Uma tosse que dura mais de três semanas
não deve ser ignorada
A tosse é um mecanismo de defesa do organismo que expulsa
secreções, alimentos, corpos estranhos ou microrganismos das vias aéreas, sendo
comum em qualquer época do ano e um sintoma frequente em atendimentos médicos.
Apesar de sua finalidade, pode causar dores no peito, cansaço, dificultar
tarefas diárias e gerar constrangimentos, inclusive por ser uma sequela da
Covid-19.
Segundo o boletim InfoGripe da Fiocruz, o vírus
sincicial respiratório e o rinovírus lideram os casos de síndrome respiratória
aguda grave no país, respondendo por cerca de 72% dos casos positivos no ano,
com a influenza representando aproximadamente 24%. As tosses são frequentes
nesses diagnósticos pois são uma forma que o sistema respiratório tem de tentar
expulsar vírus, fungos, partículas de poeira, fuligem ou outro material
alérgico que esteja atacando as vias respiratórias.
Quando a tosse seca persiste por mais de três
semanas, pode indicar problemas mais graves e causar lesões no trato
respiratório. Ela pode afetar qualquer faixa etária, embora algumas causas
sejam mais prevalentes em determinados grupos, como a inalação de corpos
estranhos em crianças e idosos, além de outras razões específicas em adultos.
Pensando nisso, Paula Matos Lemos, clínica geral do dr.consulta, lista abaixo as principais causas que merecem atenção e quando procurar atendimento médico:
1. Infecção de vias aéreas superiores – Gripes, resfriados,
sinusites e faringites
Essas condições estão entre as causas mais comuns de
tosse seca persistente em adultos, apesar de serem diferentes entre si. A
gripe, causada pelo vírus influenza, costuma apresentar sintomas mais intensos
que o resfriado comum, como febre alta, dores no corpo e fraqueza, além de coriza
e dor de garganta. Já as sinusites e faringites, inflamações dos seios da face
e da garganta, respectivamente, também irritam as vias aéreas e desencadeiam
episódios de tosse, muitas vezes acompanhados de gotejamento pós-nasal.
2. Refluxo gastroesofágico
O refluxo gastroesofágico também pode causar tosse constante. Isso acontece porque o suco gástrico do estômago retorna ao esôfago e chega à laringe, provocando inflamação. Refeições muito volumosas antes de dormir e a ingestão de alimentos mais ácidos, como café, chá preto, molho de tomate e refrigerantes, podem aumentar os episódios de refluxo e, consequentemente, as tosses.
Quanto mais frequentes eles são, inclusive, maiores
as lesões causadas na garganta. Não deixe de procurar um especialista em gastroenterologia.
3. Tuberculose
A tosse seca persistente em adultos pode ser um dos
sinais da tuberculose. Esse diagnóstico é considerado grave e, se não tratado,
pode levar à morte. É uma patologia infecto-contagiosa, e a transmissão se dá
por meio da inalação (pela fala, tosse ou espirro) da bactéria Mycobacterium
tuberculosis. Por afetar diretamente os pulmões, pode ser bastante nociva,
principalmente para pacientes com o sistema imunológico já debilitado.
A investigação pode ser realizada pelo pneumologista,
e o tratamento é feito com antibióticos. Ele é longo e pode durar cerca de 6
meses em alguns casos.
4. Pneumonia
A pneumonia é uma infecção pulmonar gerada por
fungos, bactérias ou vírus que atingem os alvéolos, brônquios e outras
estruturas do pulmão. A mais comum é a do tipo pneumocócica, bastante presente
nos períodos de inverno. Os sintomas podem variar, mas na maioria das vezes há
febre elevada, tosse (com expectoração ou não), dificuldades respiratórias, dor
no peito e também dor de cabeça.
Assim como nos casos de tuberculose, o pneumologista
é o especialista indicado para realizar o diagnóstico e indicar as melhores
formas de tratamento.
5. Asma
Sendo uma inflamação crônica das vias aéreas ou
brônquios, a asma também é uma enfermidade respiratória que afeta os pulmões e
provoca tosse. A falta de ar e a sensação de pressão no peito são comuns nesses
quadros.
Embora não exista cura, o pneumologista é o
profissional a ser contatado para que o paciente tenha acesso a um tratamento
adequado e controle das eventuais crises.
6. Tabagismo e enfisema pulmonar
Segundo uma pesquisa de 2022 divulgada pela Agência
Brasil, 28% dos brasileiros fumam cigarro — percentual abaixo da média
latino-americana, de 38%. Ainda assim, o Brasil se destaca negativamente em
outro aspecto: 39% dos fumantes brasileiros consomem 11 cigarros ou mais por
dia, proporção acima da média regional de 27%.
Os fumantes têm mais chances de apresentar alguns
distúrbios, e a tosse seca persistente é um deles. O calor da fumaça aspirada e
as substâncias químicas presentes no tabaco provocam uma irritação constante
das vias aéreas.
7. Medicamentos
Alguns medicamentos também podem causar tosse
persistente em adultos como efeito colateral. É o caso, por exemplo, dos
inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como captopril e
enalapril, utilizados no tratamento da hipertensão arterial.
8. Insuficiência cardíaca
A insuficiência cardíaca surge quando o coração fica incapacitado
de bombear sangue na quantidade adequada para suprir as necessidades de todo o
corpo. Apesar de estar mais associada ao público idoso, é uma condição que pode
estar presente em qualquer idade.
A tosse seca persistente acontece devido ao acúmulo
de líquidos nos pulmões, decorrente da dificuldade de bombear sangue, além do
cansaço físico. O cardiologista é o médico responsável por avaliar as
especificidades desse tipo de quadro e indicar as melhores formas de
tratamento.
Quando procurar ajuda
"A avaliação de uma tosse seca persistente depende de três fatores principais: frequência, duração e sintomas associados. Se a tosse ultrapassar três semanas, já ligamos o sinal de alerta. No entanto, se houver uma piora repentina acompanhada de febre, catarro espesso, sangue na secreção ou falta de ar, a busca por atendimento médico deve ser imediata. Também é crucial investigar quando o quadro vem acompanhado de perda de peso sem causa aparente, obstrução nasal contínua, dores pelo corpo ou secreção de cor irregular", finaliza Paula.
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