Mau hálito, manchas dentárias e aumento do risco de câncer bucal estão entre as consequências do hábito
A população brasileira vinha reduzindo o hábito de fumar, mas esse
cenário mudou. Após mais de uma década de quedas consecutivas no número de
fumantes, o tabagismo voltou a crescer no país, saltando de 9,2% da população
em 2023 para 11,5% em 2024, de acordo com uma pesquisa do Ministério da Saúde.
Com esse aumento, o número de pessoas afetadas pelos malefícios do
cigarro também tende a se elevar. Porém, além das doenças já conhecidas que o
tabagismo causa, como câncer de pulmão, é importante ressaltar que a prática
também gera outros prejuízos à saúde da boca e dos dentes, além de aumentar o
risco de falhas em tratamentos com implantes dentários, devido à dificuldade
dos ossos da região de integrar o implante.
“O tabagismo afeta diretamente toda a cavidade oral. As
substâncias tóxicas presentes no cigarro reduzem a circulação sanguínea na
gengiva, diminuem a resposta imunológica e favorecem o acúmulo de placa
bacteriana. Como consequência, o fumante apresenta maior risco de desenvolver
doenças gengivais, perda óssea e perda dentária”, detalha Samara de Oliveira,
profissional de odontologia no AmorSaúde.
Impacto do cigarro na saúde bucal
“Os primeiros sinais de que o cigarro está impactando a saúde bucal incluem mau hálito persistente, escurecimento e manchas nos dentes, sangramento gengival (embora em alguns casos ele possa ser mascarado pela redução da circulação sanguínea), retração gengival e aumento do acúmulo de tártaro”, lista Samara.
No entanto, a dentista ressalta que existem ainda outras doenças que podem surgir na região bucal em decorrência do hábito. Ela enumera:
- Xerostomia (sensação
de boca seca): a nicotina e as outras substâncias químicas
do cigarro reduzem a produção de saliva e, com isso, prejudicam a limpeza
natural na boca. O processo favorece o acúmulo de bactérias, o surgimento
de cáries e o mau hálito;
- Gengivite e periodontite:
essas infecções afetam a gengiva e o osso que sustenta os dentes. Elas são
causadas porque o hábito de fumar favorecer o acúmulo de bactérias na
região, o que aumenta a chance de infecção e diminui o fluxo de sangue na
gengiva, fazendo com que a área receba menos nutrientes e oxigênio;
- Perda dentária precoce: a
nicotina enfraquece os ossos que sustentam os dentes, fazendo com que
amoleçam e caiam mais facilmente. As infecções na área, causadas pelo
fumo, também impactam neste processo;
- Leucoplasia oral: a
irritação constante gerada pelo cigarro cria placas brancas na língua, nas
bochechas e na gengiva. Apesar de não apresentar dor no momento inicial,
essas placas podem evoluir para câncer de boca;
- Candidíase oral: o
tabagismo enfraquece a defesa imunológica na boca. Com isso, algumas
doenças podem surgir com mais facilidade, como a candidíase, que gera
pequenas feridas na região;
- Câncer de boca:
além de conter substâncias cancerígenas, o cigarro expõe a cavidade oral
ao calor intenso e provoca lesões, o que aumenta o risco de
desenvolvimento de câncer de boca.
Cuidados necessários para fumantes
De acordo com a dentista, parar de fumar é a melhor forma de
interromper os danos causados à saúde bucal e, em alguns casos, até reverter
parte dos problemas. “Embora alguns danos possam ser permanentes, grande parte
dos efeitos do tabagismo pode melhorar após a interrupção do hábito”, resume.
Os benefícios de interromper o tabagismo se apresentam rapidamente,
uma vez que, nas primeiras semanas, já se pode observar melhora do hálito,
redução da sensação de boca seca e recuperação gradual do paladar e do olfato.
“Nos meses seguintes, a circulação sanguínea da gengiva melhora,
favorecendo a cicatrização e reduzindo o risco de progressão das infecções na
região. A longo prazo, há diminuição significativa do risco de câncer de boca e
de perda dentária”, explica a dentista.
Segundo Samara, outras práticas de cuidado bucal que devem ser adotadas por fumantes para minimizar os danos são:
- Escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia com creme dental com
fluor;
- Utilizar fio dental diariamente;
- Realizar limpezas profissionais periódicas com o
cirurgião-dentista;
- Manter acompanhamento odontológico regular para avaliação de lesões
suspeitas;
- Evitar o consumo excessivo de álcool;
- Manter boa hidratação para reduzir a sensação de boca seca;
- Observar alterações como feridas que não cicatrizam, manchas
brancas ou avermelhadas e procurar avaliação profissional imediatamente
caso elas apareçam.
AmorSaúde

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