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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Botox para bruxismo: solução rápida pode esconder riscos sérios à saúde bucal, alerta especialista

Procedimento cresce nas redes e consultórios, mas especialista da Universidade Positivo alerta que aplicação indiscriminada pode causar perda óssea e não resolve a origem do problema

 

A popularização da toxina botulínica como alternativa para aliviar sintomas do bruxismo tem acendido um alerta entre especialistas da área odontológica. Embora o procedimento tenha ganhado espaço pela praticidade, rapidez e forte apelo estético, a aplicação não trata a causa do problema e pode trazer consequências importantes quando utilizada de forma indiscriminada. 

Segundo Bianca Cavalcante de Leão, especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial e docente dos cursos de graduação e pós-graduação em Odontologia da Universidade Positivo (UP), é fundamental compreender que o bruxismo não é uma doença, mas sim um comportamento. 

“O que acontece hoje é que esse mercado cresce muito mais pela demanda estética e financeira do que por ciência sólida. A toxina pode reduzir temporariamente a atividade muscular e até alterar aspectos estéticos do rosto, mas ela não elimina o bruxismo”, explica. 

A especialista ressalta que, mesmo após a aplicação, o paciente continua apertando ou rangendo os dentes, o que mantém riscos como desgaste dental, dores e até fraturas. 

“Quando a toxina é aplicada, ocorre uma paralisia temporária da musculatura. Isso pode aliviar sintomas em alguns casos específicos, mas o paciente continua com o comportamento de apertamento. Ou seja: ele segue causando danos às estruturas dentárias”, afirma. 

Bianca destaca ainda que estudos recentes colocam em dúvida a eficácia da toxina para controle da dor associada ao bruxismo. “Existem revisões sistemáticas mostrando que, para dor, a toxina não apresentou resultados superiores ao placebo. Por isso, precisamos ter muito cuidado com a banalização desse procedimento.” 

Outro ponto de preocupação envolve os efeitos do uso contínuo da substância ao longo dos anos. 

“O uso prolongado pode causar atrofia muscular e, mais grave do que isso, perda de densidade óssea na mandíbula. Ainda não temos estudos avaliando décadas de aplicação contínua, então precisamos discutir esses riscos com muita responsabilidade”, alerta. 

A docente da UP reforça que a toxina botulínica não deve ser considerada tratamento de primeira linha. Segundo ela, o procedimento deve ser reservado apenas para situações específicas, em pacientes com dor muscular severa e refratária, quando abordagens conservadoras já falharam. 

“O diagnóstico é a chave de tudo. Antes de qualquer aplicação, o paciente precisa procurar um especialista em dor orofacial e disfunção temporomandibular. E é importante desconfiar de soluções rápidas e da ideia de ‘toxina terapêutica’. Esse termo, da forma como vem sendo usado comercialmente, não existe”, conclui. 



Universidade Positivo
em up.edu.br/


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