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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Por que reforçar a vacinação em situações de surto?

SBMFC reforça a importância da vacinação e da atualização da caderneta em situações de aumento da circulação de doenças, como o sarampo

 

A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) reforça a importância de manter a vacinação em dia e de procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBS) para verificar a situação vacinal e receber as doses recomendadas para cada faixa etária, condição de saúde e contexto epidemiológico. 

Em situações de aumento da circulação de determinadas doenças, podem ser adotadas estratégias específicas de vacinação para ampliar a proteção da população. É o que ocorre atualmente em municípios do estado de São Paulo, diante do risco de reintrodução e circulação do vírus do sarampo. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a Secretaria Municipal da Saúde recomenda a vacinação de acordo com a faixa etária e o histórico vacinal, incluindo a chamada “dose zero” para crianças de 6 meses a menores de 1 ano. 

A vacina tríplice viral (SCR), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, faz parte do Calendário Nacional de Vacinação. Em situações específicas, como surtos ou diante de maior risco epidemiológico, as autoridades de saúde podem recomendar doses adicionais ou antecipar a vacinação de determinados grupos, mesmo para pessoas que já tenham recebido doses anteriormente. Essas estratégias são definidas de acordo com o cenário epidemiológico e as orientações do Programa Nacional de Imunizações (PNI). 

“A vacinação é uma das principais estratégias para prevenir a ocorrência e a disseminação de doenças imunopreveníveis. Em situações de surto ou aumento do risco de transmissão, as recomendações podem ser temporariamente ampliadas para determinados grupos, de acordo com o cenário epidemiológico. Por isso, é importante que as pessoas procurem os serviços de saúde, levem a caderneta de vacinação e sigam as orientações das equipes”, explica Euclides Colaço, médico de família e comunidade, diretor do Departamento de Comunicação da SBMFC. 

O sarampo é uma doença viral altamente transmissível e pode provocar complicações graves, especialmente em crianças pequenas, gestantes e pessoas imunocomprometidas. A manutenção de altas coberturas vacinais é fundamental para reduzir a circulação do vírus e proteger tanto as pessoas vacinadas quanto aquelas que não podem receber determinados imunizantes. 

Além das vacinas previstas na rotina e das estratégias específicas adotadas em situações de surtos, algumas pessoas podem ter indicação de vacinas de acordo com a idade e condições clínicas. É o caso da vacinação contra doenças pneumocócicas para determinados grupos. Em 2026, o Ministério da Saúde iniciou a introdução da vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), conhecida como Pneumo 20, no Programa Nacional de Imunizações, em um processo de transição em relação às vacinas pneumocócicas anteriormente utilizadas. A estratégia inclui crianças e grupos com condições clínicas específicas, conforme os critérios definidos pelo PNI. 

A Pneumo 20 amplia a proteção contra diferentes sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por doenças como pneumonia e meningite, que podem evoluir para quadros graves, hospitalizações, sequelas e óbitos. Por isso, pessoas com doenças crônicas ou outras condições de saúde que possam indicar vacinação devem conversar com a equipe de saúde e verificar se fazem parte dos grupos contemplados pelas recomendações vigentes. A indicação e o esquema vacinal dependem da idade, do histórico de vacinação e das condições clínicas de cada pessoa. 

Na Atenção Primária à Saúde (APS), a busca ativa é uma das estratégias utilizadas pelas equipes de Saúde da Família para identificar pessoas com vacinas em atraso ou que necessitam de acompanhamento. Essa atuação é baseada no conhecimento do território e no vínculo construído entre profissionais de saúde, usuários e comunidade. 

Médicos(as) de família e comunidade, enfermeiros(as), técnicos(as) de enfermagem e agentes comunitários(as) de saúde atuam de forma integrada para identificar necessidades, orientar a população e facilitar o acesso aos cuidados preventivos. 

“A lógica é simples: se eles não vêm até a gente, nós vamos até eles. Ao longo do acompanhamento, os profissionais das UBS passam a conhecer as características, as necessidades, o modo de vida e o contexto familiar das pessoas. Esses fatores influenciam diretamente na saúde e também na adesão aos cuidados recomendados. A partir desse vínculo, conseguimos promover um acompanhamento mais efetivo, com foco na prevenção, na vacinação e nos tratamentos necessários, contribuindo para melhores resultados em saúde”, reforça Colaço, mestre em Bioética pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás).

A vacinação é uma das ferramentas mais importantes da prevenção em saúde. Manter a caderneta atualizada, buscar orientação nas UBS e acompanhar as recomendações das autoridades de saúde são atitudes fundamentais para proteger a população e reduzir a circulação de doenças evitáveis por vacinação.


Sobre a Medicina de Família e Comunidade

A Medicina de Família e Comunidade é uma especialidade médica que atua no cuidado integral dos indivíduos, com capacidade de resolver até 90% das demandas apresentadas durante as consultas. Durante a formação, o(a) médico(a) de família e comunidade aprende habilidades que vão desde comunicação clínica, passando pelas abordagens familiar e comunitária, que são essenciais para avaliação do estado de saúde. Atualmente, de acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), o Brasil conta com mais de 15 mil médicos(as) de família e comunidade, atuantes em todos os estados.


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