem deixar de lado segurança, qualidade e atendimento especializado. 

Sabemos que daqui para frente outros tantos protocolos e iniciativas que buscam melhorar a experiência do atendimento do paciente surgirão. A inteligência artificial deve cada vez ser mais aplicada e servir como um apoio nesse sentido. A própria relação com a saúde vem mudando no mundo todo. Mas o que não vai mudar e precisamos ter clareza é que os pacientes estão ali em busca de acolhimento. Todos os pontos de melhoria e inovação devem buscar oferecer assistência e resolutividade que garantam a cada um que está ali ser visto em sua individualidade. Cada esforço que contribui para a otimização de recursos hospitalares e para a diminuição da pressão no sistema de saúde é válido. E o trabalho é coletivo. Precisamos todos — pacientes, profissionais e gestores — nos unirmos nesse caminho.


José Arthur Brasil - coordenador médico do Hospital São Marcelino Champagnat

 

Doenças respiratórias disparam fortemente com clima seco


O percentual médio de diagnósticos de pessoas com doenças respiratórias em relação ao total de atendimentos no Pronto Atendimento Virtual da Conexa, ecossistema digital integral de saúde líder na América Latina, avançou bastante no segundo trimestre deste ano em comparação com o registrado no primeiro trimestre de 2024. Um dos fatores que contribuiu para esse avanço foi o clima seco que tomou conta de boa parte do País entre os meses de abril e junho.


A startup viu crescer, em suas consultas online, diagnósticos de resfriados, gripes, rinite, sinusite, bronquite, asma e pneumonia. Entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, a média dos percentuais dos diagnósticos de doenças respiratórias saltou de 16,5% para 23,7% do total de atendimentos no PA Virtual da empresa.


Em junho deste ano, mês com altas temperaturas e clima seco, os diagnósticos de doenças respiratórias representaram 27,5% do total de atendimentos, enquanto que em igual mês de 2023, o percentual foi de 26,3%. Em relação a junho de 2022, o total foi ainda maior: 13,9%.


“O vírus da gripe é mais comum em climas frios e secos. Mudanças bruscas de temperatura podem afetar o sistema imunológico, tornando as pessoas mais suscetíveis à enfermidade”, afirma Cynthia Saad, pneumologista da Conexa. Além de facilitar infecções, a exposição ao ar seco pode agravar os sintomas de bronquite, rinite, asma e pneumonia.


Mesmo antes do início do inverno, os números de 2024 superam os do ano anterior. Enquanto em janeiro de 2023 os diagnósticos de doenças respiratórias representavam apenas 9% do total, no primeiro mês deste ano, foram 13,3%. Também foi detectada alta de 13% para 16,6% em fevereiro e 16% para 19% em março.


Apesar da alta nos diagnósticos, a maioria dos casos é de baixa gravidade. No primeiro trimestre de 2024, apenas 6,2% dos pacientes com sintomas respiratórios foram encaminhados para hospitais. Apesar da maior incidência de casos no segundo trimestre deste ano, o percentual de encaminhamentos caiu para 5,2%, o que indica alta resolutividade pelo atendimento virtual.


A chefe de pneumologia da Conexa reforça os principais cuidados que devemos ter nessa época do ano. “É importante manter uma boa hidratação, alimentação balanceada, evitar longos períodos em lugares fechados e manter uma boa higiene das mãos. Também é fundamental a manutenção da vacinação em dia, como, por exemplo, a vacina anual contra a gripe, além de buscar orientação médica ao primeiro sinal de sintomas respiratórios”, diz Cynthia Saad.

 



Conexa

 

Alterações climáticas e a influência na saúde, otorrino explica


O sobe e desce de temperatura que oscila no decorrer do mesmo dia afeta a saúde e pode baixar a imunidade – deixando assim, o corpo mais suscetível a doenças comuns dessa época do ano, como as gripes e resfriados. 

O médico otorrinolaringologista Bruno Borges de Carvalho Barros da capital paulista explica que o sobe e desce da temperatura interfere no muco nasal que é responsável por umedecer o ar que entra e sai do nosso corpo, mas quando o tempo está seco, por exemplo, o muco diminui a sua capacidade de hidratar, é aí que o nariz sofre.

“Acordar com tempo bem friozinho que esquenta à tarde e depois esfria novamente à noite é um enorme gatilho para que a imunidade baixe no nariz, além disso, o tempo mais seco faz com que a poluição se concentre ainda mais, o que pode gerar alergias como a conhecida rinite”, explica. 

Dr. Bruno ressalta que, alguns conhecidos conselhos das avós ainda são bem atuais e por isso é importante evitar andar com os pés descalços no piso frio, dormir com o cabelo úmido ou sair de casa logo após um banho quente. “Evitar esfriar o corpo pode ser uma boa saída para ficar longe das doenças comuns dessa época do ano”, afirma. 

No mais, o médico ainda deixa alguns conselhos: 

  • Manter boa hidratação bebendo água durante todo o dia;
  • Usar soro fisiológico pra hidratar o nariz;
  • Deixar o umidificador ligado em baixa intensidade durante toda a noite;
  • Dormir por horas adequadas para a idade;
  • Alimentação saudável sempre priorizando alimentos in natura e variações de cores no prato;
  • Fazer atividade física;
  • E manter um hobby, diminuindo o estresse. 

Para o médico, essas dicas são essenciais para que o corpo crie uma barreira de imunidade para passar pelo inverno com saúde.



FONTE:
Bruno Borges de Carvalho Barros - Médico otorrinolaringologista pela UNIFESP Professor Medcel Pós-graduação pela UNIFESP. Especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo.


Julho Amarelo busca ações contra Hepatites Virais, que causam 1,3 milhões de mortes por ano

Dra. Carolina Brites dá dicas de prevenção para combater a disseminação das doenças

 

O “Julho Amarelo” foi instituído no Brasil pela Lei nº 13.802/2019, com o objetivo de reforçar as ações de vigilância, prevenção e controle das hepatites virais, além de ampliar a divulgação e o conhecimento sobre uma doença que pode ser prevenida e diagnosticada precocemente para minimizar seus agravos. 

As hepatites são processos inflamatórios no fígado, causados por vírus, medicamentos, álcool, outras drogas, doenças autoimunes, metabólicas ou genéticas. No caso das hepatites virais, são inflamações causadas por vírus classificados pelas letras do alfabeto em A, B, C, D (Delta) e E. 

O “Relatório Global sobre Hepatites de 2024″ (https://www.who.int/publications/i/item/9789240091672), divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mostra que as hepatites virais causam a morte de cerca de 3.500 pessoas por dia em todo o mundo. Ainda segundo o documento, a doença é a segunda principal causa infecciosa de morte a nível mundial, com 1,3 milhões de mortes por ano, ficando atrás apenas da tuberculose. 

No Brasil, os tipos mais comuns são as hepatites A, B e C, com menor frequência para os tipos D e E. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para todos os tipos de hepatite, independentemente do grau de lesão do fígado. 

A Dra. Carolina Brites, infectologista pediátrica, destaca que a hepatite A é o tipo mais comum, relacionado às condições de saneamento básico e higiene. "A transmissão é fecal-oral, e embora a infecção seja leve na maioria dos casos, pode haver casos de hepatites fulminantes causadas por este tipo de vírus. Existe vacina para a hepatite A." 

A hepatite B é o segundo tipo com maior incidência e se transmite principalmente por via sexual e contato sanguíneo. "A melhor forma de prevenção para a hepatite B é a vacina, associada ao uso do preservativo." 

A hepatite C, considerada uma grande epidemia, tem como principal forma de transmissão o contato com sangue. "A hepatite C é a principal causa de transplantes de fígado e pode levar à cirrose, câncer de fígado e morte. Infelizmente, não há vacina para a hepatite C." 

A hepatite D ocorre apenas em pacientes infectados pelo vírus da hepatite B. "A vacinação contra a hepatite B também protege contra a hepatite D." 

A hepatite E é transmitida por via digestiva (fecal-oral) e provoca grandes epidemias em certas regiões. "Embora a hepatite E não se torne crônica, mulheres grávidas infectadas podem apresentar formas mais graves da doença." 

A Dra. Brites enfatiza: "A falta de conhecimento sobre estas doenças, seu diagnóstico e prevenção é o nosso maior desafio." Existem vacinas para as hepatites A e B, e testes rápidos em serviços de saúde para as hepatites B e C, permitindo um diagnóstico precoce e tratamento adequado. 

Confira algumas dicas de prevenção da Dra, Brites para cada uma das hepatites virais:

 

Prevenção da Hepatite A

  • Vacinação eficaz e segura.
  • Lavar as mãos com frequência.
  • Utilizar água tratada, clorada ou fervida para lavar alimentos crus.
  • Cozinhar bem os alimentos, especialmente mariscos, frutos do mar e peixes.
  • Lavar adequadamente utensílios e mamadeiras.
  • Adotar medidas rigorosas de higiene em creches, pré-escolas, lanchonetes, restaurantes e instituições fechadas.
  • Evitar banho ou brincadeiras perto de valões, riachos, chafarizes, enchentes ou esgoto.
  • Usar preservativos e higienizar mãos e genitália antes e após relações sexuais.

 

Prevenção da Hepatite B 

  • Vacinação eficaz e segura.
  • Uso de preservativo em todas as relações sexuais.
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal (lâminas de barbear, escovas de dente, material de manicure, equipamentos para uso de drogas).
  • Testagem de mulheres grávidas para prevenir transmissão vertical.

 

Prevenção da Hepatite C 

  • Não compartilhar objetos que possam ter contato com sangue (seringas, agulhas, alicates, escovas de dente).
  • Uso de preservativo nas relações sexuais.
  • Testagem de mulheres grávidas no pré-natal para hepatites B e C, HIV e sífilis.

 

Prevenção da Hepatite D 

  • Vacinação contra a hepatite B, que também protege contra a hepatite D.

 

Prevenção da Hepatite E 

  • Melhorar as condições de saneamento básico e higiene, adotando medidas semelhantes às da prevenção da hepatite A.

 A Dra. Brites conclui: "A conscientização e o conhecimento sobre as hepatites virais são fundamentais para a prevenção e controle dessas doenças."

 


Carolina Brites - concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP. Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora.


Idosos e mulheres estão entre os que mais sofrem com dores crônicas: entenda os sintomas, tratamentos e causa

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No Brasil, o envelhecimento populacional e a crescente prevalência de doenças crônicas apontam para um futuro onde uma grande parte da população será afetada pela dor

 

As dores crônicas fazem parte do cotidiano de 36,9% dos brasileiros com mais de 50 anos, e desse conjunto, 30% usam opioides para ter algum alívio. Os dados, de um estudo financiado pelo Ministério da Saúde, revelaram que a dor crônica é mais frequente entre mulheres, pessoas de baixa renda e aqueles com diagnóstico para artrite, dor nas costas/coluna, sintomas depressivos e com histórico de quedas e hospitalizações.

Segundo o Dr. Levi Higino Jales Neto, Médico Reumatologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, a dor crônica pode ocorrer quando os nervos se tornam mais sensíveis à dor, um fenômeno conhecido como sensibilização central. Foi demonstrado em estudos experimentais que isso acontece quando ocorre um estímulo  repetido das células das fibras nervosas que detectam, transmitem e recebem sinais de dor. “Com a estimulação contínua, a estrutura dessas fibras e células nervosas pode mudar, um processo chamado remodelação neural, ou elas podem se tornar mais ativas”, explica o especialista.

A dor crônica é uma condição médica definida pela persistência da dor por períodos prolongados, geralmente ultrapassando três meses. Esta condição causa um impacto profundo na qualidade de vida, interferindo nas atividades cotidianas, no sono e no bem-estar emocional dos indivíduos afetados. Muitas vezes negligenciadas quanto à abordagem necessária, as dores crônicas têm um impacto severo na condição física, psicológica e no comportamento dos indivíduos.

Causas

Essas dores podem surgir de várias condições médicas e problemas de saúde que afetam diferentes partes do corpo, como dores na coluna, dores nas articulações, doenças reumáticas, degenerações ou inflamações nos órgãos internos, entre outros. Elas podem manifestar-se de maneiras variadas, sendo descritas como latejantes, lancinantes, em ardência ou como agulhadas, podendo ser constantes ou intermitentes, com intensidade variável.

Outras causas conhecidas de dor crônica incluem a fibromialgia, a síndrome da fadiga crônica, endometriose, doença inflamatória intestinal, cistite intersticial, disfunção da articulação temporomandibular (ATM) e vulvodínia. Além disso, fatores psicológicos como ansiedade e depressão podem intensificar a percepção da dor e limitar as atividades diárias dos pacientes.

“O diagnóstico de dor crônica requer uma avaliação médica detalhada, muitas vezes incluindo uma avaliação da saúde mental, para identificar a causa da dor e seu impacto nas atividades diárias do paciente. Os médicos realizam uma análise minuciosa para determinar a melhor abordagem de tratamento, focando no alívio da dor e no bem-estar geral do indivíduo”, acrescenta o Dr. Jales Neto.

Conforme a mais recente edição do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (ELSI-Brasil), de 2023, aproximadamente 37% dos brasileiros com mais de 50 anos sofrem de dores crônicas.

Tratamento

O tratamento da dor crônica inclui uma variedade de abordagens integradas, como educação sobre a doença, o autocuidado com ênfase na perda de peso, adoção de um estilo de vida saudável e prática de exercícios físicos. Além disso, são utilizadas psicoterapia, medicamentos não-opioides, e, em situações específicas, opióides para o tratamento da dor aguda. Procedimentos intervencionistas minimamente invasivos são realizados quando necessário, assim como cirurgias indicadas. Terapias avançadas, como neuroestimulação, e tratamentos complementares, como acupuntura e musicoterapia, também são opções consideradas.

Se você apresenta sintomas de dor crônica, é aconselhável buscar a orientação de profissionais especializados no manejo dessa condição, como reumatologistas, ortopedistas, clínicos gerais e fisioterapeutas. Esses especialistas estão aptos a diagnosticar a causa da dor crônica e oferecer um plano de tratamento personalizado para melhorar sua qualidade de vida.

 

Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo

 

Hepatite na manicure: conheça os cuidados para cliente e profissional

Vírus das hepatites B e C podem ser transmitidos pelas mãos entre profissional e cliente e ainda mais por utensílios compartilhados mal esterilizados

 

Se tem um hábito instaurado entre a maioria das brasileiras é o ritual de fazer as unhas toda semana. Dos salões mais sofisticados, aos de bairro e sem deixar de fora as manicures a domicílio, todas as modalidades podem oferecer o risco de transmissão do vírus das hepatites B e C, caso o rigor do uso de materiais descartáveis e/ou estéreis não seja cumprido. 

Há mais de uma década, uma enfermeira que cursava mestrado centrou sua pesquisa no dado curioso de que muitas das pacientes com hepatite que atendia trabalhavam no ramo da beleza. Em sua pesquisa de campo, ela visitou diversos salões e examinou manicures em São Paulo (SP) e constatou que 10% delas testaram positivo para Hepatite B ou C. Desde a descoberta, a necessidade de medidas de sanitização e higiene repercutiram com mais força pelos salões da cidade. 

Mesmo assim, ainda hoje, observa-se uma falha no cuidado ideal para a saúde da profissional e da cliente, deixando aberta essa brecha de contágio. É por isso que a Dra. Patricia Almeida, Hepatologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Doutora pela Universidade de São Paulo (USP), volta a chamar atenção para esta pauta. "O sangue contaminado que pode estar presente em alicates de unhas e em outros utensílios utilizados na manicure/pedicure pode contaminar a própria profissional ou a cliente seguinte", detalha a médica. 

Para impedir esse perigo, a Doutora recomenda que essas profissionais sigam um protocolo de higiene e de procedimento, que inclui: 

  • Esterilizar os alicates, espátulas e outros instrumentos de metal em aparelhos de autoclave;
  • Usar luvas nos atendimentos;
  • Lavar as mãos antes e depois de cada procedimento;
  • Não reutilizar lixas de unha, lixas de esfoliação dos pés e palitos de madeira;
  • Trocar revestimentos plásticos e lavar as bacias de pés e mãos antes de cada cliente;
  • Utilizar toalhas limpas a cada cliente.

 

Desfazendo mitos no cuidado com os materiais 

Especialista no tratamento da hepatite, a Dra. Patricia observa que ainda pode acontecer de estabelecimentos que trabalham com unha e podologia acreditarem que é possível esterilizar os materiais usando um forno convencional em vez da autoclave. "Fornos não esterilizam metais. A profissional deve seguir corretamente as instruções do manual do equipamento de esterilização. No caso da estufa, deve-se mantê-la fechada durante todo o processo, ou seja, o material deve permanecer por uma hora a 170º C (observar a temperatura recomendada no termômetro longo do bulbo)", especifica a médica. 

Antes da esterilização ser feita como descrito acima, é preciso lavar os instrumentos utilizados em água corrente, com escova plástica de limpeza e detergente líquido, usando luvas de borracha. Depois disso, secar o material com toalha limpa ou descartável e colocar cada instrumento na embalagem apropriada para esterilização, detalha a Dra. Patricia. 

"Infelizmente, é bem complicado que a cliente tenha a segurança de uma esterilização adequada. Logo, a orientação mais correta é que cada uma tenha seu próprio 'kit', contendo alicate, espátula, lixa, palito e toalha", recomenda a hepatologista.

 

Dra. Patricia Almeida - CRM SP 159821. Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2010). Residência Médica em Clínica Médica no Hospital Geral Dr César Cals em Fortaleza-CE- (2011-12). Residência em Gastroenterologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo-(USP RP) (2013/15). Aprimoramento em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP)- (2016). Aprimoramento em Transplante de fígado no Hospital das clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP) (2017). Observership no Jackson Memorial Hospital em Miami/EUA 2017. Doutorado em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Título de Especialista em Gastroenterologia pela FBG Título em Hepatologia pela SBH. Hepatologista do Hospital Israelita Albert Einstein.


Meio do ano, metas não alcançadas: como controlar a pressão e evitar a ansiedade


Chegamos ao meio do ano e uma preocupação constante no período é o aumento observado no número de pessoas que enfrentam crises de ansiedade, depressão e burnout. Essa tendência se estende não apenas aos que já são diagnosticados com esses transtornos, mas também àqueles que até então eram mentalmente saudáveis. 

Esses casos podem ser críticos nesse período do meio do ano, pois, muitos tiram férias, viajam e tem também muitas pessoas que percebem que já se passou metade do ano e muitas das metas estabelecidas não foram atingidas, ou já desistiram dessas, aumentando o quadro de doenças mentais. 

O Dr. Vicente Beraldi Freitas, médico e consultor em saúde da Moema Assessoria em Medicina e Segurança do Trabalho, esclarece: "Conforme avançamos no ano, um período em que muitos refletem sobre suas realizações e estabelecem novas metas, é natural que surjam sentimentos conflitantes. Enquanto alguns encontram felicidade e satisfação, outros podem sentir-se insatisfeitos, tanto pessoal quanto profissionalmente, o que pode desencadear problemas de saúde mental." 

Diversos fatores contribuem para esses casos de depressão, ansiedade e burnout no meio do ano, incluindo rupturas pessoais, dificuldades financeiras, perda de entes queridos e frustrações no trabalho, entre outros. 

Por outro lado, a exposição constante das conquistas e felicidade nas redes sociais cria uma ilusão de um mundo perfeito e inatingível para aqueles que já enfrentam dificuldades emocionais, tornando-se um terreno fértil para o agravamento desses problemas. 

É essencial que as pessoas estejam atentas a esses sinais e ajam rapidamente para evitar que esses casos se aprofundem. Buscar tratamento adequado é crucial, e as empresas, por sua vez, devem estar preparadas para oferecer suporte. 

O Dr. Vicente Beraldi Freitas observa que, principalmente entre os jovens, tem havido um aumento alarmante de casos relacionados à ansiedade, que afetam diretamente suas vidas, relacionamentos e desempenho profissional. "Houve casos em que as pessoas não conseguiram continuar trabalhando e pediram demissão como resultado. Embora haja medidas para mitigar essa situação, os desafios estão se tornando cada vez mais complexos." 

Esses transtornos mentais, incluindo ansiedade, depressão e burnout, são caracterizados por uma preocupação excessiva e constante com eventos negativos que podem ocorrer. 

As crises de ansiedade frequentemente fazem com que as pessoas se desconectem do presente, resultando em sintomas físicos como falta de ar, sudorese e arritmia cardíaca. O Dr. Vicente Beraldi Freitas destaca a complexidade dessas situações. 

"A ansiedade pode ser desencadeada por fatores internos e externos, e a pandemia, com todas as incertezas e desafios que trouxe, serviu como um gatilho para muitas pessoas, exacerbando também os casos de depressão." 

O especialista observa que algumas pessoas são mais propensas a esses problemas e têm dificuldade em lidar com eles. "Normalmente, pessoas mais flexíveis tendem a se adaptar melhor e sofrem menos de ansiedade", analisa. 

No entanto, mesmo antes dos eventos recentes, como a pandemia e as brigas políticas, já se observava um aumento nas taxas de ansiedade, especialmente entre as gerações mais jovens. Isso pode ser atribuído em parte ao estilo de vida moderno, no qual o uso constante de smartphones e computadores leva a uma desconexão das experiências do mundo real. 

"Os jovens estão cada vez mais mergulhados no mundo virtual, e a sociedade muitas vezes perpetua a ideia de que o sucesso pessoal e profissional é facilmente alcançável. Essa discrepância entre a realidade e as expectativas pode levar à ansiedade", adverte o Dr. Vicente Beraldi Freitas. 

Para combater esses problemas, é fundamental que as pessoas reconheçam os sintomas, tanto em si mesmas quanto nos outros, e levem o assunto a sério, em vez de considerá-lo como frescura. O tratamento imediato é essencial, pois o tempo desempenha um papel fundamental na resolução desses problemas. 

No contexto empresarial, a prevenção pode envolver a promoção do bem-estar por meio de iniciativas de medicina do trabalho. As empresas podem criar grupos de apoio e treinamento para ajudar os funcionários a lidar com situações e pessoas difíceis. Além disso, a capacitação das equipes de recursos humanos para lidar com essas questões é crucial. 

Um exemplo de combate a esses problemas é a empresa Confirp Contabilidade. De acordo com Rose Damélio, gerente de Recursos Humanos, a empresa adota uma série de ações. "Nossa equipe de RH busca se aproximar cada vez mais dos colaboradores, fornecendo suporte desde o momento da contratação. Se identificarmos algo que possa indicar um problema, iniciamos ações mais aprofundadas", detalha. 

Embora a complexidade dessas questões seja inegável, as empresas têm um papel importante a desempenhar ao se aproximarem dos colaboradores que enfrentam desafios emocionais, resultando em maior produtividade, redução da rotatividade e um ambiente profissional mais saudável.


Aumento dos casos de bronquiolite acende alerta em pais de crianças

Divulgação 
Especialista dá dicas para evitar que a doença se agrave

 

O aumento dos casos de bronquiolite, doença inflamatória dos bronquíolos, tem tirado o sono de muitos pais e acendido um alerta em especialistas, já que em sua forma mais grave a doença pode levar a criança à morte. Segundo o médico pediatra, Dr. Ricardo Abreu, o vírus sincicial respiratório (VSR) ainda é o responsável pela maioria das transmissões e acomete principalmente crianças menores de 2 anos.  

“A mistura de secreção e células mortas entopem o bronquíolo, dificultando e até mesmo impedindo a passagem de ar. Nos casos mais graves, a obstrução é tão numerosa ou intensa que a criança precisa de suporte ventilatório com oxigênio ou métodos mais avançados, além de muita hidratação”, afirma o pediatra. 

Segundo Dr. Ricardo, os sintomas iniciais são iguais aos dos resfriados comuns: tosse, obstrução nasal, coriza e febre baixa. Porém, após 5 ou 6 dias os sintomas se intensificam, chegando à temida falta de ar. Ela se torna ainda mais perigosa para evolução negativa em prematuros, portadores de defeitos congênitos no coração ou problemas pulmonares ao nascimento (broncodisplasicos). Vale ressaltar ainda que quanto mais jovem o bebê maior as chances de complicações. 

Como a bronquiolite é uma doença secundária ao resfriado comum, algumas medidas devem ser utilizadas para contato com via respiratória: uso de máscaras em aglomerações, uso de álcool em gel com frequência e muita hidratação. Para bebês, deve se evitar principalmente o contato com pessoas fora do núcleo dos pais e da rede de apoio até os 6 meses.  

O pediatra afirma ainda que para os portadores das doenças de risco de evolução negativa é disponibilizada pelo Ministério da Saúde uma quimioprofilaxia, que funciona como uma vacina desde a maternidade. “Na rede particular existe também essa opção, porém o custo é mais alto. Recentemente, foi aprovada pela Anvisa uma vacina para gestantes no segundo ou no terceiro trimestre de gestação para gerar imunidade subsequente ao bebê. Essa também está disponível na rede particular”, conta Dr. Ricardo.  

A doença não se restringe apenas ao inverno. “Na era pré-pandemia, o vírus sincicial respiratório (VSR) tinha uma sazonalidade bem definida que ia basicamente da volta às aulas até o final do inverno. Contudo, essa margem se perdeu e vimos casos até no alto verão, com o vírus em circulação o ano inteiro. Com alguma possibilidade, o período de reclusão afetou o ciclo do vírus e o espalhou pelo ano.”, conclui o pediatra. 



Dr. Ricardo Abreu - Médico Intensivista Pediátrico pela Universidade Federal de São Paulo.Médico Pediatra pela Faculdade de Medicina do ABC. Coordenador de estágio de residência médica em pediatria e graduação em Urgências Pediátricas da Faculdade de Medicina do ABC. Entusiasta do atendimento médico individualizado e focado na humanização e bem-estar da criança e da família. CEO da Clínica Sendo Criança - Clínica especializada em atendimento acolhedor, inclusivo e humano
@pediatriahumanizada


Saiba quais são os sinais e sintomas associados ao câncer ósseo que mais atinge crianças e adolescentes

Julho Amarelo visa conscientizar a população sobre o câncer ósseo e a

importância do diagnóstico precoce para um tratamento eficaz

 

Tumor maligno primário do osso mais incidente na faixa etária pediátrica, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o osteossarcoma corresponde de 3% a 5% de todas as neoplasias na população infantojuvenil. Ele é mais frequente no sexo masculino, na segunda década de vida (adolescência) e acomete principalmente ossos longos, como fêmures, tíbias e úmero. Neste Julho Amarelo, a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) reforça o alerta quanto aos sinais de alerta para tumores ósseos. 

A maioria das neoplasias ósseas se manifesta com dor de intensidade crescente e que não melhora com analgésicos comuns (sintoma mais comum), inchaço e aumento do volume dos tecidos adjacentes (partes moles) aos ossos. Esse quadro pode ser confundido com alguma queda, batida, ou seja, algum trauma. Assim, os pais devem estar atentos a qualquer tipo de queixa feita por seus filhos, afirma o oncologista pediátrico e presidente da SOBOPE, Dr. Neviçolino Pereira de Carvalho Filho. 

“A rede de apoio da criança ou adolescente precisa dar atenção a qualquer mudança e ouvir atentamente as queixas que apresentarem. É fundamental não desprezar os primeiros sinais iniciais do câncer, acolher as reclamações, especialmente as mais constantes, manter um acompanhamento médico regular e buscar um especialista para avaliar qualquer anormalidade”, orienta o médico. 

Fatores genéticos podem aumentar o risco de osteossarcoma. Pessoas com retinoblastoma hereditário ou outras síndromes de predisposição a câncer (por exemplo: Síndrome De Li-Fraumeni) apresentam maior risco. Para diagnosticar o osteossarcoma, são avaliados, entre outros dados, as condições gerais de saúde, exame físico, exames de imagem e laboratoriais. A radiografia simples é o exame de imagem inicial à suspeita do diagnóstico. 

O especialista explica que, além da maior probabilidade de um desfecho positivo quando o diagnóstico ocorre de forma precoce, o tratamento das neoplasias ósseas em pacientes com tumores localizados tem boa chance de cura com grande probabilidade de preservação do membro afetado. O primeiro passo para a cura é a detecção do câncer o mais breve possível”, finaliza o presidente da SOBOPE. 

Sintomas comuns do osteossarcoma:

  • Dores nos ossos ou articulações
  • Edema ou protuberância sobre um osso
  • Dificuldades ao andar (coxear)
  • Piora da dor ao longo do tempo
  • Fraturas patológicas (ou seja, que acontecem frente a trauma pequenos ou espontaneamente em osso comprometido pelo tumor)
  • Inchaço e aumento dos tecidos moles adjacentes (em torno) aos ossos


SOBOPE


Cuidados com os idosos no inverno

Dicas de como diminuir as dores musculares muito comuns na estação

 

No inverno, pode ocorrer o aumento da intensidade de dor crônica associada a condições já existentes, como osteoartrose, artrites, tendinopatias e sequelas de fraturas. As dores aumentam porque o frio causa uma contratura das partes moles (músculos e tendões), provocando dor.
 
“A dor pode levar a outras consequências como prejuízo na mobilidade, irritabilidade e distúrbios de sono, que intensificam ainda mais a dor, criando um ciclo vicioso. Com o envelhecimento o organismo passa por transformações que alteram a sensibilidade, fazendo com que os idosos fiquem mais vulneráveis ao frio”, explica a Dra. Carla Ribeiro, geriatra do Hospital Adventista Silvestre. Por isso algumas medidas são importantes nessa época do ano:
 
- Usar roupas e agasalhos adequados, incluindo meias e luvas se necessário, pois as extremidades tendem a ficar mais frias.
 
-O clima frio pode afetar o apetite, portanto, incentive refeições quentes e saudáveis. Inclua frutas cozidas ou assadas, vegetais refogados, grãos integrais, bebidas mornas, além de sopas que ajudam a aquecer o corpo
 
-Tomar banhos mais rápidos com temperatura da água morna, evitar água muito quente.
 
-Durante a noite pode ocorrer a queda da temperatura corporal, por isso se recomenda o uso de cobertores. O frio pode deixar o paciente inquieto e prejudicar o sono.
 
-Manter o calendário vacinal em dia, especialmente para vacinas contra gripe e pneumonia. Não tomar as vacinas se estiver com sintomas respiratórios e/ou febre. Nesses casos é orientado que as vacinas sejam feitas após melhora clínica.
 
-Manter a casa arejada, abrindo as janelas durante todo o dia. O clima frio pode levar ao isolamento social e prejudicar a mobilidade. Busque incentivar familiares, amigos, vizinhos a realizar atividades sociais.
 
Realize, se possível, algumas atividades em casa conforme orientação da fisioterapeuta Joicyara Souza, também do Hospital Adventista Silvestre. “Em casa você pode realizar alongamentos de pescoço, braços e pernas, manter o alongamento de 20 a 30 segundos”, aconselha a profissional.
 
Focar em exercícios respiratórios de inspiração profunda e expiração prolongada. Exercícios de elevação de braços livre ou segurando um cabo de vassoura, sempre associado a respiração.
 
Movimentar as pernas também é importante, exercícios de flexão/extensão de quadril, joelho e tornozelo. Todos podem ser realizados sentado ou de pé. Trace uma distância dentro do apartamento/casa e realize caminhadas rotineiras de pelo menos 20 minutos. Mexa-se!


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