SBMFC reforça a importância da vacinação e da atualização da caderneta em situações de aumento da circulação de doenças, como o sarampo
A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC)
reforça a importância de manter a vacinação em dia e de procurar as Unidades
Básicas de Saúde (UBS) para verificar a situação vacinal e receber as doses
recomendadas para cada faixa etária, condição de saúde e contexto
epidemiológico.
Em situações de aumento da circulação de determinadas doenças,
podem ser adotadas estratégias específicas de vacinação para ampliar a proteção
da população. É o que ocorre atualmente em municípios do estado de São Paulo,
diante do risco de reintrodução e circulação do vírus do sarampo. Na cidade de
São Paulo, por exemplo, a Secretaria Municipal da Saúde recomenda a vacinação
de acordo com a faixa etária e o histórico vacinal, incluindo a chamada “dose
zero” para crianças de 6 meses a menores de 1 ano.
A vacina tríplice viral (SCR), que protege contra sarampo, caxumba
e rubéola, faz parte do Calendário Nacional de Vacinação. Em situações
específicas, como surtos ou diante de maior risco epidemiológico, as
autoridades de saúde podem recomendar doses adicionais ou antecipar a vacinação
de determinados grupos, mesmo para pessoas que já tenham recebido doses
anteriormente. Essas estratégias são definidas de acordo com o cenário
epidemiológico e as orientações do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
“A vacinação é uma das principais estratégias para prevenir a
ocorrência e a disseminação de doenças imunopreveníveis. Em situações de surto
ou aumento do risco de transmissão, as recomendações podem ser temporariamente
ampliadas para determinados grupos, de acordo com o cenário epidemiológico. Por
isso, é importante que as pessoas procurem os serviços de saúde, levem a
caderneta de vacinação e sigam as orientações das equipes”, explica Euclides
Colaço, médico de família e comunidade, diretor do Departamento de Comunicação
da SBMFC.
O sarampo é uma doença viral altamente transmissível e pode
provocar complicações graves, especialmente em crianças pequenas, gestantes e
pessoas imunocomprometidas. A manutenção de altas coberturas vacinais é
fundamental para reduzir a circulação do vírus e proteger tanto as pessoas
vacinadas quanto aquelas que não podem receber determinados imunizantes.
Além das vacinas previstas na rotina e das estratégias específicas adotadas em situações de surtos, algumas pessoas podem ter indicação de vacinas de acordo com a idade e condições clínicas. É o caso da vacinação contra doenças pneumocócicas para determinados grupos. Em 2026, o Ministério da Saúde iniciou a introdução da vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), conhecida como Pneumo 20, no Programa Nacional de Imunizações, em um processo de transição em relação às vacinas pneumocócicas anteriormente utilizadas. A estratégia inclui crianças e grupos com condições clínicas específicas, conforme os critérios definidos pelo PNI.
A Pneumo 20 amplia a proteção contra diferentes sorotipos da
bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por doenças como
pneumonia e meningite, que podem evoluir para quadros graves, hospitalizações,
sequelas e óbitos. Por isso, pessoas com doenças crônicas ou outras condições
de saúde que possam indicar vacinação devem conversar com a equipe de saúde e
verificar se fazem parte dos grupos contemplados pelas recomendações vigentes.
A indicação e o esquema vacinal dependem da idade, do histórico de vacinação e
das condições clínicas de cada pessoa.
Na Atenção Primária à Saúde (APS), a busca ativa é uma das
estratégias utilizadas pelas equipes de Saúde da Família para identificar
pessoas com vacinas em atraso ou que necessitam de acompanhamento. Essa atuação
é baseada no conhecimento do território e no vínculo construído entre
profissionais de saúde, usuários e comunidade.
Médicos(as) de família e comunidade, enfermeiros(as), técnicos(as)
de enfermagem e agentes comunitários(as) de saúde atuam de forma integrada para
identificar necessidades, orientar a população e facilitar o acesso aos
cuidados preventivos.
“A lógica é simples: se eles não vêm até a gente, nós vamos até
eles. Ao longo do acompanhamento, os profissionais das UBS passam a conhecer as
características, as necessidades, o modo de vida e o contexto familiar das
pessoas. Esses fatores influenciam diretamente na saúde e também na adesão aos
cuidados recomendados. A partir desse vínculo, conseguimos promover um
acompanhamento mais efetivo, com foco na prevenção, na vacinação e nos tratamentos
necessários, contribuindo para melhores resultados em saúde”, reforça Colaço,
mestre em Bioética pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás).
A vacinação é uma das ferramentas mais importantes da
prevenção em saúde. Manter a caderneta atualizada, buscar orientação nas UBS e
acompanhar as recomendações das autoridades de saúde são atitudes fundamentais
para proteger a população e reduzir a circulação de doenças evitáveis por
vacinação.
Sobre a Medicina de Família e Comunidade
A Medicina de Família e Comunidade é uma
especialidade médica que atua no cuidado integral dos indivíduos, com
capacidade de resolver até 90% das demandas apresentadas durante as consultas.
Durante a formação, o(a) médico(a) de família e comunidade aprende habilidades
que vão desde comunicação clínica, passando pelas abordagens familiar e
comunitária, que são essenciais para avaliação do estado de saúde. Atualmente,
de acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade
(SBMFC), o Brasil conta com mais de 15 mil médicos(as) de família e comunidade,
atuantes em todos os estados.
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