FEBRASGO reforça que mulheres devem procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível para receber cuidados, prevenir infecções e gravidez e ser encaminhadas à rede de proteção
“Mulheres vítimas de violência sexual devem procurar uma unidade de saúde o mais rapidamente possível. O atendimento imediato é fundamental para garantir o acolhimento, avaliar as condições clínicas e oferecer medidas de prevenção contra infecções sexualmente transmissíveis, HIV e uma possível gravidez”. A orientação é do Dr. Olímpio Barbosa de Moraes Filho, ginecologista e vice-presidente da Região Nordeste da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Segundo o especialista, a mulher pode buscar inicialmente o serviço de saúde mais próximo. Caso a unidade não tenha estrutura para prestar toda a assistência necessária, deverá encaminhá-la para um serviço de referência.
“A prioridade é
cuidar da saúde da mulher, oferecendo assistência adequada, medicações
preventivas e todas as orientações necessárias. Esse atendimento deve ser
realizado por profissionais capacitados, de forma acolhedora e sem qualquer
julgamento”, afirma.
O serviço deve
estar preparado para oferecer contracepção de emergência, medidas de prevenção
ao HIV e a outras infecções, além de acompanhamento psicológico e assistência
social. Também é necessário avaliar se a mulher corre risco imediato e se
possui condições seguras de retornar para casa. “Em alguns casos, pode ser
necessário acionar a rede de proteção, buscar um abrigo ou encaminhar a
paciente para outros serviços. Por isso, o trabalho integrado com psicólogos e
assistentes sociais é tão importante”, explica o ginecologista.
De acordo com o
Dr. Olímpio, a forma como a mulher é recebida pode fazer diferença em um
momento de extrema vulnerabilidade. O profissional deve ouvi-la com atenção,
respeitar sua individualidade, garantir o sigilo e evitar qualquer
comportamento que minimize seu sofrimento. “É importante chamar a mulher pelo
nome, não usar diminutivos e não tentar suavizar aquilo que ela viveu.
O atendimento precisa ser digno, respeitoso e centrado nas necessidades de cada
caso”, ressalta.
Embora muitas
vítimas possam se sentir mais confortáveis sendo atendidas por uma profissional
mulher, o especialista destaca que a postura de quem presta o cuidado é o ponto
central. “O mais importante é que o profissional, seja homem ou mulher, tenha
uma atitude de acolhimento, respeito, escuta e ausência de julgamento. Quando
houver possibilidade, a presença de uma profissional mulher pode trazer mais
conforto à paciente”, observa.
Além do
atendimento em saúde, a mulher pode buscar orientação por meio da Central de
Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, disponível 24 horas. O
serviço oferece informações sobre direitos e sobre os mecanismos de proteção
disponíveis. Em situações de risco iminente à vida ou à integridade física, a
orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190.
A vítima também pode procurar uma delegacia para registrar a ocorrência, sempre
respeitando seu tempo e suas condições emocionais.
A Defensoria
Pública também pode auxiliar na solicitação de medidas
protetivas e no acesso aos demais direitos assegurados às mulheres vítimas de
violência.
Para o
representante da FEBRASGO, um dos maiores obstáculos ao enfrentamento da
violência sexual é a cultura que responsabiliza a própria vítima pela agressão
sofrida. “Por vivermos em uma sociedade ainda marcada pelo machismo, muitas
mulheres se sentem culpadas pelo estupro. Frequentemente, a sociedade tenta
responsabilizá-las pela roupa que usavam, por terem saído à noite, consumido
bebida alcoólica ou caminhado sozinhas. Nada disso justifica uma violência sexual”,
afirma.
Segundo o médico,
a mudança desse cenário depende de um trabalho contínuo de educação e de
promoção da igualdade de gênero, desde as escolas e em todos os espaços
sociais. “É preciso romper com a ideia de que a mulher provocou a violência ou
de que determinados lugares e atividades não lhe pertencem. Mulheres e homens
devem ter os mesmos direitos e poder ocupar os mesmos espaços com segurança e
respeito”, destaca.
Apesar dos avanços na legislação e da ampliação da rede de proteção, o especialista avalia que ainda existe uma distância entre os direitos garantidos e a realidade vivida por muitas mulheres. “Avançamos muito nas últimas décadas, mas os números de feminicídio e de violência mostram que ainda há um longo caminho. A construção de uma sociedade plural, com respeito mútuo e igualdade entre homens e mulheres, continua sendo um desafio de todos”, conclui.
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO
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