Especialista do ILAS explica sintomas que devem
levantar suspeita de sepse e alerta que ausência de febre não significa que
infecção seja menos grave
Nem sempre a sepse começa com febre. Em alguns pacientes, principalmente idosos, pessoas com sistema de defesa comprometido (imunossuprimidos) e pacientes com câncer, uma infecção grave pode evoluir sem o aumento da temperatura corporal − o que pode dificultar a identificação do quadro e atrasar a busca por atendimento.
O alerta é do Dr. Luciano Azevedo, integrante do Conselho Científico do Instituto Latinoamericano de Sepsis (ILAS), que destaca dois grupos de sinais que devem ser observados quando existe suspeita de sepse: os relacionados à própria infecção e aqueles que indicam que algum órgão pode estar começando a apresentar disfunção.
“Quando eu suspeito de um paciente com sepse, eu preciso me preocupar com dois grandes grupos de sintomas. Os primeiros sintomas são aqueles relacionados com o quadro infeccioso”, explica Azevedo.
Entre os sinais que podem indicar uma infecção estão manifestações compatíveis com o possível foco infeccioso, como sintomas respiratórios no caso de uma pneumonia, além de febre, queda do estado geral e mal-estar. Mas a ausência de febre não deve ser interpretada como sinal de que a situação é menos grave.
“Pacientes
imunossuprimidos, pacientes idosos, pacientes oncológicos, podem não apresentar
febre e mesmo assim ter um quadro infeccioso grave, incluindo sepse”, ressalta
o médico.
Mudanças no comportamento podem ser sinal de disfunção de órgãos
O segundo grupo de sinais está relacionado às chamadas disfunções orgânicas. Alterações no estado mental, por exemplo, podem ser um importante sinal de alerta. “Se o paciente está confuso, agitado, ou sonolento, isso pode indicar uma disfunção neurológica”, afirma Azevedo.
Alterações cardiovasculares também podem aparecer. Pressão arterial baixa, má perfusão periférica, sensação de desmaio, lipotímia ou síncope podem indicar comprometimento cardiovascular e devem ser valorizadas no contexto de uma possível infecção.
Outro sinal que merece atenção é uma mudança importante na produção de urina. Segundo o especialista, quando o próprio paciente ou familiares percebem que, há algumas horas ou dias, ele não está conseguindo urinar adequadamente, isso pode indicar uma disfunção renal.
No
sistema respiratório, falta de ar, alterações importantes na frequência
respiratória e o uso de musculatura acessória para respirar também podem
indicar comprometimento do órgão.
O que observar diante de uma infecção
Para o especialista, a suspeita de sepse deve considerar o conjunto de sinais, e não apenas a presença ou ausência de febre. “Se eu suspeito de sepse, eu procuro sinais de infecção relacionados com o foco infeccioso e sinais gerais de infecção e procuro também os sinais de disfunção orgânica”, resume Azevedo.
A
combinação dessas informações pode contribuir para identificar mais rapidamente
pacientes que estejam evoluindo para um quadro séptico. “Com isso, eu consigo
otimizar o meu diagnóstico e iniciar o tratamento com antibiótico mais
rapidamente”, conclui.
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