Atividade física, sono adequado, alimentação equilibrada e momentos de descanso ajudam a proteger o corpo e o cérebro; neurologista destaca que mudanças simples na rotina podem trazer benefícios no presente e no futuro
Em meio a uma rotina marcada por compromissos,
telas, cobranças e pouco tempo disponível, cuidar da saúde pode parecer uma
tarefa que exige grandes mudanças. Mas nem sempre é assim. Uma caminhada, uma
noite de sono mais regular, alguns minutos longe do celular, uma alimentação
mais equilibrada ou até uma pausa durante o expediente são atitudes
aparentemente simples que, quando incorporadas à rotina, podem contribuir para
a saúde física, mental e cerebral.
A importância de colocar o corpo em movimento é
reforçada pelos números. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de
31% dos adultos no mundo não atingem os níveis recomendados de atividade
física. Pessoas insuficientemente ativas apresentam risco de morte entre 20% e
30% maior em comparação com aquelas que mantêm níveis adequados de atividade.
Além da prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de
câncer, a prática regular de exercícios está associada a benefícios para a
saúde mental, cognição, sono e bem-estar.
Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 31% dos adultos no mundo não
atingem os níveis recomendados de atividade física. Foto: freepik
Para adultos, a recomendação da OMS é acumular
entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física aeróbica de intensidade
moderada ou entre 75 e 150 minutos de atividade vigorosa. Mas isso não
significa que quem está longe dessa meta não tenha motivos para começar.
Caminhar mais, utilizar escadas, realizar pequenos deslocamentos a pé e
diminuir o tempo sentado também são maneiras de incorporar movimento ao
cotidiano. Afinal, quando o assunto é saúde, alguma atividade é melhor do que
nenhuma.
O cérebro também sente a
rotina
Os efeitos desses hábitos não ficam restritos ao
corpo. O cérebro responde diretamente à maneira como dormimos, nos alimentamos,
nos movimentamos e administramos períodos de estresse e descanso.
A médica neurologista e docente do curso de Medicina
da Afya de Pato Branco, Dra. Thamilee Pizzatto Queiroz, explica que qualidade
de vida deve ser entendida como resultado de diferentes comportamentos que se
complementam ao longo do tempo.
“Nosso cérebro não funciona de maneira isolada do
restante do organismo. Atividade física, sono de qualidade, alimentação
adequada, interação social e momentos de descanso fazem parte do cuidado com a
saúde cerebral. Muitas vezes, as pessoas procuram grandes mudanças, quando
pequenos hábitos, repetidos de forma consistente, já podem representar um
importante investimento na saúde e na qualidade de vida”, destaca a
neurologista.
O sono merece atenção especial nessa relação. É
durante o descanso que acontecem processos fundamentais para o funcionamento cerebral,
relacionados à memória, aprendizagem, equilíbrio emocional e recuperação do
organismo. Por isso, manter horários relativamente regulares para dormir e
acordar e reduzir estímulos antes de ir para a cama são medidas que podem
ajudar a melhorar a qualidade do descanso.
“Dormir não é simplesmente desligar o organismo. O
cérebro permanece desempenhando funções essenciais durante o sono. Quando as
noites mal dormidas se tornam frequentes, podemos perceber reflexos na atenção,
memória, disposição, humor e produtividade. Por isso, cuidar do sono precisa
fazer parte de uma rotina saudável tanto quanto alimentação e exercício
físico”, acrescenta a Dra. Thamilee.
Alimentação também é
prevenção
Outro ponto importante é o que vai para o prato. A
OMS destaca que uma alimentação saudável contribui para a prevenção de doenças
crônicas como diabetes, doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e
alguns tipos de câncer. Para pessoas acima dos 10 anos, a recomendação é
consumir pelo menos 400 gramas de frutas e vegetais diariamente, priorizando
também alimentos in natura ou minimamente processados e fontes de fibras.
Mais do que perseguir uma rotina perfeita,
entretanto, especialistas reforçam a importância da constância. Mudanças
radicais podem ser difíceis de sustentar, enquanto pequenas escolhas têm maior
possibilidade de se transformar em hábitos.
Pequenas atitudes para uma
vida mais leve
Algumas mudanças podem começar dentro da própria
rotina: estabelecer horários mais regulares para dormir; incluir caminhadas ou
outras atividades prazerosas durante a semana; fazer pequenas pausas em longos
períodos sentado; aumentar o consumo de alimentos in natura; reservar momentos
sem telas; manter vínculos sociais; buscar atividades de lazer; e compreender
que descanso também faz parte do cuidado com a saúde.
Para a neurologista e docente da Afya de Pato Branco,
um dos principais desafios é abandonar a ideia de que saúde depende de uma
rotina perfeita.
“Qualidade de vida não significa cumprir uma lista
de obrigações todos os dias. É encontrar equilíbrio e construir hábitos
possíveis dentro da realidade de cada pessoa. Quando essas escolhas passam a
fazer parte do cotidiano, cuidar da saúde deixa de ser algo pontual e se
transforma em uma forma de viver”, finaliza a Dra. Thamilee.
No fim das contas, uma vida mais saudável pode
começar de maneira muito mais simples do que parece. Não necessariamente com
uma grande transformação na segunda-feira, mas com uma caminhada hoje, uma
refeição mais equilibrada, uma hora a menos diante das telas ou uma noite de
sono melhor. Pequenas escolhas que, somadas ao longo dos meses e dos anos,
podem fazer diferença para viver não apenas mais, mas melhor.
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