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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Conheça os impactos do cigarro na saúde dos dentes e da gengiv

Mau hálito, manchas dentárias e aumento do risco de câncer bucal estão entre as consequências do hábito

 

A população brasileira vinha reduzindo o hábito de fumar, mas esse cenário mudou. Após mais de uma década de quedas consecutivas no número de fumantes, o tabagismo voltou a crescer no país, saltando de 9,2% da população em 2023 para 11,5% em 2024, de acordo com uma pesquisa do Ministério da Saúde. 

Com esse aumento, o número de pessoas afetadas pelos malefícios do cigarro também tende a se elevar. Porém, além das doenças já conhecidas que o tabagismo causa, como câncer de pulmão, é importante ressaltar que a prática também gera outros prejuízos à saúde da boca e dos dentes, além de aumentar o risco de falhas em tratamentos com implantes dentários, devido à dificuldade dos ossos da região de integrar o implante. 

“O tabagismo afeta diretamente toda a cavidade oral. As substâncias tóxicas presentes no cigarro reduzem a circulação sanguínea na gengiva, diminuem a resposta imunológica e favorecem o acúmulo de placa bacteriana. Como consequência, o fumante apresenta maior risco de desenvolver doenças gengivais, perda óssea e perda dentária”, detalha Samara de Oliveira, profissional de odontologia no AmorSaúde.


Impacto do cigarro na saúde bucal

“Os primeiros sinais de que o cigarro está impactando a saúde bucal incluem mau hálito persistente, escurecimento e manchas nos dentes, sangramento gengival (embora em alguns casos ele possa ser mascarado pela redução da circulação sanguínea), retração gengival e aumento do acúmulo de tártaro”, lista Samara.

No entanto, a dentista ressalta que existem ainda outras doenças que podem surgir na região bucal em decorrência do hábito. Ela enumera: 

  • Xerostomia (sensação de boca seca): a nicotina e as outras substâncias químicas do cigarro reduzem a produção de saliva e, com isso, prejudicam a limpeza natural na boca. O processo favorece o acúmulo de bactérias, o surgimento de cáries e o mau hálito;
  • Gengivite e periodontite: essas infecções afetam a gengiva e o osso que sustenta os dentes. Elas são causadas porque o hábito de fumar favorecer o acúmulo de bactérias na região, o que aumenta a chance de infecção e diminui o fluxo de sangue na gengiva, fazendo com que a área receba menos nutrientes e oxigênio;
  • Perda dentária precoce: a nicotina enfraquece os ossos que sustentam os dentes, fazendo com que amoleçam e caiam mais facilmente. As infecções na área, causadas pelo fumo, também impactam neste processo;
  • Leucoplasia oral: a irritação constante gerada pelo cigarro cria placas brancas na língua, nas bochechas e na gengiva. Apesar de não apresentar dor no momento inicial, essas placas podem evoluir para câncer de boca;
  • Candidíase oral: o tabagismo enfraquece a defesa imunológica na boca. Com isso, algumas doenças podem surgir com mais facilidade, como a candidíase, que gera pequenas feridas na região;
  • Câncer de boca: além de conter substâncias cancerígenas, o cigarro expõe a cavidade oral ao calor intenso e provoca lesões, o que aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de boca.

 

Cuidados necessários para fumantes

De acordo com a dentista, parar de fumar é a melhor forma de interromper os danos causados à saúde bucal e, em alguns casos, até reverter parte dos problemas. “Embora alguns danos possam ser permanentes, grande parte dos efeitos do tabagismo pode melhorar após a interrupção do hábito”, resume. 

Os benefícios de interromper o tabagismo se apresentam rapidamente, uma vez que, nas primeiras semanas, já se pode observar melhora do hálito, redução da sensação de boca seca e recuperação gradual do paladar e do olfato. 

“Nos meses seguintes, a circulação sanguínea da gengiva melhora, favorecendo a cicatrização e reduzindo o risco de progressão das infecções na região. A longo prazo, há diminuição significativa do risco de câncer de boca e de perda dentária”, explica a dentista. 

Segundo Samara, outras práticas de cuidado bucal que devem ser adotadas por fumantes para minimizar os danos são: 

  • Escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia com creme dental com fluor;
  • Utilizar fio dental diariamente;
  • Realizar limpezas profissionais periódicas com o cirurgião-dentista;
  • Manter acompanhamento odontológico regular para avaliação de lesões suspeitas;
  • Evitar o consumo excessivo de álcool;
  • Manter boa hidratação para reduzir a sensação de boca seca;
  • Observar alterações como feridas que não cicatrizam, manchas brancas ou avermelhadas e procurar avaliação profissional imediatamente caso elas apareçam.


AmorSaúde

 

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