Comunicação
assertiva, escolha do momento certo e foco em soluções ajudam profissionais a
expressarem opiniões diferentes sem transformar divergências em conflitosMagnific
Discordar de uma decisão da liderança faz parte da rotina profissional. Mudanças em projetos, divisão de tarefas, prazos, estratégias e até a maneira de executar determinada atividade podem gerar opiniões diferentes entre gestores e colaboradores. Apesar disso, o receio de parecer insubordinado, criar um conflito ou prejudicar oportunidades futuras pode fazer com que muitos profissionais prefiram permanecer em silêncio.
Para Rafael Cunha, diretor nacional da Microlins, rede de ensino profissionalizante, apresentar um ponto de vista diferente não precisa ser encarado como um problema. Quando a conversa é conduzida de maneira respeitosa e fundamentada, a discordância pode demonstrar maturidade, pensamento crítico e comprometimento com os resultados. “O profissional não precisa concordar com todas as decisões para manter uma boa relação com a liderança. O importante é entender como apresentar uma visão diferente, deixando claro que o objetivo não é criar um embate, mas contribuir para encontrar a melhor solução”, explica.
Segundo o especialista, saber administrar divergências está diretamente relacionado ao desenvolvimento de soft skills valorizadas no mercado de trabalho, como comunicação assertiva, inteligência emocional, escuta ativa e capacidade de solucionar problemas. Pensando nisso, ele lista seis cuidados para discordar do chefe sem transformar a situação em um conflito.
1. Escolha o momento certo: Questionar uma decisão durante uma reunião com toda a equipe nem sempre é a melhor estratégia, principalmente quando o assunto exige uma conversa mais aprofundada. Se não houver urgência, vale solicitar um momento individual com a liderança. Além de evitar uma exposição desnecessária, isso permite apresentar os argumentos com mais tranquilidade.
2. Leve argumentos, não apenas insatisfação: Dizer que não concorda com determinada decisão sem explicar os motivos dificilmente contribuirá para a discussão. Antes da conversa, organize os pontos que sustentam sua opinião. Dados, experiências anteriores, impactos no projeto e possíveis riscos ajudam a tornar o diálogo mais objetivo. “Existe uma diferença importante entre reclamar de uma decisão e apresentar uma análise que possa contribuir para melhorá-la”, destaca.
3. Cuidado com a forma de falar: Mesmo um argumento válido pode perder força quando apresentado de maneira agressiva. Expressões acusatórias ou frases como “isso não vai funcionar” podem gerar uma postura defensiva. Uma alternativa é apresentar preocupações e possibilidades como “identifiquei este risco” ou “podemos avaliar outra alternativa?”. A escolha das palavras ajuda a manter a conversa concentrada no problema, e não nas pessoas.
4. Escute a justificativa da liderança: Nem sempre o colaborador possui acesso a todas as informações consideradas em uma decisão. Restrições financeiras, demandas de clientes, orientações estratégicas ou decisões de outras áreas podem influenciar determinada escolha. Por isso, antes de defender um posicionamento, é importante compreender os motivos que levaram a liderança ter aquela conclusão.
5. Apresente alternativas: Discordar ganha mais força quando o profissional também contribui com possíveis caminhos. Em vez de apenas apontar o que considera errado, vale apresentar uma solução ou perguntar se outras possibilidades podem ser avaliadas. Essa postura demonstra iniciativa e reforça que o objetivo da conversa é contribuir com o resultado.
6. Entenda quando a decisão está tomada: Nem toda discordância resultará em uma mudança. Depois que os argumentos foram apresentados e ouvidos, a liderança pode decidir manter o planejamento inicial. Quando a decisão não envolve uma conduta inadequada ou uma situação que deva ser reportada aos canais internos da empresa, cabe ao profissional compreender os limites de sua atuação e seguir com as responsabilidades acordadas.
Para
Rafael Cunha, a maneira como o profissional se posiciona diante de uma
divergência também pode contribuir para a construção de sua imagem dentro da
organização. “Empresas precisam de profissionais capazes de pensar, questionar
e contribuir com novas perspectivas. Ao mesmo tempo, é necessário saber fazer
isso com respeito, equilíbrio e responsabilidade. Aprender a discordar faz
parte do desenvolvimento profissional e pode tornar as relações de trabalho
mais maduras e colaborativas”, finaliza.
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