A vacina contra o sarampo não pode ser aplicada durante a gravidez. A doença traz riscos graves à gestante e ao bebê
O
retorno do sarampo a São Paulo trouxe à tona um alerta que ainda não ganhou a
devida atenção na cobertura da imprensa: a doença é particularmente perigosa para
mulheres grávidas e a vacina, que a previne, não pode ser administrada durante
a gestação. Isso significa que a única janela de proteção efetiva é antes de
engravidar.
O
Ministério da Saúde confirmou casos de sarampo na capital paulista, em
Guarulhos e em São Bernardo do Campo, com cadeia de transmissão ativa. Em
resposta, a vacinação tem sido recomendada para todas as pessoas entre 6 meses
e 59 anos, nos três municípios, com Dia D nacional marcado para o próximo dia
22 de agosto. Até o final de julho, o Brasil havia confirmado 17 casos de
sarampo em 2026, com 14 em acompanhamento ativo no estado de São Paulo.
Para
o Dr. Alexandre Rossi, ginecologista responsável pelo Ambulatório de
Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São
Paulo, o surto acende um alerta específico que precisa chegar às mulheres em
idade reprodutiva: "O sarampo é uma doença que a maioria das pessoas
associa à infância. Mas seus riscos para a mulher grávida são sérios e muito
subestimados. Há, ainda, um detalhe que poucos sabem: as grávidas não podem
tomar a vacina. A proteção precisa ter sido feita antes da concepção."
Por que o sarampo é especialmente perigoso na gravidez
A
gravidez provoca alterações fisiológicas importantes no organismo feminino,
incluindo uma imunossupressão relativa, necessária para que o corpo aceite o
feto. Essa condição torna a gestante mais vulnerável a infecções e, quando
ocorre a infecção pelo vírus do sarampo, as consequências podem ser muito
graves.
A
infecção por sarampo durante a gestação pode trazer consequências graves para a
saúde materna e aumentar o risco de desfechos adversos para o bebê, como
prematuridade, baixo peso ao nascer, abortamento e morte fetal. Complicações
respiratórias como pneumonia também são mais frequentes e mais graves em
gestantes infectadas.
"Quando
uma gestante não vacinada contrai sarampo, o risco não é apenas para ela, mas
também para o bebê que está se desenvolvendo. Prematuridade, abortamento e
baixo peso ao nascer são desfechos que podemos e devemos evitar garantindo que
a mulher esteja imunizada antes de engravidar", reforça o Dr. Alexandre.
Vacina contra o sarampo não pode ser aplicada na gravidez
A
vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é
produzida com vírus vivo atenuado. Por esse motivo, sua aplicação é formalmente
contraindicada durante a gestação. Além disso, recomenda-se que a mulher
aguarde pelo menos 30 dias após a vacinação antes de tentar engravidar.
Isso
cria uma situação de vulnerabilidade específica: a gestante que não foi
vacinada previamente não tem como se proteger durante a gravidez por meio da
imunização ativa. A única alternativa, em casos de exposição comprovada, é a
imunoglobulina humana, uma medida de emergência, não de prevenção.
"A
mensagem para as mulheres que planejam engravidar é clara: verifiquem agora a
caderneta de vacinação. Se não há comprovação de duas doses da tríplice viral
ou da vacina tetraviral, vacinem-se antes de tentar engravidar ", orienta
o Dr. Alexandre.
Um alerta além da gestação
O
Dr. Alexandre Rossi destaca que a consulta ginecológica é o momento ideal para
revisar a situação vacinal da mulher, especialmente em cenários de surto como o
atual.
"Muitas
mulheres chegam ao pré-natal sem saber se tomaram as doses necessárias da
tríplice viral. É uma informação que deve ser levantada, se possível, antes da
gravidez, no planejamento reprodutivo. Esse é o papel do ginecologista:
antecipar riscos e garantir que a mulher chegue à gestação protegida."
O
especialista também lembra que mulheres sem histórico de vacinação ou que não
sabem se são imunizadas devem aproveitar a campanha em curso, desde que não
estejam grávidas. Para as que já estão grávidas e não têm comprovação de imunização,
a orientação é buscar o médico para avaliação individual e adotar medidas de
proteção como evitar aglomerações e ambientes fechados.
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