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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Com endividamento em recorde, 40% dos brasileiros planejam controlar os gastos no segundo semestre

Segundo especialista, organizar as despesas é o primeiro passo, mas só a mudança de hábito garante resultado

 

O controle financeiro passou a ocupar o topo das prioridades dos brasileiros para o segundo semestre de 2026. É o que mostra uma pesquisa da Datatudo, divulgada nesta semana, segundo a qual 40% dos entrevistados pretendem anotar e acompanhar os próprios gastos nos próximos meses. O dado reforça que, para grande parte da população, organizar as finanças passou a ser uma meta prática e imediata.

O movimento faz sentido diante da gravidade do cenário atual. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o endividamento das famílias brasileiras chegou a 80,9% em abril, o quarto mês seguido de recorde na série histórica da pesquisa. O levantamento também mostra que o aumento se espalhou por todas as faixas de renda, inclusive entre famílias com renda mensal acima de dez salários mínimos, o que reforça que o problema deixou de ser exclusivo das famílias de menor poder aquisitivo.

"É muito positivo ver que os brasileiros estão priorizando o planejamento financeiro, porque esse é justamente o primeiro passo para sair do endividamento. O problema é que a maioria das pessoas tenta reduzir dívidas sem antes entender para onde o dinheiro está indo. Sem esse mapeamento, qualquer tentativa de organização tende a durar pouco", afirma Rodrigo Mandaliti, presidente do Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança (IGEOC).

Segundo o especialista, o primeiro passo prático é fazer um panorama completo dos gastos, incluindo despesas pequenas e recorrentes, que costumam passar despercebidas.

"Assinaturas de streaming, aplicativos de delivery, compras por impulso: tudo isso parece pouco no dia a dia, mas, somado ao longo do mês, pode pesar bastante no orçamento", explica.

Mandaliti explica que a etapa seguinte é diferenciar entre despesas essenciais e supérfluas, e organizar as dívidas por ordem de prioridade. "É hora de olhar para as dívidas existentes e priorizar o pagamento daquelas com juros mais altos. Quitar primeiro a dívida mais cara evita que os juros continuem corroendo o orçamento enquanto outras contas, com taxas menores, esperam a vez", destaca.

A organização financeira exige acompanhamento contínuo. Diante de um cenário em que a maioria das famílias brasileiras ainda convive com algum tipo de dívida, mudar hábitos de consumo aparece como o caminho mais sustentável para reverter o quadro. Na visão de Mandaliti, o mais importante não é restringir o consumo, mas entender os próprios hábitos financeiros.

"O controle funciona quando vira hábito, com revisão e pequenos ajustes constantes. Quem sabe exatamente para onde o dinheiro está indo tem muito mais domínio sobre o próprio futuro financeiro do que quem apenas tenta cortar gastos no impulso", conclui.

 

IGEOC


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