Participação feminina em
olimpíadas de informática e robótica cresce, mas queda na adesão a partir do 5º
ano ainda desafia as escolas
Divulgação
Colégio Ábaco
Nas universidades brasileiras, cursos ligados à computação e à engenharia seguem com perfil majoritariamente masculino. Segundo o Resumo Técnico do Censo da Educação Superior 2022, do Inep, os homens respondem por 81,5% das matrículas em Sistemas de Informação e por 70,9% em Engenharia Civil. Essa diferença, porém, começa a se desenhar bem antes, na relação de garotas e garotos com a tecnologia durante a vida escolar.
Para Davidson Gogora, coordenador de tecnologia educacional do Colégio Ábaco, o primeiro passo é desfazer uma ideia antiga. “Precisamos desconstruir que as Ciências Exatas são um universo predominantemente masculino. Mostrar na prática que não existe ‘habilidade de menino’ ou ‘habilidade de menina’, e o Espaço Maker pode ser um desses espaços seguros de experimentação, validando os percursos dos estudantes de forma igualitária”, afirma.
O argumento vai além da escolha profissional. “Sabemos que a
robótica e a programação na escola não servem apenas para formar engenheiras e cientistas
da computação. Elas desenvolvem pensamento computacional, resiliência diante do
erro, promovem o trabalho colaborativo, entre outros”, explica o coordenador.
Quem assume o robô?
No dia a dia, o estereótipo aparece de modo mais velado e se revela na dinâmica espontânea das aulas de Cultura Maker. “Logo que um desafio é lançado, é muito comum que os meninos tomem a frente dos kits de robótica e da programação de forma quase automática, enquanto as meninas tendem a assumir funções de organização ou estética do projeto”, detalha Davidson.
A resposta do Colégio Ábaco é uma mediação pedagógica intencional, com rodízio de papéis nos grupos para que as alunas também liderem a montagem e o código. Ao apresentar novos conteúdos, a equipe ainda procura trazer mulheres com protagonismo na área.
“Nos esforçamos justamente para não definir previamente quem vai
colocar a mão na massa, criando um ambiente onde tanto meninos quanto meninas
se sintam seguras para vivenciar o erro, a prototipagem e assumir de fato
autoria no desenvolvimento dos projetos”, ressalta o educador.
Desafios superados geram avanços
Todo trabalho para que as meninas participem mais dessas
atividades já está trazendo frutos. Nas olimpíadas do conhecimento, o Colégio
Ábaco registra avanço. Entre 2025 e 2026, a participação feminina na Olimpíada
Brasileira de Informática (OBI) passou de 322 para 361 alunas. Na Olimpíada
Brasileira de Robótica (OBR), subiu de 35 para 40, enquanto a masculina caiu de
94 para 77. Somadas as duas edições, elas conquistaram dois bronzes na OBI e
três na OBR. “Os números provam que o esforço para atrair as estudantes tem
dado resultado, embora em uma velocidade menor do que gostaríamos”, avalia
Davidson.
Confiança construída na escola e em casa
Isolamento em ambientes acadêmicos e corporativos, questionamentos
velados sobre a própria capacidade e escassez de lideranças femininas para
mentoria estão entre os obstáculos que o coordenador aponta para mulheres em
carreiras STEM. “O papel da escola é construir autoconfiança técnica e
resiliência desde a base”, afirma. Por isso, as oficinas colocam as alunas
diante de situações em que precisam defender o que criaram, negociar soluções e
liderar sob pressão.
A família também pesa nesse percurso. Para o coordenador, a curiosidade
científica e a desconstrução de vieses começam em casa, na escolha dos
brinquedos e no encorajamento frente a desafios lógicos. Ele cita alunas que
tiveram grande aproveitamento nas oficinas também por contarem com o incentivo
de familiares que trabalham em áreas correlatas. “Quando os pais validam as
aptidões da menina para as ciências exatas, ela chega ao Espaço Maker muito
mais segura e disposta a arriscar”, finaliza.
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