Publicado no JAMA Cardiology, pesquisa identificou aumento de 86% na chance de pacientes atingirem a meta de colesterol LDL ("ruim")
Um estudo brasileiro mostrou que o uso de uma plataforma digital
capaz de conectar pacientes e profissionais de saúde, com lembretes, conteúdos
educativos e suporte ao acompanhamento do tratamento, aumentou em 86% a chance
de controle adequado do colesterol. O resultado faz parte do estudo
SAPPHIRE-LDL, conduzido pelo Einstein Hospital Israelita em colaboração com a
Novartis e a epHealth.
Quem já sofreu um infarto ou outro problema cardiovascular grave
sabe que o cuidado não termina no momento da alta hospitalar. Um dos maiores
desafios após um evento cardiovascular é manter o colesterol LDL, conhecido
como “colesterol ruim”, sob controle. Embora as diretrizes médicas recomendem
níveis cada vez mais baixos para proteger o coração, muitos pacientes ainda
permanecem acima das metas consideradas seguras.
Foi justamente essa realidade que motivou o estudo brasileiro SAPPHIRE-LDL,
publicado no JAMA Cardiology. A pesquisa acompanhou 1.465 pacientes de
diferentes regiões do país, atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela
saúde suplementar, em 28 centros, ampliando a diversidade da população avaliada
e a aplicabilidade dos resultados à realidade brasileira. O estudo avaliou como
ferramentas digitais podem ajudar médicos e pacientes a controlar melhor o
colesterol após um evento cardiovascular. Os resultados chamaram atenção:
pacientes que participaram da estratégia digital tiveram uma chance 86% maior
de atingir a meta recomendada de LDL-colesterol em comparação com aqueles que
receberam acompanhamento convencional. Após seis meses, 23,5% dos participantes
do grupo que utilizou a estratégia alcançaram níveis inferiores a 50 mg/dL,
enquanto, no grupo de cuidados habituais, esse número foi de 13,4%.
Sob a liderança da investigadora principal, Dra. M. Julia
Machline-Carrion (PhD), a intervenção, além de ampliar a proporção de
participantes que atingiram a meta de colesterol, reduziu os níveis médios de
LDL e aumentou significativamente a prescrição de terapias combinadas para
controle da doença.
"A maior parte dos pacientes chega ao atendimento com níveis
de LDL em torno de 120 mg/dL. Reduzir esse valor para menos de 50 mg/dL, como
recomendam as diretrizes para prevenção secundária (pacientes que já tiveram um
infarto ou AVC), não é uma meta simples de alcançar apenas com as terapias
convencionais, baseadas principalmente em estatinas. Por isso, precisamos
desenvolver estratégias capazes de aproximar a prática clínica dessas
metas", afirma a Dra. Karla Espírito Santo, cardiologista e head de
Estudos Descentralizados e Modelos Inovadores da Academic Research
Organization (ARO) do Einstein e uma das autoras do estudo.
Para ajudar médicos e pacientes a controlar melhor o colesterol,
os pesquisadores utilizaram uma plataforma digital desenvolvida pela epHealth,
empresa de tecnologia em saúde ligada ao ecossistema de inovação do Einstein. A
ferramenta permitiu acompanhar os participantes ao longo do estudo e reunir
informações em tempo real sobre sua evolução clínica. Além disso, ofereceu
recursos tanto para os profissionais de saúde quanto para os pacientes:
enquanto os médicos recebiam informações que auxiliavam no acompanhamento do
tratamento, os participantes tinham acesso a conteúdos educativos e lembretes
para o uso correto das medicações. Essa combinação ajudou a aproximar as recomendações
médicas da rotina de cuidado dos pacientes.
Um dos diferenciais foi a incorporação de equipamentos de point
of care, capazes de medir o colesterol diretamente no local de atendimento,
com resultado disponível em poucos minutos. Os resultados dos exames eram
transmitidos automaticamente para a plataforma digital, agilizando a
disponibilidade das informações para os pesquisadores e apoiando decisões
clínicas mais rápidas e precisas. A pesquisa também utilizou consentimento
eletrônico e comunicação contínua entre pacientes e equipes de saúde. Embora
ainda exigisse visitas presenciais aos centros participantes, o modelo
representa um avanço na incorporação de componentes digitais capazes de tornar
estudos clínicos mais eficientes, ampliar a qualidade das informações coletadas
e aproximar a pesquisa da prática assistencial.
"Estudos como o SAPPHIRE-LDL mostram que o Brasil é capaz de
desenvolver tecnologias para pesquisa clínica e gerar evidência de alto nível a
partir da nossa realidade. Unir ciência e inovação nacional é essencial para
democratizar o conhecimento e fortalecer o protagonismo brasileiro no ambiente
global de pesquisa em saúde." — Pedro Marton Pereira, fundador e CEO da
epHealth e um dos autores do estudo.
Os pesquisadores também observaram aumento expressivo na
prescrição de terapias combinadas para redução do colesterol, associado a maior
intensidade do tratamento e a maiores taxas de atingimento das metas de
LDL-colesterol, reforçando o potencial da estratégia digital para reduzir lacunas
entre as recomendações das diretrizes e a prática clínica.
"Os resultados mostram que ferramentas digitais podem contribuir para melhorar o cuidado cardiovascular e ampliar a adoção das recomendações previstas nas diretrizes clínicas. Ao mesmo tempo, deixam claro que tecnologia, sozinha, não basta. Para que mais pacientes atinjam as metas de colesterol e reduzam o risco de novos eventos cardiovasculares, será essencial ampliar o acesso às terapias mais eficazes, como os inibidores da PCSK9, hoje disponíveis", conclui o Dr. Raul Santos, cardiologista e pesquisador do Einstein e um dos autores do estudo.
Mais do que demonstrar o potencial da tecnologia, os
dados revelam um importante alerta: mesmo com acompanhamento especializado, a
maioria dos pacientes ainda não alcançou a meta considerada ideal. Isso mostra
que existe uma lacuna significativa no cuidado cardiovascular e reforça a
necessidade de novas estratégias para identificar pacientes de maior risco,
melhorar a adesão ao tratamento e facilitar o acesso às terapias recomendadas.
"O estudo SAPPHIRE-LDL reforça uma convicção que orienta
nosso trabalho: nenhum coração deve ser perdido cedo demais. Ao reimaginar a
medicina por meio da ciência, da tecnologia e da inovação, buscamos transformar
melhores evidências em melhores desfechos para os pacientes", afirma
Priscila Raupp, gerente médica de Real World Evidence (RWE) da Novartis Brasil,
que acompanhou o desenvolvimento do estudo desde sua concepção.
Einstein, epHealth e Novartis
A colaboração entre o Einstein Hospital Israelita, a
epHealth e a Novartis vem sendo construída nos últimos anos com o objetivo de
desenvolver soluções para qualificar o cuidado cardiovascular por meio da
integração entre pesquisa clínica e inovação digital. Em 2019, a epHealth foi
vencedora do "Novartis Marathon", competição de inovação promovida
pela Novartis Brasil e pela Eretz.bio (Einstein). Em 2022, as instituições
anunciaram uma parceria inédita para conduzir um dos primeiros estudos da
América Latina a utilizar uma plataforma digital integrada para apoiar
estratégias de melhoria da qualidade assistencial em pacientes com doença
cardiovascular.
No ano seguinte, um estudo conduzido pelas três
organizações e publicado na The Lancet Regional Health – Americas reuniu
dados de mais de 2,1 milhões de brasileiros acompanhados por agentes comunitários
de saúde, identificando importantes lacunas na prevenção secundária,
especialmente no uso de estatinas e outras terapias recomendadas. Esses achados
ajudaram a fundamentar o desenvolvimento do SAPPHIRE-LDL, que avaliou uma
estratégia baseada na plataforma digital da epHealth — healthtech incubada pela
Eretz.bio, hub de inovação em saúde do Einstein —, integrando a gestão da
pesquisa e a intervenção digital em uma única solução, com recursos como exames
por point of care, para aproximar as melhores evidências científicas da
prática assistencial.
Novartis
www.novartis.com
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