Segundo especialista, organizar as despesas é o primeiro
passo, mas só a mudança de hábito garante resultado
O
controle financeiro passou a ocupar o topo das prioridades dos brasileiros para
o segundo semestre de 2026. É o que mostra uma pesquisa da Datatudo, divulgada
nesta semana, segundo a qual 40% dos entrevistados pretendem anotar e
acompanhar os próprios gastos nos próximos meses. O dado reforça que, para
grande parte da população, organizar as finanças passou a ser uma meta prática
e imediata.
O
movimento faz sentido diante da gravidade do cenário atual. Segundo a
Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o
endividamento das famílias brasileiras chegou a 80,9% em abril, o quarto mês
seguido de recorde na série histórica da pesquisa. O levantamento também mostra
que o aumento se espalhou por todas as faixas de renda, inclusive entre
famílias com renda mensal acima de dez salários mínimos, o que reforça que o
problema deixou de ser exclusivo das famílias de menor poder aquisitivo.
"É
muito positivo ver que os brasileiros estão priorizando o planejamento
financeiro, porque esse é justamente o primeiro passo para sair do endividamento.
O problema é que a maioria das pessoas tenta reduzir dívidas sem antes entender
para onde o dinheiro está indo. Sem esse mapeamento, qualquer tentativa de
organização tende a durar pouco", afirma Rodrigo Mandaliti, presidente do
Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança (IGEOC).
Segundo
o especialista, o primeiro passo prático é fazer um panorama completo dos
gastos, incluindo despesas pequenas e recorrentes, que costumam passar
despercebidas.
"Assinaturas
de streaming, aplicativos de delivery, compras por impulso: tudo isso parece
pouco no dia a dia, mas, somado ao longo do mês, pode pesar bastante no
orçamento", explica.
Mandaliti
explica que a etapa seguinte é diferenciar entre despesas essenciais e
supérfluas, e organizar as dívidas por ordem de prioridade. "É hora de
olhar para as dívidas existentes e priorizar o pagamento daquelas com juros
mais altos. Quitar primeiro a dívida mais cara evita que os juros continuem
corroendo o orçamento enquanto outras contas, com taxas menores, esperam a
vez", destaca.
A
organização financeira exige acompanhamento contínuo. Diante de um cenário em
que a maioria das famílias brasileiras ainda convive com algum tipo de dívida,
mudar hábitos de consumo aparece como o caminho mais sustentável para reverter
o quadro. Na visão de Mandaliti, o mais importante não é restringir o consumo,
mas entender os próprios hábitos financeiros.
"O
controle funciona quando vira hábito, com revisão e pequenos ajustes
constantes. Quem sabe exatamente para onde o dinheiro está indo tem muito mais
domínio sobre o próprio futuro financeiro do que quem apenas tenta cortar
gastos no impulso", conclui.

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