Estudo do organismo para conservar calor, mudanças na rotina e menor ingestão de água são fatores que elevam a pressão arterial e acendem o alerta para infartos e AVCs
Com a chegada das
baixas temperaturas e as frentes frias características do mês de agosto, a
atenção com a saúde do coração precisa ser redobrada. O que muitos não sabem é
que o frio não traz apenas o desconforto térmico, mas provoca alterações
fisiológicas diretas no sistema cardiovascular, aumentando significativamente
os riscos de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).
O Prof. Dr. Ciro
Camarota, cardiologista e docente do curso de Medicina da Unifran (Universidade
de Franca), explica que o corpo humano adota mecanismos de defesa automáticos
para enfrentar a queda de temperatura.
"Quando a temperatura
cai, o organismo tenta conservar calor para proteger os órgãos vitais centrais.
Para que isso aconteça, ocorre um processo chamado vasoconstrição periférica,
no qual as artérias e vasos sanguíneos da pele e das extremidades se
contraem", detalha o especialista. "Como consequência, a pressão
arterial tende a subir mais no inverno do que no verão, um efeito ainda mais
pronunciado em pessoas idosas ou que já possuem diagnóstico de
hipertensão."
O impacto dos
hábitos no inverno
Além da resposta
biológica ao frio, as mudanças na rotina durante os dias gelados atuam como
agravantes para a saúde do coração. Entre os principais vilões do período
estão:
- Sede
mascarada: Há uma redução natural na ingestão de água, o
que pode levar à desidratação, um fator crítico especialmente em idosos.
- Sedentarismo
aquecido: As baixas temperaturas desestimulam a prática
de exercícios físicos, favorecendo o ganho de peso e o descontrole da
glicemia, da pressão e do colesterol.
- Alimentação
pesada: O consumo de refeições mais calóricas e
gordurosas torna-se mais frequente, sobrecarregando o metabolismo.
Grupos de
maior vulnerabilidade
De acordo com o
Dr. Ciro Camarota, pessoas com condições pré-existentes ou hábitos de vida
específicos devem dobrar os cuidados nas épocas frias. O grupo de risco é
composto por:
- Pessoas
com hipertensão arterial, diabetes ou colesterol elevado;
- Indivíduos
com histórico de infarto, insuficiência cardíaca, angina ou AVC;
- Idosos
(especialmente acima de 65 anos);
- Pessoas
com obesidade ou sedentarismo;
- Tabagistas
e ex-tabagistas.
Como proteger
o coração durante os dias frios
Para atravessar o
período com segurança, o docente da Unifran destaca que a prevenção passa por
manter os cuidados básicos de saúde e adaptar a rotina de exercícios físicos
sem abandoná-los.
A recomendação
geral da Organização Mundial da Saúde de pelo menos 150 minutos semanais de
atividade física aeróbica moderada continua valendo. Para quem pratica
exercícios ao ar livre no frio, o cardiologista recomenda:
- Aqueça-se
bem antes de começar: faça um aquecimento mais
prolongado e progressivo, iniciando devagar e aumentando a intensidade
gradualmente.
- Vista-se
em camadas: utilize roupas sobrepostas para poder retirar
peças à medida que o corpo aquecer, garantindo proteção para cabeça, mãos,
pescoço e pés.
- Mantenha
a hidratação: beba água mesmo sem sentir sede antes,
durante e após a atividade.
- Opte
por ambientes fechados: em dias de frio extremo,
vento forte ou garoa, prefira atividades indoor.
- Atenção
aos medicamentos e alimentação: não interrompa o uso de
remédios de uso contínuo para pressão, diabetes ou colesterol e mantenha
um prato colorido com frutas, verduras e proteínas adequadas.
"A regra de
ouro para o inverno é evitar a imobilidade e a exposição direta e brusca ao
frio. Proteger as extremidades do corpo, alimentar-se bem e continuar se
movimentando são os melhores remédios para garantir a saúde do coração durante
toda a estação", finaliza o Prof. Dr. Ciro Camarota.
Unifran
www.unifran.edu.br
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