A inteligência artificial é a grande responsável pela reformulação do trabalho, e já faz algum tempo que deixou de ser uma discussão sobre futuro. Ela faz parte do presente, mas, mesmo assim, ainda existem no Brasil muitas empresas que não adotaram oficialmente a IA em seus processos.
Em junho
desse ano, uma pesquisa da Skyone, empresa de soluções em nuvem, em parceria
com a MIT Technology Review Brasil, ouviu 265 líderes em áreas de tecnologia,
inovação, negócios e gestão de pessoas. O resultado foi que, embora 99% dos
entrevistados considerem que agentes de IA terão papel central nos negócios nos
próximos três anos, 74%
avaliam que suas empresas ainda estão em estado inicial ou intermediário de
adoção dessa tecnologia.
A perda de
uma competitividade, por exemplo, começa quando um concorrente deixa de usar IA
apenas como uma ferramenta pontual e passa a incorporá-la aos processos da
empresa. O impacto é bastante transversal, mas aparece primeiro nas atividades
que concentram tarefas repetitivas, operacionais e executadas no computador.
Atendimento ao cliente, marketing, vendas, financeiro, administrativo,
tecnologia e análise de dados são alguns dos exemplos mais evidentes.
Com o avanço
da IA no cenário corporativo, algumas funções certamente deixarão de existir ou
terão uma demanda muito menor. Seria ingênuo dizer que uma transformação
tecnológica dessa dimensão não terá impacto sobre empregos. Mas isso não
significa necessariamente uma redução estrutural do trabalho. Historicamente,
grandes transformações tecnológicas eliminam determinadas funções, modificam
muitas outras e criam profissões que antes sequer existiam.
Com a IA,
acredito que veremos principalmente uma transformação das funções: tarefas
serão automatizadas e as pessoas precisarão desenvolver novas competências para
trabalhar ao lado dessas ferramentas.
Hoje, a
principal barreira é uma combinação de falta de conhecimento e falta de
estratégia. Ainda existe a percepção de que adotar inteligência artificial
significa desenvolver um grande sistema, contratar uma equipe especializada e
fazer um investimento elevado. Para a maioria das empresas, o primeiro passo
não precisa ser nada disso. Uma pequena empresa pode começar utilizando
ferramentas disponíveis, muitas delas gratuitas ou de baixo custo, para
analisar gastos, organizar informações, elaborar propostas comerciais, produzir
apresentações, revisar contratos, estruturar planilhas, apoiar o atendimento ou
melhorar processos internos. A utilização da IA vai depender da realidade de
cada negócio.
O principal
risco é usar inteligência artificial apenas para fazer um pouco mais rápido
aquilo que a empresa já fazia, enquanto o concorrente utiliza a mesma tecnologia
para repensar a forma como o negócio funciona. A primeira camada da IA é produtividade.
A seguinte é estratégia. É quando a empresa começa a perguntar como pode
redesenhar processos, atender melhor seus clientes, reduzir custos, tomar
decisões com mais informação e até criar novos produtos e modelos de negócio.
Os
empresários que entenderem isso mais cedo terão uma vantagem importante. Não
porque a inteligência artificial substitua uma boa estratégia, mas porque ela
amplia a capacidade de executar essa estratégia. No fim, a empresa que ignora
essa transformação corre um risco bastante tradicional: tornar-se mais cara,
mais lenta e menos atrativa do que seus concorrentes.
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