Especialistas alertam que identificar
precocemente características do neurodesenvolvimento favorece intervenções mais
individualizadas e melhora a qualidade de vida
O aumento da conscientização sobre condições como o Transtorno do
Espectro Autista (TEA), o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade
(TDAH) e outras formas de neurodivergência tem levado mais famílias a buscar
avaliação especializada. Apesar disso, ainda é comum que o receio de um
"rótulo" faça com que muitas pessoas adiem a investigação. Especialistas,
no entanto, reforçam que o diagnóstico deve ser encarado como uma ferramenta
para compreender as necessidades de cada indivíduo e direcionar o cuidado de
forma mais assertiva.
O termo neurodivergência é utilizado para descrever pessoas cujo
funcionamento neurológico ocorre de maneira diferente do padrão predominante,
sem que isso represente, necessariamente, uma doença. Entre as condições mais
conhecidas estão o autismo, o TDAH, a dislexia e outros transtornos do
neurodesenvolvimento, que podem se manifestar de formas bastante distintas
entre os indivíduos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1 em cada
100 crianças está dentro do Transtorno do Espectro Autista. Já o TDAH afeta
aproximadamente 5% das crianças e adolescentes em todo o mundo, de acordo com
estudos internacionais. Especialistas destacam que o reconhecimento precoce
dessas condições permite oferecer suporte mais adequado em diferentes fases da
vida.
"Receber um diagnóstico não significa limitar o potencial de
uma pessoa, mas compreender como ela aprende, se comunica e interage com o
mundo. Quanto mais cedo esse perfil é identificado, maiores são as
oportunidades de desenvolver estratégias individualizadas para favorecer seu
desenvolvimento e sua qualidade de vida", explica Carlos Aschoff, médico
geneticista e assessor médico do DB Diagnósticos.
Embora o diagnóstico seja essencialmente clínico, baseado na
avaliação de médicos e de uma equipe multiprofissional, exames complementares
podem ser indicados em situações específicas. Em alguns casos, especialmente
quando há atraso global do desenvolvimento, deficiência intelectual, epilepsia,
malformações congênitas ou histórico familiar, a investigação laboratorial e
genética pode ajudar a identificar condições associadas e orientar a conduta
médica.
"Os exames não substituem a avaliação clínica, mas podem
contribuir para esclarecer causas genéticas relacionadas ao quadro apresentado
pelo paciente. Essas informações auxiliam o médico na definição do
acompanhamento, do aconselhamento familiar e, em algumas situações, das
estratégias terapêuticas", afirma Aschoff.
Além de favorecer intervenções precoces, compreender o perfil neurodivergente
também contribui para reduzir preconceitos e promover inclusão em diferentes
ambientes, como a escola, o trabalho e a convivência social.
Para os especialistas, o principal desafio continua sendo
substituir a ideia de que o diagnóstico representa um estigma pela compreensão
de que ele é um instrumento para ampliar o cuidado.
"O mais importante não é o rótulo, mas entender as necessidades, as potencialidades e as formas de aprendizagem de cada pessoa. Quando isso acontece, é possível construir estratégias mais eficazes para que ela desenvolva todo o seu potencial", conclui o médico.
DB Diagnósticos
Nenhum comentário:
Postar um comentário