No Colégio Objetivo DF, que integra o
Grupo Blue Educação, discussão sobre uso consciente da inteligência artificial
busca preparar estudantes para utilizar a tecnologia sem deixar de lado
autonomia, pensamento crítico e construção do conhecimento
Divulgação Colégio Objetivo DF
A inteligência artificial já entrou na rotina de crianças e adolescentes. Está presente nas pesquisas para trabalhos escolares, na resolução de exercícios, na produção de textos e até na preparação para provas. Com respostas prontas em poucos segundos, a tecnologia oferece praticidade, mas também traz uma nova questão para dentro das escolas: se a inteligência artificial faz a tarefa, quem está aprendendo?
Diante dessa realidade, instituições de ensino começam a substituir a lógica de proibição pelo desenvolvimento de uma cultura de uso consciente. A discussão sobre inteligência artificial tem feito parte das iniciativas voltadas à formação dos estudantes para um cenário em que a tecnologia estará cada vez mais presente no cotidiano.
A proposta é mostrar que a IA pode ser uma aliada no processo educacional, desde que não substitua a participação ativa do aluno. Para o professor Jean Rafael, coordenador de Robótica Educacional do Instituto Blue Educação, em Brasília, impedir completamente o contato dos estudantes com essas ferramentas não é uma estratégia realista.
“A IA veio para ficar. Não adianta dizer aos
alunos que eles não podem utilizar a inteligência artificial durante os estudos
ou para resolver as tarefas de casa. O que precisamos fazer é instruí-los para
o uso correto dessa ferramenta.”
Entre o auxílio e o atalho
Um dos principais desafios está em diferenciar o
uso da inteligência artificial como recurso de aprendizagem daquele em que a
ferramenta simplesmente entrega a resposta pronta. Para os educadores, essa
diferença é fundamental.
Uma ferramenta de IA pode, por exemplo, ajudar o estudante a compreender um conceito, sugerir caminhos para uma pesquisa, apresentar diferentes formas de abordar determinado assunto ou auxiliar na organização das ideias. O problema aparece quando o aluno apenas copia o resultado e deixa de participar da construção do conhecimento.
“A IA é uma poderosa ferramenta e, como ferramenta, deve ser parte do processo de aprendizado. Ela não pode ser a parte absoluta, não pode ser o todo. O aluno precisa interagir com aquela inteligência artificial e alternar seu uso com meios de pesquisa tradicionais para construir todo o processo cognitivo que aquela tarefa foi pensada para desenvolver”, explica Jean Rafael.
A mudança também altera a relação do estudante
com a própria pesquisa. Em vez de simplesmente procurar uma resposta, passa a
ser necessário questionar a informação recebida, comparar fontes, identificar
possíveis erros e compreender o conteúdo antes de utilizá-lo.
O que acontece quando a resposta vem pronta?
A preocupação das escolas não está apenas
relacionada à possibilidade de cópia em trabalhos ou tarefas. O debate envolve
uma questão mais profunda: o impacto que a dependência excessiva da tecnologia
pode ter sobre o desenvolvimento das habilidades cognitivas.
Isso porque uma atividade escolar não é pensada apenas para chegar a uma resposta correta. Resolver um problema, escrever um texto ou pesquisar determinado assunto também envolve interpretação, raciocínio, tentativa, erro, seleção de informações e construção de argumentos.
“Quando passamos um dever de casa ou uma tarefa para os estudantes, não queremos simplesmente que eles resolvam por resolver. O mais importante é o que eles vão absorver e aprender durante o processo de resolução daquela tarefa.”
Nesse sentido, utilizar a IA para eliminar
justamente essa etapa pode fazer com que o estudante entregue uma atividade
correta sem necessariamente ter aprendido o conteúdo. “Se a IA vem com a
resposta pronta e o aluno simplesmente coloca a pergunta, copia a resposta e
entrega, onde entra o processo de aprendizado? Esse processo é inexistente.”
Escola precisa ensinar também a usar a tecnologia
A presença da inteligência artificial amplia o papel da escola. Além de ensinar conteúdos tradicionais, educadores passam a ter o desafio de preparar os estudantes para utilizar tecnologias que já fazem parte de sua realidade.
Isso significa discutir ética, responsabilidade, checagem de informações e limites de uso, mas também ensinar os alunos a fazer perguntas melhores, analisar respostas e utilizar a tecnologia para ampliar e não substituir sua capacidade de pensar.
Para Jean, a ausência dessa orientação pode
favorecer uma relação de dependência. “Se não tomarmos cuidado de instruir
adequadamente nossos estudantes, eles vão se tornar cada vez mais dependentes
desse tipo de ferramenta e seu desenvolvimento cognitivo pode ser prejudicado
ao longo do processo educacional.”
A questão, portanto, já não é mais se os
estudantes terão contato com a inteligência artificial. Para as escolas, o
desafio é prepará-los para conviver com ela de maneira crítica e responsável.
Afinal, em uma realidade na qual uma resposta pode estar a poucos segundos de
distância, aprender a pensar continua sendo uma habilidade que nenhuma
tecnologia deveria substituir.
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