Pesquisar no Blog

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Dificuldades de fala afetam até 12% das crianças: como pais e professores podem ajudar?

Especialistas explicam como o olhar atento de professores e familiares no cotidiano pode fazer a diferença na detecção de atrasos de linguagem na primeira infância
 

Dados do Ministério da Saúde apontam que até 12% das crianças de até cinco anos possuem suspeita de atraso no desenvolvimento da comunicação. No cenário geral, estimativas mostram que o atraso na fala e na linguagem afeta de 5% a 12% dos pequenos em idade pré-escolar, englobando condições como o Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL), que acomete cerca de 7% a 8% das crianças, e a Apraxia de Fala Infantil, presente em cerca de 3% dos casos.

Embora o diagnóstico seja uma atribuição médica e terapêutica, o ambiente escolar funciona como um observatório privilegiado. Na rotina da sala de aula, a criança precisa compreender orientações coletivas, formular perguntas, contar acontecimentos e interagir. É nessa dinâmica que dificuldades sutis que muitas vezes passam despercebidas em casa tornam-se mais evidentes.

De acordo com Adriana Fiore Fonoaudióloga Infantil, o sinal de alerta acende quando as dificuldades se tornam persistentes. "Uma criança que frequentemente precisa observar o que os colegas estão fazendo para compreender uma orientação, por exemplo, pode estar apresentando dificuldade de compreensão. Da mesma forma, uma criança que fala bastante, mas não consegue organizar uma história ou explicar claramente o que aconteceu, pode apresentar uma dificuldade de linguagem que merece atenção", explica.

Nathalia Novaes psicopedagoga, da Senses Montessori School, reforça que o papel da escola vai além de propor atividades isoladas. "A linguagem acontece o tempo todo na rotina: nas conversas, nas músicas, nas histórias, nas brincadeiras e nas interações. Mais do que observar quanto a criança fala, precisamos observar como ela está se comunicando", pontua.

Novaes destaca ainda a importância de a escola construir essa ponte com as famílias de forma empática e prática. "Em vez de dizer apenas ‘ele está atrasado’, o professor pode apresentar exemplos concretos do cotidiano. Quando família e escola compartilham essas observações, fica mais fácil perceber se a dificuldade merece uma investigação mais cuidadosa", afirma.
 

Principais sinais de alerta:

Na Escola: Dificuldade para acompanhar instruções do grupo; necessidade constante de olhar para os colegas para saber o que fazer; frustração ao tentar se comunicar; e dificuldades na alfabetização.

Em Casa: Dificuldade para responder a perguntas sobre o dia a dia; não ser compreendida por pessoas fora do convívio diário; e falta de vocabulário variado para a idade.

Especialistas enfatizam que observar cedo não significa antecipar diagnósticos precipitados, mas sim garantir que a criança receba o suporte necessário no momento certo.



Dra. Adriana Fiore - Fonoaudióloga – CRFa 2-12078 - Mestre em Distúrbios da Comunicação (PUC-SP). 
Pós-graduada em Processamento Auditivo Central. Especialista em Voz pelo CEV – Centro de Estudos da Voz. Idealizadora e Diretora da AplusKids.

Nathalia Novaes - Educadora na Senses Montessori Scholl. Formada em Pedagogia e Psicopedagogia. 
Formação Montessori pelo Centro de Estudos Montessori de Florianópolis


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados